segunda-feira, 4 de maio de 2026

 

Libaneza Center: Onde o passado floresce em gratidão
Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 




Em tempos de liquidez, como bem descreveu o filósofo Zygmunt Bauman, a vida parece escorrer por entre os dedos. As memórias, como águas de um rio apressado, arriscam-se a desaparecer no silêncio do esquecimento. Especialmente nos pequenos recantos do mundo, onde a história nem sempre se escreve em letras de forma, os momentos de glória podem ser varridos pelo vento se não forem eternizados pelo afeto e pela palavra escrita. 

Brasilândia, contudo, parou para respirar no dia 3 de maio de 2021. Naquela manhã, o tempo não fluiu; ele se fez monumento. O que se viu não foi apenas a abertura de portas, mas o desabrochar de um legado: a nova Libaneza Center, erguida sob o sol com o brilho da modernidade e a solidez dos sonhos realizados. Lá, entre o perfume das flores e o frescor das novas paredes, os olhos de Regina Célia Zogheib Bertonha marejavam, refletindo a luz de um coração que batia no ritmo acelerado da vitória. 

No silêncio de sua prece íntima, Regina viajava no tempo. Encontrava, no ano de 1948, as ondas de um mar rebelde sendo vencidas pela coragem de Farhat Zogheib, seu pai. Para trás, ficava um Líbano ferido pelas cicatrizes da Grande Guerra e pela depressão econômica. Na mala, quase nada; no peito, a imensidão da esperança. Ao desembarcar no Brasil e instalar-se em Junqueirópolis, o jovem imigrante não buscava apenas fortuna, mas um destino. 

A semente da prosperidade germinou rápido. Em 1953, o esforço transformou o empregado em proprietário. Ao lado de sua esposa, Yolanda Baggio Zogheib, Farhat fundou a "Casa Libaneza". Regina, a menina nascida em 1960, cresceu entre o balcão e os materiais de construção, aprendendo que o comércio é, antes de tudo, a arte de servir. 

A partida do pai, em 1994, embora tenha deixado um vazio imenso, não apagou a chama empreendedora da família. O esteio se foi, mas o carisma permaneceu. Quatro anos depois, guiada por desígnios que transcendem o plano terreno, os olhos de Regina miraram além da margem direita do Rio Paraná. 

Nas férias em que visitava o esposo Celso Bertonha e o sogro na lida agropecuária, ela percebeu que Brasilândia era o solo que esperava por sua história. Em julho de 1998, o veredito do coração: "Já não me via mais longe do Mato Grosso do Sul". E assim, em 5 de dezembro daquele ano, a Libaneza Center abria suas portas na Avenida Boa Esperança. 

O que começou em um espaço tímido e alugado, floresceu sob a confiança do povo brasilandense. O "mix" de produtos cresceu; as ferramentas ganharam a companhia da papelaria, da decoração e do aconchego de cama, mesa e banho. O espaço ficou pequeno para a grandeza daquela visão. 

Hoje, decorridos mais de 22 anos, o ciclo se completou com a inauguração do prédio próprio — a maior e mais imponente loja da cidade. Um espaço setorizado, amplo e moderno, pensado para que cada cliente se sinta em casa. Um presente arquitetônico que engrandece o município e oferece alternativas que vão das utilidades domésticas ao rigor dos materiais profissionais. 

Mais do que uma estrutura de concreto e vidro, a Libaneza Center é um gesto de gratidão. Por meio de cada colaborador, a empresa devolve à cidade o carinho e o prestígio recebidos ao longo de duas décadas. Parabéns, Regina Célia Zogheib Bertonha. Parabéns, Libaneza Center. 

Que a luz de Farhat e Yolanda continue a iluminar os corredores desta casa que, nascida de uma malinha de mão e atravessando oceanos, hoje é o orgulho de Brasilândia. 

Brasilândia/MS, 4 de maio de 2026. 5º aniversário de inauguração na nova sede da Libaneza Center.

Foto: Jornal de Brasilândia, 1999 e Dutra, 2021.

Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2021/05/libaneza-center-e-o-olhar-de-gratidao-e.html




 

domingo, 3 de maio de 2026

 

Memórias de Luta e a Saga do SINDIBRAS.

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra.


 




As sementes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Brasilândia — o SINDIBRAS — foram plantadas em solo fértil de esperança no dia 4 de maio de 2002. Contudo, a jornada para transformar o sonho em direito gravado no papel foi longa. O primeiro marco oficial viria apenas em 26 de março de 2007, quando a entidade registrou sua existência sob o número 079 do Livro 2-1, Folhas 147 vº, no Cartório de Brasilândia.

Por uma década inteira, os dirigentes do sindicato travaram uma batalha silenciosa e persistente. Faltava-lhes a tão almejada Carta Sindical — o documento que não apenas legitimava a força da categoria, mas que também serviria de escudo e espada nas negociações junto ao poder público. Até então, a prefeitura local ignorava a voz da entidade. Somente dez anos após a sua fundação é que o sindicato finalmente pôde erguer o documento que oficializava sua força reivindicatória. 

A verdadeira gênese dessa história remonta a tempos ainda mais distantes. O servidor público Marcos Eduardo Costa Brasil, fundador e primeiro presidente, já buscava desde 21 de setembro de 1993 — sem sucesso — a inscrição da entidade no burocrático labirinto do Cadastro Nacional de Entidades Sindicais do Ministério do Trabalho e Emprego. Era um esforço solitário que antecipava as lutas que estavam por vir. 

O destino do SINDIBRAS começou a mudar de rumo em 2005. O sopro de renovação veio em 2 de setembro daquele ano, quando uma assembleia geral elegeu a primeira Comissão Eleitoral. Semanas depois, no domingo de 16 de outubro de 2005, a categoria se reuniu em uma modesta casa na Rua dos Associados, nº 905, no coração da cidade, para escolher sua primeira diretoria oficial. 

Sob o olhar atento de Cleiton de Oliveira Caitano (presidente da mesa), Nilson de Oliveira (secretário) e Clemente Cardoso Farias (escrutinador) — todos servidores e homens de fibra —, os votos foram contados. Todo o rito cumpria rigorosamente o edital publicado em setembro nos murais da Comarca, no Paço Municipal e na Câmara. Para garantir a lisura e a proteção jurídica daquele momento histórico, os trabalhos foram assessorados pelo advogado Carlos Alberto dos Santos Dutra (OAB/MS nº 10.179).

Ali, naquele domingo de sol em Brasilândia, a categoria não apenas elegia seus representantes: ela começava a escrever, em definitivo, a sua própria história de liberdade e direitos. 

Brasilândia/MS, 4 de maio de 2026.

Fonte: A história completa do SINDIBRAS o leitor encontra no Volume 2-Patrimônio, da coleção História e Memória de Brasilândia/MS, páginas 426 a 430.