terça-feira, 26 de novembro de 2024

 

Relembrando a 2ª Conferência Municipal de Meio Ambiente de Brasilândia.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 


A 2ª e última Conferência Municipal do Meio Ambiente que ocorreu em Brasilândia/MS deu-se no dia 25 de junho de 2013, cinco anos após a realização de sua primeira edição no município. Hoje, passados 11 anos, eis que o município é chamado a este existencial tema, por uma questão de sobrevivência do planeta. Relembrar as propostas aprovadas nas últimas conferências podem aguçar nossos ouvidos para o grito que esta comunidade já deu em defesa da nossa casa comum, a terra. E precisa continuar dando.

O evento naquele ano teve lugar o Anfiteatro Ramez Tebet e reuniu cerca de 70 pessoas interessadas para debater a Política Nacional de Resíduos Sólidos e apresentar propostas no âmbito do município.

A Conferência foi promovida pelo governo municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Agronegócio, Turismo e Meio Ambiente, e a Secretaria de Serviços Urbanos.

O presidente da Comissão Preparatória da Conferência e secretário de Desenvolvimento Econômico, José Carlos Menegassi, agradeceu a presença da comunidade e de representantes das empresas UFN3, Fibria, CESP, do Sindicato Rural, da Associação Brasilandense de Agentes Ambientais (ASSOBRAA), dos indígenas Ofaié e da secretaria municipal do Meio Ambiente de Três Lagoas que se fez representar no evento.

O representante do Legislativo, vereador Antônio José da Silva, popular Toninho da prefeitura, disse que o debate sobre meio ambiente não afeta apenas Brasilândia, mas todo o planeta e disse que cada um deve ser responsável por sua conservação.

Em suas palavras o prefeito da época, Jorge Justino Diogo, falou sobre as manifestações realizadas em todo o país e disse que o Brasil vive um momento mágico de despertar da democracia e ressaltou que as conferências, fóruns e audiências são os espaços apropriados para que a população apresente suas propostas de melhoria para a cidade, para o estado e para o país.

Também fez parte da mesa o palestrante, engenheiro ambiental Jorge Henrique Olivi de Paula; o diretor geral da Eco Soluções, Nelson Carlos Baraldi, e o ambientalista presidente do Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Socioambiental e Defesa do Patrimônio Cultural, de Brasilândia, Carlos Alberto dos Santos Dutra.

Entre as propostas aprovadas no 1º eixo temático (A política de gestão de resíduos, a redução de impactos e a recuperação ambiental) estavam: 1) a criação de um centro de compostagem para resíduos orgânicos em parceria com empresas da região e utilização do consórcio CODEVALE com objetivo de auxiliar a operacionalização da central; 2) criar infraestrutura física, capacitar mão de obra e legalizar a Associação ASSOBRA; 3) criar centro de recebimento para embalagens de agroquímicos e outros resíduos (classe 1 –perigosos) e pneumáticos de acordo com a legislação vigente, definindo a logística de transporte e destino final; 4) criar Sistemas de Coleta Seletiva Municipal, disponibilizando coletores e sacolas com sistemática de cores conforme CONAMA.

No 2º eixo temático (A política de gestão de resíduos e a geração de emprego, trabalho e renda) foram aprovadas as propostas: 1) a capacitação e conscientização promovidas por secretarias, SSEBRAE, IMASUL, Ministério do Trabalho, em relação à segurança do trabalho, utilização correta dos EPIs, cuidados na separação dos resíduos pela população e catadores; 2) liberação de recursos federais, prioritariamente para os municípios que tenham projetos que envolvam pessoas que atuam na Coleta Seletiva (Plano Nacional de Resíduos Sólidos); 3) garantir a participação da ASSOBRA como Prestadora de Serviços no Plano Municipal de Resíduos Sólidos, vinculando-a a uma secretaria municipal; 4) ampliação do quadro de agentes catadores e compra de equipamentos como: maquinários (caminhão, prensa, balança, empilhadeira, esteira, etc.), para melhor e maior eficiência tanto na coleta, como no processamento, através de parcerias com a iniciativa privada; 5) políticas de incentivo fiscais para empresas que participam no processo de reciclagem do lixo e preservação do Meio Ambiente com comprovação por selo da preservação com código de barra e chip de identificação para dedução fiscal. Observação: o selo seria obtido no ato da entrega do material já reciclado.

