Conforto e Esperança na Ressurreição de Luiz Antônio
Lino Pasini
Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra
Tem dias que amanhecem sombrios, ao contrário de
outros que irradiam luz desde muito cedo. São dias em que nossos olhos sentem o
peso de uma realidade que muito pouco entendemos. É quando nos reunimos tomados pela dor, que nos ofusca o pensamento; e da fé, que dá esperança ao coração
que se encontra partido.
São dias que não gostaríamos de
vivenciar: o momento de nos despedirmos de quem amamos. Mais do que isso, um
dia em que as entranhas pulsam vivas dentro de uma mãe que, aos poucos, perde
sua ligação com a vida ao ter nos braços o filho que parte.
Dia de despedida eterna de um rebento que ainda há
pouco sorria e sonhava, enchendo de alegria os seus pais, que viam
brilhar neste menino tudo o que fazia. Hoje é o dia de dizer adeus ao jovem querido por
todos, Luiz Antônio Lino Pasini.
Diante deste mistério profundo e dilacerante, quando a
comunidade presencia a partida tão precoce desse jovem de apenas 18 anos,
arrancado dos braços de sua família, não há dor maior nesta terra. Sobretudo para
uma mãe e um pai que precisam entregar seu filho a Deus antes do tempo que
julgavam certo.
As palavras parecem insuficientes. Embora a natureza
reclame, só nos resta apegarmo-nos à Palavra de Deus e à nossa fé na
Ressurreição em Cristo para encontrar o consolo que o mundo não pode nos dar.
Há no coração dos pais a profunda alegria
e o orgulho do dever cumprido, ao verem o menino crescer em uma jornada que só
lhes causou felicidade. Solange e Ademir podem estar gratos e felizes pois tiveram a alegria de ver
um filho criado, que se tornou um estudante dedicado, um atleta cheio de vida e
um trabalhador exemplar.
Luiz Antônio
trazia no rosto a pureza de um olhar doce e inocente. Ele possuía a força de um
coração aberto e generoso. Foi o reflexo do amor, da educação e dos valores que
seus pais e amigos verdadeiros plantaram em sua vida.
A dor de vê-lo partir tão cedo, em uma fatalidade tão
abrupta, é incomensurável; é uma ferida que rasga a alma. No entanto,
lembrem-se de que o amor dos pais o guardou até aqui. Agora,
ele é entregue aos braços do Pai Celestial, onde nenhuma dor ou sofrimento pode
alcançá-lo.
O abraço da Misericórdia e do Perdão. Neste momento de dor, o papel da comunidade cristã é levá-los a compreender e estender as mãos e nossas orações também à senhora envolvida neste trágico acidente. A nossa fé nos ensina que o Cristo que chora com os que choram é o mesmo Cristo que acolhe as fragilidades humanas e derrama a sua misericórdia. Que o Senhor também console o coração dela, dissipe a culpa e lhe conceda a paz que vem do perdão divino e do consolo eterno.
A Esperança na Vida Eterna. Jesus nos prometeu: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11,25). O nosso Luiz Antônio não completou o seu caminho na Terra da forma como esperávamos, mas completou a sua missão: espalhou luz enquanto esteve entre nós.
Luiz Antônio une-se hoje à herança e bênçãos de seus antepassados, numa trajetória trilhada pelo sangue espanhol e italiano de Vertude Bravo Pazzini, pautada desde Itaboji (SP) até a fazenda Califórnia (MS), ao lado dos filhos, para depois, a partir de 1997, fixar-se na cidade de Brasilândia.
A morte não é o fim, é a passagem para a verdadeira
vida. Que o Espírito Santo Consolador abrace os pais, os familiares, os amigos
e todos os que sofrem com esta perda. Que a certeza do reencontro na eternidade
seja o bálsamo para os dias difíceis. Dai Senhor ao jovem Luiz Antônio, o descanso eterno. E que
a luz perpétua o ilumine. Descanse em paz. Amém.
Brasilândia/MS, 26 de setembro de 2026.
(1)
DUTRA,
C.A.S. Retalhos do Dia a Dia, Brasilândia, Ed. do Autor, 2010, pág. 209.





