sábado, 15 de agosto de 2026

 

A Tristeza em Palomas de Juremir Machado 

Carlos Alberto dos Santos Dutra







No dia 11 de maio de 2010 redigi uma carta ao amigo Padre Alex José Kloppenburg, um hulha-negrense tornado pedritense da pampa gaúcha, comentando um artigo que ele me enviou e que havia sido publicado na coluna do Juremir Machado no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre-RS, em 27 de abril de 2010 (1)

Dizia eu na ocasião: Conheci Palomas há 40 anos. Não conheço Juremir pessoalmente, esse poeta das letras e da sensibilidade. Parabéns pelo texto. Mas, quem és tu Juremir, se me permite? E o que andas escrevendo na ânsia de nos alimentar a saudade e as vergas que cruzam o peito? Deixando inquieto esse quera aqui distante do Cacequi?.

Eis a crônica TRISTEZA EM PALOMAS. De Juremir Machado da Silva (2) que tomo a liberdade de reproduzir aqui. 

Quando eu era criança, Palomas era o meu universo. O mundo começava logo depois do cerro.

Era o desconhecido. Pouco antes do grande morro, está o cemitério branco, num alto. Era um divisor. Chegávamos até perto dali. Ao avistar os túmulos, mortos de medo, disparávamos de volta para a vila. Em "Cai a noite sobre Palomas", conto uma história da qual tive de me lembrar recentemente. 

Fui buscar as vacas ao final da tarde. Depois de muito procurar, concluí que estavam para o lado do cemitério. Bati com a vara de alecrim nas ancas do cavalo. A noite vinha caindo muito rápido. De repente, vi um vulto todo branco balançando em frente ao cemitério. Desabalei. Poucas vezes senti tanto medo, salvo, talvez, outra vez, em Paris, no hotel Home Latin, quando temi enlouquecer. 

O matungo chegou estafado ao povoado. Não encontrei ninguém para me queixar ou para voltar comigo. Fiquei com medo do meu pai. Afinal, não trouxera as vacas. Enchi-me de uma coragem que não tinha e segui para o cemitério. Aproximei-me do vulto que balançava ao vento. Era um enorme caraguatá com flores brancas. Morri de vergonha. 

Palomas era a fonte, o nascimento, a infância, os campos sem fim, os belos cerros distantes e os seres estranhos que transformei em personagens, acrescentando ficção ou cortando o inverossímil por excesso de verdade. 

Nunca me esquecerei do primeiro enterro que vi no cemitério de Palomas, numa tarde de inverno. Nunca me esquecerei do longo apito do trem. Nunca me esquecerei do enforcado. Nunca me esquecerei das velozes carreiras de cancha reta. Palomas era, sobretudo, a alegria da natureza pulsando. 

Tinha os seus mistérios insondáveis para a fantasia de um guri sonhador. Uma gruta que se perdia no fundo da terra, na qual eu nunca estive. O canto triste dos jacus nos matos. A louca raspando latas. O alaranjado das bergamotas vergando as árvores. A cor linda dos maracujás. As pandorgas serpentando no céu azul. O silêncio das "cordilheiras". O vento assobiando na rua de trás. A lua descendo por trás dos eucaliptos. As meninas crescendo, tornando-se mulheres com suspiros repentinos. 

As estrelas coalhando o firmamento nas noites de verão. Homens conspirando nos cantos ou jogando truco nos bolichos. As melancias crescendo nas lavouras fartas. 

Agora, aos poucos, Palomas vai ganhando tristezas, tornando-se uma lenta acumulação de más lembranças. Estive lá, na semana passada, para o enterro do marido da minha irmã Nina. Írio morreu aos 52 anos de idade. Era um grande marceneiro, um uruguaio que se abrasileirou sem perder a origem. 

Chorei a morte desse gremista apaixonado, cujo último jogo que escutou no rádio, como sempre fazia, foi do Internacional. Deve ter dado uma secadinha. Quero que o Grêmio ganhe este gauchão em homenagem a ele. Foi muito triste. 

Palomas pareceu-me exatamente a mesma da minha infância. Quase uma paisagem imóvel de um quadro melancólico. O mundo depois do cerro eu já conheço um pouco. Palomas, no entanto, é outra: o lugar aonde agora vamos para enterrar os nossos mortos.

(1) http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=309.

Texto reproduzido em Dutra, C.A.S. Se me deixam falar: crônicas daqui e além mais. Edição do Autor, Brasilândia/MS, 2013, Página 254s.



quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Oficina de Cocriação - Identidade Municipal

Carlos Alberto dos Santos Dutra



Amigos aqui presentes
Um momento vou falar
Quero a todos lembrar
Por que estamos reunidos
Por que fomos escolhidos
Você já parou prá pensar?
No sabor e o paladar
Da nossa gastronomia
Prato típico, freguesia
Nosso rico artesanato
Nos tira do anonimato
Estupendo potencial
Nossa força ancestral
Aqui bem representada
A essência de mãos dadas
Reunida em oficina
Desenho na cartolina
Em busca de identidade
Na rica diversidade
Cidade empreendedora
De sonhos é portadora
De projetos valiosos
Visitantes orgulhosos
Com nosso pertencimento
Prazer no acolhimento
Isso podemos mostrar
Nossa cultura traçar
O valor da economia.
 
