sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Calendário Histórico Cultural de Brasilândia-MS




CALENDÁRIO HISTÓRICO CULTURAL DE BRASILANDIA-MS

 

MÊS 

DIA 

ANO 

EVENTOS SOCIAIS


Janeiro

10

2012

Fundação da COOMAFA Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Brasilândia (Extinta).

Janeiro

12

2008

Fundação da AEAFH Associação Esperança dos Agricultores Familiares e Hortigranjeiros de Brasilândia. Raimundo Martins, 1º Presidente.

Janeiro

15

2000

Fundação da ABARROS Associação Brasilandense dos Arrendatários de Olarias. Augusto Siqueira Ramos (Cuca), 1º Presidente.

Janeiro

15

2017

Fundação da APPAA - Associação dos Pequenos Produtores do Assentamento Almanara. Dorival Ranulfo da Silva, 1º Presidente

Janeiro

18

2004

Fundação da Associação de Moradores e Pescadores do Reassentamento Novo Porto João André-ATOCA. José Carlos de Souza, 1º Presidente.

Janeiro

22

2000

Fundação da UNVERDEPAR União dos Moradores do Rio Verde e Paraná. Srª Ernestina da Silva Ravanhani, 1ª Presidente (Extinta).

Janeiro

31

2008

Fundação da ABA Associação Brasilandense de Apicultores. Cícero Godoy Vasconcelos (Rafa), 1º Presidente.

 

 

 

 

Fevereiro

1º

1983

Criação da FAMBRA – Fanfarra Municipal de Brasilândia. Jehu Vieira Serrado, 1º Maestro.

Fevereiro

3

1999

Fundação da AVCC Associação de Voluntários de Combate ao Câncer. Leonide Rodrigues Lima, 1º Presidente.

Fevereiro

6

1966

Queda da Ponte de Madeira sobre o Rio Verde (33 mortos). Gestão do Prefeito José Francisco Marques Neto.

Fevereiro

6

1982

Fundação da ARU Associação Recreativa União. Prof. Canoa, 1º Presidente.

Fevereiro

16

2011

Morte Arthur José Höfig Jr. (Filho do fundador de Brasilândia). Gestão do Prefeito Dr. Antônio de Pádua Thiago.

 

 

 

 

Março

2

1995

Inauguração da Escola Municipal Paulo Simões Braga. Gestão de Prefeita Neuza Paulino Maia.

Março

10

2002

Fundação da ADECOPAM - Associação de Desenvolvimento Rural do Projeto Assentamento Mutum. Elizabete Victal Caetano, 1º Presidente.

Março

11

1987

Instalação da Comarca de Brasilândia. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia.

Março

20

1999

Inauguração da Unidade de Resfriamento CACRETUPI. Gestão da Prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral.

Março

21

1998

Inauguração da Escola Municipal Raimundo Pedro de Souza. Gestão da Prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral.

Março

24

1981

Fundação do Sindicato Rural de Brasilândia. Eliazel Paes de Oliveira, 1º Presidente.

Março

25

1976

Fundação da Destilaria de Álcool Debrasa. Maurilio Biagi Filho, 1º Diretor Presidente. Gestão do Prefeito Gentil Ferreira de Souza.

 

 

 

 

Abril

5

1993

Fundação do Rotary Club. Ovídio Lopes de Oliveira, 1º Presidente.

Abril

5

1993

Fundação da Casa da Amizade. Rita de Cássia Oliveira, 1ª Presidente.

Abril

7

2000

Fundação da Associação da Mão de Obra Atingida e Moradores Excluídos da Barranca Rios Verde e Paraná. Hélio Noronha, 1º Presidente.

Abril

11

2002

Fundação da Associação Indígena Ofaié Xavante. Marcelo da Silva Lins, 1º Presidente.

Abril

11

2006

Fundação da AUDE Associação dos Universitários da Debrasa. Gestão do Prefeito Dr. Antônio de Pádua Thiago.

