Oscar Martins Filho: a lente mirou alto.
Carlos Alberto
dos Santos Dutra.
Oscar Martins Filho
era o seu nome. Mestre da fotografia era o mais
antigo dos fotógrafos em exercício na cidade das águas. Ainda ontem, há 11 anos,
numa entrevista concedida no dia do fotógrafo ao portal Perfil News, o veterano
três-lagoense falava do seu amor à profissão iniciada em 1943, “depois de um
longo período de desencanto, motivado, entre outros fatores, pelo falecimento
da primeira esposa”. Amor à arte “que lhe foi devolvido” anos depois pela nova
esposa e os filhos que Deus lhe brindou: “Ela abraçou a profissão e, inclusive,
fotografa melhor que eu”, admitiu sorridente na época.
Otimista com
os novos ventos que sopravam sobre a fotografia com o advento da era digital,
manteve por muitos anos o seu negócio -- a loja e estúdio “Condor Foto”, localizado
na Rua Paranaíba, 730, no centro de Três Lagoas-MS, ao estilo tradicional.
Discípulo do saudoso Otacílio Martins, seu irmão, foi este que lhe ensinou o
ofício que aprendera com o pioneiro Feres Zaguir, e o tornou “mais fotógrafo do
que empresário do ramo da fotografia”, confessou.
Na entrevista
Oscar Martins Filho contou que “o tempo áureo de sua carreira foi no ano de
1977, por ocasião da construção da barragem de Jupiá. Foi nessa época que
conseguiu (...) formar advogados o casal de filhos que teve com a primeira
esposa”. Nos anos que se seguiram, depois de um longo período afastado da lente
da objetiva, eis que seus olhos deitaram sobre uma nova inspiração que lhe
trouxe à vida. “Uma injeção de ânimo” o fez voltar para trás das câmaras,
incentivado pela nova esposa e seu desejo de “aprender a fotografar”, que o fez
novamente investir e modernizar seu estabelecimento fotográfico.
Recordou ainda
“com muita saudade, da infância pobre e do início da carreira”. Porém, dizia
que “se sentir orgulhoso pelo fato de ter sido engraxate e hoje possuir uma
fazenda praticamente dentro da cidade (...). Por tudo isso, sou grato ao povo
de Três Lagoas: tudo o que sou e tenho devo a esta comunidade”, reconheceu.
Depois de sucumbir
aos encantos da era digital, inicialmente acolhida com reservas, voltou a ter
prazer em fotografar: “Passei a entender a velocidade com que o mundo anda”, dizendo
que há mais de dez anos havia desativado o laboratório preto e branco, aposentando
de vez os filmes de película e as câmeras reflex que aos poucos foram sendo
substituídas pelas digitais.
Há pouco, aos 73
anos de idade, o veterano fotógrafo despediu-se da família, dos amigos e de Três
Lagoas. Dia 22 de setembro de 2018, a lente da câmera de Oscar Martins Filho paralisou, instantânea, no tempo. O flash que iluminou tantos rostos radiantes, e
acontecimentos de luz, de súbito, apagou...
Mas não para sempre.
Pois logo ele está ali a brilhar, mais adiante, mais acima, mais no alto, sempre no melhor ângulo e
enquadramento, com o fito de mirar e revelar, pela concessão divina, o que de melhor restou
em cada um de nós: a saudade, o carinho e o respeito que lhe devotamos. Descanse em paz amigo Oscar Martins Filho.
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