Sim, faremos neste dia
Conversa, debate, ideias
Natureza e colmeias
Florestas e os Ofaié
O cerrado e o tereré
Os atrativos turísticos
E os bordados artísticos
Juntos podemos contar
A alma do povo apalpar
Quando fala o coração
Toda a Administração
Caminhando de mão dada
Como parceira, aliada
Produtores, comerciantes
Servidores confiantes
Buscando uma identidade
Para além da amizade
Construtores do futuro
Imagem além dos muros
Feira viola na praça
Cruzeiro, arara e graça
A nossa onça pintada
Cervo, floresta plantada
Vamos juntos desenhar
O progresso e o bem-estar
Ambiente sustentável
Prosperidade saudável
E gerações abraçar.

Obrigado

Sebrae/Unisinos

Carlito Dutra/SEMATUR, Brasilândia/MS, 13/08/2026


domingo, 9 de agosto de 2026

 

O calor de uma Comunidade Viva: Oração de gratidão à Capela São Vicente de Paulo.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 




A fotografia tirada no final de cada celebração dominical já se tornou uma das tradições mais bonitas e aguardadas em nossa comunidade. É um momento de profunda comunhão: após receberem a bênção, todos os fiéis se perfilam alegremente diante do altar. 

Cada clique registra não apenas rostos, mas um ato genuíno de fé partilhada. Sempre penso que aquelas imagens, ao serem vistas depois, funcionam como um convite silencioso e poderoso, motivando mais irmãos a estarem conosco no domingo seguinte. 

No entanto, no domingo de hoje, a motivação que flutuava no ar revelou-se inteiramente especial desde o início. 

Cumprimos os ritos com o carinho de sempre. Fizemos a entrega das imagens do nosso querido padroeiro, São Vicente de Paulo, e a tradicional entrega da imagem do Anjo da Guarda a uma de nossas crianças. 

Mas, logo após esses momentos devocionais, algo diferente e extraordinário estava reservado para todos nós.

As leituras da liturgia neste dia haviam tocado fundo em nossos corações: elas nos falavam da presença constante de Deus em nossas vidas, daquele Pai amoroso que nos estende a mão para nos resgatar das tempestades e que caminha sobre as águas revoltas, convidando-nos a caminhar com Ele e experimentar a leve brisa da Paz.

Inspirado por essa mensagem de amparo, decidi chamar à frente todos os pais que se encontravam no templo. Convidei-os a se aproximarem do altar e conclamei o restante da assembleia a ficar de pé, estender as mãos e, juntos, proferirmos uma grande bênção sobre aqueles chefes de família. Foi um instante sublime de pura conexão, agradecimento e confiança cega no Criador.

Com o coração em paz e a sensação de dever cumprido, preparei-me para encerrar a Celebração da Palavra. Eu estava prestes a proferir os ritos finais e o tradicional "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe", quando uma voz suave rompeu o silêncio do templo e fez com que todos nós parássemos instantaneamente para escutar.

Era a nossa Ministra da Comunhão, a querida Irmã Zélia. Com palavras delicadas e cheias de sabedoria, ela lembrou a assembleia de um detalhe que eu próprio, envolvido pelas obrigações do altar, não havia dado a devida importância: o dia seguinte (2ª feira) seria dedicado a São Lourenço, o santo padroeiro de todos os diáconos.

Em um ato contínuo de extrema sensibilidade, ela propôs que a comunidade fizesse por mim o que tínhamos acabado de fazer pelos pais: que todos estendessem as mãos na minha direção e me ofertassem uma bênção.

Caminho lado a lado com a Capela São Vicente há mais de dez anos, conheço cada história e cada família, mas nada me prepararia para o impacto daquele gesto. Em um piscar de olhos, vi-me cercado por uma multidão de fiéis. Olhar ao meu redor e ver dezenas de mãos estendidas na minha direção foi uma das experiências mais avassaladoras do meu ministério.

Era possível sentir o calor humano, a intenção pura, a fé vibrante e uma gratidão recíproca que pareciam irradiar daquelas palmas abertas. Como se o divino Espírito Santo houvesse pairado sobre nós. A emoção me tomou de tal forma que o peito apertou e eu me vi beirando as lágrimas, tomado por uma felicidade que mal cabia em mim.

Aquele foi, sem dúvida alguma, um dos gestos mais belos e puros já presenciados nesta manhã de domingo por uma comunidade tão repleta de amor a Cristo.

Vocês demonstraram, na prática viva e cotidiana, a verdadeira fraternidade que o Senhor da história nos propõe. Há mais de uma década eu busco servir a vocês, mas foram vocês, meus irmãos, que me sustentaram e me alimentaram com a sua fé até este dia. Minha eterna gratidão a cada um. 

Obrigado, Comunidade São Vicente de Paulo! Parabéns por serem essa igreja viva, pulsante e acolhedora da Paróquia Cristo Bom Pastor!

 

Brasilândia/MS, 09 de agosto de 2026

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 

Construindo o Futuro: Participe da Oficina de Cocriação da Identidade de Brasilândia!

Carlos Alberto dos Santos Dutra



Você já parou para pensar no que torna Brasilândia um lugar único? Seja o sabor da nossa gastronomia, a riqueza do nosso artesanato ou a força do nosso povo, nossa cidade transborda potencial. Agora, chegou o momento de unirmos forças para transformar essa essência em uma marca forte e reconhecida em todo o país!

A Prefeitura de Brasilândia, em uma parceria estratégica com o Sebrae-MS e o consultor Adriano Rodrigo Debus (mestre em design estratégico pela Unisinos), convida toda a população para um momento histórico: a Oficina de Cocriação da Identidade Municipal.

O que é o Projeto de Identidade Municipal?

Esta iniciativa faz parte do Programa Cidade Empreendedora, ativo no município de 2025 a 2028. Longe de ser apenas a criação de um logotipo, o projeto busca identificar o que temos de mais valioso para destacar nossa cidade nos cenários regional e nacional.

Como bem destacou a prefeita Márcia Amaral: "A construção e definição de uma identidade contribui tanto para a atração de visitantes, empresas e investidores quanto para o fortalecimento do senso de orgulho e pertencimento da população local".

Como Funciona o Projeto?

O desenvolvimento é estruturado em quatro grandes etapas metodológicas:

1.  Análise de Contexto: Pesquisas profundas sobre nossa gastronomia, cultura e economia.

2.  Oficina de Cocriação: O momento em que você entra em ação para debater e dar ideias!

3.  Consolidação Técnica: Análise dos pontos com maior potencial de atração de público e diferenciação.

4.  Validação e Desdobramentos: Entrega das diretrizes para criar novos negócios, serviços e atrativos turísticos.

Por que a sua presença é fundamental?

Nenhum consultor ou governante consegue definir a alma de uma cidade sem ouvir quem vive nela todos os dias. Queremos reunir lideranças locais, jovens, comerciantes, produtores e moradores de todos os setores para garantir que a identidade do município seja um reflexo fiel de quem realmente somos e do futuro que queremos construir!

Sua voz ajudará a desenhar estratégias de desenvolvimento sustentável, inovação e prosperidade para as próximas gerações.

Agende-se e Participe!

Chame seus vizinhos, amigos e familiares. Vamos desenhar juntos o futuro de Brasilândia!

  • 📅 Data: 13/08/2026 (quinta-feira)
  • Horário: Das 08h às 12h (MS)
  • 📍 Local: Secretaria da Mulher (Rua Jacira Pedroso de Moraes Hoffig, nº 681, Centro, Brasilândia/MS)

Confira: https://www.brasilandia.ms.gov.br/portal/noticias/0/3/6608/brasilandia-inicia-projeto-de-identidade-municipal-para-se-destacar-nos-cenarios-regional-e-nacional/

Brasilândia conta com o seu olhar e o seu orgulho. 

Nos vemos lá!


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

 

Feliz Aniversário ARTEBRAS
Carlos Alberto dos Santos Dutra




Brasilândia,
Artebrás
Quando foi que tu nasceste?
Onde foi que tu cresceste?
Envolta nestes bordados
Pinturas e teus guardados
Feitos com dedicação
Joias talhadas a mão
Que irradiam seu brilho
Que orgulha os teus filhos
Para todos é exemplo.
 
Não é de hoje, já faz tempo
Os antigos que viveram
Que nestas terras cresceram
Vendo ao redor natureza
Suas matas e beleza
Eram aves que voavam
E animais que pastavam
Peixes, répteis que nadavam
Tudo em perfeita harmonia
Orações e nostalgia
Cativando o coração
Moldaram com suas mãos
A expressão desta arte
Recuperando o descarte
E o que era esquecido
Recuperando o perdido
O belo sempre extraindo.
 
Foram assim construindo
Mulheres, donas de casas
Mães, avós criaram asas
Mãos de fadas professoras
Mulheres empreendedoras
Subsistência, beleza
Toque de delicadeza
O chamado artesanato
Fez concreto o abstrato
Deu vida ao anonimato
Mostrando coragem e raça
Hoje expõem na praça
Eventos além fronteira.
 
