segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 

A reeleição e a supremacia feminina na Câmara de Brasilândia/MS

Carlos Alberto dos Santos Dutra





O resultado das eleições municipais em Brasilândia/MS revelou o que já era aguardado para o cargo de prefeito com a vitória do candidato Dr. Antônio de Pádua Thiagodo MDB, que confirmou sua preferência para os 3.936 eleitores (64,61%) que lhe confiaram mais quatro anos de mandato. Drª Léa, do PSDB, com 1.899 votos, conquistou 31,17% dos eleitores e Oliveira Júnior, do PTB, apenas 257 votos (4,22%).

A maior novidade, entretanto, aconteceu na Câmara que passou por uma significativa renovação de nomes e de gênero. Agora o Legislativo terá cinco mulheres nos próximos quatro anos, sendo duas reeleitas e três novas vereadoras. 

A veterana Jô Silva, de 49 anos, que desde 2012 está na política e parte agora para o seu segundo mandato, obteve 225 votos, pela sigla do PSDB e foi a 6ª mais votada. E a vereadora Néia Assistente Social, de 41 anos, que foi reeleita para seu segundo mandato pela sigla do MDB, com 431 votos, a segunda mais votada nesta eleição de 2020.

Sem dúvida, isso já era esperado, uma vez que em seus mandatos essas vereadoras haviam se destacado, cada uma no seu campo ideológico, levando a diante com afinco seus projetos e propostas. Como presidente da Câmara, na atual legislatura, a vereadora Jô Silva enfrentou grandes desafios na condução dos trabalhos do Legislativo frente a denúncias em face do Executivo, o que foi sempre rebatido, como era de se esperar, pela vereadora Néia Assistente Social, desempenhando a risca o papel de paladino e líder do Prefeito na Câmara.

Entre as novatas eleitas para o cargo de vereador pela primeira vez, encontra-se a experiente Márcia Amaral, assistente social, de 51 anos, pela sigla do PSDB, que arrebanhou 457 votos nestas eleições. Para quem já foi vice-prefeita e candidata a prefeita de Brasilândia, era de se esperar que ela fosse a mais votada, o que lhe confere responsabilidade e um referencial promissor à frente do Legislativo brasilandense.

As outras duas mulheres, estreantes na política, ambas pelo MDB completam o quadro que irá conferir maior empoderamento feminino à edilidade local. Patrícia do Banco, que surpreendeu pela firmeza de suas convicções e poder de convencimento pelas mídias sociais, conseguiu arregimentar 235 votos, o que lhe garantiu a 4ª colocação entre os vereadores mais votados. 

E a candidata Selma Alquaz, de 43 anos, que conquistou a confiança de 178 eleitores e também pelo trabalho junto ao Conselho Tutelar, o que lhe garantiu ser eleita como o 8º vereador mais votado nestas eleições.

Uma lástima não ter sido eleita, para completar este quadro combativo a suplente Juliane do Porto, do DEM, que conquistou com garra e determinação 178 votos, perdendo a posição, por uma diferença mínima de 10 votos, para o companheiro de partido, o experiente Quinca da Fenix, de 62 anos, reeleito pela 4ª vez com 187 votos. Ele confirmou sua trajetória de vitórias iniciada em 2008 quando obteve 343 votos; em 2012 quando obteve 282 votos, e na última eleição de 2016 quando conquistou 331 votos.

Entre os candidatos masculinos, o pleito ainda reservou outra surpresa entre os novatos: Nivaldo Polícia, de 53 anos, pelo PSD, que foi eleito com 172 votos, deixando para trás, por uma diferença de apenas 10 votos, o jovem idealista Prof. Deley, do mesmo partido, que obteve 162 votos. Embora o policial fosse apresentado como estreante na política, nas eleições de 2000 ele já havia concorrido a vereador conquistando 132 votos, que foram insuficientes na época para elegê-lo.

Outro nome eleito foi o brasilandense Quintino do Agro, de 57 anos, o 3º mais votado que somou 260 votos pela sigla do DEM. Com esse feito ele viu coroada uma brilhante caminhada iniciada em 1988 quando concorreu pela 1ª vez e conquistou 78 votos; depois em 1992, obteve 115 votos, e na eleição passada, em 2016, quando colecionou 204 votos. Sua presença na Câmara deverá representar significativa mudança influenciando no jeito de olhar e atuar dos vereadores.

A renovação só não foi completa em razão da reeleição de outro candidato, o Edinho do Master, de 45 anos, ex-PT, vinculado agora ao partido PODE, que foi o 4º mais votado, com 227 votos. De certa forma ele confirmou sua trajetória política iniciada em 2012, quando obteve 162 votos, e em 2016, quando obteve 216 votos. Não fosse a expressiva votação que lhe garantiu a reeleição, a vaga estaria garantida, com grande proveito para a comunidade, ao atuante José Henrique que concorria pelo mesmo partido e obteve 157 votos.

De um total de 9.324 eleitores inscritos em Brasilândia, compareceram às urnas 6.392 eleitores, deixando de comparecer 2.932 eleitores, ou seja, 31,44% dos eleitores deixaram de votar. Este alto índice de abstenção que, por um lado fez falta aos candidatos para mudar o rumo das eleições no município, por outro, revelou que o isolamento social e o desencanto do cidadão em relação à política em geral, contribuiu para reduzir a participação do povo nas eleições.

Os novos nomes eleitos, em síntese, revelam mudanças na correlação de forças no cenário ideológico da Câmara a partir de 2021. Com um staff de seis representantes a situação, agora obtém, em tese, a força política que o Executivo necessita para fazer frente a oposição e colocar em prática os projetos que almeja para a Brasilândia que todos amam desenvolver-se e que a partir do ano que vem deve se portar de maneira muito mais coesa e menos polarizada.

Orquestra que as cinco mulheres eleitas podem reger com maestria, graças à sensibilidade de gênero que as torna maioria no Legislativo contra o bloco minoritário formado por quatro homens, o que deverá garantir novas pautas e supremacia da inteligência feminina nas votações e decisões. 

Mas isso, só tempo dirá. Por ora, resta parabenizar aos eleitos pela vitória desejando-lhe um frutuoso e democrático mandato. E também aos demais candidatos que não alcançaram o numero de votos necessários para se elegerem, a despeito de terem apresentado brilhantes projetos e propostas de trabalho. 

