sexta-feira, 17 de julho de 2026

 

Vander Loubet e a Saga da Rodovia Luigi Cantone: História, Preservação e Identidade em Brasilândia

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

Todo brasilandense conhece o trecho da BR-158 que corta a Reserva Cisalpina. É a rota vital que conecta o município de Brasilândia (MS) à cidade de Paulicéia (SP) através da imponente Ponte Estaiada Mário Covas, com seus 1.705 metros de extensão sobre o Rio Paraná. Para os moradores mais antigos, essa é a eterna “velha estrada do porto”, imortalizada pela melodia de Cidão da Viola — o nosso Tião Carreiro, que levou a alma de nossa terra para o cenário nacional.

Poucos conhecem, entretanto, a rica história por trás do nome dessa estrada de aproximadamente 20 quilômetros. Ela atravessa o coração da maior região alagada do município, o nosso "pequeno pantanal", conhecido como os varjões de Cisalpina.

 O Início de Tudo: A Homenagem Necessária. Essa jornada começou em 2007. Na época, eu estava à frente do Instituto Cisalpina, uma combativa entidade ambientalista que fundei em 2003 e presidi até 2022. Foi quando encaminhei a minuta de um projeto de lei ao deputado estadual Akira Otsubo. O parlamentar apresentou a proposta à Assembleia Legislativa para denominar como Rodovia Luigi Cantone o trecho da então MS-040. A estrada cruzava os 22.866 hectares da Reserva Cisalpina, área que pertencia à CESP e estava em vias de se tornar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

A iniciativa prestava uma justa homenagem ao pioneiro empresário italiano e engenheiro agrônomo, naturalizado brasileiro, que se estabeleceu em Brasilândia em 1952 como orizicultor. Ao longo das décadas, Cantone tornou-se o verdadeiro precursor do ambientalismo responsável na região do Bolsão sul-mato-grossense.

O Projeto de Lei nº 149/2007 foi aprovado em tempo recorde. Sancionado pelo então governador André Puccinelli em 31 de outubro de 2007, transformou-se na Lei nº 3.430, publicada na primeira página do Diário Oficial do Estado no dia seguinte. A legislação oficializou o nome da rodovia desde a cabeceira da ponte sobre o Rio Paraná até o perímetro urbano de Brasilândia, no encontro com a Avenida José Estevam da Silva Filho.

A Federalização e a Luta pela Memória. No ano seguinte, o trecho de 19,5 km da MS-040 foi federalizado pela Portaria nº 170 do Ministério dos Transportes/DNIT, sendo incorporado à BR-158/MS. O processo foi consolidado pelo Extrato de Transferência de Patrimônio nº 01/2009.

A mudança de jurisdição, contudo, iniciou uma nova batalha para a comunidade. Foram anos de diálogo com órgãos estaduais e federais para garantir a instalação da sinalização correta, respeitando a lei estadual. Em março de 2013, em resposta ao meu pedido, o deputado federal Vander Loubet informou, via ofício, que cobrava o DNIT desde 2011 sobre a manutenção do nome na transição para a malha federal. Loubet manifestou o firme propósito de formalizar um projeto de lei federal para blindar a denominação de Luigi Cantone nesse trecho.

O Encontro Decisivo e o Futuro da Estrada. O pleito aguardou por mais de uma década. Em 2025, ao assumir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, viajei a Brasília com a prefeita Márcia do Amaral. O destino me colocou frente a frente com o assessor do deputado Vander Loubet, Ido Luiz Michels. Foi o momento exato para retomar a pauta. Ao resgatar o histórico de correspondências, o assessor prontamente localizou os registros e redigiu um novo ofício ao superintendente do DNIT. Menos de uma semana após nosso retorno, a resposta oficial já estava em nossa mesa.

Ainda há um longo caminho para sensibilizar os poderes públicos sobre a importância de preservar o patrimônio cultural e histórico de nossa cidade. Este artigo busca dar voz ao desejo da comunidade local. Uma voz que foi atentamente percebida pelo deputado Vander Loubet, a quem agradecemos o empenho em unir forças junto ao DNIT para a instalação de placas de sinalização e de caráter educativo.

Essas placas servirão para duas missões urgentes:

  • Proteger a fauna: alertando motoristas sobre o risco de atropelamentos nesta sensível Área de Preservação Ambiental.
  • Preservar a história: estampando de forma definitiva a nomenclatura oficial da nossa estrada.

A história se faz com persistência. Força e empenho da comunidade!

 

Brasilândia/MS, 17 de julho de 2026.
Dia do Protetor das Florestas.
Foto Capa: Alessandro Zioti
Foto abaixo: Carlito Dutra (Cimi), 1987 (Cecílio, CPT; Lauri, Padre; Luigi Cantone; Ataíde Xehitâ-ha Ofaié e Anamaria, esposa de seu Cantone.



















































Secretário de Meio Ambiente e Turismo, Carlito Dutra, e a Prefeita de Brasilândia/MS, Márcia Amaral entregam ao Chefe de Gabinete do Deputado Federal Vander Loubet, Prof. Dr. Ido Luiz Michels, o livro Histórias da Mitologia Ofaié, de autoria da Profª. Ilda de Souza com a participação dos indígenas Professores Ofaié: José de Souza Kói, Elizangela Eliandes e Silvano Moraes.

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