No 3º eixo temático (Educação Ambiental) as propostas foram: 1) implantar práticas dos Programas 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), como forma de Educação Ambiental, favorecendo a coleta seletiva, sendo: a) em todos os Órgãos Públicos, secretarias municipais e Escolas: Orientada pelo governo Municipal; b) no Comércio Local: Orientada pela Associação Comercial; c) no Residencial: Orientada pela ASSOBRA, ONGs, Entidades Sociais; d) no Meio Rural: Orientada pelos Sindicatos Rurais; e) na Aldeia Ofaié: Orientada pela Associação Ofaié; 2) pontos de coletas urbanos e rurais: lixeiras e pequenos cercados que favoreçam a coleta nos bairros, zona rural, praças e escolas de forma coletiva e seletiva: Implantação governo Municipal; 3) inclusão do tema Educação Ambiental, na Educação Infantil, Fundamental e Ensino Médio, de forma interdisciplinar, com apoio de material específico. Responsáveis: governo Municipal e Estadual; 4) desenvolver campanhas elucidativas e oficinas para melhor aproveitamento dos alimentos e também para a compostagem, sendo responsáveis: governo Municipal, Estadual e ONGs; 5) viabilizar o Conselho Municipal de Meio Ambiente, para instrumentalizar Políticas municipais de Educação Ambiental.

No e último eixo temático, (Incentivo à produção e ao consumo sustentável) foram apresentadas: 1) incentivo à produção, comercialização e utilização de produtos orgânicos; 2) dar prioridade a utilização de sacolas retornáveis e embalagens biodegradáveis no comércio local; 3) incentivo fiscal para empresas que padronizem suas embalagens para reutilização do seu produto final tais como: cerveja, refrigerantes, azeite, palmito, azeitonas, etc.; 4) sistema de fiscalização de produção e autorização de comercialização (SIF, SIE, SIM, SUASA) e legislação específica para Logística Reversa que levem em conta a produção sustentável minimizando a geração de resíduos, obrigando as indústrias a recolher sua produção; 5) proporcionar produtos com maior durabilidade “vida útil”, visando um maior tempo para a substituição dos mesmos.

A fase Municipal da Conferência na ocasião elegeu os delegados para representarem o município na Conferência Estadual do Meio Ambiente. Representando o poder público foram eleitos João Luiz Almeida Rosa e Antônio Marcos Canno, titular e suplente, respectivamente. Da parte da sociedade civil foram eleitos Júlio Cezar Moraes do Amaral e Carlos Alberto dos Santos Dutra, titular e suplente. O segmento Empresa não apresentou representante.

João Luiz Almeida Rosa, delegado representando o segmento poder público, e Júlio Cezar Moraes do Amaral, delegado representando o segmento sociedade civil, devem ter tido muito trabalho, na época, para reunir o sólido rol de propostas que a comunidade brasilandense reuniu nesta última Conferência Municipal e apresentá-lo na Conferência Estadual. Uma pontinha de orgulho, entretanto, impossível esconder: saber que Brasilândia aos poucos despertava para o tema do meio ambiente...

 








Brasilândia/MS, 26 de novembro de 2024.

Fonte: História e Memória de Brasilândia/MS - Volume III – Cidadania, Página 71 e seguintes - Capítulo 1 – Assistência, Saúde e Cidadania. Volume à espera de patrocínio cultural para ser distribuído gratuitamente aos munícipes. Disponível na Biblioteca Municipal Professora Abadia dos Santos e em História e Memória de Brasilândia/MS Volume 3-Cidadania, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores

Imagem: Jornal da Cidade, 03.Jul.2013. JP News, 2013. Recurso: Ferramenta gratuita de Melhoramento de Imagens por IA - Aumente a resolução de suas imagens.

sábado, 23 de novembro de 2024

 

O Reino de Deus e a lógica do mundo.

Carlos Alberto dos Santos Dutra



O último domingo do tempo comum é celebrado neste dia 24 de novembro e contempla a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo e Redentor da humanidade (João 18,33b-37). 

Falar de rei e de reinado, pelos valores do mundo, nos dias atuais, pode soar como um paradoxo difícil de ser aceito em razão da crítica histórica que recai sobre os modelos de sistemas de governança, no mais das vezes, exercido sob o império da força e contragosto da maioria. 

Quando se fala do reinado celeste, referindo-se ao Reino de Jesus Cristo, porque alcança o mundo pelo viés espiritual, isso é mais facilmente entendido e aceito. Porém, não por todos. E isso por uma razão muito simples. 

