Vander Loubet e a Saga da Rodovia Luigi Cantone: História, Preservação e Identidade em Brasilândia
Por Carlos Alberto
dos Santos Dutra
Todo brasilandense
conhece o trecho da BR-158 que corta a Reserva Cisalpina. É a rota vital que
conecta o município de Brasilândia (MS) à cidade de Paulicéia (SP) através da
imponente Ponte Estaiada Mário Covas, com seus 1.705 metros de extensão sobre o
Rio Paraná. Para os moradores mais antigos, essa é a eterna “velha estrada do
porto”, imortalizada pela melodia de Cidão da Viola — o nosso Tião Carreiro,
que levou a alma de nossa terra para o cenário nacional.
Poucos conhecem,
entretanto, a rica história por trás do nome dessa estrada de aproximadamente
20 quilômetros. Ela atravessa o coração da maior região alagada do município, o
nosso "pequeno pantanal", conhecido como os varjões de Cisalpina.
A iniciativa
prestava uma justa homenagem ao pioneiro empresário italiano e engenheiro
agrônomo, naturalizado brasileiro, que se estabeleceu em Brasilândia em 1952
como orizicultor. Ao longo das décadas, Cantone tornou-se o verdadeiro
precursor do ambientalismo responsável na região do Bolsão sul-mato-grossense.
O Projeto de Lei
nº 149/2007 foi aprovado em tempo recorde. Sancionado pelo então governador
André Puccinelli em 31 de outubro de 2007, transformou-se na Lei nº
3.430, publicada na primeira página do Diário Oficial do Estado no dia
seguinte. A legislação oficializou o nome da rodovia desde a cabeceira da ponte
sobre o Rio Paraná até o perímetro urbano de Brasilândia, no encontro com a
Avenida José Estevam da Silva Filho.
A Federalização e a Luta pela Memória. No ano seguinte, o trecho de 19,5 km da MS-040 foi federalizado pela Portaria nº 170 do Ministério dos Transportes/DNIT, sendo incorporado à BR-158/MS. O processo foi consolidado pelo Extrato de Transferência de Patrimônio nº 01/2009.
A mudança de
jurisdição, contudo, iniciou uma nova batalha para a comunidade. Foram anos de
diálogo com órgãos estaduais e federais para garantir a instalação da
sinalização correta, respeitando a lei estadual. Em março de 2013, em resposta
ao meu pedido, o deputado federal Vander Loubet informou, via ofício,
que cobrava o DNIT desde 2011 sobre a manutenção do nome na transição para a
malha federal. Loubet manifestou o firme propósito de formalizar um projeto de
lei federal para blindar a denominação de Luigi Cantone nesse trecho.
O Encontro Decisivo e o Futuro da Estrada. O pleito aguardou por mais de uma década. Em 2025, ao assumir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, viajei a Brasília com a prefeita Márcia do Amaral. O destino me colocou frente a frente com o assessor do deputado Vander Loubet, Ido Luiz Michels. Foi o momento exato para retomar a pauta. Ao resgatar o histórico de correspondências, o assessor prontamente localizou os registros e redigiu um novo ofício ao superintendente do DNIT. Menos de uma semana após nosso retorno, a resposta oficial já estava em nossa mesa.
Ainda há um longo
caminho para sensibilizar os poderes públicos sobre a importância de preservar
o patrimônio cultural e histórico de nossa cidade. Este artigo busca dar voz ao
desejo da comunidade local. Uma voz que foi atentamente percebida pelo deputado
Vander Loubet, a quem agradecemos o empenho em unir forças junto ao DNIT
para a instalação de placas de sinalização e de caráter educativo.
Essas placas
servirão para duas missões urgentes:
- Proteger a fauna: alertando
motoristas sobre o risco de atropelamentos nesta sensível Área de
Preservação Ambiental.
- Preservar a história: estampando
de forma definitiva a nomenclatura oficial da nossa estrada.
A história se faz
com persistência. Força e empenho da comunidade!
Secretário de Meio Ambiente e Turismo, Carlito Dutra, e a Prefeita de Brasilândia/MS, Márcia Amaral entregam ao Chefe de Gabinete do Deputado Federal Vander Loubet, Prof. Dr. Ido Luiz Michels, o livro Histórias da Mitologia Ofaié, de autoria da Profª. Ilda de Souza com a participação dos indígenas Professores Ofaié: José de Souza Kói, Elizangela Eliandes e Silvano Moraes.




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