sábado, 19 de setembro de 2026

 O Assobio da Esperança: Como a Música Transforma o Lixo em Dignidade

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra







Quando aquele comandante britânico vestiu a farda militar interpretada pelo ator Alec Guinness e decidiu liderar um grupo de prisioneiros que se mantinha refém dos japoneses na Birmânia, durante a IIª Guerra Mundial, ele não sabia que entraria para a história. Esse argumento, que foi adaptado do romance The bridge on the river Kwai e ganhou as telas do mundo inteiro em 1957, viria a ser vencedor de sete Oscar: filme, direção, ator, roteiro, montagem, fotografia e trilha sonora.

Embalado pela música-tema desse grande épico inesquecível do cinema, a contagiante marcha Colonel Bogey, assobiada por esses prisioneiros que foram induzidos e encorajados a construir a célebre ponte do rio Kwai (se pronuncia cuêi), até hoje é conhecida e cantarolada no mundo inteiro.

O ritmo melódico da marcha imprime volume e consistência, fazendo brotar em nós uma força que vem de dentro e nos projeta para a frente. O rigor com que é executada transmite um timbre de euforia e ânimo, ao mesmo tempo em que nos convida à ordem e à disciplina.

É essa mesma sensação que os brasilandenses têm vivido e sentido durante dias determinados, aqui em nossas ruas. Quando aquele assobio ecoa desde o centro até os bairros, não é apenas um caminhão de material reciclável que se aproxima; é uma onda sonora que nos envolve e embala, funcionando como um despertar coletivo que nos força a sair de nossos egoísmos cotidianos. É um convite poético para nos mexer, para vencer nossos desafios maiores.

O exemplo do militar inglês foi este: mesmo sabendo que a ponte, uma vez construída, iria servir tão somente ao inimigo, ainda assim ele continuou sua empreitada para provar a superioridade e a dignidade de seus homens em relação às forças opositoras.

Fazendo um rápido paralelo entre a construção dessa ponte e a ASSOBRAA, encontramos a mesma essência de superação. Mesmo sabendo que a tarefa da coleta seletiva do lixo pudesse ser (ou até devesse ser) realizada somente pela Administração Pública, eles — os cidadãos, os sócios, transformados em atores reais da nossa história — assumiram para si a missão de fazê-la, e de fazê-la brilhantemente.

Já não importa mais questionar de quem fora a obrigação legal de outrora. Com braços fortes e sorriso no rosto, esses Agentes Ambientais recolhem o que a sociedade descarta e devolvem em forma de cidadania, provando que a coleta seletiva em nossa cidade é plenamente possível.

Lá estavam eles, há 23 anos, heroicamente animados pelo senhor Deolir Felipe Schio, o popular Caco, e um grupo de amigos sonhadores, mostrando que é preciso conclamar a comunidade para a tarefa pedagógica de transformar comportamentos e superar nossos limites. Olhar para o trabalho da ASSOBRAA nos obriga a baixar os olhos diante do nosso próprio comodismo e erguê-los novamente, prontos para colaborar.

Assim como o filme do diretor David Lean foi coroado de glórias, auferimos aqui à ASSOBRAA nota DEZ pela sua iniciativa e coragem de fazer acontecer aquilo que Jean Cocteau, escritor francês, eternizou: "Ele não sabia que era impossível, foi lá e realizou".

E lá vem o assobio daquela musiquinha, uma composição de Malcolm Arnold eternizada pela KMC Orchestra e que ganha vida na gravação utilizada pelo caminhão da coleta, dirigido hoje pelo amigo Bidão. Na voz inconfundível do saudoso Benê Soares, esse gesto grandioso ecoa como um hino, convidando cada morador a se engajar nesse mutirão de amor por nossa terra.

Sim, sentimos uma pontinha de orgulho legítimo, todos nós brasilandenses. Isso porque quem faz isso é gente nossa, pelas mãos da Jociane e sua valorosa equipe, trabalhando por todos nós e desenhando o melhor futuro para a totalidade da nossa Brasilândia. Sentimo-nos orgulhosos porque alguém ousou desafiar o óbvio e superar obstáculos.