Brasilândia/MS. 16 de novembro de 2020.



sexta-feira, 13 de novembro de 2020

 

Edmilson Martins Rosa: Bugão e seu singelo coração.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

A despedida de um amigo sempre é dolorosa, sobretudo quando este amigo tem laços de sangue, tem família, tem uma história de vida para ser contada, para ser lembrada.

Com certeza a pessoa de Edmilson Martins Rosa deixa muitas lembranças no coração daqueles que estavam a sua volta e também dos que se encontravam distantes.

A legião de amigos que possuía, sim, tem um motivo muito simples para dele lembrar. Aliás, simplicidade era a sua marca registrada.

Nascido e criado em Brasilândia, fazia parte do cenário natural e bucólico desta cidade, com todos os seus nuances, virtudes e limites.

Filho do senhor José Pedro Rosa e dona Adila Martins Rosa, o pequeno Edmilson Martins Rosa nasceu no dia 10 de setembro de 1976, e muito cedo, à medida que foi se tornando homem, ganhou o apelido de Bugão, passando a ser conhecido de todos.

Todos que o conheceram testemunham que ele tinha um coração enorme, talvez por isso ele ostentasse aquele corpo generoso para guardar tão preciosa relíquia de onde transbordava gentileza e generosidade.

Sempre muito dedicado e prestativo, frequentou a Escola Estadual Adilson Alves da Silva, depois trabalhou por muitos anos do comércio local, na Conveniência 24 horas do Fita.

De formação e profissão eletricista transparecia ao andar pelas ruas felicidade e contentamento; sentia satisfação viver e mostrar seu trabalho a qualquer um, por mais simples que sua obra fosse.

Quando jovem, um dia sonhou dedicar sua vida a Deus. Pensou em ser padre, chegando a frequentar por algum tempo um seminário no Sul do país dirigido para jovens que quisessem abraçar a vocação sacerdotal. Mas o chamado que Deus o havia reservado para permanecer aqui, e servir Brasilândia com o seu dom.

Para as camadas sociais mais abastadas, talvez o Bugão passasse despercebido, um transeunte qualquer. Poucos percebiam sua camaradagem ou lhe davam o devido valor.

Somente quem lhe dedicasse um minuto de atenção poderia perceber que ali, sob aquela pele cor de jambo e olhar de gratidão, se encontrava um jovem cidadão, alegre e descontraído, simples demais para ser bem compreendido.

Ainda aluninho na escola, nos primeiros anos de colégio, lembra a professora Jucli Stefanello Peruzo, sempre foi muito querido; uma criança dócil e amorosa. E assim se tornou rapaz, um cidadão trabalhador, escreveu ela nas redes sociais.

A professora Maria Rita Santini também partilha deste sentimento exaltando agradecida a alma profundamente humana de Bugão e seu dedicado pai Zico a quem presta suas condolências. 

Quando menino, lembra, auxiliava o seu pai em um serviço na minha casa. Sempre muito sorridente ele colocava na carriola a minha filha ainda pequena e dava voltas no quintal, correndo. E ela sorria a valer, feliz. Depois de adulto, continuou sempre muito atencioso com todos, recorda com saudade.

E é esse menino jovem de 44 anos de idade que hoje se aparta de todos nós. Deixa a cidade, os amigos e os familiares. E nesta partida deixa também lembranças, saudade e oportunidade para que lhe possamos agradecer e dizer: até breve, amigo Bugão, amigo de um singelo e generoso coração. 

Descanse em paz irmão.

Brasilândia/MS, 13 de novembro de 2020.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

 

As flores e o encantamento de dona Ignes.

Carlos Alberto dos Santos Dutra 


 



O corpo levemente inclinado para trás se apoia nos braços de quem confia. 

O olhar para alto vai ao encontro do rosto de quem a abraça. 

O homem gentil a toma pelo braço enquanto a envolve numa aura de ternura e alegria. 

A mulher, ao reclinar, suas mãos postas figuram como se uma prece de agradecimento e júbilo por estar ali fizesse, naquele momento mágico.

Ele é só encantamento. Parece estar diante do melhor momento de sua vida, o mais importante. E sorri. Assim como sua amada, que estampa no rosto largo olhar de felicidade. 

O azul do vestido, de corte bem talhado revela elegância e bom gosto. Cor que contrasta com a delicada correntinha que ostenta no pescoço deixando cair sobre o peito a medalha que acompanha a expressão de sua fé.

O momento de rara beleza captado pela lente do fotógrafo há de se eternizar no tempo, atravessar gerações inteiras motivadas por este gesto de grandeza antológica, despertando para a sedução e o encanto que o quadro inspira. 

No contorno e estampa deste quadro real, é possível sentir a força e a emoção que a mensagem e suas cores transmitem. Sentimento que fulmina em cheio nossos corações.

Um casal assim é coisa rara, coisa de cinema. Ainda mais quando viveram juntos 70 anos, trilhando lado a lado uma longa e linda história de amor. 

História cheia de alegria e testemunho de vida, cultivada num jardim repleto de flores, frutos e rebentos que continuam sempre a florir.

Para quem veio ao mundo, passou a infância, cresceu e casou numa cidade de nome Paraíso, é razão suficiente para explicar o longevo percurso de vida feliz que trilhou.

Anos cheios de graça e abundância vividos por dona Ignes da Costa Souza ao lado do esposo Joaquim Ferreira de Souza, aquele que, mesmo nas horas difíceis enfrentadas pelo casal, o sorriso e o abraço de confiança nunca lhe faltou.

Ela manteve o afeto demonstrado até o final de seus dias, quando a doença a impediu de sorrir e abraçar aquele que há 15 dias, o Céu lhe roubou primeiro. 

Ah, esse amor verdadeiro, liame de companheirismo e respeito, alegria e perfume, que aos poucos foi se esvaindo. Ah, aquela saudade tamanha de sair correndo ao encontro daquele que o olhar se acostumou...

Mas, eis que lá, no horizonte florido, em outro lugar Paraíso, acenando entre as flores, ela vislumbra um ramalhete abraçado, embalado pelo vento, saudando sua chegada. 

E lá vai a noiva Ignes, cheia de graça, radiante, percorrendo entre as flores, sem dores, toda vestida de azul, olhando para o alto sorrindo. E agradecendo a Deus pelo feliz encontro com seu amor encantado, juntinhos na eternidade.

Brasilândia/MS, 6 de novembro de 2020.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

 

Quem são e o que pensam os candidatos a prefeito de Brasilândia?