Lá se vão as bordadeiras
Palha, bambu e sisal
Nossa herança ancestral
Do indígena, o cipó
O Cesto, a bolsa da vovó
Vaso, cerâmica, escultura
A madeira e a costura
Os metais também o couro
O crochê em fios de ouro
Bordado que ilumina
Técnicas que a flor menina
Transmite às gerações.
 
São tantas as criações
Novas tendências, modernas
São as luzes e lanternas
Da estética e beleza
Dando calor a frieza
Ao coração desta gente
Que hoje está contente
Junto poder festejar
Artebrás quero saudar
E a sua mão apertar
O coração abraçar.
E Parabéns vamos cantar.

Brasilândia/MS, 5 de agosto de 2026. 
Data do 2º aniversário de fundação da Associação dos Artesões de Brasilândia-ARTEBRAS
 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Memórias e Desafios do Ambientalismo em Brasilândia: O Grito Necessário do Instituto Cisalpina

Carlos Alberto dos Santos Dutra

 

Relembro o ano de 2003. Ele foi profundamente marcante para a natureza e o meio ambiente de Mato Grosso do Sul, em especial para a nossa querida Brasilândia. Naquele período, após o enchimento do lago da Hidrelétrica Porto Primavera (posteriormente batizada com o nome do engenheiro Sérgio Motta), duas entidades pioneiras – Instituto Cisalpina e ASSOBRAA --, começavam a desbravar o imaginário popular da pequena cidade. 

Era um tempo de despertar. Diante dos novos desafios ecológicos, um grupo de jovens altruístas destacou-se na multidão e, com extrema responsabilidade e afinco, deu um passo decisivo em defesa da preservação ambiental. 

A primeira dessas façanhas históricas consolidou-se no dia 2 de agosto daquele ano. Cidadãos e técnicos de diversas áreas uniram-se pelo propósito de proteger a fauna e a flora da região. Numa rápida digressão histórica, recordo com orgulho que a assembleia de fundação reuniu mais de cem pessoas na antiga sede da Câmara Municipal, no centro da cidade. 

De forma brilhante e acolhedora, a comunidade elegeu a primeira diretoria do Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Sócio Ambiental, confiando a presidência ao professor Carlos Alberto dos Santos Dutra, o popular Carlito. 

Durante aquele ato marcante, distribuímos à população cerca de 200 mudas de árvores nativas — como pau-brasil, murta, oiti, ipê-mirim e calistemo —, doadas pela Companhia Energética de São Paulo (CESP). O repasse foi viabilizado pela Secretaria Municipal de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, representada pelo então secretário e técnico em agropecuária Gilberto Silva, que também assumiu o cargo de diretor administrativo da nova entidade. 

O evento, que movimentou o cenário cultural local, contou com o prestígio dos vereadores Francisco Aparecido Lins (in memoriam), Carlos Amorim de Assis e Marcos Roberto Lopes. A Polícia Florestal também se fez presente por meio dos policiais Da Silva e Sabatini, representando o Capitão Monari, do Batalhão de Três Lagoas. 

O Instituto Cisalpina — que posteriormente incluiu em seus estatutos a Defesa do Patrimônio Cultural — nasceu com fôlego de onça. Suas ações iniciais ecoaram longe, levando educação ambiental às escolas públicas e fazendo ressoar o esturro da onça e o silvo da sucuri em favor da nossa biodiversidade. 

É preciso parabenizar a grandiosa trajetória desta entidade, que venceu o ceticismo de uma classe muitas vezes alheia às causas ecológicas, transformando conceitos e expandindo os horizontes de inúmeras crianças e jovens. 

O Instituto realizou dezenas de palestras e ciclos de cinema ambiental que lotavam o Centro Cultural Ramez Tebet. Exibições que iam desde o aclamado Avatar — que demandou três sessões devido à imensa procura — até documentários de forte teor crítico para o público adulto, como A Carne é Fraca e Lixo Extraordinário. 

Contudo, ao olhar para o cenário atual, não posso deixar de manifestar uma profunda preocupação de caráter institucional e pessoal, como autor e fundador. O Instituto Cisalpina hoje estendeu suas linhas de ação para o esporte e o atendimento veterinário de animais domésticos. Embora tais causas sejam nobres, essa dispersão de foco acabou por arrefecer o espírito de vanguarda que nos definia. 

Até o ano de 2022, o Instituto mantinha-se como uma força altamente combativa e ativa no debate ecológico regional. Hoje, a sobrevivência do ecossistema local parece repousar de forma quase solitária nos ombros da nova Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (criada na administração Márcia Amaral) e da também incipiente Associação Brasilandense de Fiscalização Ambiental (ABAFA). 

Elas resistem isoladas no clamor em defesa do Cerrado, dos pequis, dos palmitos e dos fragmentos remanescentes de Mata Atlântica e matas ciliares, que perdem espaço gradativamente para o avanço agressivo dos agrotóxicos e florestas plantadas. 

Como pioneiro e idealizador dessa história de vinte anos, entretanto, guardo comigo uma réstia de esperança e um desejo categórico: que o Instituto Cisalpina retorne às suas origens essenciais. É urgente que a entidade reassuma o papel de protagonista do ambientalismo responsável e combativo que a caracterizou até 2022. 

O município necessita que o Instituto restabeleça sua forte parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e entidades como a ABAFA e instituições superiores de ensino de pesquisa como o seu nome ostenta, somando forças na elaboração de projetos de educação ambiental e implementação de políticas públicas que garantam a preservação real da nossa fauna, da nossa flora e de um meio ambiente urbano e rural genuinamente saudável.

Parabéns Instituto Cisalpina pela sua trajetória e pioneirismo que urge dar continuidade às suas ações e objetivos estatutários mais do que nunca no tempo que se chama hoje. É o que os ambientalistas de Brasilândia esperam e se propõem a apoiar.


Brasilândia/MS, 02 de agosto de 2026. 23º aniversário de fundação da Associação Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Socioambiental e Defesa do Patrimônio Cultural, de Brasilândia. Mais informações In Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, 2020, Pág. 323-328. Disponível em História e Memória de Brasilândia/MS Vol. 2-Patrimônio - Em Cores, por Carlos Alberto dos Santos Dutra - Clube de Autores


















Fotos de 2006 (capa), 2005 (evento), 2013 (diretoria) e 2022(diretoria)











quarta-feira, 29 de julho de 2026

 

Do Sonho à Realidade: Uma Homenagem aos 29 Anos de Luta e Amor pela APAE de Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 






Histórias que verdadeiramente transformam uma sociedade raramente começam com grandes recursos materiais; elas nascem do olhar atento, da empatia e da determinação de pessoas que se recusam a aceitar a invisibilidade do próximo.

A trajetória da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Brasilândia é o reflexo exato desse poder de transformação, construído a muitas mãos, mas impulsionado pela coragem inabalável de suas pioneiras. 

Tudo começou a ganhar forma em maio de 1996, quando uma ação conjunta entre os setores de Educação e Saúde trouxe a APAE de Três Lagoas para realizar a primeira triagem de portadores de necessidades especiais no município.

Na liderança desse passo inicial estava a professora Elídia de Almeida Martinez Soriano. Com recursos limitados e usando o telefone para conclamar a comunidade, a professora Elídia coordenou o mapeamento que identificou as primeiras 36 crianças que necessitavam urgentemente de cuidados específicos na região. 

A semente plantada em 1996 germinou e ganhou um reforço vital no início do ano seguinte. Em fevereiro de 1997, a professora Maria Rita Ferreira de Gusmão Santini, então coordenadora da Agência Educacional de Brasilândia, liderou uma reunião histórica que reuniu diversos segmentos da sociedade e secretarias municipais. 

O objetivo era claro: enfrentar de frente as dificuldades detectadas pelas técnicas da Unidade Interdisciplinar de Apoio Psicológico (UIAP), como as professoras Elídia e Nilce Costa Jardim, que lidavam diariamente com a falta de atendimento médico especializado e de espaço físico adequado para os alunos com deficiências visuais, mentais e auditivas.

Desse movimento popular e do clamor por dignidade, nasceu o Grupo Vida – Em Defesa da Pessoa Portadora de Deficiência, o embrião que culminou na fundação oficial da APAE de Brasilândia em 31 de julho de 1997. A primeira diretoria executiva consagrou a professora Elídia como presidente e a professora Maria Rita como segunda diretora secretária, eternizando o nome de ambas na base desta instituição.

Esta homenagem se estende também a todas as outras lideranças e colaboradoras que deram continuidade a esse legado de dedicação ao longo dos anos. Mulheres e profissionais admiráveis como Dora Corasini Antunes, Cleyde Dias Monteiro, Maria Helena Wilmers de Moraes, Aurelina Pereira dos Anjos, Nilce Costa Jardim, e as presidentes que sucederam a fundadora Elídia: a professora Ana Iva Corrêa Brum Barros, a professora Eunice Aparecida de Melo Perez, dona Antônia Pereira da Costa e Maria Inês Anselmo Costa, e seguintes. Cada uma delas doou seu tempo, intelecto e coração para erguer o que hoje conhecemos carinhosamente como APAE Florescer. 

O sucesso da instituição também ressalta a força da solidariedade brasilandense. Nos primeiros anos de extrema dificuldade, foram os colaboradores locais, o comércio da cidade e entidades parceiras — como o Rotary Club, a Loja Maçônica, a Destilaria Debrasa e o Banco do Brasil — que se uniram para pagar os primeiros aluguéis, doar móveis, computadores, cadeiras de rodas e viabilizar os primeiros atendimentos clínicos. 