Parabéns, agentes ambientais da ASSOBRAA; parabéns, Brasilândia. Nossa cidade pulsa no peito desses heróis. E para aqueles que ainda teimam em dizer que Brasilândia não tem jeito... bem, assobia aquela musiquinha pra ele!

 

Brasilândia/MS, 20 de setembro de 2026. Homenagem aos 23 anos de Fundação da ASSOBRAA. Crônica inspirada no artigo publicado originalmente no Jornal Diário MS, Dourados, 09.fev.2004; A Tribuna, Campo Grande, 8-14.fev.2004. E em DUTRA, C.A.S. Retalhos do Dia a Dia, Brasilândia, 2010, pág. 104s.

 

 

O Coração do Mutum: A Saga Invisível de Suor, Coragem e Dignidade no Campo

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

Existem histórias que o tempo não pode apagar, pois elas foram escritas com o suor do rosto e a força da esperança. Olhar para trás e recontar a trajetória da APRAMBRAS (Associação dos Pequenos Produtores do Assentamento Mutum de Brasilândia) não é falar apenas sobre terras ou números, mas sobre a alma de centenas de famílias que decidiram lutar pelo direito de existir com dignidade.

Tudo começou oficialmente em um 18 de setembro de 1997. Naquele dia, a esperança de 340 famílias ganhou voz na liderança de Roberto Silva. Ele não assumiu apenas a presidência de uma associação; ele abraçou o destino de pais, mães e filhos espalhados por uma imensidão que tocava Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e Brasilândia.

No início, o que aquelas 187 famílias de Brasilândia encontraram foi o isolamento. A realidade era dura: poços artesianos secos ou quebrados, a escuridão da falta de energia elétrica e estradas que eram verdadeiras barreiras. Mas a fome de justiça daquela comunidade era maior.

Roberto Silva, com passos incansáveis e o apoio vital do então vereador Lauro Canno, transformou o silêncio do campo em clamor. A prefeita Marilza do Amaral ouviu o chamado, e em março de 1998, as primeiras lágrimas de alívio correram com a inauguração da Escola e do Posto de Saúde. Pela primeira vez, o Mutum sentia que o futuro era possível.

Contudo, a terra cobra o seu preço, e o abandono governamental quase sufocou o sonho. Entre 1999 e 2000, o Mutum viveu seu inverno mais rigoroso. Sem recursos do INCRA, a penúria foi tamanha que alguns precisaram partir para não morrer de fome. Projetos técnicos frios e distantes da realidade tentavam impor regras impossíveis — como sustentar uma casa inteira com a produção de apenas seis vacas. Mas a associação não se curvou. Roberto voltou à cidade, denunciou a dor do seu povo e exigiu o respeito que a dignidade daquelas famílias merecia.

O bastão da liderança foi passado em outubro de 2000 para as mãos calejadas de Pedro Paulo Cassemiro Martins, então com 55 anos. Com o mesmo fogo no peito, Pedro Paulo continuou a marchar pelos direitos da comunidade. Ele lutou por cada pedaço de chão demarcado, brigou para que o comércio ganhasse vida e insistiu na abertura da Estrada do Bico da Bota, o cordão umbilical que finalmente tiraria o reassentamento do isolamento.

E a vitória veio. Ela veio no teto das casas, na água que corria pura e, principalmente, no milagre da Bacia Leiteira, que alcançou 60% de sua capacidade, e na força do Laticínio Mova Lat. Ver o queijo muçarela cruzar as fronteiras do assentamento e ver o soro retornar para alimentar os animais e adubar a própria terra era a prova viva de que o Mutum havia vencido.

A história da Agrovila Mutum é um monumento à resiliência humana. Cada estrada aberta, cada sala de aula cheia e cada poço que jorra água celebra um sonho pautado no sacrifício e a união da APRAMBRAS e de seus heróis anônimos. Eles não apenas cultivaram a terra; eles semearam a dignidade para as gerações que hoje colhem os frutos dessa brava e inesquecível jornada.


Brasilândia/MS, 18 de setembro de 2026. 

Artigo inspirado nas memórias e registros históricos resgatados por C.A.S. Dutra na obra "História e Memória de Brasilândia/MS - Volume II – Patrimônio".

