Os Passos que
Inspiram a Caminhada: Uma Homenagem a Angélica Amado Penha Costa
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Sair de férias, por menor que seja o período, é sempre uma oportunidade valiosa que a vida e o trabalho nos dão para romper a rotina. É o momento ideal para esquecer o corre-corre dos dias, soltar as amarras e experimentar a ventura de se deixar levar. Viajar para lugares distantes nos mostra o quanto de belo e diverso existe além dos olhos cotidianos que tantas vezes nos acomodam.
Contudo, a minha primeira parada neste descanso foi em um ambiente profundamente familiar: o universo da leitura. Os livros são meus companheiros inseparáveis; não saberia dizer o que seria de mim sem eles.
Desde os 7 anos de idade, risco no papel minhas impressões sobre o mundo. Aos 9, publiquei meu primeiro livrinho reeditado em cópias datilografadas — primeiro em uma Remington portátil e, depois, na inigualável IBM de esfera que revolucionou a escrita nos anos 1970.
De lá para
cá, a produção editorial e o gosto pelas letras evoluíram, mas minha paixão
permaneceu intacta. Foi com esse espírito que dediquei os primeiros dias de
folga para mergulhar em uma obra literária muito especial.
A autora encontrava-se no portão da minha casa com um sorriso largo. Antes mesmo de acionar o interfone, eu a vi no momento exato em que estava de saída. Ela me entregou o livro e, com a voz embargada pela emoção, falou da alegria de publicar sua primeira obra.
Demonstrou ali sua admiração por mim e por minha esposa, que é professora e também escritora. Pude perceber a sinceridade em seus olhos e a grandiosidade de sua alma postadas bem à minha frente.
Esse sentimento
transbordou quando li as palavras que ela declinou na dedicatória, escrita de
próprio punho na orelha do livro Ainda estamos caminhando, de Angélica
Amado Penha Costa (136 páginas, publicado em Campo Grande/MS pela Life Editora neste ano
de 2026):
Vilma e Carlito.
Para um casal que nos ensina, em silêncio, que o amor mais bonito não é o que
faz alarde, mas o que permanece. Que a vida continue abençoando essa caminhada
construída com respeito, cumplicidade e propósito. Que a dedicação de vocês à educação,
à escrita, à proteção da natureza e à valorização dos povos indígenas continuem
inspirando todos que cruzam os seus caminhos. Angélica.
O livro que se encontra em minhas mãos é o prêmio da jornada de uma vida em capítulos. Ao folhear a obra de Angélica — que atua profissionalmente como cirurgiã-dentista —, o leitor é imediatamente conduzido por uma trilha de memórias marcadas por coragem, ousadia, leveza e amor que edificam.
É impossível não se emocionar com a desenvoltura da escrita e a profundidade do conteúdo pirilampo que a autora faz brotar do papel. Ela
revela o aprendizado diário na construção de um lar, desde os primeiros madrigais ao lado do menino de 16
anos que segurou na sua mão no recreio e nunca mais soltou., até o desabrochar da vida. Mostra como
superou o cansaço e o silêncio, semeando recomeços diários e pequenos gestos sempre com otimismo e fé.
O
sumário do livro desenha a verdadeira geografia de sua alma: O começo; Construindo
um lar; Ariquemes/MT e os anjos que a vida nos deu; Mãe, filha, recomeço; Escolhas,
renúncias e crescimento; Joana e dias intensos; A coragem de mudar o mundo; Recomeçar
do zero; Silêncios que revelam; Silêncios que pedem nome; Algumas informações
sobre o Autismo; O sono que não era sono; Quando a gente vira filho de novo; A
fé que sustenta; A Paz possível; Sobre o propósito de amar alguém que não
enxerga o próprio brilho, e Não é o fim..., seguimos.
Na introdução,
Angélica adverte com o coração aberto: Este livro nasceu das memórias
que guardo no peito, do amor que constrói casas, do medo que ensina coragem, da
fé que sustenta quando nada mais sustenta... Não escrevo como especialista.
Escrevo como quem viveu. Se em algum momento você se reconhecer nestas páginas
— numa filha, numa esposa, numa mãe, numa mulher cansada, mas persistente —,
então essa história também é sua.
Termino a leitura profundamente tocado com o retrato de muitas vidas ali subentendidos. E sinto-me feliz pela vitória de Angélica, por sua coragem de dividir com tantas outras mulheres lições que vão muito além da pura resiliência: são lições de felicidade genuína.
E com o final de gratidão, pois ela sabe exatamente onde está fincada sua própria essência: “Sentada na frente de casa, o sol se pondo, meus filhos sorrindo na rua e o Dudu ao meu lado.” Existe, porventura, felicidade maior? Depois de todo este aprendizado?
Parabéns, amiga Angélica Amado Penha Costa. Seu livro não é apenas o registro dos seus passos; ele é, verdadeiramente, o retrato espelhado de muitas vidas. E foste capaz de dividi-lo com aqueles que buscam construir sentido, mesmo quando o caminho não é como o planejado. Sim. Disseste bem. Porque o amar é isso: continuar caminhando... juntos. Obrigado. Deus a abençoe.
Brasilândia/|MS, 25 de julho de 2026. Dia do Escritor.










