O Renascimento do Povo do Mel: A Esperança Ofaié Ganha Chão
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Durante uma semana inteira, o solo ancestral do povo Ofaié sentiu o passo firme de técnicos que não vieram apenas medir terras, mas validar uma existência que muitos tentaram apagar.
Lá estavam eles, munidos de drones e tecnologia de ponta, sobrevoando as margens dos córregos Sete de Setembro e São Paulo. Ao avançarem em direção aos vestígios da antiga Aldeia Esperança, parecia que até o murmúrio das águas mudava de tom, celebrando o retorno de quem nunca desistiu.
É o georreferenciamento — um nome técnico para um milagre esperado desde 1992. São 1.937 hectares de um território imemorial, onde o "Povo do Mel" resiste e adocica a história da região desde que foram registrados pela primeira vez, em 1901, por Albert Vojtech Frič vivendo nesta região.
Após décadas de processos paralisados e silenciamentos, a ancestralidade voltou a ser prioridade. O entusiasmo de Elciney Paiz Flores, antropólogo da Funai, transbordava o "orgulho Terena" e de todos os povos originários.
No gabinete da prefeita Márcia Amaral, naquele dia 26 de fevereiro, ele não falou apenas como técnico; falou com a alma, revelando o compromisso com uma verdade indígena que passou tempo demais sufocada sob o peso da burocracia.
Ao lado dele, especialistas como o coordenador geral José Antônio de Sá e Leandro Lopes, da equipe do SEGATI reforçaram que cada marco cravado no chão é um tributo aos antigos líderes e à força da atual Cacica Ramona Coimbra Pereira.
Para os Ofaié, demarcar não é apenas traçar linhas num mapa: é garantir que um povo que ressurgiu das cinzas agora tenha terra firme para florescer. O horizonte, antes nublado, hoje é de pura perspectiva.
Parabéns ao povo Ofaié e as muitas mãos solidárias que lhes acompanharam nesta travessia.
Brasilândia/MS, 04 de março de 2026.