 

Debrasa: A Força dos Pioneiros e a História do Distrito de Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra



 

O ano de 2026 marca um momento especial para o município de Brasilândia (MS). A Prefeitura programou para o dia 10 de outubro uma série de atividades culturais e esportivas em comemoração ao aniversário de criação do distrito Debrasa. Embora as festividades tenham sido adiadas temporariamente devido ao mau tempo, a celebração e o resgate histórico permanecem mais vivos do que nunca.

Para fazermos justiça à memória dos pioneiros que dedicaram suas vidas àquela terra, cumpre lembrar que essa história começou muito antes de 19 de setembro de 1996, data em que a Lei Municipal nº 913/96 elevou oficialmente aquele aglomerado urbano à condição de distrito.

De acordo com o site da Prefeitura, os eventos comemorativos — que incluem o tradicional bingo com a população, praça de alimentação e shows musicais — terão como palco a Praça Walter Antônio Pádua Becker. Mas você sabe quem foi Walter Becker ou como nasceu o distrito? Para entender o presente, precisamos voltar um pouco no tempo. As páginas amareladas do antigo Jornal de Brasilândia, editado pelo saudoso jornalista Jamil Fernandes (falecido em 2015), nos ajudam a reconstruir esse rico passado.

O Sonho dos Desbravadores e a Destilaria. No final da década de 1970, empresários visionários enxergaram o potencial de implantar uma destilaria de álcool no interior de Mato Grosso do Sul, mais precisamente em Brasilândia. À custa de muitos sacrifícios e movidos pela determinação típica dos desbravadores, os obstáculos foram superados. Nascia ali a Destilaria Debrasa, fundada oficialmente em 25 de março de 1976.

Em seu auge na década de 1980, o setor produtivo da empresa operava em ritmo acelerado. A usina gerava mais de dois mil empregos na região, contava com uma área plantada de 16.400 hectares de cana-de-açúcar, produzia um milhão de toneladas de cana para corte e projetava uma produção impressionante de 74 milhões de litros de álcool para o ano de 1987.

Esse sucesso era motivo de grande orgulho para a diretoria pioneira, composta por: Maurílio Biagi Filho (Diretor-Presidente), Nelson Brochmann (Diretor Vice-Presidente), Arnaldo Bonini (Diretor Superintendente), e Walter Antônio Pádua Becker (Diretor de Administração) — que hoje dá nome à praça central. Naquela época, os principais acionistas do empreendimento eram a Usina Santa Elisa S/A (Indústria e Comércio e Construções) e Jacyra de Moraes Höffig.

Da Solução ao Desafio Urbano. Com o crescimento da indústria, surgiu um novo desafio: como fixar os trabalhadores perto do local de trabalho? Como solução provisória, a empresa realizou um loteamento nas proximidades da fábrica e vendeu os lotes aos operários de forma parcelada e a preços acessíveis. O núcleo habitacional cresceu a olhos vistos, com novas residências e comércios se estabelecendo rapidamente.

Contudo, o que havia sido uma solução imediata transformou-se em um problema jurídico com o passar dos anos. Como bem lembrava Jamil Fernandes em suas crônicas, a propriedade só se torna legítima quando está devidamente escriturada e registrada em cartório. Havia o sério entrave de os lotes estarem situados em uma área rural, apesar de possuírem finalidade estritamente urbana.

O Caminho Legal para a Criação do Distrito. A transformação definitiva do núcleo habitacional em distrito exigiu muito trabalho político e jurídico. Foi na gestão da então prefeita Neuza Paulino Maia que a Prefeitura de Brasilândia determinou a realização de estudos técnicos aprofundados. Tentativas anteriores já haviam sido feitas, mas se perderam nos meandros da política partidária da época por falta de fundamentação legal.

Os estudos apontaram o caminho: primeiro, a área precisava ser desvinculada do INCRA. Depois, era necessária uma lei municipal para ampliar o perímetro urbano — o que foi feito pela Lei Municipal nº 886/95. Só assim os proprietários puderam regularizar o loteamento, em conformidade com a Lei Municipal nº 401/95 e a Lei Federal nº 6.766/79. A Prefeitura atuou assessorando juridicamente os moradores, que eram os legítimos possuidores dos imóveis.

A empresa contratou um responsável técnico para cuidar da documentação e das respostas aos órgãos competentes, além de assumir os serviços de topografia para a demarcação dos lotes. Embora o processo tenha sofrido atrasos e interrupções temporárias pela falta de acompanhamento topográfico contínuo, a comunidade não parou de pulsar. Dados oficiais da época indicavam que o local já contava com 1.015 habitantes e um total de 610 imóveis, sendo 320 residências e 39 estabelecimentos comerciais.

Curiosidades e Limites Geográficos. A história do distrito também é feita de astúcia e visão de futuro. O jornalista Jamil Fernandes destacou em seus registros uma passagem muito interessante sobre o saudoso Senhor Thomaz de Almeida. Homem de visão, ele brigou para que a instalação de parte da moenda da usina Debrasa ficasse do lado esquerdo do Rio Taquaruçu. Ele sabia que, com a iminente emancipação do ex-distrito de Xavantina (que viria a se tornar o município de Santa Rita do Pardo), o território do outro lado do rio deixaria de pertencer a Brasilândia. Graças a ele, a usina permaneceu em terras brasilandenses.

Finalmente, em 19 de setembro de 1996, a prefeita Neuza Paulino Maia sancionou a Lei Municipal nº 913/96, oficializando o desmembramento e a criação do Distrito Debrasa. A lei determinou seus limites geográficos precisos: O perímetro inicia-se na ponte sobre o Rio Taquaruçu (na margem esquerda, divisa com Santa Rita do Pardo), segue pela margem esquerda da Rodovia Estadual MS-395 (denominada Julião de Lima Maia) no sentido à sede do município; ao encontrar o Córrego Azul (ou Paredão), segue cabeceira acima; dali, em linha reta (divisa seca), vai até a cabeceira mais alta do Córrego Invejoso, descendo por ele até a sua foz no Rio Taquaruçu, e segue o leito do rio abaixo até retornar à ponte da MS-395.

Valorizando Nossas "Bibliotecas Vivas"

São muitas as memórias e passagens históricas que moldaram o Debrasa. Na era da internet e da informação rápida, esses dados podem ser facilmente consultados por qualquer cidadão interessado. No entanto, mais do que comemorar datas com shows e bingos, este aniversário de fundação é uma oportunidade de ouro para valorizarmos as nossas "bibliotecas vivas". São os moradores mais antigos que, desafiando a memória fluida e passageira da modernidade digital, teimam em manter vivo o testemunho real e o legado dos pioneiros que ergueram e consolidaram o distrito Debrasa. Parabéns, Distrito Debrasa, pelos seus 30 anos de história, trabalho e comunidade!


Brasilândia/MS, 19 de setembro de 2026.

Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2023/09/distrito-debrasa-quando-tudo-comecou.html; Mais informações sobre a história do Distrito Debrasa cf. História e Memória de Brasilândia/MS, volume 1-Pioneiros, capítulo 3-Quando tudo começou-Testemunhos. Páginas 283 a 295, que se encontra disponível na Biblioteca Municipal de Brasilândia Profª Abadia dos Santos, e Bibliotecas do SESI e todas as Bibliotecas Escolares de Brasilândia. Este volume também pode ser adquirido em: História e Memória de Brasilândia/MS - Pioneiros, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores

 

 

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

A Feira e Viola como Palco da Identidade: Histórico e Evolução da Cultura Popular em Brasilândia

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 



Existem binômios que são sempre estimulantes: feira e artesanato; feira e viola; feira e empreendimento; feira e literatura; feira e esporte. Isso porque a feira livre é, por excelência, uma das maiores manifestações vivas da cultura de um povo.

Trata-se de um espaço residual de liberdade e criatividade, onde a arte ganha voz por meio da música, da dança, do teatro, do artesanato e das artes plásticas, conectando as produções feitas com esmero pelos moradores de um lugar diretamente ao coração da comunidade.

Em Brasilândia, essa vocação cultural manifestou-se cedo. As instituições e o poder público historicamente dedicaram especial atenção às expressões populares da região, acolhendo-as e impulsionando-as. Seja pela originalidade das riquezas da terra, seja pelo elo de comunicação criado entre os governantes e a comunidade — em tempos de forte configuração rural —, a feira sempre foi um ponto de encontro essencial.

