O calor de uma Comunidade Viva: Oração de gratidão à Capela São Vicente de Paulo.
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
A fotografia tirada no final de cada celebração dominical já se tornou uma das tradições mais bonitas e aguardadas em nossa comunidade. É um momento de profunda comunhão: após receberem a bênção, todos os fiéis se perfilam alegremente diante do altar.
Cada clique registra não apenas rostos, mas um ato genuíno de fé partilhada. Sempre penso que aquelas imagens, ao serem vistas depois, funcionam como um convite silencioso e poderoso, motivando mais irmãos a estarem conosco no domingo seguinte.
No entanto, no domingo de hoje, a motivação que flutuava no ar revelou-se inteiramente especial desde o início.
Cumprimos os ritos com o carinho de sempre. Fizemos a entrega das imagens do nosso querido padroeiro, São Vicente de Paulo, e a tradicional entrega da imagem do Anjo da Guarda a uma de nossas crianças.
Mas, logo após esses momentos devocionais,
algo diferente e extraordinário estava reservado para todos nós.
As leituras da
liturgia neste dia haviam tocado fundo em nossos corações: elas nos falavam da
presença constante de Deus em nossas vidas, daquele Pai amoroso que nos estende
a mão para nos resgatar das tempestades e que caminha sobre as águas revoltas,
convidando-nos a caminhar com Ele e experimentar a leve brisa da Paz.
Inspirado por essa mensagem de amparo, decidi chamar à frente todos os pais que se encontravam no templo. Convidei-os a se aproximarem do altar e conclamei o restante da assembleia a ficar de pé, estender as mãos e, juntos, proferirmos uma grande bênção sobre aqueles chefes de família. Foi um instante sublime de pura conexão, agradecimento e confiança cega no Criador.
Com o coração em paz e a sensação de dever cumprido, preparei-me para encerrar a Celebração da Palavra. Eu estava prestes a proferir os ritos finais e o tradicional "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe", quando uma voz suave rompeu o silêncio do templo e fez com que todos nós parássemos instantaneamente para escutar.
Era a nossa Ministra da Comunhão, a querida Irmã Zélia. Com palavras delicadas e cheias de sabedoria, ela lembrou a assembleia de um detalhe que eu próprio, envolvido pelas obrigações do altar, não havia dado a devida importância: o dia seguinte (2ª feira) seria dedicado a São Lourenço, o santo padroeiro de todos os diáconos.
Em um ato contínuo
de extrema sensibilidade, ela propôs que a comunidade fizesse por mim o que
tínhamos acabado de fazer pelos pais: que todos estendessem as mãos na minha
direção e me ofertassem uma bênção.
Caminho lado a
lado com a Capela São Vicente há mais de dez anos, conheço cada história e cada
família, mas nada me prepararia para o impacto daquele gesto. Em um piscar de
olhos, vi-me cercado por uma multidão de fiéis. Olhar ao meu redor e ver dezenas
de mãos estendidas na minha direção foi uma das experiências mais avassaladoras
do meu ministério.
Era possível
sentir o calor humano, a intenção pura, a fé vibrante e uma gratidão recíproca
que pareciam irradiar daquelas palmas abertas. Como se o divino Espírito Santo houvesse pairado sobre nós. A emoção me tomou de tal forma
que o peito apertou e eu me vi beirando as lágrimas, tomado por uma felicidade
que mal cabia em mim.
Aquele foi, sem
dúvida alguma, um dos gestos mais belos e puros já presenciados nesta manhã de
domingo por uma comunidade tão repleta de amor a Cristo.
Vocês demonstraram, na prática viva e cotidiana, a verdadeira fraternidade que o Senhor da história nos propõe. Há mais de uma década eu busco servir a vocês, mas foram vocês, meus irmãos, que me sustentaram e me alimentaram com a sua fé até este dia. Minha eterna gratidão a cada um.
Obrigado, Comunidade São Vicente de Paulo!
Parabéns por serem essa igreja viva, pulsante e acolhedora da Paróquia Cristo Bom Pastor!
Brasilândia/MS, 09
de agosto de 2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário