Roni Eliandes, o
Avá Verá: O Guerreiro que Floresceu no Afeto
Por Carlos Alberto
dos Santos Dutra
No dia 2 de abril
de 2019, o povo Guarani viu seu filho, Roni Eliandes, partir para os braços de
Ñhanderu.
Falar de Roni é
falar do tempo: infinito enquanto durou e eterno nas sementes que plantou.
Sua trilha foi
moldada pela resiliência.
Separado dos pais
ao nascer, Roni aprendeu cedo que a vida exige coragem.
Aos nove anos, desafiou a palmatória da escola
e partiu a cavalo rumo ao desconhecido, provando o mundo antes de voltar para
casa como um homem feito.
Serviu ao
Exército, percorreu fazendas e fronteiras, mas foi no destino da luta que ele
encontrou sua verdadeira morada.
Líder nato e
herdeiro da inspiração de seu tio, Marçal de Souza Tupã-i, Roni não apenas
defendeu o seu povo; ele uniu mundos.
Ao cruzar o
caminho dos Ofaié na Serra da Bodoquena, o compromisso político transformou-se
em laço de alma.
Casou-se com
Marilda, sua mestra e companheira, e ali, no calor do amor e do respeito,
rompeu séculos de distâncias entre as culturas Guarani e Ofaié.
Pai zeloso e
artesão de esperanças, Roni ensinou aos filhos o arco, a flecha e o orgulho da
língua nativa.
Para ele, o poder
era um serviço de partilha; seu maior sonho era a união plena, onde todos
recebessem partes iguais da vida.
Roni despediu-se
aos 86 anos, deixando a Aldeia Anodhi mergulhada em saudade. Partiu como viveu:
com a dignidade no olhar e o sorriso de quem desenhava histórias no ar.
Hoje, passados 7
anos de sua partida, ele descansa na Terra Sem Males, mas sua voz continua a
ecoar em cada gesto de resistência e em cada abraço que une os povos originários
da floresta.
Brasilândia/MS, 2
de abril de 2026. Em memória do 7º ano de falecimento de Roni Eliandes. Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2025/04/roni-eliandes-ava-vera-esta-em-nhanderu.html











