segunda-feira, 13 de julho de 2026

 

13 anos de histórias, encontros e direitos: A trajetória da Associação Viva a Vida de Apoio à Terceira Idade

Carlos Alberto dos Santos Dutra



O tempo passa, mas as marcas de uma trajetória construída com amor, união e propósito permanecem indeléveis. Celebrar o aniversário de uma instituição é muito mais do que contar os anos no calendário; é reviver memórias, homenagear quem abriu os caminhos e agradecer a cada pessoa que dedicou sua energia para transformar uma ideia em realidade.

Neste ano, a Associação Viva a Vida de Apoio à Terceira Idade, do nosso município de Brasilândia, completa 13 anos de fundação. Mais do que uma data comemorativa, este marco representa mais de uma década gerando convivência, promovendo o lazer e, acima de tudo, defendendo os direitos e o bem-estar dos idosos da nossa comunidade.

Para entender o tamanho dessa conquista, precisamos voltar no tempo e honrar o alicerce onde tudo começou.

O começo de tudo se deu pela coragem e o pioneirismo das mulheres. Toda grande história tem um ponto de partida. A da Associação Viva a Vida começou a se desenhar em 26 de junho de 2013, quando uma Comissão Pró Formação — liderada com muita determinação por Aparecida Oliveira da Silva e Maria Rosa Pereira Magalhães — lançou o edital que convocaria a população de Brasilândia para uma missão especial.

Pouco tempo depois, no dia 14 de julho de 2013, em uma assembleia geral realizada na Câmara Municipal, a associação nascia oficialmente. Com o objetivo claro de seguir as diretrizes do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), a entidade assumiu o compromisso de criar um espaço que oferecesse mais do que distração: um ambiente de aprimoramento físico, artístico, social e cultural através de palestras, seminários e atividades recreativas.

Logo no início, em 1º de agosto do mesmo ano, a conquista do CNPJ próprio consolidou a Viva a Vida como uma das instituições mais sérias e dedicadas do município. Mas as engrenagens dessa máquina de fazer o bem só se moveram graças a corações dispostos a liderar.

E lá estavam elas. Duas Presidentes, uma só missão: O legado de Jovelina e Jesuína. Falar dos 13 anos da associação é falar, obrigatoriamente, de duas mulheres extraordinárias que souberam conduzir o grupo com sabedoria, alternando papéis com um espírito de parceria institucional admirável: Maria Jovelina da Silva e Jesuína Camargo de Toledo.

Maria Jovelina da Silva assumiu o desafio de ser a primeira presidente da associação, liderando o triênio pioneiro de 2013 a 2016. Com passos firmes, ela estruturou os primeiros anos da entidade. Mais tarde, seu amor pela causa ganhou proporções ainda maiores: atuando como vereadora, Jovelina apresentou o Projeto de Lei que resultou na sanção da Lei 2.689/2017, declarando a associação como de Utilidade Pública Municipal. Mesmo após sua presidência, continuou atuando firmemente na base como conselheira fiscal titular.

Jesuína Camargo de Toledo foi o braço direito de Jovelina desde o primeiro dia, ocupando o cargo de vice-presidente na gestão fundadora. O entrosamento e o compromisso eram tão grandes que, no triênio seguinte (vigendo até 2020), Jesuína foi eleita presidente da associação. Sob o seu comando, a Viva a Vida continuou expandindo suas atividades, acolhendo novos membros e mantendo acesa a chama do congraçamento e do respeito à melhor idade.

E a entidade continuou mantendo sua força na continuidade de lideranças que fizeram a diferença. Nenhum presidente governa sozinho. O verdadeiro segredo da longevidade e do sucesso da Associação Viva a Vida reside na lealdade e na persistência de seu corpo diretivo. Vários membros demonstraram um compromisso exemplar com a causa ao aceitarem a responsabilidade de guiar a instituição ao longo das duas primeiras gestões consecutivas:

Luiza Dias do Vale: A voz da organização, que atuou com dedicação e zelo como secretária em ambas as diretorias; Verônica Hippler: A guardiã dos recursos, cuidando das finanças da associação como tesoureira nos dois primeiros mandatos; Elli Rojas Romero de Aquino: Uma conselheira atenta e presente, exercendo o papel de titular do conselho fiscal nas duas gestões; Joana Sanches de Lima (in memoriam): Sinônimo de suporte constante, atuando ativamente na proteção administrativa do conselho fiscal nos dois períodos.