Celebrar a história da APAE de Brasilândia é reconhecer que a inclusão se conquista com autonomia, afeto e responsabilidade coletiva. À professora Elídia, à professora Maria Rita e a cada voluntário, doador e profissional que dedicou sua vida a esta causa: o município de Brasilândia e todas as famílias beneficiadas guardam uma gratidão eterna pelo florescer de tantas vidas.

 

Brasilândia/MS, 31 de julho de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia;/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 271-280.

Foto: APAE Facebook



terça-feira, 28 de julho de 2026

 

O Futuro de Brasilândia e o Equilíbrio Ambiental no Novo Plano Diretor

Carlos Alberto dos Santos Dutra






Na noite do dia 29 de julho próximo, um segmento importante da população de Brasilândia/MS estará reunido para apresentar sugestões à revisão do seu Plano Diretor. Nesta data, a administração pública, o seu secretariado e a população em geral estarão debruçados sobre o Plano Diretor da cidade com olhares novos. Mas o Secretário de Meio Ambiente, Carlito Dutra, não estará entre eles. Motivo: Encontra-se de férias. Ele deverá estar representado nesta Audiência Pública pelo Secretário Interino da Pasta, Pedro Henrique Coutinho do Vale.

Não obstante, manifesto-me neste artigo na condição de um cidadão comum que ama esta cidade e o verde de seu entorno. E também, porque é com as palavras que consigo melhor me comunicar. Neste caso, a revisão do Plano Diretor, evento de suma importância, pois dele depende o futuro sob vários aspectos de nossa comunidade.

Por dever de ofício no campo do Meio Ambiente, cumpre registrar que o Plano Diretor aprovado em 2016 estabeleceu, em seus artigos 3º e 7º, que o desenvolvimento urbano deve ser socialmente justo e ambientalmente equilibrado. No entanto, fomos acostumando a assistir na prática, ao longo dos anos, situações de desrespeito a suas diretrizes.

Historicamente, as administrações demonstram dificuldade em proteger o Meio Ambiente e frequentemente falham na salvaguarda do patrimônio público. Áreas verdes, por exemplo, que deveriam ser intocáveis por força de lei, são periodicamente desafetadas e entregues à construção civil imobiliária ou ao atendimento de interesses privados particulares.

Embora a atual administração se proponha de forma corajosa  a agir diferente e com respeito ao meio ambiente, outrora, os bosques naturais urbanos da nossa cidade — como a Chácara São João, no centro da cidade --, entre outros, que funcionam como verdadeiros pulmões e reguladores do clima, foram relegados à desproteção ficando à mercê da especulação. Com um mínimo de seriedade, essas áreas já poderiam ter sido desapropriadas e transformadas em Parques Urbanos de preservação.

O novo Plano de Diretor, em contrapartida, tem a oportunidade de corrigir distorções praticadas, entre elas o desvio de finalidade, inaceitável, nas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e de Interesse Ambiental (ZEIA). Esse cenário deverá ser uma das preocupações da competente equipe técnica e gestores da atual Administração na conformação do novo Plano Diretor em construção.

Arrisco a dizer que a Lei do novo Plano Diretor não deverá legalizar retrocessos ambientais e sociais já praticados. A título de sugestão, tomo a liberdade de elencar algumas propostas com a intenção de contribuir para a prática urbanística local que, ao longo dos últimos anos, demonstrou grave vulnerabilidade na proteção do patrimônio imobiliário público.

1º) A desafetação sistemática de áreas verdes, praças e sistemas de lazer para atender a interesses particulares, sob o pretexto de fomento à construção civil, desvirtuou o planejamento original de 2016. Bosques naturais e fragmentos de cerrado urbano vêm sofrendo forte pressão imobiliária, privando a população de espaços de regulação microclimática, lazer e preservação ambiental.

2º) Da mesma forma, áreas originalmente reservadas como ZEIS e ZEIA necessitam de blindagem jurídica imediata. A ausência de mecanismos rígidos permitiu o desvio de finalidade dessas regiões, prejudicando o atendimento ao déficit habitacional da população de baixa renda e acelerando a degradação de fundos de vale e de nascentes.

3º) No campo da legalidade, cumpre dizer que a vedação à desafetação atende ao Princípio da Proibição do Retrocesso Ambiental. Uma vez integrada ao patrimônio público como área verde por força de loteamento (Lei Federal nº 6.766/79), o espaço ganha uma vocação socioambiental comunitária intangível.

As alterações aqui propostas, de forma modesta, buscam garantir que a propriedade cumpra sua função social voltada à habitação de interesse social e à proteção do meio ambiente, conforme o texto original da própria norma municipal.