O primeiro grande registro dessa natureza remonta à 1ª Feira Verde Arte de Brasilândia, realizada entre os dias 20 e 22 de outubro de 1989. Realizada pelo Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Brasilândia (CODECOMB), que coordenei  na época, o evento ocorreu na quadra de esportes da Escola Municipal Arthur Höffig.

Foi uma das pioneiras exposições culturais da cidade, permitindo que os munícipes expusessem sua produção artesanal com suporte da administração municipal. Um dos pontos altos daquele encontro foi a participação da comunidade indígena Ofaié. Naquela oportunidade, os brasilandenses puderam compreender e valorizar os Ofaié como legítimos detentores de uma cultura própria e rica, assistindo em tempo real os estudantes acompanharem a confecção de arcos, flechas e colares em uma ação pedagógica marcante para a época.

Embora os registros em vídeo daquela gestão do prefeito José Cândido da Silva tenham se perdido com o tempo, a memória de pioneiros artesãos como Eduardinho Cri-í, Aparecida Hanto-grê, Pereirinha He-í e o jovem João Carlos Canrê permanece viva como a semente da nossa tradição.

Anos mais tarde, em 1995, o então vereador Jaime Assis de Alencar (Jaime Doce) propôs a criação de uma Feira Livre dominical para baratear os alimentos, ideia estendida ao distrito Debrasa. Em seguida, as proposições dos vereadores Irineu de Souza Brito, em 1997 — que sugeriu o nome poético de Feira da Lua por seu caráter noturno —, e de Marcos Roberto Lopes (Beto da Maurimar), em 1999, consolidaram o projeto. 

A chegada dos assentamentos Santana, Santa Emília e Pedra Bonita impulsionou definitivamente a produção de hortifrutigranjeiros, culminando na inauguração oficial da Feira Livre do Produtor Rural no dia 8 de fevereiro de 2000, na Praça da Pedra (Praça José Pinto Nunes).

Ao longo do tempo, o perfil produtivo transformou-se devido às safras sazonais, abrindo espaço para entidades filantrópicas e comerciantes locais, mas o viés de polo cultural manteve-se inabalável. Em 2013, o evento assumiu a denominação que carrega com orgulho até hoje: a Feira e Viola, convertendo-se em um instrumento indispensável de difusão da identidade brasilandense.

A partir de 2014, essa tradição expandiu as suas fronteiras e encontrou no bairro João Paulo da Silva, mais especificamente na Praça Ostelino Cardoso, o seu principal ponto de efervescência popular às quartas-feiras. O evento consolidou-se como um patrimônio social que atrai moradores de todos os cantos do município.

Semanalmente, o espaço transforma-se em um verdadeiro festival de convivência, oferecendo música ao vivo, uma variada praça de alimentação com comidas típicas, além da exposição e venda do autêntico artesanato local. Para as crianças, a diversão é garantida com o parquinho e a distribuição de pipoca, enquanto os adultos se divertem com os tradicionais binguinhos comandados pelo carismático radialista Ceará Santos e celebram a noite ao som do tradicional forró musical.

Atualmente, a Feira e Viola do bairro João Paulo da Silva prepara-se para vivenciar um novo e importante capítulo de sua história. A Praça Ostelino Cardoso passará por uma ampla reforma e modernização, uma obra aguardada que resultará em um espaço público revitalizado e com melhor infraestrutura para expositores e visitantes.

Durante o período de execução das obras do novo complexo, a tradicional feira de quarta-feira continuará acolhendo a população em um espaço alternativo temporário, assegurando que o comércio de subsistência, o lazer das famílias e a pulsação cultural de Brasilândia não sejam interrompidos até o retorno triunfal ao seu lugar de origem.


Brasilândia/MS, 15 de setembro de 2026.

Fonte de fundamentação histórica: https://carlitodutra.blogspot.com/2023/03/a-feira-da-lua-os-produtores-e-cultura.html

História e Memória de Brasilândia, Volumes II, III e IV.



 

 

O Legado que Acolhe: A Dignidade Humana na Reforma do Velório Municipal de Brasilândia

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra











Casa do Velório municipal Genuína Rodrigues da Conceição durante da inauguração ocorrida em 31 de outubro de 2000 (Foto: Jornal da Cidade, colorizada).


