Do Sonho à
Realidade: Uma Homenagem aos 29 Anos de Luta e Amor pela APAE de Brasilândia
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
Histórias que
verdadeiramente transformam uma sociedade raramente começam com grandes
recursos materiais; elas nascem do olhar atento, da empatia e da determinação
de pessoas que se recusam a aceitar a invisibilidade do próximo.
A trajetória da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Brasilândia é o reflexo exato desse poder de transformação, construído a muitas mãos, mas impulsionado pela coragem inabalável de suas pioneiras.
Tudo começou a
ganhar forma em maio de 1996, quando uma ação conjunta entre os setores de
Educação e Saúde trouxe a APAE de Três Lagoas para realizar a primeira triagem
de portadores de necessidades especiais no município.
Na liderança desse passo inicial estava a professora Elídia de Almeida Martinez Soriano. Com recursos limitados e usando o telefone para conclamar a comunidade, a professora Elídia coordenou o mapeamento que identificou as primeiras 36 crianças que necessitavam urgentemente de cuidados específicos na região.
A semente plantada em 1996 germinou e ganhou um reforço vital no início do ano seguinte. Em fevereiro de 1997, a professora Maria Rita Ferreira de Gusmão Santini, então coordenadora da Agência Educacional de Brasilândia, liderou uma reunião histórica que reuniu diversos segmentos da sociedade e secretarias municipais.
O objetivo era
claro: enfrentar de frente as dificuldades detectadas pelas técnicas da Unidade
Interdisciplinar de Apoio Psicológico (UIAP), como as professoras Elídia
e Nilce Costa Jardim, que lidavam diariamente com a falta de
atendimento médico especializado e de espaço físico adequado para os alunos com
deficiências visuais, mentais e auditivas.
Desse movimento
popular e do clamor por dignidade, nasceu o Grupo Vida – Em Defesa da Pessoa
Portadora de Deficiência, o embrião que culminou na fundação oficial da
APAE de Brasilândia em 31 de julho de 1997. A primeira diretoria executiva
consagrou a professora Elídia como presidente e a professora Maria
Rita como segunda diretora secretária, eternizando o nome de ambas na
base desta instituição.
Esta homenagem se estende também a todas as outras lideranças e colaboradoras que deram continuidade a esse legado de dedicação ao longo dos anos. Mulheres e profissionais admiráveis como Dora Corasini Antunes, Cleyde Dias Monteiro, Maria Helena Wilmers de Moraes, Aurelina Pereira dos Anjos, Nilce Costa Jardim, e as presidentes que sucederam a fundadora Elídia: a professora Ana Iva Corrêa Brum Barros, a professora Eunice Aparecida de Melo Perez, dona Antônia Pereira da Costa e Maria Inês Anselmo Costa, e seguintes. Cada uma delas doou seu tempo, intelecto e coração para erguer o que hoje conhecemos carinhosamente como APAE Florescer.
O sucesso da instituição também ressalta a força da solidariedade brasilandense. Nos primeiros anos de extrema dificuldade, foram os colaboradores locais, o comércio da cidade e entidades parceiras — como o Rotary Club, a Loja Maçônica, a Destilaria Debrasa e o Banco do Brasil — que se uniram para pagar os primeiros aluguéis, doar móveis, computadores, cadeiras de rodas e viabilizar os primeiros atendimentos clínicos.
Celebrar a
história da APAE de Brasilândia é reconhecer que a inclusão se conquista com
autonomia, afeto e responsabilidade coletiva. À professora Elídia, à
professora Maria Rita e a cada voluntário, doador e profissional que
dedicou sua vida a esta causa: o município de Brasilândia e todas as famílias
beneficiadas guardam uma gratidão eterna pelo florescer de tantas vidas.
Brasilândia/MS, 31
de julho de 2026
Fonte: Dutra, C.A.S.
História e Memória de Brasilândia;/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 271-280.
Foto: APAE Facebook


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