Carlos Alberto dos Santos Dutra

 

Estamos a doze dias das eleições e os candidatos entram na reta final da campanha neste tumultuado ano de pandemia. O eleitor já definiu o nome de sua preferência para candidato a vereador. Entre os 67 concorrentes (depois de duas renúncias), todos já disseram que desejam o melhor para Brasilândia. Eis que agora o cidadão tem outro desafio: escolher o melhor nome para prefeito de sua cidade.


Acima de todas as paixões movidas mais pelo afeto do que pela razão, instala-se agora o dever de passar a limpo os três nomes que se propõem a sentar na cadeira de prefeito da cidade e governá-la por quatro anos. O ideal teria sido a promoção de um debate público entre os candidatos para que eles pudessem expor suas ideias ao vivo confrontando-as com os demais.


O isolamento social e os cuidados preventivos em relação à Covid-19 impediu isso, dificultando a exposição e acesso ao grande público, o que só foi rompido pelas mensagens, lives e vídeos postados nas redes sociais, onde o cidadão teve escassa chance de interagir com os candidatos.


Para o Executivo local concorrem três nomes: dois novos e um veterano na política. Da parte dos novatos, o candidato do PTB aventura-se heroica e quixotescamente com chapa completa, não se coligando a nenhuma outra sigla. Legenda, aliás, que traz consigo no seu histórico de vida, um rol de vitórias expressivas nos pleitos municipais em datas passadas.


Há de se lembrar dos nomes do professor José Cândido da Silva, eleito prefeito em 1988 e candidato não eleito em 1996; a professora Sandra Aparecida Louzada da Costa, candidata a prefeito, não eleita em 1992 e o médico Dr. Flávio Ercio Coelho de Vasconcelos, candidato a prefeito, não eleito em 2004.


Marco na luta trabalhista no Brasil, este partido fundado por Getúlio Vargas em 1945 detém conquistas que perduram até hoje, apesar das investidas neoliberais para destruí-las. Até a eleição passada o PTB tinha em Brasilândia 130 filiados que continuaram levando adiante o ideário do partido, entre eles o nome da saudosa prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral, uma das pioneiras, que figurava em 2004 a frente da legenda.


Este é o legado que o cidadão Nilson de Oliveira (1) carrega como candidato a prefeito. Conhecido pelo epíteto Ninja, é servidor público, preside o Sindicato dos Servidores do município, tem 61 anos, nasceu em Rio Preto/SP e residente em Brasilândia há 31 anos. Politicamente, sua candidatura é uma espécie de volta ao passado quando a política era confiada àqueles que, por fazerem parte das classes populares, entendia que por elas a administração devia ser manejada. 


Distante do olhar ideológico, a roupagem nova de suas palavras alcançam os eleitores sobretudo pela emoção. De forte identificação com o povo, ele e seus 13 candidatos a vereador falam da vida cotidiana, demandas existenciais e carências que emanam da própria condição excluída da maioria do eleitorado que busca espaço no poder para ascender e fazer valer suas ideias e reivindicações.


O antigo artesão, radialista, fundador da extinta Guarda Mirim e animador da Fanfarra municipal, já foi candidato a vereador pelo PSDB em 2012 e obteve 97 votos. Não obstante, é potencialmente um dos concorrentes que mais se amolda àqueles que buscam um contato íntimo com o governante e confiam que poder de decisão que precisam dele possa emanar.


Quem o auxilia para superar os limites de seus propósitos, sem dúvida, é o candidato a vice-prefeito escolhido: o jovem Marcos Rodrigues Teodoro, de 39 anos, nascido em Panorama/SP, com instrução superiora e formação técnica industrial. Um idealista, estreante na política que, em tese, deve acrescentar com sua capacidade profissional total credibilidade e confiança de um filho da terra à candidatura do PTB ao governo de Brasilândia.


A partir dos vídeos postados nas redes sociais é possível descrever o perfil popular de Oliveira Júnior quando ele enfatiza o desejo de governar com simplicidade e transparência, com alegria e humildade, propondo uma política nova com projetos novos. Com a ressalva de que não precisa de porta-voz, não tem o rabo preso, e não vai [permitir ninguém] mamar na teta, deixa escapar seu descontentamento em face de sua antiga legenda mãe, queixando-se ainda de que muitos de seus projetos estão sendo copiados pelos demais candidatos.


Na lista de projetos que, segundo ele, são todos ótimos, estão: farmácia do povo nos bairros e distritos; retornar o esgoto urbano para a gerência do município, retirando-o da SANESUL; a construção de um balneário municipal; garantir o projeto do jovem aprendiz, em parceria com o SEBRAE, comércio e empresas. 


Enfim, defende uma administração voltada para a obra humana, conclamando a sociedade como um todo, com um detalhe surreal: a união das igrejas cristãs para, através da evangelização, abraçar e corroborar para resolver as questões sociais do município, afirmou ele em um de seus vídeos.


Sua candidatura, sob o aspecto da estratégia eleitoral pode ser entendida como um equívoco: desprezou a possibilidade de compor numa coligação com siglas que historicamente foram aliadas, e assim, participar de um projeto maior de poder. Perde, assim, o PTB, a possibilidade de aumentar suas chances de mudar o cenário da política local imprimindo, quiçá, o viés popular que seu discurso defende. 


Outro candidato que concorre ao Executivo brasilandense vem das fileiras históricas do PSDB que nestas eleições aliou-se ao novo partido PODE. A chapa tem como cabeça a candidata nascida em Três Lagoas, Léa Karla de Moura Dias (2), médica de 40 anos, e que escolheu para sua coligação o slogan Por uma Brasilândia com oportunidades justa e humana.


Sua legenda em nível nacional nasceu após a abertura política no ano de 1988 pelas mãos de Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, dissidentes do PMDB, na época. Aqui em Brasilândia o partido tucano detém nomes conhecidos de eleições passadas: Marilza Maria Rodrigues do Amaral, candidata eleita prefeita em 2000; Messias Pereira dos Santos, candidato a vice-prefeito, não eleito em 2008; Márcia Regina do Amaral Schio, eleita vice-prefeita em 2012 e candidata a prefeita, não eleita em 2016, entre outros.


Drª. Lea tem como candidato a vice Thiago da Silva Gonçalves, jovem de 27 anos, natural de Panorama/SP, que é estreante na política. Seu nome reforça as ideias do partido que em 2016 possuía 284 filiados e era o 2º maior partido político de Brasilândia. Está coligada ao partido PODE, nova denominação do antigo Partido Trabalhista Nacional-PTN obtida a partir de uma frase de Barack Obama: Yes, we can (Sim, nós podemos) adotada pelo partido.