4º) Por derradeiro, propõe-se a destinação de 15% do Fundo Municipal da Cidade para a infraestrutura verde do município, via Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente. Essa medida garantirá a exequibilidade financeira da lei, permitindo que o município promova desapropriações de bosques privados sem estrangular o orçamento corrente.

Além disso, o ideal seria buscar a nulidade de atos que desviem a função das ZEIS, assegurando a segurança jurídica e a justiça social para que o crescimento urbano ocorra de forma planejada, compacta e ordenada.

Estou confiante de que os integrantes da Comissão multidisciplinar responsável pela revisão do Plano Diretor saberão apreciar as sugestões apresentadas pela população na Audiência Pública. E com sua voz possam contribuir para a feitura de uma legislação capaz de  estancar a perda de ativos socioambientais públicos, corrigir distorções históricas na gestão imobiliária de Brasilândia e garantir um desenvolvimento local socialmente justo e ambientalmente equilibrado para as presentes e futuras gerações.

Desejo, de coração, antecipadamente, o pleno êxito deste importante evento de cunho comunitário proporcionado pelo governo democrático e participativo da administração Márcia Regina do Amaral Schio, e todo o seu esforço para tornar a nossa Brasilândia cada vez mais Empreendedora e mais Verde... Vivat viride!

Brasilândia/MS, 28 de julho de 2026.

sábado, 25 de julho de 2026

 

Os Passos que Inspiram a Caminhada: Uma Homenagem a Angélica Amado Penha Costa

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 




Sair de férias, por menor que seja o período, é sempre uma oportunidade valiosa que a vida e o trabalho nos dão para romper a rotina. É o momento ideal para esquecer o corre-corre dos dias, soltar as amarras e experimentar a ventura de se deixar levar. Viajar para lugares distantes nos mostra o quanto de belo e diverso existe além dos olhos cotidianos que tantas vezes nos acomodam.

Contudo, a minha primeira parada neste descanso foi em um ambiente profundamente familiar: o universo da leitura. Os livros são meus companheiros inseparáveis; não saberia dizer o que seria de mim sem eles. 

Desde os 7 anos de idade, risco no papel minhas impressões sobre o mundo. Aos 9, publiquei meu primeiro livrinho reeditado em cópias datilografadas — primeiro em uma Remington portátil e, depois, na inigualável IBM de esfera que revolucionou a escrita nos anos 1970. 

De lá para cá, a produção editorial e o gosto pelas letras evoluíram, mas minha paixão permaneceu intacta. Foi com esse espírito que dediquei os primeiros dias de folga para mergulhar em uma obra literária muito especial.

A autora encontrava-se no portão da minha casa com um sorriso largo. Antes mesmo de acionar o interfone, eu a vi no momento exato em que estava de saída. Ela me entregou o livro e, com a voz embargada pela emoção, falou da alegria de publicar sua primeira obra.

Demonstrou ali sua admiração por mim e por minha esposa, que é professora e também escritora. Pude perceber a sinceridade em seus olhos e a grandiosidade de sua alma postadas bem à minha frente.

Esse sentimento transbordou quando li as palavras que ela declinou na dedicatória, escrita de próprio punho na orelha do livro Ainda estamos caminhando, de Angélica Amado Penha Costa (136 páginas, publicado em Campo Grande/MS pela Life Editora neste ano de 2026):

Vilma e Carlito. Para um casal que nos ensina, em silêncio, que o amor mais bonito não é o que faz alarde, mas o que permanece. Que a vida continue abençoando essa caminhada construída com respeito, cumplicidade e propósito. Que a dedicação de vocês à educação, à escrita, à proteção da natureza e à valorização dos povos indígenas continuem inspirando todos que cruzam os seus caminhos. Angélica.

O livro que se encontra em minhas mãos é o prêmio da jornada de uma vida em capítulos. Ao folhear a obra de Angélica — que atua profissionalmente em nossa cidade como cirurgiã-dentista —, o leitor é imediatamente conduzido por uma trilha de memórias marcadas por coragem, ousadia, leveza e amor que edificam.

É impossível não se emocionar com a desenvoltura da escrita e a profundidade do conteúdo pirilampo que a autora faz brotar do papel. Ela revela o aprendizado diário na construção de um lar, desde os primeiros madrigais ao lado do menino de 16 anos que segurou na sua mão no recreio e nunca mais soltou., até o desabrochar da vida. Mostra como superou o cansaço e o silêncio, semeando recomeços diários e pequenos gestos sempre com otimismo e fé.

O sumário do livro desenha a verdadeira geografia de sua alma: O começo; Construindo um lar; Ariquemes/MT e os anjos que a vida nos deu; Mãe, filha, recomeço; Escolhas, renúncias e crescimento; Joana e dias intensos; A coragem de mudar o mundo; Recomeçar do zero; Silêncios que revelam; Silêncios que pedem nome; Algumas informações sobre o Autismo; O sono que não era sono; Quando a gente vira filho de novo; A fé que sustenta; A Paz possível; Sobre o propósito de amar alguém que não enxerga o próprio brilho, e Não é o fim..., seguimos.

