quarta-feira, 29 de julho de 2026

 

Do Sonho à Realidade: Uma Homenagem aos 29 Anos de Luta e Amor pela APAE de Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 












Histórias que verdadeiramente transformam uma sociedade raramente começam com grandes recursos materiais; elas nascem do olhar atento, da empatia e da determinação de pessoas que se recusam a aceitar a invisibilidade do próximo.

A trajetória da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Brasilândia é o reflexo exato desse poder de transformação, construído a muitas mãos, mas impulsionado pela coragem inabalável de suas pioneiras. 

Tudo começou a ganhar forma em maio de 1996, quando uma ação conjunta entre os setores de Educação e Saúde trouxe a APAE de Três Lagoas para realizar a primeira triagem de portadores de necessidades especiais no município.

Na liderança desse passo inicial estava a professora Elídia de Almeida Martinez Soriano. Com recursos limitados e usando o telefone para conclamar a comunidade, a professora Elídia coordenou o mapeamento que identificou as primeiras 36 crianças que necessitavam urgentemente de cuidados específicos na região. 

A semente plantada em 1996 germinou e ganhou um reforço vital no início do ano seguinte. Em fevereiro de 1997, a professora Maria Rita Ferreira de Gusmão Santini, então coordenadora da Agência Educacional de Brasilândia, liderou uma reunião histórica que reuniu diversos segmentos da sociedade e secretarias municipais. 

O objetivo era claro: enfrentar de frente as dificuldades detectadas pelas técnicas da Unidade Interdisciplinar de Apoio Psicológico (UIAP), como as professoras Elídia e Nilce Costa Jardim, que lidavam diariamente com a falta de atendimento médico especializado e de espaço físico adequado para os alunos com deficiências visuais, mentais e auditivas.

Desse movimento popular e do clamor por dignidade, nasceu o Grupo Vida – Em Defesa da Pessoa Portadora de Deficiência, o embrião que culminou na fundação oficial da APAE de Brasilândia em 31 de julho de 1997. A primeira diretoria executiva consagrou a professora Elídia como presidente e a professora Maria Rita como segunda diretora secretária, eternizando o nome de ambas na base desta instituição.

Esta homenagem se estende também a todas as outras lideranças e colaboradoras que deram continuidade a esse legado de dedicação ao longo dos anos. Mulheres e profissionais admiráveis como Dora Corasini Antunes, Cleyde Dias Monteiro, Maria Helena Wilmers de Moraes, Aurelina Pereira dos Anjos, Nilce Costa Jardim, e as presidentes que sucederam a fundadora Elídia: a professora Ana Iva Corrêa Brum Barros, a professora Eunice Aparecida de Melo Perez, dona Antônia Pereira da Costa e Maria Inês Anselmo Costa, e seguintes. Cada uma delas doou seu tempo, intelecto e coração para erguer o que hoje conhecemos carinhosamente como APAE Florescer. 

O sucesso da instituição também ressalta a força da solidariedade brasilandense. Nos primeiros anos de extrema dificuldade, foram os colaboradores locais, o comércio da cidade e entidades parceiras — como o Rotary Club, a Loja Maçônica, a Destilaria Debrasa e o Banco do Brasil — que se uniram para pagar os primeiros aluguéis, doar móveis, computadores, cadeiras de rodas e viabilizar os primeiros atendimentos clínicos. 

Celebrar a história da APAE de Brasilândia é reconhecer que a inclusão se conquista com autonomia, afeto e responsabilidade coletiva. À professora Elídia, à professora Maria Rita e a cada voluntário, doador e profissional que dedicou sua vida a esta causa: o município de Brasilândia e todas as famílias beneficiadas guardam uma gratidão eterna pelo florescer de tantas vidas.

 

Brasilândia/MS, 31 de julho de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia;/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 271-280.

Foto: APAE Facebook



Nenhum comentário:

Postar um comentário