A legenda do PODE, sem dúvida, agrega valor à candidatura do PSDB por se tratar de um partido que, em nível nacional, defende mecanismos de democracia direta, para a gestão pública: plebiscitos, referendos, veto popular e o direito de revogação. Renata Abreu e Álvaro Dias são líderes deste partido e propõem, entre outras coisas, que o cidadão tenha o direito de vetar leis já aprovadas, participando de todo o processo democrático.


Drª Léa, que adotou Brasilândia como sua cidade, iniciou seu trabalho como médica em 2007 prestando atendimento inicialmente no Posto de Saúde do Reassentamento Novo Porto João André, passando pela Aldeia Ofaié, Estratégia da Saúde da Família-ESF-1 no bairro Mão Amiga e também no Hospital Municipal Dr. Júlio César Paulino Maia, durante quase 12 anos.


Foram muitos anos de dedicação, acolhimento, atendimento humanizado, visitas domiciliares, correria contra o tempo em transporte para salvar vidas, foram anos de troca de experiência, aprendizado e trabalho em equipe, declarou ela em outubro de 2018 quando deixou (3) o Hospital de Brasilândia.


Suas propostas têm ressonância nas apresentações dos 25 candidatos a vereador de sua coligação, onde manifestam todo o seu empenho e interesse em contribuir para o desenvolvimento da cidade. 
Para isso elenca alternativas em favor da segurança pública querendo implantar um sistema de vídeo monitoramento para inibir a criminalidade; solicitando aumento de efetivo e viaturas para as polícias civil e militar; instalando uma unidade do Corpo de Bombeiros no município.


No campo da produção defende o apoio efetivo a projetos de piscicultura. Inova com a implantação do Gabinete Popular que cria um canal de diálogo direto com a população. No esporte, informa que irá readequar e reestruturar as áreas para a prática de esportes, tanto na cidade como no interior do município, bem como ativar a piscina do Parque Akira Otsubo. No campo da cultura se compromete reestruturar e dar maior apoio aos integrantes da Fanfarra Municipal, entre outras propostas.


A candidata recebe apoio dos deputados estaduais Mara Caseiro, presidente do PSDB Mulher do Estado, e Paulo Correia, presidente da Assembleia Legislativa; e dos deputados federais Rose Modesto e Beto Pereira que prometem dar-lhe o suporte necessário em nível estadual e federal ao seu mandato. Staff político que dá garantia de amplos canais para a viabilização de recursos para seus projetos.


Ela defende ainda no campo da Educação: escola em período integral; adequação nas creches municipais; melhorar as rotas do transporte escolar; informatizar a biblioteca municipal; implantação do programa de psicossupervisão pedagógica a alunos e professores em todas as escolas; garantir bolsas de estudos para os alunos universitários.


Já no campo da Saúde, sua área de maior conhecimento, propõe melhorar e aprimorar o que já existe acrescentando: contratação de mais médicos especialistas; descentralização da farmácia municipal; construção de um centro de fisioterapia; centro de atendimento domiciliar; Plano de Cargos e Carreiras para os servidores da Saúde, entre outras iniciativas.


A fala é comedida, a voz é do coração, e o rosto transparece beleza e sinceridade. Suas apresentações em vídeo, ao observador mais atento, o faz voltar no tempo diante de alguém tão cheia de boa vontade e idealismo que acredita ser capaz de levar amor e bem estar ao cidadão esquecido. Intenção que contrasta com a dureza do mundo atual e a astuta militância dos oponentes de menor penhor.


O terceiro candidato concorrente é Antônio de Pádua Thiago, popular Dr. Antônio (4), um veterano que está na política local há 28 anos. Concorre pela coligação MDB, DEM e PSD, com o slogan Brasilândia que eu amo. Médico de profissão, tem 60 anos e nasceu em Três Lagoas. Concorre a reeleição tendo como vice, Gabriel Baez Gonçalves, popular Dr. Gabriel, igualmente médico, 40 anos, nascido em Bela Vista.


O candidato estreou na política no ano de 1992 através da sigla do PTB, elegendo-se o 6º vereador mais votado entre os 46 que disputaram as eleições naquele ano, obtendo 178 votos. A partir de 1995, já pela legenda do antigo PMDB, ajudou a escrever a história deste partido do qual jamais arredou o pé. 


Depois de candidatar-se a prefeito em 1996 não elegendo-se, Dr. Antônio concorreu nos quadriênios seguintes elegendo-se prefeito nos anos de 2004, 2008 e 2016. Em 2012 o PMDB lançou a prefeito o nome da Profª Eurides Palharis Lins, que não elegeu-se.


Nestas eleições de 2020, valendo-se também de vídeos postados no facebook, o candidato se comunica com os eleitores apresentando o que chamou de minissérie dividida em 15 capítulos para informar e relembrar o que realizou nos três mandatos que esteve à frente da prefeitura local. No entendimento dos analistas expert em marketing ele está correto: quem busca reeleição deve falar o que fez; os novatos, falam do que se propõem fazer.


E assim tem sido o roteiro de suas lives e apresentações. Vale-se do farto rol de obras que suas exitosas administrações realizaram ao longo dos anos para mostrar a todos a marca pessoal que imprimiu nestes feitos e dividendos políticos que acumulou durante 12 anos. Sem dúvida, tal volume de brilhantes conquistas configura visível vantagem sobre os demais concorrentes, tornando-o preferido da maioria dos eleitores.


Como se não bastasse, vale-se de vasta gama de novos projetos e propostas apresentados pelos 29 candidatos a vereador que compõem sua coligação, sendo que somente três deles buscam a reeleição. Lacunas existentes na atual administração, no campo do relacionamento com a sociedade, confiam seus eleitores, caberá a ele equacioná-las.


Há, entretanto, aqueles mais exigentes que preferem, não somente relembrar as obras do passado, úteis, necessárias e aplaudidas por todos, mas também cotejá-las com o presente, alinhando-as com o futuro. Até mesmo por dever de isonomia e simetria na disputa com os demais candidatos. A correlação de forças seria explicitada e os pesos e as medidas poderiam ser mais bem avaliados na balança do entendimento que dá sustentação ao voto do eleitor.


Sua candidatura, entretanto, renova o inestimável apoio de nomes de expressões na política estadual e nacional. Demonstra o quão bem relacionado ele é na esfera de seu partido e aliados. É o que confirmam as declarações do deputado federal Fábio Trad; do ex-governador André Puccinelli; do senador Nelsinho Trad; da ministra da Agricultura, Tereza Cristina; da senadora Simone Tebet, entre outros, que manifestaram apoio à candidatura de Dr. Antônio.