Na introdução, Angélica adverte com o coração aberto: Este livro nasceu das memórias que guardo no peito, do amor que constrói casas, do medo que ensina coragem, da fé que sustenta quando nada mais sustenta... Não escrevo como especialista. Escrevo como quem viveu. Se em algum momento você se reconhecer nestas páginas — numa filha, numa esposa, numa mãe, numa mulher cansada, mas persistente —, então essa história também é sua.

Termino a leitura profundamente tocado com o retrato de muitas vidas ali subentendidas. E sinto-me feliz pela vitória de Angélica, por sua coragem de dividir com tantas outras mulheres lições que vão muito além da pura resiliência: são lições de felicidade genuína. 

E com um final de gratidão, pois ela sabe exatamente onde está fincada sua própria essência: Sentada na frente de casa, o sol se pondo, meus filhos sorrindo na rua e o Dudu ao meu lado. Existe, porventura, felicidade maior? Depois de todo este aprendizado?

Parabéns, amiga Angélica Amado Penha Costa. Seu livro não é apenas o registro dos seus passos; ele é, verdadeiramente, o retrato espelhado de muitas vidas. E foste capaz de dividi-lo com aqueles que buscam construir sentido, mesmo quando o caminho não é como o planejado. Sim. Disseste bem. Porque o amar é isso: continuar caminhando... juntos. Obrigado. Deus a abençoe.

Brasilândia/|MS, 25 de julho de 2026. 

Dia do Escritor.

 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

Memorial de Luz e Fé: Um Ano de Saudade e Esperança em Deus

Carlos Alberto dos Santos Dutra




 



No dia 21 de julho, André Paes de Oliveira completa 42 anos. Não está no nosso meio, mas nos braços de nosso Pai Celestial. Mas não é pelo fato dele não se encontrar mais conosco que vamos deixar de prestar-lhe nossas homenagens. Afinal, celebrar a vitória da vida sobre a morte e render graças a Deus por nos ter emprestado este anjo para viver entre nós, nos enche a todos de alegria e gratidão.

A Palavra de Deus nos lembra que o justo, ainda que morra precocemente, encontrará descanso (Sabedoria 4, 7). Pois bem, há pouco mais de um ano, no dia 7 de maio de 2025, o solo da criação que o André tanto amava e cuidava foi o cenário de sua última jornada entre nós. Para os olhos humanos, uma partida trágica; para os olhos da fé, foi o momento em que o Bom Pastor recolheu sua ovelha mais generosa.

André foi um homem de altar e de terra. Católico fervoroso, ele não guardava a fé apenas nas palavras, mas a traduzia em gestos concretos de caridade diária. O seu dízimo devolvido com alegria, as doações espontâneas à Santa Casa de Misericórdia, o carinho com que rezava o terço ao lado dos enfermos – tudo nele refletia a graça do seu Batismo, a força do seu Crisma e a comunhão com o Cristo que ele tanto amava.

Para os pais Geracina e seu Eliazel, que enfrentam a dor mais profunda que um pai e uma mãe podem carregar, o Senhor hoje diz: Não choreis como aqueles que não têm esperança (1 Tes. 4:13). As lágrimas de despedida daquele último abraço em novembro de 2024, ó mãe querida, se transformaram, no Céu, em um sorriso de acolhida eterna. Vocês geraram um homem justo, um filho que deu orgulho e honra à sua família, e essa missão foi plenamente cumprida.

Para você, Valdereza, o André continua sendo o seu porto seguro, agora eterno. O amor que nasceu na simplicidade da Chapada do Catingueiro não se desfez; ele se transfigurou. Olhe para o pequeno Pedro Lucas e veja ali a promessa de Deus se renovando. André vive no sorriso, nos olhos e no futuro do filho de vocês.

Para a irmã Andréia, para os tios Wilson e Nilton, para o padrinho Carlito e para cada amigo que conquistou, a vida do André deixa uma lição: a de que devemos trabalhar a terra com paixão, amar a família com devoção e manter o coração puro para quando o Senhor nos chamar.

Hoje, nossa oração não é de desespero, mas de profunda gratidão. Entregamos novamente o nosso André de volta ao relicário de Deus. Que Nossa Senhora, que também conheceu a dor de ver seu Filho partir, acolha cada coração partido e enxugue todas as lágrimas. Que a certeza da ressurreição acalme a nossa alma, até o dia em que, na eternidade, nos reencontraremos com ele na grande colheita do Céu.

Feliz aniversário, querido afilhado André. Descanse em paz.

Brasilândia/MS, 20 de julho de 2026.