Memória e Resistência: A História dos Pioneiros da ASBRAPP em Brasilândia
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
Hoje resgato uma história de união, suor e determinação que moldou a agricultura familiar da nossa região: a trajetória da Associação Brasilandense dos Pequenos Produtores (ASBRAPP).
Olhar para o passado da ASBRAPP é entender como a força coletiva transformou a vida no campo. Mais do que uma organização, ela nasceu do desejo de dezenas de famílias de conquistarem dignidade e desenvolvimento.
O começo de tudo nos idos 1987. Fundada em 4 de novembro de 1987 como uma sociedade civil sem fins lucrativos, a ASBRAPP deu seus primeiros passos na Avenida Arapuá (hoje Wilson de Arruda), nº 714. Naquela época, o trabalho era bruto. A associação unia os produtores para preparar o solo, oferecendo serviços de tratores e implementos agrícolas que os pequenos proprietários dificilmente conseguiriam acessar sozinhos.
Para baratear os custos, a diretoria firmou uma parceria essencial com a TERRASUL, garantindo o transporte gratuito dos maquinários para quem morava a até 15 km da sede. Era o associativismo na prática, vencendo as distâncias e as dificuldades do chão de terra.
A liderança de dois grandes pioneiros. Nenhum movimento caminha sem líderes corajosos. A história da ASBRAPP está profundamente ligada ao empenho de seus dois primeiros presidentes, homens que doaram seu tempo e liderança pela comunidade: José Melo de Carvalho, com a base técnica do recomeço e José Luiz Rodrigues com os primeiros passos na busca pela modernização.
Técnico agrícola
da EMPAER, José Melo de Carvalho foi o primeiro presidente da
entidade. Ele foi o responsável por estruturar a associação nos anos iniciais e
conduzir a primeira transição democrática em 1990. Anos mais tarde, em 1995,
seu compromisso com a categoria falou mais alto: ele retornou à presidência
liderando a chapa Renovação, com a missão de reorganizar, pacificar e
colocar as finanças da casa em dia. Sua dedicação técnica e política foi o
alicerce da associação.
Com José Luiz Rodrigues (in memoriam), eleito para o biênio 1990/1991, ele assumiu com a ousadia de quem queria ver o produtor prosperar. Com seu jeito simples, sob o seu comando, a ASBRAPP iniciou a instalação da tão sonhada máquina de beneficiamento de arroz e do triturador, além de garantir o cercamento do terreno doado pela prefeitura para a sede própria. Mesmo enfrentando as complexidades e os debates intensos da gestão patrimonial nos anos seguintes, o seu pioneirismo em buscar infraestrutura industrial para o pequeno produtor deixou uma marca eterna.
A união contra a inundação de Porto primavera, a resistência de 1998. O associativismo se prova nas crises. Naquele ano, já com cerca de 120 produtores integrados, a ASBRAPP viveu um dos seus capítulos mais dramáticos. Cerca de 50 famílias que viviam e produziam nas barrancas dos rios Paraná e Verde viram suas terras e moradias ameaçadas pela iminente inundação causada pela Usina Hidrelétrica de Porto Primavera (CESP). A associação virou o quartel-general da resistência, mobilizando a comunidade para defender seu direito à terra e à justa compensação.
Um Legado que cruzou
o tempo. Histórias como a da ASBRAPP e de líderes como José Melo de
Carvalho e José Luiz Rodrigues não podem ser esquecidas. Eles
plantaram a semente da cooperação em Brasilândia. Que o exemplo desses
pioneiros continue inspirando as novas gerações de agricultores a defenderem a
força do trabalho coletivo.
Brasilândia/MS, 04 de novembro de 2026
Fonte: Dutra,
C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 321s.
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algum dos fundadores ou tem lembranças dessa época da ASBRAPP? Deixe seu
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