Situação que lhe confere tranquilidade e conforto eleitoral, arrisco dizer. Dá-lhe quase uma garantia de vitória no dia 15 de novembro. Vitória, entretanto, que está sendo conquistada com os olhos no retrovisor da história. Realidade que mostra um consistente e progressista percurso, mas que reclama atenção ao para-brisa de um veículo social --nestes tempos líquidos, diria Zygmunt Bauman (5)--, em constante movimento.


A cada trecho da estrada, diz a canção de Belchior imortalizada pela gaúcha Elis Regina, há sempre o alerta a ser dado: cuidado meu bem, há perigo na esquina (6).

 
Aos três candidatos, portanto, cabe lembrar do risco de se menosprezar a aparente fragilidade do outro, descuidando ou subestimando suas virtudes. Pois uma coisa é certa: a decisão não está nas mãos dos candidatos e sim nas mãos daqueles eleitores que se sentirem melhor representados e respeitados a cada eleição.





Brasilândia/MS, 03 de novembro de 2020.



sábado, 31 de outubro de 2020

 Dia de Finados, um encontro com a Vida.

Carlos Alberto dos Santos Dutra.







A imagem que temos das pessoas vai se apagando com o tempo. São rostos, contornos, vozes, e até sorrisos que aos poucos vão enuviando de nossa mente. Esquecemos, com o passar dos dias, dos meses, dos anos, nomes, lugares e também das pessoas que um dia nos aproximamos. É assim com aqueles que já partiram: são lembrados nos primeiros anos, todos os dias. Depois, são lembrados em épocas distintas, como data de aniversário de nascimento, e por fim chegamos ao ponto de esquecer a data de seu falecimento. Está encerrado o ciclo da vida.

No Dia de Finados, entretanto, essas lembranças retornam com força, num dia dedicado exclusivamente a estes desaparecidos. E isso é motivado por uma tradição que envolve muita religiosidade e respeito, sobretudo pelos cristãos que reservam no seu calendário um dia especial para rezar pelos mortos.

O hábito teve origem no século X por iniciativa do abade beneditino Odilo que recomendou aos membros de sua abadia dedicarem todos os anos, no dia 2 de novembro, suas orações à alma daqueles que já se foram. Este gesto, segundo ele, resgatava um dos elementos principais da cosmovisão católica da época: a perspectiva de que boa parte da alma dos mortos está no Purgatório, passando por um processo de purificação para que possam ascender ao Paraíso.

Isso se deduz pelo fato da Igreja ter consagrado o dia 1º de novembro como Dia de Todos os Santos, dia em que se reza por aqueles que morreram em estado de graça, com os pecados perdoados e que trabalharam de forma extraordinária à causa do Evangelho. É compreensível que o dia seguinte, o dia 2 de novembro, seja considerado o mais apropriado para se fazer orações por todos os demais falecidos, aqueles que precisam de ajuda para serem aceitos no céu[1].

Cada parte do mundo celebra esta data a seu modo. No México, por exemplo, existe a chamada Festa dos Mortos, de origem indígena[2]. Já no Brasil a tradição é: independendo da temperatura da região, visitar os que já morreram é uma obrigação das primeiras horas do dia[3]

Dia de finados, portanto, é dia de visitar os cemitérios, levar flores, acender velas e rezar pelos que já morreram. Momento carregado de sentimentos e expressão de respeito aos que já se foram, e que se vale de gestos e símbolos: as velas que são acesas próximo aos túmulos, para iluminar caminhos, e as coroas de flores em forma de circulo que representam a vitória da vida sobre a morte.

Neste ambiente de recolhimento, também acontece algo que desperta para outro significado do Dia de Finados[4] que é muito pouco lembrado: o encontro de congraçamento entre os vivos

É neste momento que as pessoas muitas vezes se encontram com parentes e amigos distantes que vem à cidade natal, berço de seus antepassados, para prestar sua homenagem ao ente querido ali enterrado. O ambiente que era de tristeza e desolação motivada pela lembrança e pela dor da separação, se transforma num estímulo à vida, motivado pelo encontro com aqueles que ainda estão vivos a sua volta.

Em que pese os cuidados que hoje são exigidos para quem deseja visitar os cemitérios em razão dos riscos sanitários da propagação da Covid-19, visitar o cemitério se transforma numa oportunidade de quebrar o isolamento social e dizer sim a vida, de uma forma responsável. Possibilidade que, devidamente equipado com a máscara de proteção individual, o cidadão pode olhar a morte nos olhos, e seguir em frente.

Há quem diga que ir ao cemitério é olhar para trás e que ali só estão sepultados ossos. O que não deixa de ser verdade, porém, são ossos que um dia tiveram nome e endereço, foram revestidos de músculos e pele. Foram portadores de firmeza e calor humano que daríamos tudo para sentir novamente e abraçar. São lembranças carregadas de afeto e sentimento, lágrimas e saudade de quem um dia significou muito para cada um de nós.

A religião que cada um expressa ao visitar o jazigo de seu ente querido lhe diz que a pessoa não está mais ali.  Sim, ali só se encontra a lembrança dela. O local é apenas ambiente, um elo de ligação e comunicação com quem já está na Glória do Pai Eterno, acreditam os cristãos movidos pela fé. 

Jesus chorou a despedida de Lázaro (João 11,35) numa demonstração e expressão de um sentimento por demais humano e verdadeiro comum a todos nós. Da mesma forma pode-se dizer que as lágrimas e preces rogadas pelos que visitam os cemitérios no dia 2 de novembro representam pétalas de flores, suspiros e recordações que voam em direção ao coração de quem se encontra ao nosso lado, sinalizando paz e aproximação, amor e respeito mutuo. O que está em falta nos dias atuais.

Brasilândia/MS, 31 de Outubro de 2020.



Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília, 2017.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

 Novas ideias, novos projetos e velhos paradigmas a superar.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


Faltam 17 dias para as eleições e eis que a atenção dos eleitores se volta para os projetos de alguns candidatos que concorrem pela primeira vez ao cargo de vereador. A visibilidade na mídia dessas ideias faz um divisor de águas entre
os que têm e os que não têm condições de contribuir para o crescimento de Brasilândia.

A falta de um jornal local de circulação diária que pudesse melhor informar os eleitores sobre a política e seus bastidores impede uma reflexão mais aprofundada sobre o que está sendo proposto. E isso faz com que o meio de comunicação ao seu alcance seja o fogo cruzado das redes sociais, em especial o facebook e o whatsapp que conquistam maior espaço por serem mais céleres e interpessoais.