Uma obra pública vai muito além de tijolos, cimento e melhorias estruturais. Esse princípio se aplica a qualquer construção, mas ganha um significado profundamente humano quando se trata do Velório Municipal. 

Longe de ser apenas um prédio, esse espaço, à semelhança de um lar, é um local de acolhimento. É o ponto de encontro de uma comunidade que se despede de seus entes queridos, onde as dores se cruzam e onde o respeito pela história de cada cidadão deve prevalecer.

Neste contexto, o início das obras de reforma e ampliação da Casa de Velório Genuína Rodrigues da Conceição transcende a rotina administrativa. Trata-se de um ato que amplia a dignidade, a humanidade e o zelo da Administração Municipal para com as famílias de Brasilândia nos momentos de maior vulnerabilidade.

No entanto, este lançamento carrega um simbolismo ainda mais nobre e eterno pelo nome que o espaço ostenta. Prestar homenagem a Dona Genuína Rodrigues da Conceição, avó da atual prefeita, é resgatar a própria essência e a identidade do povo desta terra.

Dona Genuína não foi apenas uma matriarca querida. Foi uma mulher que testemunhou o crescimento de Brasilândia, fincando raízes com coragem, resiliência e um amor infinito pelos seus. 

Nascida em 7 de setembro de 1927, ela carregava no próprio nome a sua maior virtude: a genuína bondade, a dedicação e a força da mulher sul-mato-grossense. Conduziu sua família com simplicidade e sabedoria, deixando um legado de valores que hoje se reflete na liderança e no trabalho de sua neta.

A história dessa homenagem é marcada por uma bela linha de continuidade familiar e política. O Velório Municipal nasceu do anseio dos vereadores Mauro Alves de Oliveira e Antônio de Pádua Thiago, que já em 1994 solicitavam a construção à então prefeita Neuza Paulino Maia

Anos mais tarde, em 31 de outubro de 2000, em meio a dor da partida do cidadão Joaquim Pinto Nunes, o nome de Dona Genuína foi eternizado no prédio por sua filha, a ex-prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral, que acolheu a indicação do vereador Carlos Amorim de Assis, inaugurando o Velório Municipal naquele dia.

Na inauguração, a mãe da atual prefeita relembrou com emoção o apoio espiritual e a trajetória de Dona Genuína, que também atuou como comerciante local e muito contribuiu para o município.

Agora, passados 26 anos daquela inauguração, a história se repete de forma tocante. Para a atual prefeita de Brasilândia, Márcia Regina do Amaral Schio, a reforma desta obra representa um compromisso administrativo rigoroso, mas também um tributo íntimo de amor, respeito e saudade. 

É a oportunidade de honrar a memória de quem plantou as sementes do passado para que o presente pudesse florescer.

Ao modernizar e ampliar esse espaço, a prefeita Márcia garante que o nome de sua avó continue umbilicalmente ligado ao acolhimento e ao amparo — qualidades que ela tão bem demonstrou em vida.

Que este renovado espaço seja um símbolo contínuo de paz, respeito e conforto para o povo de Brasilândia. Que a memória e o exemplo de generosidade de Dona Genuína sigam guiando os passos do município e inspirando o cuidado genuíno com o próximo.

Parabéns à prefeita Márcia pela sensibilidade do gesto, e parabéns a Brasilândia por preservar viva a sua história.


Brasilândia/MS, 15 de setembro de 2026. 

Cf. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol 4-Desenvolvimento, pág. 365s

sábado, 12 de setembro de 2026

 Brasilândia homenageia o seu Governador.









Amigos desta cidade

A poesia vai falar

E quer a todos saudar

Poder cantar confiante

Saudação ao visitante

Dr. Riedel, Eduardo 

E faz assim sem resguardo

Com o devido respeito

Versos livres desse jeito

Sinta-se, pois, abraçado

Deixa aqui o ser recado

Quem espera vê-lo eleito.