Abril

11

2012

Fundação da Associação Hankrägani de Produtores Ofaié. Silvano de Moraes de Souza, 1º Presidente.

Abril

12

1985

Fundação do STRB Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasilândia. Irineu de Souza Brito, 1º Presidente.

Abril

16

1978

Inauguração do Salão Paroquial de Brasilândia. Revmº. D. Antônio Barbosa, Bispo de Campo Grande. Gestão do Prefeito Adilson Alves da Silva.

Abril

17

1986

Fundação do SINTED Sindicato dos Trabalhadores em Educação (ABRAP). José Arnaldo da Silva, 1º Presidente.

Abril

21

1957

Instalação do Cruzeiro e Missa Campal de Fundação do Povoado. Padre John Tomes.

Abril

25

1965

Instalação do Município de Brasilândia e Posse do 1º Prefeito eleito de Brasilândia, José Francisco Marques Neto.

Abril

25

1990

Fundação da ARM - Associação Recreativa Master. Osvaldo, 1º Presidente.

Abril

28

1983

Morte do Fundador Arthur Höffig. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia.

 

 

 

 

Maio

4

2002

Fundação do SINDIBRAS Sindicato dos Servidores Públicos de Brasilândia. Marcos Eduardo Costa Brasil, 1º Presidente.

Maio

5

2006

1º Fórum Municipal de Cultura. Gestão do Prefeito Dr. Antônio de Pádua Thiago.

Maio

10

2011

Fundação do FUSUS Fórum Permanente dos Usuários do SUS. Jair Bezerra Xavier, 1º Presidente.

Maio

17

2001

Fundação da COOPERBRAS Cooperativa B. de Produtos e Serviços Têxteis (Extinta).

Maio

19

1968

Fundação da Loja Maçônica Estrela do Ocidente nº 12. João Paes Lima, 1º Presidente.

Maio

20

2012

Inauguração do Mural Cultural na Praça da Matriz. Gestão do Prefeito Dr. Antônio de Pádua Thiago.

Maio

25

1988

Fundação da ACIABRA Associação Comercial de Brasilândia. Alcides Lopes, 1º Presidente.

Maio

26

2013

Fundação do Grêmio Recreativo Pedra Bonita. Daiane Aparecida da Silva, 1º Presidente.

Maio

29

1995

Associação de Moradores do Conjunto Habitacional João Paulo da Silva. Renato Batista de Oliveira, 1º Presidente.

 

 

 

 

Junho

5

1989

Fundação da AMATA - Bairro Thomaz de Almeida. Carlos Alberto do Amaral, 1º Presidente.

Junho

12

1961

Elevação do Povoado de Brasilândia à Distrito. Gestão do Prefeito Francisco Leal Queiroz, de Três Lagoas/MT

Junho

13

2007

Tombamento Histórico da Árvore o Tamboril (Lei 2186/07). Gestão do Prefeito Dr. Antônio de Pádua Thiago.

Junho

21

1981

Fundação da AAB Associação Atlética Brasilandense. Julião de Lima Maia, 1º Presidente (Extinta).

Junho

25

1972

Fundação da Paróquia Cristo Bom Pastor. Revmª. Irmã Abigail Dias Batista, 1ª Administradora Paroquial.

 

 

 

 

Julho

1º

1997

Fundação da CTB Cooperativa dos Trabalhadores de Brasilândia. Américo Silva Filho, 1º Presidente.

Julho

2

2000

Fundação do SINDICOM Sindicato dos Empregados do Comércio de Brasilândia. Jorge Justino Diogo, 1º Presidente.

Julho

14

2013

Fundação da Associação Viva a Vida de Apoio a Terceira Idade. Maria Jovelina da Silva, 1ª Presidente.

Julho

15

1995

Fundação da APPR Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Brasilândia. José Melo de Carvalho, 1º Presidente.

Julho

19

2003

Fundação da APASF - Associação de Produtores Agroecológicos de Subsistência Familiar. João Batista Nascimento, 1º Presidente.

