Uma saudade chamada AAB: o coração de Brasilândia ainda pulsa em nossas memórias
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
A história de Brasilândia sempre trouxe no ventre uma predileção natural pela alegria, pelas festas e pelos encontros comunitários. Desde os tempos em que o município era apenas um povoado, os finais de semana ganhavam vida através de manifestações culturais que uniam as pessoas nas fazendas, sítios e ruas.
Mas foi com o nascimento dos clubes sociais que essa vocação para a coletividade encontrou o seu verdadeiro lar. Entre eles, um nome se eternizou na identidade da nossa gente: a Associação Atlética Brasilandense (AAB).
Fundada em 21 de junho de 1981 e sediada na Rua Jacira, nº 131, a AAB foi muito mais do que uma estrutura de concreto; ela foi o palco dos anos mais dourados da nossa comunidade.
A AAB foi o cenário de uma geração. Falar da AAB é reviver a imagem de uma sede invejável. Quem não se lembra da grandiosa piscina olímpica, cujas águas límpidas eram um convite diário ao lazer, ao esporte e à convivência? Era um verdadeiro deslumbre ver a juventude brasilandense movimentando as bordas daquela piscina nos dias ensolarados.
Ao lado, o campo de futebol de medidas oficiais estendia seu tapete verde para torneios históricos, que se tornaram uma das maiores glórias da entidade. Ali, uma geração inteira viu seus filhos crescerem, correrem e aprenderem a nadar. A AAB era o porto seguro da nossa diversão.
A AAB foi, na verdade um palco de grandes momentos. O clube ditava o ritmo da vida social de Brasilândia. Embalados pelo som do conjunto Brancão, do grupo Barcelona ou do Alma Serrana, e outros, os bailes da AAB atravessavam madrugadas.
A expectativa tomava conta da cidade em dias de bingos e sorteios de prêmios vultosos, como as cobiçadas motocicletas CG-125 ou o inesquecível Fiat zero quilômetro sorteado em 1999.
Além do lazer, a associação era o cérebro e o coração pulsante da municipalidade. Suas dependências abrigaram casamentos chic inesquecíveis — como o de Cleiton (Bambolê) e Doriana, filha da ex-prefeita Marilza do Amaral que mereceram registro na imprensa local.
O espaço também dava lugar à seriedade da política e da cidadania, acolhendo grandes debates como o do Orçamento Participativo, que reuniu centenas de cidadãos para decidir o futuro da nossa região. Quantas decisões importantes para o desenvolvimento de Brasilândia não nasceram de conversas descontraídas em seu recinto?
Sim, foram lideranças que deixaram legado. Essa trajetória brilhante foi erguida por mãos dedicadas. Lembramos com respeito de Julião de Lima Maia, o primeiro presidente, e de seu vice, Anísio de Almeida Borges, que assumiu a liderança após o falecimento do fundador. Nomes como Júlio César Paulino Maia, Celso Messias da Silva, Nelson Pedretti, Irineu Gaiotti e Donizeth Rodrigues, junto a tantos outros diretores e secretários, doaram seu tempo para fazer o clube prosperar.
Ficou a lição e a eterna gratidão. O relógio do tempo correu e, infelizmente, a partir de 2004, o abandono e as dificuldades financeiras calaram a nossa querida associação. O prédio físico virou alvo de disputas judiciais e acabou transformado em um espaço particular, deixando a AAB viva apenas na memória.
No entanto, o fim das atividades não apaga a grandeza do esforço realizado. Os erros do passado ficam como lição de preservação do nosso patrimônio. O que prevalece, acima de tudo, é o sentimento de profunda gratidão por termos vivido os tempos áureos da Associação Atlética Brasilandense.
O clube AAB não
existe mais em endereço físico, mas continua eternizada em cada mergulho da
nossa infância, em cada gol comemorado, em cada evento realizado e em cada
baile que deixou saudade no coração de Brasilândia.
Brasilândia/MS, 21
de junho de 2026.
Fonte: Dutra. C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 406-413.
Foto: Jornal independente Notícias, 2003 (colorizada)
Lembranças. Adorava este clube. Pena que acabou
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ExcluirFiz parte da Diretoria nos bons velhos tempos!
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