Aqui é a voz da Prefeita

Cuja política perfeita

Nunca lhe faltou coragem

Por isso essa mensagem

Também de agradecimento

Márcia é toda engajamento

E lhe faz essa homenagem:

 

Eduardo é um jovem

Tem formação superior

Biólogo e empreendedor

Em 95 aqui chegou

Tantos cargos ocupou:

Comitê, federação

Estrutura, habitação

Famasul, agricultura

Saúde, economia segura

Sindicato, secretário

E lá vai o empresário

Acumulando experiência

Com a gestão e a gerência

Estava pronto o necessário.


E aí veio a eleição

Uma disputa acirrada

Mas seguiu na caminhada

E no Palácio chegou

Guaicuru, e implantou

A nova administração

Com muita garra e paixão

Sonhos que concretizou.

 

E assim o Eduardo

Tornou-se Governador

Com seu esforço e labor

Trouxe, assim, a garantia:

À família, moradia

Foi cativando confiança

Para o povo, esperança

Diálogo é o que deseja

Ouvir a todos onde esteja

Cidade e campo, harmonia

Aos municípios, energia

Projetos e Educação

Transporte, industrialização

Fez raiar um novo dia.

 

Governo municipalista

Este Estado agradece

Brasilândia oferece

Ao cidadão que acolhe

Pede que por ela olhe

A Prefeita, os Secretários

Associações, empresários

Agricultores, artesãos

Professores, cidadãos

Vereadores e esportistas

As mulheres e os artistas

Os indígenas, natureza

Emprego, nossa riqueza

Progresso a perder de vista.


E pro arremate pede

Não solte a mão da Prefeita!

O povo a quer reeleita

Márcia, parceira avante!

Cidade Esperança confiante:

Pois quem semeou tem colheita!


 

Brasilândia/MS, 12 de Setembro 2026.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 

Brasilândia, meu Brasil!

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


1-Senhores aqui presentes
Peço licença um momento
Dividir um sentimento
De agora poder falar.
Perdoe meu linguajar
Sou gaúcho caborteiro
Mas também sou brasileiro
Brasilândia é o meu lugar.
 
2-Hoje é 7 de Setembro
Ainda longe vejo a chama
A memória que reclama
Dia da gente lembrar
E na história buscar
O caminho percorrido
Do nosso Brasil querido
E a Brasilândia que amamos
De mãos dadas celebramos
Um vasto jardim florido.
 
3-Celebrar a Independência
Olhar pra trás com orgulho
A liberdade faz barulho
Explore e rasga o peito
Tantas lutas por direito
Conquistas que garantiu
Pátria livre construiu
Corrigindo seus defeitos.
 
4-Tantas vitórias vencidas
Elas podem ser lembradas
Lágrimas acorrentadas
Guerras e revoluções
Massacres, perseguições
Escravidão, nunca mais
Direito: todos iguais!
Nação que amadureceu
Novo dia amanheceu
Livres nossos ancestrais.
 
5-Desde o tempo “laços fora”
A nossa maior conquista
Progresso a perder de vista
Duzentos anos passaram
Palanques consolidaram
Escudos contra a opressão
Leis que deram proteção
Ao cidadão e à criança
O Tutelar da esperança
Que lhe garante sonhar
Sorrir, brincar, estudar
Idosos com segurança.
 
6-E a mulher, secretaria
Conselhos, delegacia
Igualdade e segurança
Nosso Brasil de esperança
Tem muito a comemorar
7 de setembro e lutar
Buscando mais melhorias
Antiga e novas alforrias
Caminhos novos trilhar.
 
7-Também nossa Brasilândia
Marca Argola do passado
Deixou prá trás o povoado
Hoje é empreendedora
Campeã, é vencedora
Seu coração bate fundo
Capaz de vencer o mundo
Na educação, na saúde
A força da juventude
Fruto do amor fecundo.
 
8-Administrando com garra
A Prefeita, Vereadores
Secretários, Servidores
Bate o tambor nossa banda
Fanfarra que nos comanda
Professores, Estudantes
Trabalhadores confiantes
Faz explodir nosso peito
Vibra de orgulho e respeito
Brasilândia ó Brasil
Não existe outros mil
Que nos faça desistir
Juntos vamos construir
Sonhos, responsabilidade
Com toda a força e vontade
Brasilândia vai sorrir.


Brasilândia/MS, 7 de setembro de 2026
Poema declamado durante a cerimônia de hasteamento da Bandeira na Pira da Pátria na Praça Santa Maria.