Tereza Franzin Tomé: Começou sua trajetória como suplente do conselho fiscal na primeira diretoria e, devido ao seu envolvimento com a causa, foi eleita vice-presidente na segunda gestão, ao lado de Jesuína. Não podemos esquecer também do apoio técnico e jurídico do colaborador Carlos Alberto dos Santos Dutra, que esteve presente desde a assembleia de fundação, garantindo que a entidade caminhasse passos seguros dentro da legalidade.

E então? O que os 13 anos nos ensinam? Desde a sua sede provisória na Rua Adilson Alves da Silva, no Bairro João de Abreu, até os dias de hoje, a Associação Viva a Vida provou que o envelhecimento deve ser celebrado com dignidade, alegria e integração. Ela ensina que a terceira idade não é o fim de um ciclo, mas sim um momento rico para a troca mútua de experiências e para o usufruto de direitos conquistados a duras penas. A cada palestra educativa assistida, a cada evento recreativo realizado e a cada sorriso compartilhado nesses 13 anos, o ecossistema de Brasilândia se tornou mais humano.

Aos fundadores, diretores, voluntários e, principalmente, aos idosos que dão vida a esta associação: muito obrigado. Que o legado de Jovelina, Jesuína e de tantas outras lideranças continue a ser a bússola que guiará os próximos anos da Associação Viva a Vida. Parabéns pelos 13 anos de história!

 

Brasilândia/MS, 14 de julho de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 297s.

Gostou de relembrar essa trajetória? Deixe seu comentário abaixo parabenizando a associação ou compartilhe este texto nas redes sociais para que mais moradores de Brasilândia conheçam essa linda história!

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

 O despertar das águas: O encontro entre o dever legal e o sonho verde

Carlos Alberto dos Santos Dutra



 




O cumprimento de uma determinação legal nem sempre precisa se restringir à frieza dos relatórios técnicos e ao protocolo dos prazos processuais. 

Nas terras de Brasilândia, a resposta ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC nº 0900024-05.2020.8.12.0030), firmado sob o olhar atento e zeloso do Ministério Público Estadual, transformou-se em uma jornada de profunda sensibilidade e dedicação humana. 

O que começou como uma imposição judicial ganhou vida, cor e propósito pelas mãos de um pequeno grupo de servidores que enxergaram, na obrigação de resgatar o Córrego da Aviação, a oportunidade de semear um futuro sustentável.

Diante dos desafios de uma Prefeitura de estrutura modesta e recursos escassos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (SEMATUR) provou que a união de esforços é capaz de romper a inércia administrativa.  

Longe de se limitarem ao papel, o Secretário Carlito Dutra, o Adjunto Pedro Coutinho e o Técnico Jorge Silva entregaram-se à lida prática. Sob o sol firme, enfrentaram o passivo herdado dos anos de abandono e degradação antrópica. 

Retirar o arame farpado antigo e enferrujado com as próprias mãos — ferindo a pele, mas fortalecendo o espírito — foi o primeiro passo doloroso, porém necessário, para abrir caminhos. 

A caminhada para fazer a coisa certa ganhou o reforço essencial da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços, sob o comando dos engenheiros Felipe Souto Murilo Dourados, e do Superintendente Eduardo Lima. 

Com o avanço das máquinas operadas com precisão pelo motorista Luizinho, o mato alto deu lugar ao cuidado. O roçado manual minucioso desenhou coroas de proteção ao redor de cada planta que resistia bravamente. E aquelas 600 mudas iniciais, outrora sufocadas, voltaram a respirar junto à borda ciliar.

Tudo isso foi possível pelo esforço de cidadãos invisíveis. Seja no volante de veículos, no serviço braçal ou no manejo firme da enxada, da roçadeira e do perfurador, todos mostraram o valor de suas funções. O orgulho brilhava no rosto de cada um: Valdecir Barbosa, Sidney Lima, Rubens Limoeiro, José Luiz, Wilson Alves, Lucas Carvalho e Marcelo Hilário.   