O reinado de Jesus Cristo não se apresenta revestido de palácios e elementos de poder e força impostos a seus súditos e servos. O Reino de que Jesus Cristo nos fala difere da lógica do mundo. E por isso, também, por muitos é rejeitado. 

Acontece que estamos acostumados a associar a figura de um rei ao sucesso, ao poder, a riqueza ou algo equivalente aos ídolos do nosso tempo: o rei da música, o rei do rock, o rei das novelas, o rei do tráfico, o rei do futebol. Imagens sempre associadas ao brilho, a fama e a força de um sobre o outro. 

O rei dos judeus, entretanto, revelou-se frágil e submisso ao Pai, deixando-se conduzir em obediência ao projeto de Deus voltando os olhos para os humildes. Diferente do trono esperado pelos discípulos do seu tempo, o poder conquistado por Jesus Cristo foi o Calvário e a Cruz que ele abraçou com a inteira gratuidade de seu amor. 

Ele foi um rei que fez o bem e, em troca, só ganhou a ingratidão dos homens. Um rei que não pautou sua prática e ensinamentos pela lógica do mundo. Ao contrário, a ele se opôs. Imprimiu uma nova lógica àqueles que almejavam alcançar o Reino de Deus. 

É isso que o Evangelho de hoje nos propõe: olhar com criticidade para o mundo que nos rodeia e buscar os valores do Reino propostos por Jesus. 

Para tanto, inicialmente, é preciso identificar as atitudes e modelos de comportamento que nos deparamos todos os dias a nos conduzir, colocando-os na balança, sob o critério dos valores do Evangelho. 

As ações e realizações que o mundo pratica nos sugestionam, para não dizer, nos conduzem. A elas seguimos como se cegos fossemos. Geram em nós atitudes movidas unicamente pelo desejo de poder, de autoridade e de dominação, nos afastando de Deus. 

Para alcançar nossos objetivos na família, no trabalho e na comunidade, cabe perguntar: --Valemo-nos da força e da violência ou da humanidade e da fraternidade? 

Uma rápida olhada no Evangelho e percebemos que o critério maior para se alcançar e viver o Reino de Deus é dar testemunho da verdade. Eu sou o caminho, a verdade e a vida (João 14,6). 

Celebrar a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo é defender essa verdade na humildade, concretizando-a no amor, na misericórdia e no perdão.

Então, --Como estamos dando testemunho do Reino de Deus diante deste mundo de violência, ambição e consumo desenfreado? --A partilha, a comunhão e o respeito à vida são os gestos que estamos mostrando a este mundo? 

O itinerário para o Reino de Deus depende de cada um de nós, cristãos. Devemos, portanto, ser multiplicadores dos sinais e valores deste Reino de Justiça e Paz que Jesus Cristo nos deixou. Ao custo extremo – com a morte – para que o mundo o colocasse em prática.  

Sentimo-nos, pois, acolhidos por este Deus misericordioso que nos pede que sejamos fermento na massa e sal da terra neste mundo tão distanciado de Deus e dos valores do Evangelho. 

O Reino de Deus está ao nosso alcance. Como batizados somos chamados a filiação divina. Somos rebentos diletos daquele que do Alto nos marcou com a luz do Espírito Santo. Não somos súditos cegos e mudos dos reinos deste mundo.  

Que saibamos, por amor, contrariar o mundo quando necessário, testemunhando o anúncio de Jesus, o Rei da humanidade inteira, realizando a Ressurreição esperada e rogando que ela alcance a todos nós. Assim seja.

 

Brasilândia/MS, 24 de novembro de 2024.

Fonte: Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. Deus Conosco Dia a Dia, Ano 23, nº 275, Ano Litúrgico B, 24 de novembro de 2024.

Imagem: Homilia de Bento XVI, na Solenidade de Cristo Rei do Universo – 25/11/2012 | Fé Católica de Sempre

 

   

 

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

 

Relembrando a 1ª Conferência Municipal de Meio Ambiente de Brasilândia.

Carlos Alberto dos Santos Dutra



Desde que iniciaram a realização das Conferências de Meio Ambiente no Brasil, o município de Brasilândia e o Estado de Mato Grosso do Sul, sempre se fizeram representar. 

Brasilândia esteve presente na 1ª Conferência Nacional em 2003 (enviando propostas recolhidas no seu Fórum Municipal); esteve presente na 2ª Conferência Nacional em 2005 (enviando propostas recolhidas na sua Conferência Infanto-Juvenil), e em 2008, também esteve presente na 3ª Conferência Nacional, enviando propostas.

