O Sonho do SINDCOM
e a Mobilização dos Comerciários pelo valor do trabalho em Brasilândia
Carlos Alberto dos Santos Dutra
A história econômica e social de uma cidade não é feita apenas por grandes empresas ou números de faturamento. Ela é construída, essencialmente, pela força de quem acorda cedo todos os dias para movimentar o comércio local. Em Brasilândia, uma trajetória em especial merece ser resgatada e celebrada: o sonho da criação do SINDCOM (Sindicato dos Empregados do Comércio de Brasilândia).
Embora o sindicato
não tenha se consolidado institucionalmente a longo prazo, a sua história
deixou um legado inestimável: provou aos comerciantes e à comunidade o valor
gigante da categoria.
A semente plantada
em 1991 foi o início de tudo. A caminhada começou muito antes do que
muitos imaginam. No dia 14 de abril de 1991, no Salão Paroquial da cidade, a
primeira semente foi plantada com a formação da Comissão Pró Formação do
Sindicato dos Trabalhadores do Comércio.
Liderados por
nomes como Jorge Justino Diogo, Elizabete Cosme de Noronha, Antônio Rosa dos
Santos, Silvia Souza Santos e João Valentim de Souza, esses pioneiros
aprovaram o primeiro Estatuto Social da entidade. Naquele momento, ficava claro
que a união da categoria não era um capricho, mas uma necessidade real de
organização.
Mas o resgate
aconteceu quatro anos depois por meio da voz na Câmara Municipal, quando a chama
foi novamente acesa. O desejo de organização ganhou eco nos debates públicos
locais, alcançando a Sessão nº 520 da Câmara Municipal.
Na
oportunidade, vereadores expressaram opiniões diversas sobre o tema: Samuel
Ramos Lopes (Biro-Biro) parabenizou publicamente a luta dos comerciários e
professores por seus direitos; o prefeito da época alertou sobre os
cuidados na gestão de uma entidade; Irineu de Souza Brito incentivou abertamente
os trabalhadores a fundarem o sindicato e a negociarem firmemente, sem
intimidações frente às pressões externas, e Carlos Amorim de Assis
ofereceu apoio direto à recomendação de estruturação do órgão.
Até tudo culminar
no Movimento de 2000: A Assembleia Geral Extraordinária, com a virada do
milênio que trouxe o ápice da mobilização formal. No dia 2 de julho de 2000,
às 9h da manhã, a sede da Câmara Municipal abrigou uma histórica assembleia
geral extraordinária. Um expressivo grupo de trabalhadores reuniu-se para
eleger a primeira diretoria provisória e o conselho fiscal da instituição.
A nova Comissão Pró
Formação contava com Silvia Neura da Silva e Silva na presidência,
acompanhada por Marcos Antônio Rodrigues e Divina Lúcia de Oliveira da Silva
como membros ativos.
Estava registrado
nos anais da história o legado e o porquê essa luta valeu a pena. Muitos
poderiam analisar de forma simplista e decretar que o movimento falhou apenas
porque a estrutura burocrática e jurídica do sindicato "não
prosperou". No entanto, a verdadeira vitória do SINDCOM ocorreu no campo
cultural e social de Brasilândia.
A mobilização
serviu como um espelho para os comerciantes locais. Ela demonstrou que atrás de
cada balcão, caixa registradora e vitrine existiam cidadãos conscientes de sua
importância. O movimento gerou respeito mútuo e equilibrou forças, mostrando
que o comércio forte só existe quando a mão de obra é valorizada.
A história do
SINDCOM é a prova de que lutar pelo seu valor nunca é um esforço em vão. O
sindicato físico pode não estar de portas abertas hoje, mas o respeito
conquistado por aqueles trabalhadores permanece vivo na identidade do comércio
de Brasilândia.
Brasilândia/MS, 2
de julho de 2026
Fonte: Dutra,
C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, vol. 2-Patrimônio, pág. 430s