O horizonte ganhou contornos científicos e técnicos sólidos com o apoio acadêmico da UFMS e da UNESP, que diagnosticaram o solo profundamente para identificar a localização exata dos olhos d'água remanescentes.  

Essa sinergia institucional e humana culminou na revitalização simbólica da área. A antiga placa de sinalização de Área de Preservação Permanente (APP), resgatada dos escombros de um pátio esquecido, foi restaurada e fixada à margem da rodovia MS-040, anunciando aos viajantes que ali o meio ambiente voltou a ser prioridade. 

O realinhamento do traçado e o plantio cuidadoso de novas mudas de ipês e moringas marcou o desdobramento prático do PRADE, convertendo a cobrança do órgão fiscalizador em um legado vivo de preservação. 

Onde antes havia erosão e esquecimento, hoje floresce esperança e o orgulho de servidores motivados que provaram que o rigor da lei, quando acolhido com idealismo, transforma-se em pura beleza coletiva por uma Brasilândia perenemente verde.

 

Brasilândia/MS, 1º de julho de 2026.
























quarta-feira, 1 de julho de 2026

 

O Sonho do SINDCOM e a Mobilização dos Comerciários pelo valor do trabalho em Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra






A história econômica e social de uma cidade não é feita apenas por grandes empresas ou números de faturamento. Ela é construída, essencialmente, pela força de quem acorda cedo todos os dias para movimentar o comércio local. Em Brasilândia, uma trajetória em especial merece ser resgatada e celebrada: o sonho da criação do SINDCOM (Sindicato dos Empregados do Comércio de Brasilândia).

Embora o sindicato não tenha se consolidado institucionalmente a longo prazo, a sua história deixou um legado inestimável: provou aos comerciantes e à comunidade o valor gigante da categoria.

A semente plantada em 1991 foi o início de tudo. A caminhada começou muito antes do que muitos imaginam. No dia 14 de abril de 1991, no Salão Paroquial da cidade, a primeira semente foi plantada com a formação da Comissão Pró Formação do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio.

Liderados por nomes como Jorge Justino Diogo, Elizabete Cosme de Noronha, Antônio Rosa dos Santos, Silvia Souza Santos e João Valentim de Souza, esses pioneiros aprovaram o primeiro Estatuto Social da entidade. Naquele momento, ficava claro que a união da categoria não era um capricho, mas uma necessidade real de organização.

Mas o resgate aconteceu quatro anos depois por meio da voz na Câmara Municipal, quando a chama foi novamente acesa. O desejo de organização ganhou eco nos debates públicos locais, alcançando a Sessão nº 520 da Câmara Municipal.

Na oportunidade, vereadores expressaram opiniões diversas sobre o tema: Samuel Ramos Lopes (Biro-Biro) parabenizou publicamente a luta dos comerciários e professores por seus direitos; o prefeito da época alertou sobre os cuidados na gestão de uma entidade; Irineu de Souza Brito incentivou abertamente os trabalhadores a fundarem o sindicato e a negociarem firmemente, sem intimidações frente às pressões externas, e Carlos Amorim de Assis ofereceu apoio direto à recomendação de estruturação do órgão.

Até tudo culminar no Movimento de 2000: A Assembleia Geral Extraordinária, com a virada do milênio que trouxe o ápice da mobilização formal. No dia 2 de julho de 2000, às 9h da manhã, a sede da Câmara Municipal abrigou uma histórica assembleia geral extraordinária. Um expressivo grupo de trabalhadores reuniu-se para eleger a primeira diretoria provisória e o conselho fiscal da instituição.

A nova Comissão Pró Formação contava com Silvia Neura da Silva e Silva na presidência, acompanhada por Marcos Antônio Rodrigues e Divina Lúcia de Oliveira da Silva como membros ativos.

Estava registrado nos anais da história o legado e o porquê essa luta valeu a pena. Muitos poderiam analisar de forma simplista e decretar que o movimento falhou apenas porque a estrutura burocrática e jurídica do sindicato "não prosperou". No entanto, a verdadeira vitória do SINDCOM ocorreu no campo cultural e social de Brasilândia.

