Homenagem à AMATA:
O Milagre das Mãos Dadas
Por Carlos Alberto
dos Santos Dutra
Há datas que não marcam apenas o passar do tempo, mas celebram a eternidade de um espírito coletivo. Em 5 de junho de 1989, na simplicidade da casa do Senhor Sérgio Toshio Otubo, no então bairro Cohab, uma semente foi plantada. Dali brotou a AMATA — Associação de Moradores e Amigos Tomaz de Almeida —, uma união que transformaria poeira, suor e sonhos em uma herança viva para Brasilândia. Hoje, ao celebrar mais um ano de história, olhamos para trás com o peito tomado por uma onda de nostalgia e profunda gratidão.
A Epopeia da
Construção
Relembrar a AMATA é viajar no tempo e rever o ano de 1992, quando o Centro Comunitário era apenas um desenho no horizonte do desejo. Com o apoio internacional da CEBEMO e a parceria do CERIS, os recursos chegaram, mas a verdadeira força motriz veio da própria gente.
Nem mesmo o céu
cinzento e os dias chuvosos foram capazes de frear o entusiasmo. Vimos os
caminhões de Panorama atravessarem a balsa, trazendo colunas que desafiavam o
solo. Vimos os olhos do então presidente Carlos Alberto do Amaral brilharem ao
ver o barracão tomar forma. Cada nota fiscal dos 10 mil dólares recebidos era
exposta com orgulho e transparência, pavimentando a confiança de uma comunidade
inteira.
O Sagrado Mutirão
Quando a estrutura se ergueu, aconteceu o verdadeiro milagre: o mutirão. Em uma época em que a solidariedade era a moeda mais valiosa, os moradores não esperaram pelo poder público; eles arregaçaram as mangas.
No histórico 23 de agosto de 1992, homens, mulheres e crianças dividiram o chão e a enxada com sorrisos no rosto. A prefeitura enviou os caminhões de aterro, mas foram os braços de pioneiros como Betão do Bamerindus, Vilson Júnior, Ceará Santos, Abadio Ferreira, Marcelo Lopes, Tenente Neto e Joaquim Polícia que espalharam a terra e moldaram o futuro.
Entre enxadas e brincadeiras, figuras inesquecíveis como Franckito, Robson, Edilson Fera, Jones Galli, PM José Roberto, Valdenir Nininho, Seu Amaral, Carlito Dutra e Ricardo Venegas cravaram seus nomes na posteridade.
Pais guiaram seus filhos naquele chão vermelho, atuando como pedagogos da vida real e ensinando o valor do trabalho coletivo. O sonho era claro: construir com as próprias mãos um teto para reunir, festejar e educar.
O Legado Concluído
Dois anos depois, sob a liderança de Francisco Dias Neto, o esforço conjunto alcançou o seu ápice. O barracão foi concluído. Embora as placas oficiais muitas vezes tentem atribuir os méritos apenas à administração pública, a verdadeira história reside nos rostos gravados na Galeria de Presidentes e na memória de cada morador que pisou naquele chão. O projeto idealizado por Carlito Dutra e Betão tornou-se patrimônio do povo.
Parabéns, Bairro Thomaz de Almeida! Parabéns, AMATA! Que o tempo preserve a leveza, a autonomia e a união daqueles dias, e que as novas gerações saibam que a felicidade de um lugar se mede pela forma como seus moradores defendem o bem comum.
Brasilândia/MS, 05
de junho de 2026
Dia Mundial do
Meio Ambiente, 37º aniversário da Associação de Moradores e Amigos Thomaz de
Almeida-AMATA. Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2021/06/amata-o-bem-comum-e-uma-viagem-no-tempo.html;
https://carlitodutra.blogspot.com/2025/06/homenagem-aos-36-anos-da-amata-1-amigos.html

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