quarta-feira, 1 de julho de 2026

 

O Sonho do SINDCOM e a Mobilização dos Comerciários pelo valor do trabalho em Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra






A história econômica e social de uma cidade não é feita apenas por grandes empresas ou números de faturamento. Ela é construída, essencialmente, pela força de quem acorda cedo todos os dias para movimentar o comércio local. Em Brasilândia, uma trajetória em especial merece ser resgatada e celebrada: o sonho da criação do SINDCOM (Sindicato dos Empregados do Comércio de Brasilândia).

Embora o sindicato não tenha se consolidado institucionalmente a longo prazo, a sua história deixou um legado inestimável: provou aos comerciantes e à comunidade o valor gigante da categoria.

A semente plantada em 1991 foi o início de tudo. A caminhada começou muito antes do que muitos imaginam. No dia 14 de abril de 1991, no Salão Paroquial da cidade, a primeira semente foi plantada com a formação da Comissão Pró Formação do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio.

Liderados por nomes como Jorge Justino Diogo, Elizabete Cosme de Noronha, Antônio Rosa dos Santos, Silvia Souza Santos e João Valentim de Souza, esses pioneiros aprovaram o primeiro Estatuto Social da entidade. Naquele momento, ficava claro que a união da categoria não era um capricho, mas uma necessidade real de organização.

Mas o resgate aconteceu quatro anos depois por meio da voz na Câmara Municipal, quando a chama foi novamente acesa. O desejo de organização ganhou eco nos debates públicos locais, alcançando a Sessão nº 520 da Câmara Municipal.

Na oportunidade, vereadores expressaram opiniões diversas sobre o tema: Samuel Ramos Lopes (Biro-Biro) parabenizou publicamente a luta dos comerciários e professores por seus direitos; o prefeito da época alertou sobre os cuidados na gestão de uma entidade; Irineu de Souza Brito incentivou abertamente os trabalhadores a fundarem o sindicato e a negociarem firmemente, sem intimidações frente às pressões externas, e Carlos Amorim de Assis ofereceu apoio direto à recomendação de estruturação do órgão.

Até tudo culminar no Movimento de 2000: A Assembleia Geral Extraordinária, com a virada do milênio que trouxe o ápice da mobilização formal. No dia 2 de julho de 2000, às 9h da manhã, a sede da Câmara Municipal abrigou uma histórica assembleia geral extraordinária. Um expressivo grupo de trabalhadores reuniu-se para eleger a primeira diretoria provisória e o conselho fiscal da instituição.

A nova Comissão Pró Formação contava com Silvia Neura da Silva e Silva na presidência, acompanhada por Marcos Antônio Rodrigues e Divina Lúcia de Oliveira da Silva como membros ativos.

Estava registrado nos anais da história o legado e o porquê essa luta valeu a pena. Muitos poderiam analisar de forma simplista e decretar que o movimento falhou apenas porque a estrutura burocrática e jurídica do sindicato "não prosperou". No entanto, a verdadeira vitória do SINDCOM ocorreu no campo cultural e social de Brasilândia.

A mobilização serviu como um espelho para os comerciantes locais. Ela demonstrou que atrás de cada balcão, caixa registradora e vitrine existiam cidadãos conscientes de sua importância. O movimento gerou respeito mútuo e equilibrou forças, mostrando que o comércio forte só existe quando a mão de obra é valorizada.

A história do SINDCOM é a prova de que lutar pelo seu valor nunca é um esforço em vão. O sindicato físico pode não estar de portas abertas hoje, mas o respeito conquistado por aqueles trabalhadores permanece vivo na identidade do comércio de Brasilândia.

Brasilândia/MS, 2 de julho de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, vol. 2-Patrimônio, pág. 430s

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