A história desta sua participação teve início no dia 22 de fevereiro de 2008 quando aconteceu oficialmente em Brasilândia a 1ª Conferência Municipal de Meio Ambiente que teve lugar no Centro Cultural Senador Ramez Tebet, situado na Praça Santa Maria, com início às 7 horas da manhã.

O evento foi instituído pelo Decreto 2.698/08, de 14 de fevereiro de 2008 e convocado pelo Decreto 2.700/08, em 18 de fevereiro de 2008, fazendo parte da Comissão responsável pela sua realização o senhor José Carlos Dela Bandera Fernandes, secretário municipal de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Turismo; o biólogo Aderildo Bueno da Cunha, representante do Conselho Municipal de Meio Ambiente; o Prof. Carlos Alberto dos Santos Dutra, representante do Instituo Cisalpina de Pesquisa e Educação Socioambiental, e o ambientalista Deolir Felipe Schio, representante da Associação Brasilandense de Agentes Ambientais-ASSOBRAA.

A Conferência teve como palestrante Aderildo Bueno da Cunha que abordou de forma profética o tema das mudanças climáticas, já alertando para o que estava para acontecer na ecologia em nível global. O Prof. Carlos Alberto dos Santos Dutra, palestrou também sobre as mudanças climáticas e o engenheiro sanitarista, Thiago Fernandes Pires, falou sobre aquecimento global e crédito de carbono.

A Conferência que contou com a participação de entidades governamentais, empresariais e sociais com sede no município tinha como objetivo definir diretrizes para a formulação de políticas que garantissem a inserção da sustentabilidade civil organizada, ao nível municipal e estadual, visando o fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA. 

Foram abordados temas como a construção da política e do plano municipal e estadual de mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e de recursos hídricos.

As inscrições foram realizadas no local onde o evento se realizou e contou com a participação de cidadãos acima de 16 anos, integrantes ou não de entidades públicas ou privadas. 

Registre-se a presença dos alunos da Escola Adilson Alves da Silva que assistiram atentamente as palestras e interagiram com perguntas aos palestrantes.

Debateu-se também entre outros temas, a Leis nº 2.215/07, que criou um Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA), e a Lei nº 2.131/06, que criou o Departamento Municipal do Meio Ambiente (DMMA).

Com essa iniciativa, Brasilândia buscou dar um impulso ao setor ambiental da governança de sua Prefeitura que três anos antes havia realizado a sua 1ª Conferência da Cidade semeando alento e mobilização social também nesta direção.

Brasilândia/MS, 21 de novembro de 2024. 

Fonte: História e Memória de Brasilândia/MS - Volume III – Cidadania, Página 71 e seguintes - Capítulo 1 – Assistência, Saúde e Cidadania. Volume à espera de patrocínio cultural para ser distribuído gratuitamente aos munícipes. Disponível na Biblioteca Municipal Professora Abadia dos Santos e em História e Memória de Brasilândia/MS Volume 3-Cidadania, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores

Imagem: Jornal da Cidade e Cidade Morena Notícias, 28.Fev.2008. Colorizada por Ferramenta gratuita de Melhoramento de Imagens por IA - Aumente a resolução de suas imagens, e  Melhorar Qualidade da Foto Online com IA - Upscaler de Imagem

 

 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

 

Ser um discípulo bom e fiel. Até que o Rei retorne.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

Quarta-feira, dia 20 de novembro e a Igreja Católica celebra a 33ª Semana do Tempo Comum com as leituras que brotam do Apocalipse de João (Ap 4,1-11) e do Evangelho de Lucas (Lc 19,11-28). 

O primeiro, nos fala através dos símbolos do Antigo Testamento chamando atenção para Aquele que haverá de sentar-se no trono da glória, o Criador a quem todos devem adorar. 

E o segundo, descreve, na parábola do rei recusado, o perfil e exemplo do servo bom e fiel que cumpre a vontade do Mestre. 

As leituras que nos inspiram neste dia podem ser entendidas a partir de uma pergunta: Que devemos fazer para dar bons frutos de tudo aquilo que Deus nos dá? 

Para dar bons frutos, primeiro, é preciso saber e reconhecer o que e quanto Deus nos dá. Qual é a matéria prima que é colocada nas nossas mãos. 

