O despertar das águas: O encontro entre o dever legal e o sonho verde
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
O cumprimento de uma determinação legal nem sempre precisa se restringir à frieza dos relatórios técnicos e ao protocolo dos prazos processuais.
Nas terras de Brasilândia, a resposta ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC nº 0900024-05.2020.8.12.0030), firmado sob o olhar atento e zeloso do Ministério Público Estadual, transformou-se em uma jornada de profunda sensibilidade e dedicação humana.
O que começou como
uma imposição judicial ganhou vida, cor e propósito pelas mãos de um pequeno
grupo de servidores que enxergaram, na obrigação de resgatar o Córrego da
Aviação, a oportunidade de semear um futuro sustentável.
Diante dos desafios de uma Prefeitura de estrutura modesta e recursos escassos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (SEMATUR) provou que a união de esforços é capaz de romper a inércia administrativa.
Longe de se limitarem ao papel, o Secretário Carlito Dutra, o Adjunto Pedro Coutinho e o Técnico Jorge Silva entregaram-se à lida prática. Sob o sol firme, enfrentaram o passivo herdado dos anos de abandono e degradação antrópica.
Retirar o arame farpado antigo e enferrujado com as próprias mãos — ferindo a pele, mas fortalecendo o espírito — foi o primeiro passo doloroso, porém necessário, para abrir caminhos.
A caminhada para fazer a coisa certa ganhou o reforço essencial da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços, sob o comando dos engenheiros Felipe Souto e Murilo Dourados, e do Superintendente Eduardo Lima.
Com o avanço das máquinas operadas com precisão pelo motorista Luizinho, o mato alto deu lugar ao cuidado. O roçado manual minucioso desenhou coroas de proteção ao redor de cada planta que resistia bravamente. E aquelas 600 mudas iniciais, outrora sufocadas, voltaram a respirar junto à borda ciliar.
Tudo isso foi possível pelo esforço de cidadãos invisíveis. Seja no volante de veículos, no serviço braçal ou no manejo firme da enxada, da roçadeira e do perfurador, todos mostraram o valor de suas funções. O orgulho brilhava no rosto de cada um: Valdecir Barbosa, Sidney Lima, Rubens Limoeiro, José Luiz, Wilson Alves, Lucas Carvalho e Marcelo Hilário.
O horizonte ganhou contornos científicos e técnicos sólidos com o apoio acadêmico da UFMS e da UNESP, que diagnosticaram o solo profundamente para identificar a localização exata dos olhos d'água remanescentes.
Essa sinergia institucional e humana culminou na revitalização simbólica da área. A antiga placa de sinalização de Área de Preservação Permanente (APP), resgatada dos escombros de um pátio esquecido, foi restaurada e fixada à margem da rodovia MS-040, anunciando aos viajantes que ali o meio ambiente voltou a ser prioridade.
O realinhamento do traçado e o plantio cuidadoso de novas mudas de ipês e moringas marcou o desdobramento prático do PRADE, convertendo a cobrança do órgão fiscalizador em um legado vivo de preservação.
Onde antes havia
erosão e esquecimento, hoje floresce esperança e o orgulho de servidores motivados que
provaram que o rigor da lei, quando acolhido com idealismo, transforma-se em
pura beleza coletiva por uma Brasilândia perenemente verde.
Brasilândia/MS, 1º
de julho de 2026.
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