Da Barranca do Rio à Terra Firme: O Legado de Luta,
Origem e Conquistas na Pedra Bonita
Por Carlos Alberto dos Santos Dutra
A história da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Reassentamento Pedra Bonita (APPRRPB) é um testemunho vivo de resiliência, união e superação. Suas raízes profundas remontam o dia 29 de setembro de 2000, quando a entidade ainda se chamava Associação de Moradores do Reassentamento Pedra Bonita (AMRPB) durante o desafiador período de instalação do reassentamento, promovido pela Companhia Energética de São Paulo (CESP).
Aquela comunidade era composta por bravos ribeirinhos das barrancas dos rios Verde e Paraná, trabalhadores que viram suas vidas transformadas ao serem desterrados pela construção da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera (Engenheiro Sérgio Motta).
À frente desse primeiro e crucial capítulo, Gerivaldo Rosa de Moraes assumiu a primeira presidência da instituição. Sua liderança tornou-se um marco indelével na condução de um povo sofrido, mas incansável, que ousou erguer a voz para reivindicar dignidade, o direito à terra e infraestrutura básica diante dos impactos do progresso energético.
Sob o clamor de bandeiras essenciais como a abertura de estradas, a agilização da regularização fundiária, moradias de qualidade e a implantação de uma rede hidráulica, o ideal comunitário amadureceu. A transição da antiga associação de moradores para a atual associação de produtores rurais foi o passo natural para consolidar a força produtiva do reassentamento.
Com o passar do tempo, os alicerces institucionais ganharam contornos definitivos, sob a firme condução de Irma Aparecida de Melo (Tutti). Na presidência, Tutti liderou a aprovação e a lavratura do Novo Estatuto Social, oficializando a transição jurídica da entidade fundada ainda em 5 de março de 2000 para a denominação APPRRPB, que hoje carrega com orgulho. Seu trabalho foi fundamental para estruturar e legitimar a voz dos pequenos produtores perante o mercado e o poder público.
Dando continuidade a essa linhagem de pioneiros, Arthur Mendes da Silva assumiu a presidência subsequente, conduzindo a comunidade a novos horizontes de representatividade. O reconhecimento público da relevância dessa trajetória também se materializou no âmbito legislativo local.
Recorde-se que, ainda em 2001, por iniciativa do então presidente da Câmara Municipal de Brasilândia, Jaime Assis de Alencar (Jaime Doce), a sede da associação foi batizada unanimemente como Centro Comunitário João da Pedra, sendo posteriormente eternizada nas festividades do aniversário do município sob o nome oficial de Centro Comunitário João José Ferreira.
Mais do que uma cronologia de fatos, a trajetória capitaneada por Gerivaldo,
Tutti e Arthur simboliza a transformação da dor do desalojamento
em uma duradoura vitória coletiva, garantindo que o suor dos reassentados da
Pedra Bonita frutificasse em dignidade, posse da terra e cidadania plena.
Brasilândia/MS, 29 de setembro de 2026
Foto: Prefeitura Municipal de Brasilândia, 2013
Fonte: DUTRA, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. 2-Patrimônio,
pág. 355s.