É preciso inicialmente que tenhamos consciência dos dons e talentos que Deus nos dá, para, então, fazê-los frutificar. E isso só será alcançado numa atitude de humildade e fé. 

Os dons distribuídos por Deus são infinitos e manifestam-se sob a luz e o poder do Espírito Santo, que sopra onde quer. Só assim podem ser entendidos.

São bênçãos e graças recebidas. A saúde, o emprego, a família, a comunidade, as amizades. Todas as circunstâncias e oportunidades que Deus nos dá a cada instante. 

Mas, diante desta diversidade de dons e talentos que recebemos todos os dias, desde o amanhecer, temos agido com responsabilidade? O que estamos fazendo para cumprir aquilo que Deus nos instruiu a fazer? 

Na nossa vida, qual tem sido a nossa prioridade? Multiplicamos o que recebemos de Deus? Ou nos acomodamos e negligenciamos nos nossos deveres, tal qual o servo mau do Evangelho que não multiplicou o talento recebido.

Quando celebramos diante do Senhor, queremos ser chamados de servo bom e fiel. Por isso estendemos os braços e rogamos o seu perdão, sua força do alto para que nosso coração seja habitado pela bondade, a fidelidade e a obediência a Deus. 

Isso porque a bondade se manifesta na disponibilidade de fazer o bem e de ser grato a Deus pela vida e pelos dons que recebemos retribuindo-os em gestos de acolhida, caridade e respeito para com o próximo.

Cada um de nós recebeu talentos naturais e espirituais que deverão render frutos e multiplicar-se até a chegada do Reino de Deus. Porém, antes dessa chegada final do Reino, haverá um intervalo, como a longa viagem do patrão, da parábola. 

E até que Ele volte, os servos devem cumprir suas tarefas e obrigações, esperando para lhes recompensar a fidelidade. Nesta parábola, Jesus nos convida a vencer toda a forma de medo e a alimentar total confiança em Deus. 

Que o nosso relacionamento com Deus não seja por interesses pessoais, mas por amor dedicado e fiel Àquele que é digno de receber a glória, a honra e o poder, porque tu criaste todas as coisas (Ap 4,11a). Assim seja.

 

Brasilândia/MS, 20 de novembro de 2024. Dia Nacional da Consciência Negra. 

Fonte: 33ª Semana do Tempo Comum, Deus Conosco Dia a Dia, Ano 23, nº 275, Ano Litúrgico B, 20 de novembro de 2024; Pe. Edson Oliveira, Liturgia Diária, Canção Nova. 20.Nov.2024; Liturgia - Dehonianos 

Imagem: Capela São Francisco de Assis, Ponta Grossa-PR (5) Facebook

 

 

domingo, 17 de novembro de 2024

 

Relembrando a 2ª Conferência Infanto-Juvenil para o Meio Ambiente.

Carlos Alberto dos Santos Dutra





Brasilândia/MS prepara-se para realizar a sua Conferência Municipal do Meio Ambiente e nada melhor e mais pedagógico do que olhar para o futuro para enaltecer o esforço realizado pelos pioneiros da caminhada ecológica que deram os primeiros passos há mais de 20 anos.

É com essa intenção que relembramos os eventos e o esforço de dedicadas pessoas que se colocaram voluntárias e com muita responsabilidade, no rumo da preservação do meio ambiente, apresentando suas ideias e altos propósitos aos munícipes e a  municipalidade desta terra que amamos.

Pois bem. Dois anos após a realização do 1º Fórum sobre o Meio Ambiente que ocorreu em 2003, foi a vez da juventude brasilandense demonstrar sua preocupação e interesse no cuidado com o Meio Ambiente e a mãe terra.

No dia 7 de outubro de 2005, ao lado de mais de 11 mil escolas brasileiras, as crianças e adolescentes brasilandenses também participaram ativamente de sua 2ª Conferência Infanto-Juvenil para o Meio Ambiente que se realizou nas dependências da Escola Antônio Henrique Filho Polo e onde foram discutidos diversos temas ambientais.

As palestras foram ministradas pelo presidente do Instituto Cisalpina, Prof. Carlos Alberto Dutra, popular Carlito e pelo presidente da ASSOBRAA, Prof. Deolir Felipe Schio, popular Caco. Na época, lembro que as crianças e jovens ficaram atentos a cada palavra dos palestrantes que em grande estilo e dinâmicos abordaram o tema da coleta seletiva, a preservação do meio ambiente, a preservação dos recursos naturais, economia de água e energia.