Ainda assim nem todos os candidatos têm postado na mídia o que realmente pretende colocar em prática se eleitos forem. A lacuna mais visível é em relação aos programas de governo dos candidatos às eleições majoritárias. Muitos vídeos têm sido apresentados, porém devido ao tempo de duração e a falta de empatia com o eleitor, se tornam limitados pouco induzindo à reflexão.

Entre os candidatos, no geral, observa-se que todos se manifestam preocupados em apresentar ideias novas para o município. O que é elogiável, pois revela o quanto de fôlego e potencialidade cada candidato possui, demonstrando o seu grau de interesse e conhecimento sobre determinados assuntos que ele possui.

Uma lacuna, entretanto, é visível nos planos apresentados: eles não estimulam o debate sobre alguns dos problemas que o município apresenta. Carências, cujas administrações, durante anos têm negligenciado. Entre os descuidos preteridos estão os de natureza estrutural e de gestão da máquina pública.

Doutrinados por uma suposta emanação divina que prega a subserviência cega à autoridade, a população, sobretudo a que se encontra na base da pirâmide social, acostumou-se a tudo aceitar e pouco participar. E o pior, somente quando a situação beira ao extremo se rebela desordenadamente contra tudo e contra todos, não fazendo uso dos instrumentos de reivindicação e diálogo adequados que possui ao seu alcance.

Por isso, talvez, os candidatos, que também são pessoas do povo e, portanto, sujeitos a esta cultura de cabresto que os cerca e os domesticou, evitem tocar em certos assuntos que contrariam interesses e autoridades. Isso  reflete o pensamento comum da maioria sobre a política: --Não gosto de política, não discuto política, tenho raiva de quem faz política, é o que se ouve. Ou então: --Só adesivo meu carro se me pagarem.

Analfabetos políticos, diria o dramaturgo Bertolt Brecht nascido em 1898. Eles não percebem que este é o tempo propício para a exposição de ideias, discutirem propostas, avançar e ocupar os espaços públicos para fazer valer seus sonhos e seus direitos. Este é o campo de atuação adequado para o debate de bandeiras comuns, o campo da política participativa, que deve acontecer em cada bairro, em cada associação, em cada sindicato, no comércio, nas escolas, enfim, na sociedade como um todo. Como prática da boa e responsável política do bem comum, que está ao alcance dos cidadãos, é nesta hora que as vozes silenciadas podem e devem ser ouvidas.

Há de se dizer que, devido ao distanciamento social, toque de recolher, proibição de aglomerações públicas e aos cuidados exigidos pelas medidas sanitárias de prevenção à Covid-19, o ritmo da campanha eleitoral deste ano de pandemia está sendo bastante lento e dificultoso. Isto porque, o velho modelo do corpo a corpo, tapinha nas costas e visitas domiciliares, praticados durante anos, e que ainda vive nos corações e mentes da população em geral, cada vez mais encontra resistência e está em descrédito.

Esses limites e outros, por conseguinte, levou os candidatos a buscar alternativas, pois, ressentidos desse modelo que eram cativos, manifestaram o desejo de libertar-se. Tiveram de aprender novos métodos, novas tecnologias e também novas estratégias para alcançar o eleitorado e apresentar ao cidadão os motivos para disputar uma vaga no Legislativo ou sonhar com a cadeira de chefe do Executivo municipal.

Entre os candidatos a vereador que tem postado nas redes sociais suas propostas, alguns se destacam pela qualidade de seus projetos. A guisa de ilustração, aleatoriamente, pode-se mencionar as propostas de alguns candidatos. A candidata Márcia Amaral[1] (PSDB) em sua página pessoal do facebook, por exemplo, elenca o maior número de propostas, verdadeiro plano de governo para uma administração inteira.

São propostas para a Educação, Habitação, Cultura, Assistência Social, Saúde, Meio ambiente, Esporte, Emprego e Renda, entre outros temas. Em cada um desses itens, a candidata detalha um a um aquilo que deverá propor através de seu mandato, sendo que a soma de suas propostas alcança o número simbólico de 45 projetos, marcando, assim o número de sua legenda e presença como forte candidata ao Legislativo.

A cidade tem muito a ganhar com a sua eleição, sobretudo pela experiência que possui como gestora à frente da Promoção Social em gestões passadas, quando deixou a sua marca registrada junto à população. Sentimento, sem dúvida, que lhe encoraja a pronunciar uma frase lapidar que impacta e devolve a esperança a muitos: Precisamos derrubar o muro que divide essa cidade, asseverou a candidata no seu blog. Sem dúvida um novo nome que, ao lado de outras, deverá dar maior empoderamento às mulheres no Legislativo local.

Outros três nomes de candidatos com forte representação e consistentes propostas já foram mencionados por mim em artigo anterior. Patrícia do Banco[2] (MDB), Juliane do Porto[3] (DEM) e José Henrique[4] (PSD). Ambos possuem a força da juventude,  representam sangue novo e voto de qualidade para o Legislativo brasilandense. Esclarecidos e propositivos, são candidatos diferenciados dos demais, que destoam do jurássico modelo e padrão do toma lá dá cá e, portanto, têm condições de muito bem representar e não envergonhar a população de Brasilândia.

Outros candidatos de visibilidade mais moderada nas mídias sociais, porém, não menos importantes, também merecem destaque em razão da novidade que representam, não somente pelos nomes, mas também por alguns de seus projetos. O candidato Jair do Procon[5] (DEM), conhecido por Jair Fotógrafo profissão que o notabilizou em Brasilândia é um deles. Baluarte na formação de dezenas de associações de moradores é um expert em atas e assembleias gerais de fundação de entidades, sendo o mentor e primeiro dirigente de várias delas, entre elas o COREDES, de âmbito regional. O seu mandato se propõe a ser fomento às causas comunitárias, de desenvolvimento rural e de defesa de direitos.

Outro candidato que através de seus vídeos tem mostrado sua preocupação com os jovens é o criativo Japa[6] (POD). Mais que isso, ele se propõe dar visibilidade à juventude junto ao empresariado através do programa Jovem Participativo, fomentando o diálogo com os empresários e o comércio local. Além deste programa interessante que busca inserir o jovem no mercado de trabalho, o candidato ainda pretende incrementar outro programa que já desenvolveu em Brasilândia no passado que é o Projeto Criança Radical que ensina aulas gratuitas de skate para crianças de 9 a 13 anos, atividade que desenvolveu no Parque Akira Otsubo e trouxe prêmios para o município.

