Excelentíssimo Senhor Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva,
Sei que o senhor é um homem muitíssimo ocupado, integralmente dedicado a resolver questões de extrema relevância no Brasil e no mundo.
Sei também que, por essa entrega, o senhor é profundamente amado e respeitado por tantos de nós.
Essa é a nobre sina daqueles que recusaram o comodismo diante da vida e escolheram se posicionar no lado mais frágil e esquecido da balança da desigualdade.
É o destino de quem não maldiz a própria sorte, mas suporta o
peso da dor, enfrenta a morte e segue adiante, sem jamais virar as costas para
os companheiros que outrora partilharam do mesmo prato e da mesma humilde
condição.
É por reconhecer no senhor essa profunda sensibilidade que tomo a liberdade de
pedir um breve minuto de sua valiosa atenção.
Não venho clamar por eles como se fossem desamparados, pois hoje os Ofaié têm
voz. Diferentemente de ontem, esse povo — que ao longo da história foi
erroneamente chamado de Xavantes —, em Mato Grosso ressurgiu altivo das cinzas
do abandono oficial. Sem dúvida são os sobreviventes que nem
mesmo o rigor histórico da força verde-oliva conseguiu dizimar.
Não pretendo, Senhor Presidente, estender-me narrando a trajetória desta gente.
As imagens e os recortes de seu percurso que acompanham este modesto presente
falarão por si, ilustrando com sensibilidade o soerguimento de um povo de
índole genuinamente pacífica e gentil.
Se não me for possível entregar pessoalmente esta lembrança que os Ofaié lhe
destinam, peço que, em sua viagem de retorno à Capital — em meio aos seus
nobres, urgentes e necessários afazeres —, o senhor deite os olhos, ainda que
por um breve instante, sobre o coração deste povo.
Da mesma forma que outrora carregávamos nossas esperanças nos ombros de nossas
mães, hoje depositamos o futuro da homologação do território sagrado Ofaié em
vossas mãos.
Brasilândia/MS, 25 de junho de 2026.
Fraternamente,
Carlito Dutra, Axayray Ofaié


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