A mobilização serviu como um espelho para os comerciantes locais. Ela demonstrou que atrás de cada balcão, caixa registradora e vitrine existiam cidadãos conscientes de sua importância. O movimento gerou respeito mútuo e equilibrou forças, mostrando que o comércio forte só existe quando a mão de obra é valorizada.

A história do SINDCOM é a prova de que lutar pelo seu valor nunca é um esforço em vão. O sindicato físico pode não estar de portas abertas hoje, mas o respeito conquistado por aqueles trabalhadores permanece vivo na identidade do comércio de Brasilândia.

Brasilândia/MS, 2 de julho de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, vol. 2-Patrimônio, pág. 430s

quinta-feira, 25 de junho de 2026

 Excelentíssimo Senhor Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva,









Sei que o senhor é um homem muitíssimo ocupado, integralmente dedicado a resolver questões de extrema relevância no Brasil e no mundo. 

Sei também que, por essa entrega, o senhor é profundamente amado e respeitado por tantos de nós.

Essa é a nobre sina daqueles que recusaram o comodismo diante da vida e escolheram se posicionar no lado mais frágil e esquecido da balança da desigualdade. 

É o destino de quem não maldiz a própria sorte, mas suporta o peso da dor, enfrenta a morte e segue adiante, sem jamais virar as costas para os companheiros que outrora partilharam do mesmo prato e da mesma humilde condição.

É por reconhecer no senhor essa profunda sensibilidade que tomo a liberdade de pedir um breve minuto de sua valiosa atenção.

Não venho clamar por eles como se fossem desamparados, pois hoje os Ofaié têm voz. Diferentemente de ontem, esse povo — que ao longo da história foi erroneamente chamado de Xavantes —, em Mato Grosso do Sul ressurgiu altivo das cinzas do abandono oficial. Sem dúvida são os sobreviventes que nem mesmo o rigor histórico da força verde-oliva conseguiu dizimar.

Não pretendo, Senhor Presidente, estender-me narrando a trajetória desta gente. As imagens e os recortes de seu percurso que acompanham este modesto presente falarão por si, ilustrando com sensibilidade o soerguimento de um povo de índole genuinamente pacífica e gentil.

Se não me for possível entregar pessoalmente esta lembrança que os Ofaié lhe destinam, peço que, em sua viagem de retorno à Capital — em meio aos seus nobres, urgentes e necessários afazeres —, o senhor deite os olhos, ainda que por um breve instante, sobre o coração deste povo.

Da mesma forma que outrora carregávamos nossas esperanças nos ombros de nossas mães, hoje depositamos o futuro da homologação do território sagrado Ofaié em vossas mãos.

Brasilândia/MS, 25 de junho de 2026.

Fraternamente,
Carlito Dutra, Axayray Ofaié










 

Paróquia Cristo Bom Pastor, 54 anos de uma linda caminhada de fé.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 






Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

É com o coração transbordando de gratidão e alegria que nos reunimos hoje, nesta Santa Missa de Ação de Graças, para celebrar uma caminhada de fé profunda, construída com dedicação, amor e espírito comunitário: os 54 anos da nossa querida Paróquia Cristo Bom Pastor de Brasilândia. 

Toda grande árvore começa com uma pequena semente. A nossa história remonta ao dia 21 de abril de 1957, quando, sob os pés de uma cruz batizada de "O Cruzeiro", o povoado de Brasilândia se uniu para a sua primeira missa campal, rezada pelo padre tchecoslovaco João Tomes, na presença do patriarca e fundador Arthur Höffig. 

Naquele dia santo, o padre João elevou aos céus uma prece profética: "Ó bondoso Deus, olhai para este povoado de Brasilândia. Fazei crescer aqui uma igreja forte e que ela receba o nome de Cristo Bom Pastor". Deus ouviu esse clamor. 

O tempo passou e o povoado cresceu, amparado inicialmente pelo atendimento espiritual que vinha da Diocese de Campo Grande. Mas a nossa história não foi feita apenas de orações nos altares; ela foi tecida no dia a dia, nas dores e nas necessidades do nosso povo. 