Ao final da conferência os alunos plantaram árvores na Escola demonstrando, assim, um ato de cidadania e engajamento coletivo em prol do meio ambiente em sua comunidade.

A diretora da Escola Antônio Henrique Filho, na época, Prof.ª. Joana Nogueira de Souza Gonçalves estava radiante, e agradeceu o empenho e a participação dos alunos e professores e às autoridades que marcaram presença no evento.

E lá estavam o senhor Waldemar Firmino de Campos, secretário de administração; o Prof. Francisco Aparecido Lins, saudoso secretário de Educação, recentemente falecido; o senhor Evandro Inácio, também saudoso, na época representante do Conselheiro Tutelar; a Prof.ª. Janaina, representando a zona rural, e o servidor Prof. Sandro Barbosa, entre outros.

Foi um tempo de avanço na consciência ecológica local a partir do segmento mais frágil e ao mesmo tempo o mais vigoroso e promissor do tecido social deste lugar.

Despertou em todos a confiança da comunidade na sua juventude e seu potencial transformador para ações grandiosas na defesa e proteção do ecossistema que circunda a vida que se encontra a nossa volta.

Foi um tempo do florescimento de ideias e iniciativas alimentando o sentimento de pertença a este lugar. Entre elas, o fortalecimento de uma entidade que se consolidou perene no trabalho da Educação Ambiental imprimindo na população a prática da coleta seletiva, através da ASSOBRAA, que foi levada adiante pela força da juventude e das novas ideias que ela sempre é portadora.

É isso que enche a todos de esperança ver realizado um evento desta natureza com a participação popular dos diversos segmentos da sociedade local. Um retorno à União e Reconstrução do lugar que escolhemos para viver.  

Em que pese o descrédito nas governanças dos tempos atuais, é imperioso envidar esforços para vencer o desafio das mudanças climáticas que nos atinge a todos; as transformações ecológicas cada vez mais presente e a discussão de temas emergentes cada vez mais urgentes e necessários. 

Brasilândia/MS, 17 de novembro de 2024.

 

Fonte: História e Memória de Brasilândia/MS - Volume III – Cidadania, Página 71 e seguintes - Capítulo 1 – Assistência, Saúde e Cidadania. Volume à espera de patrocínio cultural para ser distribuído gratuitamente aos munícipes. Disponível na Biblioteca Municipal Professora Abadia dos Santos e em História e Memória de Brasilândia/MS Volume 3-Cidadania, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores

Imagem: Jornal da Cidade, 14-20.Out.2005. Colorizada por: @Ferramenta gratuita de Melhoramento de Imagens por IA - Aumente a resolução de suas imagens

 

sábado, 16 de novembro de 2024

 

Esperar o Dia do Senhor e amar um pouco mais.

Carlos Alberto dos Santos Dutra



A primeira leitura deste domingo (33º Domingo do Tempo Comum-Ano B) nos é apresentada pelo profeta Daniel (12,1-3) que nos fala de um tempo sombrio e de angústia como nunca houve, desde que começaram a existir nações.

Cenário que se completa com a descrição do Evangelho de Marcos (13,24-32) onde Jesus revela os sinais que antecedem a vinda do Filho do Homem, no final dos tempos.

Jesus diz ao discípulos: Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai escurecer, a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas.

E tudo começa (ou tudo termina) com a grande tribulação, figura utilizada na Bíblia para falar das guerras entre os povos (Joel 3,9-11 e Apocalipse 19,19), as pragas, a fome e os desastres naturais (Apocalipse 16,8-11); os falsos profetas (Mateus 24,9 e Apocalipse 13, 5-7), entre outros sinais de desordem cósmica e social.

Todo esse cenário, pela Bíblia, é sinal do início do final do tempo de Deus. Segundo Daniel, pode durar 7 anos, mas a noção do tempo de Deus em relação a nós pode ser muito diferente (2 Pedro 3,8). Não é disso que Jesus está falando.

Por isso Jesus profere palavras tranquilizadoras aos apóstolos: O céu e a terra passarão mas as minhas palavras não passarão. Quanto aquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai.

Isso significa, podemos deduzir, que não devemos nos preocupar com as previsões sobre o futuro, sobre quando isso vai acontecer. A ideia é estar atento aos sinais, mas não viver com ansiedade e dúvidas no coração.