São muitos nomes, cada um com sua riqueza e sua particularidade não sendo impossível mencionar a todos. Dedilhando as páginas do facebook, detenho-me sobre alguns novatos que ilustram o propósito deste artigo. O candidato Quintino[7] (DEM), por exemplo, identifica-se como a força que vem do campo, porém, é muito mais que isso. Ex-professor na antiga Escola Rural Bom Jardim, compositor do hino da Escola Estadual Adilson Alves da Silva, técnico de futebol de campo, redator de crônicas futebolísticas para jornais, ex-secretário de esportes em gestões passadas, quase um fundador desta cidade, é um jovem dedicado e experiente no seu ofício com os olhos voltados para o homem do campo. Um nome que supera em atributos muitos outros, e que o cidadão pode contar com seu empenho uma vez eleito para o Legislativo municipal.

Entre os novatos há de se lembrar dos professores que concorrem neste ano e que podem fazer a diferença ente os demais candidatos em razão do grau de formação e potencial pedagógico que possuem. O Prof. Deley[8] (PSD) e Profª Danielle[9] (PSDB) são dois deles entre outros que, desvinculados do velho modo de fazer política, apresentam-se como alternativas ao eleitor. As propostas no campo do esporte do candidato Prof. Deley inovam ao buscar com paixão incentivar a valorização do profissional da educação, se propondo também a estimular projetos culturais e o cuidado e zelo para a proteção dos animais.

Já a Profª. Danielle se propõe envidar esforços para que o profissional da educação tenha maior apoio e suporte para seu trabalho, como por exemplo, apoio psicológico e psicopedagógico aos discentes e docentes, o que irá refletir na qualidade da educação que é ministrada no município, além de se propor lutar pela elevação do piso salarial dos professores e administrativos, escreveu na sua página no facebook.

Tem-se ainda novo no páreo para o Legislativo, o nome do ex-prefeito Jorge Diogo[10] (PSD) em sua primeira experiência como candidato a vereador. Ele se propõe a ser um porta-voz da comunidade através de um mandato participativo declarando buscar ser um vereador de coragem, humano e solidário, propondo, com base na sua experiência, fiscalizar o dinheiro público, sobretudo os contratos em licitação e concessões realizados pela administração municipal.

Com a desistência de dois nomes a vereador, agora concorrem em Brasilândia 67 candidatos. Todos, sem exceção, com suas virtudes e propósitos, motivações e projetos, por mais simples que sejam, alguns sem a menor chance de elegerem-se, mas com o firme desejo de querer bem representar a comunidade onde vivem . 

Ao lado daqueles que buscam a reeleição, por suas razões e motivos, o que lhes garante vantagem sobre os demais, o pleito avança. E ainda que seja uma lástima constatar que o critério de escolha possa ser somente a amizade e não a ideologia defendida pelo candidato, que vença, pois, entre os amigos, o que tiver mais bem preparado!

Brasilândia/MS, 28 de outubro de 2020. 

Dia do Servidor Público.

 


domingo, 25 de outubro de 2020

Seu Joaquim Quinança, seu sorriso e uma longa história de amor.

Carlos Alberto dos Santos Dutra











Muitas pessoas que passam por nós pela rua nos acostumamos vê-las sempre pela aparência e não pelo que realmente são. Algumas marcam presença pelo sorriso, seus trejeitos e alegria. Outras pelo semblante sério, às vezes ranzinza, circunspeta, quando vistas superficialmente. Na maioria das vezes, entretanto, nossos olhos nos enganam e nos equivocamos ao identificarmos quem se encontra a nossa frente.

Naquele dia eu voltava do trabalho e ao passar em frente da casa de dona Ignes, que se encontrava acamada há meses, adentrei ao pequeno portão. Encontrei-a sentada na área da casa ao lado da filha, professora Cleonice, que lhe fazia companhia e prestava assistência naquele momento. Com dificuldade de falar, mas com o olhar muito ativo, travou comigo um diálogo que tocou minha alma: --sempre vejo o senhor passar apressado todos os dias aqui na frente.  --E às vezes nem sequer dando-lhe bom dia, pensei.

A lição estava dada e o aprendiz carente de humanidade estava agradecido. Mas aquilo não fora o bastante. O grande encontro ainda estava por acontecer. Olho para o lado e, sentado um pouco mais adiante, observo a figura de um senhor de idade, com o olhar distante, como que a espera de alguma coisa que o fizesse ser notado.

Era o senhor Joaquim Ferreira de Souza, popularmente conhecido como Joaquim Quinança, apelido que recebeu ainda na sua terra natal, a cidade de Paraíso/SP. De camisa social e calças bem alinhadas, traços do rosto simétrico bem definidos, ostentava ainda uma pequena barba que lhe cobria parte do rosto. Parecia um galã maduro, de cinema, figurante do filme Novecento, de Bernardo Bertolucci.

Chegou até a mim e num olhar cumprido de tristeza suspirou, revelando sua preocupação com a saúde da esposa, não se conformando de vê-la assim, impedida de voltar a caminhar e falar, de ser a companheira que era, de tantos anos. Às vezes saía pela rua caminhando a esmo, para a preocupação das filhas Maria Helena e Cleonice que saíam em sua busca, o acompanhando a distância, cuidando para não serem notadas, durante as escapadas furtivas que o pai dava pela redondeza.

Homem criativo, de fôlego e tenaz vigor, sempre foi assim, desde sua juventude. Quando nasceu, em 26 de fevereiro de 1930, seu pai Ovídio e dona Maria Felícia depositaram nele todas as suas esperanças, mesmo sendo ele o mais novo dos irmãos, Manoel, Pedro, Benedito e Felícia. E não se decepcionaram: o menino cresceu e venceu tornando-se um homem forte e altivo.

Passou a infância e juventude na sua cidade natal. Ali fez seus primeiros estudos, não avançando, porém, além do quarto ano primário. Tinha pressa de viver e colocar em prática seus sonhos e aspirações. Aos 20 anos de idade, no dia 15 de julho de 1950, casou com dona Ignes da Costa Souza que vivia na mesma cidade, com quem construiu uma linda e longínqua história de amor.

Muito religioso, o casal nutria o entendimento que o casamento era para toda a vida. E os anos foram generosos com eles. Em 2000 comemoraram bodas de ouro (50 anos de casados); em 2010, festejaram bodas de diamante (60 anos de casado), e em 2020, tiveram a graça de celebrar, como poucos, suas bodas de vinho (70 anos de casado). Não haviam recebido bênção maior.