Lembramos com carinho da carência de saúde que afligia a comunidade. Da sensibilidade de um grupo de mulheres nasceu a coragem de pedir socorro. Diante da falta de médicos e parteiras no primeiro posto de saúde do município — criado em 1965 pelo prefeito José Francisco Marques Neto —, a união entre a prefeitura e a Igreja buscou uma resposta concreta para o cuidado da vida. 

O padre João interveio e o Bispo Dom Antônio Barbosa abraçou a causa, formalizando um pedido à Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Assim, no dia 25 de junho de 1972, a Paróquia Cristo Bom Pastor foi oficialmente instituída, desmembrada da Paróquia de Santa Luzia de Três Lagoas. 

A partir daquele momento festivo, que reuniu tantas autoridades civis, militares e eclesiásticas na praça chamada na época Praça dos Fundadores, vivemos uma experiência pioneira e belíssima quando a Diocese de Três Lagoas ainda nem existia e a Paróquia Cristo Bom Pastor estava vinculada à Diocese de Campo Grande: por dez anos, nossa Paróquia foi inteiramente confiada às mãos zelosas dessas irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Elas se transformaram em verdadeiras vigárias paroquiais, assumindo as atividades pastorais e sacramentais com um amor incomensurável. 

Como não recordar da Irmã Abigail Dias Batista, nossa primeira coordenadora, que presidiu o primeiro batizado da pequena Dalvina Aparecida Alves e o primeiro casamento do casal Lourival e Neusa? Como esquecer a Irmã Célia Maria Simeão, que além de zelar pelas almas, atuou como parteira no posto de saúde, ajudando a trazer tantas vidas ao mundo? 

Lembramos de cada uma das irmãs que por aqui passaram — Ana, Margarida, Cacilda, Zélia, Maria Aparecida, Diocenísia, Geni, Geralda, Judith, Maria de Abreu, Maria Benedita e Nair —, mulheres de fibra que plantaram o amor fraterno neste chão. 

Nessa jornada pioneira, elas nunca estiveram sós. Foram amparadas pelo povo fiel e assistidas por padres dedicados, como o Padre Ubajara Paz de Figueiredo, José Faralosse, Nicolau Hames, Nilvo Floriano Pase, Antônio do Carmo Ribeiro, Hermes, Ernesto, Tomaz, Iglesias, entre tantos outros que ajudaram na formação inicial do nosso povo. 

Essa semente plantada no passado continuou a dar frutos abundantes ao longo das décadas. A missão de guiar o rebanho do Bom Pastor foi abraçada por pastores dedicados que marcaram a nossa história recente. Lembramos com profunda gratidão do padre Lauri Bósio, que dedicou tantos anos de sua vida ao nosso meio, conduzindo esta comunidade com zelo e paternidade espiritual. Recordamos também o pastoreio e a dedicação do padre Luiz Mariano e do padre Fábio Alves, que doaram seus corações a este povo, deixando pegadas de fé e evangelização em nossa comunidade. 

E hoje, dando continuidade a essa belíssima história de amor a Deus e ao próximo, expressamos nossa profunda gratidão ao nosso atual pároco, o padre Ronaldo Rodrigues. Com o mesmo espírito de serviço dos que o antecederam, ele renova diariamente o nosso compromisso de caminhar como Igreja viva, acolhedora e missionária. 

Olhar para o Livro Tombo da nossa paróquia é ler a história das famílias pioneiras de Brasilândia. Nomes como o de seu José Sanches Castilho e dona Consuelo, seu Germino e dona Aureliana, seu Vicente e dona Niderci, seu Eliazel e dona Jurandira, seu Alfredo e dona Josefina, seu Pedro e dona Anizia, seu Aparecido e dona Josefa, a nossa querida dona Mocinha, e tantos outros casais como os Basso, os Fernandes, os Mingante, os Souza, os Dias e o primeiro presidente da comissão paroquial, seu Manoel Galdino de Souza, representam os alicerces vivos desta comunidade. 