Para nos acalmar e nos tranquilizar é que Jesus afirma que o céu e a terra passarão, ou seja, a natureza e a terra do jeito que conhecemos elas têm o seu curso e suas leis, e não durarão para sempre, devido à ganância dos homens.

Só a palavra de Deus permanece para sempre, eternamente. Querer saber quando será o final dos tempos é desconfiar da providência divina. É apostar no mundo e afrouxar os laços com Deus. Quando nos preocupamos demais com o dia de amanhã e com o nosso futuro, esquecemos de viver e contemplar o Cristo, aqui e agora, presente na nossa vida.

Viver o tempo de confiança em Deus é o antídoto contra o tempo da tribulação. Tal qual Daniel profetizou: nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem inscrito no Livro. Portanto, preocupemo-nos em viver o Evangelho da caridade, do amor, da paz e da justiça para com o próximo, para alcançar o Reino dos eleitos de Deus.

Só a nossa prática diária de obediência e seguimento aos valores do Evangelho nos garantirá a salvação quando a tribulação chegar. Somente os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas por toda a eternidade.

Porque a eternidade é o lugar do amor, onde a tribulação não alcança. Por isso, se não amarmos, se vivermos no egoísmo, e não nos preocuparmos com o bem dos outros, ali, junto de Deus, não poderemos ficar. Triste.

Se não tivermos praticado o bem, ao contemplarmos a Divindade, reconheceremos que não fizemos a escolha certa, conforme o Evangelho, e junto de Deus não será possível estar. Muito triste.

Por isso não devemos perder a esperança. Confiemos na misericórdia do Senhor. E que desmorone o velho mundo do egoísmo, da ganância, da exploração, da injustiça, da corrupção, da mentira, do jogo de interesses particulares ou grupais na política, em detrimento dos pobres, dos pequenos, dos humildes.

Eis que Deus nos abraça com seu projeto de Reino libertador. Nisso cremos firmemente. E Ele espera por nós, nos estende a mão e ouve a nossa prece. Porque Ele nos quer a todos, como eleitos, junto dele. Amém.

 

Brasilândia/MS, 17 de novembro de 2024.

 

Fonte: 33º Domingo do Tempo Comum, Deus Conosco Dia a Dia, Ano 23, nº 275, Ano Litúrgico B, 17 de novembro de 2024; Pe. Edson Oliveira, Liturgia Diária, Canção Nova. 17.Nov.2024;

Imagem: Paróquia Divino Salvador » Vereis o Filho do Homem … com grande poder e glória (Mc 13,24-32)

 

 

 

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

 

Relembrando o 1º Fórum do Meio Ambiente de Brasilândia.

Carlos Alberto dos Santos Dutra




A preocupação com o Meio Ambiente, via de regra, não é institucional, sobretudo nos pequenos municípios onde os recursos e esforços são, no mais das vezes, dirigidos para a geração de emprego e renda, pauta imperativa de todos os administradores a cada eleição.

Os avanços que se obtém no campo ambiental, no que tange a sua preservação e conservação, no mais das vezes, nasce e toma impulso pelas mãos da sociedade civil, os setores mais esclarecidos e segmentos organizados que ousam propor políticas públicas necessárias para serem colocadas em prática pelos gestores nas três esferas da governança.

Na minúscula Brasilândia, cá no Mato Grosso do Sul, isso não seria diferente. Em termos cronológicos, a cidade teve de esperar 38 anos, desde a sua emancipação político-administrativa ocorrida em 1965, para ver os alcaides que se sucederam dirigirem seu olhar para a questão ambiental. 

E tudo por força e iniciativa das organizações não-governamentais que, de forma coletiva e participativa, romperam com o silêncio ecológico que pairava até então sobre o país, despertando para um novo horizonte, no ano de 2003.

Foi quando em Brasilândia o tema do meio ambiente começou a ser debatido também oficialmente no município. O encontro chamou-se 1º Fórum do Meio Ambiente de Brasilândia e ocorreu no dia 15 de outubro de 2003 nas dependências da Câmara Municipal. Promovido pela secretaria municipal de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Turismo-SEMADET em parceria com o Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Sócio Ambiental, ONG criada em Brasilândia no dia 5 de junho de 1989. 

Este foi o primeiro evento desta natureza realizado no município e fez parte dos preparativos para a Conferência Estadual e Nacional do Meio Ambiente programada para ser realizada nos dias 5 a 7 de novembro de 2003 (etapa estadual) e de 28 a 30 de novembro (etapa nacional), realizadas respectivamente em Campo Grande e Brasília-DF.