Desde moço viveu os seus dias intensamente. Seu Joaquim tinha o dom de transformar cada dia vivido numa deliciosa e promissora aventura. A máxima latina de Horácio que dizia carpe diem, ele viveu-a em plenitude. Recorda a filha que, além do estado de São Paulo, também morou no estado do Paraná, vindo depois, para Brasilândia chegando aqui no mês de fevereiro de 1971.

Homem de vários ofícios, sua primeira casa em Brasilândia a construiu de madeira, com as próprias mãos. Depois, finalmente edificou sua casa definitiva no centro da cidade, onde passou o resto de sua vida, residência onde a esposa vive até hoje. Também teve uma máquina de beneficiar arroz localizada nos fundos da atual Prefeitura e onde hoje é a casa do senhor José Leite de Noronha, na Avenida Boa Esperança.

Como todo o pioneiro desta cidade, em tempos passados enfrentou todas as dificuldades que o pequeno município então apresentava: viagens em estradas precárias, todas de terra; a carência de energia elétrica, quando a iluminação da cidade era garantida por um motor a diesel somente por algumas horas; a água que era de poço ou de caminhão pipa, mesmo no centro da cidade, entre outros desafios.

Ah, seu Joaquim Quinança...

Quem o visse assim, de aspecto franzino e sorridente, mal sabia o homem de fibra que aquele semblante escondia. Trabalhou a maior parte da vida num sitio que adquiriu de seu irmão Dito Quinança, no córrego Jardim. Foi neste contato com a cultura do campo e interação com a terra e seus frutos que a vida lhe pareceu mais digna de ser vivida, dando-lhe forças para constituir uma família sólida e carregar no colo as dedicadas filhas, Maria Helena e Cleonice, ternos e doces presentes que Deus lhe deu.

Família que iniciou pequena, logo, entretanto, desabrochou. Em poucos anos, já se encontrava o casal rodeado de cinco netos: Heder, Heldir, Hilton, Alessandra e Celso Filho. Mais alguns anos e um renovado sorriso se instala no rosto de Joaquim e Ignes com a chegada de dez bisnetos: Amanda, Giovana, Lana, Ryan, Yoná, Laura, Beatriz, Hiago, Heitor e Rafaela. E por fim, pouco antes de seu falecimento, a tataraneta Maria Luiza, deu-lhe a alegria de deixar-se abraçar e receber a bênção de despedida de tão carinhoso e sorridente avô.

Olho para o seu Joaquim de agora e o pensamento retorna no tempo, quando este escrevinhador, ainda de cabelo negros e longos, causava estranheza àquele senhor. Mas o tempo é o senhor da história, e agora tão próximo vejo o quão alegre e feliz era este homem. Carregava sempre na algibeira da alma sua historia e suas memórias, permanecendo o que sempre fora: um homem de trato simples, sempre conversador, tinha o habito de falar alto, sempre gesticulando, lembra a família.

De uma coisa seu Joaquim não abria mão. Uma das coisas que mais gostava era contar causos, relembrando os seus tempos de caçada e pescarias. Isso o fazia remoçar e o enchia de satisfação, tornando a vida, para ele, pura diversão. Estava sempre cantarolando e inventando letras para as músicas. Um ser fantástico para quem o conheceu de perto.

Estando no sítio ou em sua casa, ele tinha o maior prazer em receber os amigos e parentes, mesmo de passagem, fazia questão que entrassem, sentassem e conversassem, recebendo a todos e sempre fazendo-lhes um agrado. As filhas com emoção lembram que ninguém saía dali sem tomar o seu café. Com aquele ar de obstinada inocência ele dizia para dona Ignes: --Minha ‘veia’ faz um cafezinho para as visitas. Aquilo era sagrado.

Para quem viveu 70 anos ao lado de alguém, a vida pode representar uma eternidade. Também pode ser lembrada em um segundo, com uma palavra: dedicação. São flashes de momentos vividos pelo casal que enchem de ternura e saudade as filhas e os netos que estiveram ao seu lado. E lá vai seu Joaquim em sua caminhonete levando o sustento da família, ano após ano, quase anônimo pelas estradas, indo e voltando todos os dias do sítio para o trabalho, na lida no campo e a vida na cidade.

Profundamente católico, seu Joaquim era um homem de muita fé. Não saía de seu quarto pela manhã sem antes fazer sua oração de agradecimento e pedido de proteção para mais um dia que iniciava. Foram dias que Deus em sua generosidade o presenteou em abundância - 90 anos de vida -, permitindo mantê-lo lúcido e com os olhos voltados para o que era mais importante: sua esposa, seu maior tesouro e a família.

Os olhos estão marejando enquanto seu Joaquim acena para a esposa Ignes que o observa somente com os olhos, pois se encontra imobilizada devido a uma paralisia facial progressiva que cada vez mais avançava. Não suporta vê-la assim. Abana a cabeça em sinal de tristeza, mas não se desespera. Olha firme nos meus olhos, como que comunicando a sua dor, e prossegue. Encontra forças no fundo da alma e sorri. Sim, ele sorri, manifestando a alegria que sempre demonstrou a todos. Torna a colocar o chapéu na cabeça, marca registrada sua, e decide me acompanhar até o portão onde me despeço.

Foi a última vez que vi o seu Joaquim Quinança. Ele faleceu no dia 15 de outubro de 2020 e a cidade chorou a partida de mais um pioneiro que ajudou a construir essa cidade. Mais que isso, seu Joaquim com sua bela história de amor, foi alguém que conferiu em silêncio um pouco de humanidade em todos nós, deixando lições de humildade, honestidade, honradez. Foi um semeador do bem.

Sua Páscoa definitiva ocorrida no Dia do Professor, de certa forma foi a data que o Pai Celeste escolheu para seu Joaquim homenagear as filhas que são professoras e zelosas cuidadoras de sua esposa. E lá está ele, no Alto, com um ramalhete de flores do campo a espera de sua adorada e sempre jovem Ignes. E de todos nós..., quando Deus assim permitir. 

Brasilândia/MS, 25 de Outubro de 2020.







[1] Quando chegou em Brasilândia (Foto de 1971, Cortesia da Profª. Cleonice)







[2] Missa das Bodas de Ouro (Foto de 2000, Cortesia da Profª. Cleonice).






[3] Bodas de Diamante (Foto de 2010, Cortesia da Profª. Cleonice)