Hoje, ao celebrarmos este aniversário, nossa gratidão se eleva ao céu por cada batismo realizado, por cada matrimônio abençoado, por cada Eucaristia partilhada e por cada ato de caridade silenciosa que aconteceu sob o olhar do Bom Pastor. Somos uma paróquia nascida da fé, da saúde partilhada, da cooperação e do serviço ao próximo. 

Que as palavras de Dom Antônio Barbosa continuem a ecoar em nossos corações, inspirando-nos a conservar sempre uma comunidade de culto, de amor e de serviço fraterno. Rogamos a Deus que abençoe a todos os pioneiros, aos que já partiram para a eternidade e a todos nós que hoje, guiados pelo Padre Ronaldo, continuamos a escrever as páginas dessa linda caminhada de fé.

Viva a Paróquia Cristo Bom Pastor! Salve o Cristo Bom Pastor! Amém. 

Brasilândia/MS, 25 de junho de 2026.

54º aniversário da Paróquia Cristo Bom Pastor.

Publicado originalmente In https://carlitodutra.blogspot.com/2022/06/jubileu-dos-50-anos-da-paroquia-cristo.html


domingo, 21 de junho de 2026

Uma saudade chamada AAB: o coração de Brasilândia ainda pulsa em nossas memórias

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

A história de Brasilândia sempre trouxe no ventre uma predileção natural pela alegria, pelas festas e pelos encontros comunitários. Desde os tempos em que o município era apenas um povoado, os finais de semana ganhavam vida através de manifestações culturais que uniam as pessoas nas fazendas, sítios e ruas. 

Mas foi com o nascimento dos clubes sociais que essa vocação para a coletividade encontrou o seu verdadeiro lar. Entre eles, um nome se eternizou na identidade da nossa gente: a Associação Atlética Brasilandense (AAB). 

Fundada em 21 de junho de 1981 e sediada na Rua Jacira, nº 131, a AAB foi muito mais do que uma estrutura de concreto; ela foi o palco dos anos mais dourados da nossa comunidade.  

A AAB foi o cenário de uma geração. Falar da AAB é reviver a imagem de uma sede invejável. Quem não se lembra da grandiosa piscina olímpica, cujas águas límpidas eram um convite diário ao lazer, ao esporte e à convivência? Era um verdadeiro deslumbre ver a juventude brasilandense movimentando as bordas daquela piscina nos dias ensolarados.  

Ao lado, o campo de futebol de medidas oficiais estendia seu tapete verde para torneios históricos, que se tornaram uma das maiores glórias da entidade. Ali, uma geração inteira viu seus filhos crescerem, correrem e aprenderem a nadar. A AAB era o porto seguro da nossa diversão.  

A AAB foi, na verdade um palco de grandes momentos. O clube ditava o ritmo da vida social de Brasilândia. Embalados pelo som do conjunto Brancão, do grupo Barcelona ou do Alma Serrana, e outros, os bailes da AAB atravessavam madrugadas. 

A expectativa tomava conta da cidade em dias de bingos e sorteios de prêmios vultosos, como as cobiçadas motocicletas CG-125 ou o inesquecível Fiat zero quilômetro sorteado em 1999. 

Além do lazer, a associação era o cérebro e o coração pulsante da municipalidade. Suas dependências abrigaram casamentos chic inesquecíveis — como o de Cleiton (Bambolê) e Doriana, filha da ex-prefeita Marilza do Amaral que mereceram registro na imprensa local. 

O espaço também dava lugar à seriedade da política e da cidadania, acolhendo grandes debates como o do Orçamento Participativo, que reuniu centenas de cidadãos para decidir o futuro da nossa região. Quantas decisões importantes para o desenvolvimento de Brasilândia não nasceram de conversas descontraídas em seu recinto? 

Sim, foram lideranças que deixaram legado. Essa trajetória brilhante foi erguida por mãos dedicadas. Lembramos com respeito de Julião de Lima Maia, o primeiro presidente, e de seu vice, Anísio de Almeida Borges, que assumiu a liderança após o falecimento do fundador. Nomes como Júlio César Paulino Maia, Celso Messias da Silva, Nelson Pedretti, Irineu Gaiotti e Donizeth Rodrigues, junto a tantos outros diretores e secretários, doaram seu tempo para fazer o clube prosperar. 