A parceria entre a prefeitura e a pioneira ONG ambiental, na avaliação do secretário municipal de Agricultura na época, Gilberto da Silva, só veio enriquecer e ampliar as discussões do Fórum que teve como lema Vamos cuidar do Brasil e contou com a assessoria de técnicos da secretaria de estado de Meio Ambiente-SEMA, acolhendo todas as sugestões e propostas que foram encaminhadas pelos delegados à Conferência Estadual e, depois, à Nacional.

É bom lembrar que este 1º Fórum além de eleger delegados para representar Brasilândia na Conferências Estadual, elencou uma série de reivindicações ambientais que foram aprovadas para serem apresentadas na Conferência Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. Por essa razão ele foi considerado como a 1ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, coincidindo com a realização da 1ª Conferência Infanto-Juvenil para o Meio Ambiente que teve sua primeira edição nacional em 2003.

Dos 15 delegados eleitos neste 1º Fórum, oito participaram da 1ª Conferência Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, que ocorreu nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2003, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, no Parque dos Poderes na Capital do estado, Campo Grande e que reuniu mais de 600 delegados. Por Brasilândia, participaram como delegados neste evento histórico para o meio ambiente de Brasilândia: João Brito de Souza; Ivette dos Santos Bueno; Aparecida Ferreira dos Santos; Paulo César Galiani; Jair Bezerra Xavier; José Carlos Chieregato; Júlio Cézar Moraes do Amaral, e Carlos Alberto dos Santos Dutra.

Sobre a participação dos delegados de Brasilândia na 1ª Conferência Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, que contou com a presença do governador do Estado, José Orcírio Miranda dos Santos, do secretário de Meio Ambiente, Márcio Portocarrero, e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assim noticiou a imprensa na época:

Brasilândia marca presença na Conferência de Meio Ambiente. Nesta ocasião, a ministra concedeu uma audiência a alguns representantes de organizações não governamentais, oportunidade em que o presidente do Instituto Cisalpina, de Brasilândia, Prof. Carlito, entregou em mãos um documento contendo cópia do abaixo-assinado com mais de 560 assinaturas que foi apresentado à CESP no dia 24 de outubro, e que reivindica a participação da população de Brasilândia nos destinos e manejo da Reserva Cisalpina/Flórida.

Segundo o Jornal de Brasilândia da época, outra vitória de Brasilândia, além de ter conseguido uma audiência com a ministra entregando em mãos o documento Pró-Cisalpina, o município também conseguiu eleger entre os mais de 600 delegados presentes na Conferência Estadual, o presidente do Instituto Cisalpina, como 2º suplente de delegado para representar o Estado em Brasília. O município de Brasilândia, na época, contou com o apoio e o voto das delegações de Três Lagoas e Santa Rita do Pardo. A diferença de votos que impediu o candidato de Brasilândia participar como titular da vaga foi de apenas cinco votos.

Registre-se que seis delegados escolhidos em Brasilândia para viajar até Campo Grande [para participar da Conferência] desistiram de viajar e acabaram por prejudicar o município (...), mencionou o jornal, destacando que na região do Bolsão, valeu mesmo foi a articulação prévia que os municípios de Chapadão do Sul, Cassilândia e Aparecida do Taboado fizeram e que garantiu a esses municípios cinco vagas entre as 49 vagas que o Estado teve direito.

Entre os pedidos apresentados à Ministra do Meio Ambiente Marina Silva constava o desejo da comunidade brasilandense de ver aquela propriedade (o complexo Flórida-Cisalpina que possui mais de 20 mil hectares) transformada em uma área protegida de domínio público, do tipo Unidade de Conservação, numa das modalidades de Unidade de Uso Sustentável a ser estudada, mas que contemple os anseios e respeite a vocação ribeirinha da população. Além de garantir a participação da comunidade nas decisões que dizem respeito à área, essa modalidade deverá compatibilizar a conservação da natureza, com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. (continua)

 

Brasilândia/MS, 15 de novembro de 2024.

 

Fonte: História e Memória de Brasilândia/MS - Volume III – Cidadania, Página 71 - Capítulo 1 – Assistência, Saúde e Cidadania. Volume à espera de patrocínio cultural para ser distribuído gratuitamente aos munícipes. Disponível na Biblioteca Municipal Professora Abadia dos Santos e em História e Memória de Brasilândia/MS Volume 3-Cidadania, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores