quinta-feira, 25 de junho de 2026

 Excelentíssimo Senhor Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva,









Sei que o senhor é um homem muitíssimo ocupado, integralmente dedicado a resolver questões de extrema relevância no Brasil e no mundo. 

Sei também que, por essa entrega, o senhor é profundamente amado e respeitado por tantos de nós.

Essa é a nobre sina daqueles que recusaram o comodismo diante da vida e escolheram se posicionar no lado mais frágil e esquecido da balança da desigualdade. 

É o destino de quem não maldiz a própria sorte, mas suporta o peso da dor, enfrenta a morte e segue adiante, sem jamais virar as costas para os companheiros que outrora partilharam do mesmo prato e da mesma humilde condição.

É por reconhecer no senhor essa profunda sensibilidade que tomo a liberdade de pedir um breve minuto de sua valiosa atenção.

Não venho clamar por eles como se fossem desamparados, pois hoje os Ofaié têm voz. Diferentemente de ontem, esse povo — que ao longo da história foi erroneamente chamado de Xavantes —, em Mato Grosso do Sul ressurgiu altivo das cinzas do abandono oficial. Sem dúvida são os sobreviventes que nem mesmo o rigor histórico da força verde-oliva conseguiu dizimar.

Não pretendo, Senhor Presidente, estender-me narrando a trajetória desta gente. As imagens e os recortes de seu percurso que acompanham este modesto presente falarão por si, ilustrando com sensibilidade o soerguimento de um povo de índole genuinamente pacífica e gentil.

Se não me for possível entregar pessoalmente esta lembrança que os Ofaié lhe destinam, peço que, em sua viagem de retorno à Capital — em meio aos seus nobres, urgentes e necessários afazeres —, o senhor deite os olhos, ainda que por um breve instante, sobre o coração deste povo.

Da mesma forma que outrora carregávamos nossas esperanças nos ombros de nossas mães, hoje depositamos o futuro da homologação do território sagrado Ofaié em vossas mãos.

Brasilândia/MS, 25 de junho de 2026.

Fraternamente,
Carlito Dutra, Axayray Ofaié










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