Ficou a lição e a eterna gratidão. O relógio do tempo correu e, infelizmente, a partir de 2004, o abandono e as dificuldades financeiras calaram a nossa querida associação. O prédio físico virou alvo de disputas judiciais e acabou transformado em um espaço particular, deixando a AAB viva apenas na memória. 

No entanto, o fim das atividades não apaga a grandeza do esforço realizado. Os erros do passado ficam como lição de preservação do nosso patrimônio. O que prevalece, acima de tudo, é o sentimento de profunda gratidão por termos vivido os tempos áureos da Associação Atlética Brasilandense. 

O clube AAB não existe mais em endereço físico, mas continua eternizada em cada mergulho da nossa infância, em cada gol comemorado, em cada evento realizado e em cada baile que deixou saudade no coração de Brasilândia.

 

Brasilândia/MS, 21 de junho de 2026.

Fonte: Dutra. C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 406-413.

Foto: Jornal independente Notícias, 2003 (colorizada)

sábado, 20 de junho de 2026

 Ceará Santos: a voz que embala a história e o coração de Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 

Brasilândia está em festa para celebrar a vida de uma de suas figuras mais emblemáticas. Cícero Pereira dos Santos, amplamente conhecido e carinhosamente chamado de Ceará Santos, completa 65 anos de idade. 

Mais do que um aniversário, esta data representa o marco de uma trajetória inteiramente dedicada à alegria, à cultura e ao rádio em nossa região. O verdadeiro homem do rádio e da animação. 

Não há quem viva em Brasilândia e não conheça a força do nome de Ceará Santos. Há décadas, sua presença é sinônimo de sucesso em praças, clubes, desfiles, bailes e eventos oficiais. Seja através das ondas do rádio ou no comando de seus potentes equipamentos sonoros, ele rompe as barreiras do tempo mantendo a mesma energia contagiante de sempre. 

Sua caminhada na mídia radiofônica acumula prêmios e grandes recordações, da época de ouro em que o município chegou a contar com três rádios FMs. Mesmo diante de adversidades — como o fechamento precoce da pioneira Rádio FM Brasil pelo antigo Dentel —, Ceará nunca deixou o silêncio vencer. 

Ele levou seu talento para os palanques políticos, festas de rodeio e grandes shows. Quem não se lembra do histórico Show de Prêmios de 1998 na Praça Santa Maria, onde ele embalou mais de 3 mil pessoas? 

Ceará Santos foi e é um garimpeiro de talentos. Seu coração sempre foi gigante para acolher e impulsionar novos artistas. Ele funcionou como um verdadeiro padrinho para os talentos locais:

Apresentou a dupla infantil Rick & Ricardo no Festival de Intérpretes em Três Lagoas. Descobriu e incentivou o jovem cantor João Fábio no icônico projeto Feira e Viola. Apoiou famílias inteiras, aconselhando pais a acreditarem no sonho musical de seus filhos. 

Sua produtora, a DJ Ceará Santos Produções Artísticas, testemunhou de perto o crescimento de grandes lendas nacionais. Ele esteve ao lado de duplas brasilandenses que embalaram canções da consagrada dupla João Paulo & Daniel em suas passagens pelas praças da cidade. Além disso, acompanhou os primeiros passos do Grupo Tradição e de Michel Teló, quando estes ainda iniciavam a caminhada rumo ao estrelato. 

Ceará Santos também é um exemplo de cidadania. Além do entretenimento, o radialista usou os microfones da Rádio FM Cidade no final dos anos 90 como ferramenta de transformação social. Suas campanhas diárias de conscientização e combate ao consumo de drogas deixaram um legado educativo tão expressivo que lhe renderam a indicação para uma merecida Moção de Congratulações para ser concedida pela Câmara Municipal. 

Feliz Aniversário, Sr. Cícero! Brasilândia inteira se orgulha de sua história, agradece pelo seu trabalho incansável e deseja muita saúde, paz e vida longa para continuar ecoando alegria em nossos corações.

 

Brasilândia/MS, 20 de junho de 2026.

Foto Facebook, 2017.