Julho

31

1997

Fundação da APAE Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais. Profª. Elidia Almeida Martinez Soriano, 1ª Presidente.

 

 

 

 

Agosto

2

1996

Fundação do JUCEC Juventude Unida em Cristo. Irineu de Souza Brito, 1º Presidente (Extinto).

Agosto

2

2003

Fundação do Instituto Cisalpina de Pesquisa e Educação Sócio Ambiental. Carlos Alberto dos Santos Dutra, 1º Presidente.

Agosto

3

1994

Criação da Escola Paulo Simões Braga. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia.

Agosto

6

2013

1ª Conferência Municipal de Cultura de Brasilândia. Gestão do Prefeito Jorge Justino Diogo.

Agosto

9

2014

Fundação da Associação Restaura Vida de Preservação e Recuperação de Dependentes Químicos. Ademir de Souza Moura, 1º Presidente (Extinta)

Agosto

13

1983

Fundação da APLB Associação dos Produtores de Leite. Nedino Cardoso, 1º Presidente.

Agosto

28

1997

Fundação da AMDE Associação de Moradores do Distrito Debrasa. Neusivan Fonseca do Nascimento, 1º Presidente.

 

 

 

 

 

 

1968

Instalação da 1ª Escola Municipal Antônio Henrique Filho. Gestão do Prefeito Patrocínio de Souza Marinho.

Setembro

16

1999

Fundação da Associação de Moradores Jardim Oiti. Jonas Moreira Alves, 1º Presidente.

Setembro

16

1999

Fundação da Associação de Moradores Jardim Mão Amiga. José Pedro Rosa, 1º Presidente.

Setembro

18

1986

Criação da Comarca de Brasilândia. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia

Setembro

18

1997

Fundação da APRAMBRAS – Associação dos Produtores Assentamento Mutum. Roberto Silva, 1º Presidente.

Setembro

19

1984

Fundação da ARDE Associação Recreativa Debrasa. Marcos Bezerra Araújo, 1º Presidente.

Setembro

19

1996

Criação do Distrito Debrasa. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia

Setembro

19

2012

Fundação da COOPEABRA Cooperativa dos Apicultores de Brasilândia. Gestão do Prefeito Antônio de Pádua Thiago.

Setembro

20

2003

Fundação da ASSOBRAA Associação de Agentes Ambientais. Deolir Felipe Schio, 1º Presidente.

Setembro

29

2000

Fundação da Associação APPRRPB– João José Ferreira – Pedra Bonita. Irma Aparecida da Silva Melo, 1ª Presidente.

 

 

 

 

Novembro

6

1997

Morte de Luigi Cantone. Proprietário da Cisalpina Agrícola S.A.

Novembro

7

2003

Fundação da AUBRAS-Associação dos Universitários de Brasilândia. Lincon dos Santos Cangussu, 1º Presidente.

Novembro

8

1956

Inauguração do Grupo Escolar Arthur Höffig. Gestão do Prefeito Ranulpho Marques Leal, de Três Lagoas.

Novembro

8

1975

Criação da Escola Municipal Antônio Henrique Filho. Gestão do Prefeito Gentil Ferreira de Souza.

Novembro

13

1955

Travessia da 1ª Balsa tocada a motor entre Panorama e o Porto João André.

Novembro

14

1963

Criação do município de Brasilândia. Gestão do Prefeito João Dantas Filgueiras, de Três Lagoas.

Novembro

14

1986

Fundação da Loja Maçônica Vigilantes de Brasilândia. Mauro Alves de Oliveira, 1º Presidente (Extinta).

Novembro

27

1970

Criação da Escola Estadual Adilson Alves da Silva. Gestão do Prefeito Julião de Lima Maia.

 

 

 

 

Dezembro

5

2004

Fundação da Associação de Moradores José Rodrigues. Cláudio Uchoa de Lima, 1º Presidente.

Dezembro

12

1987

Morte do Deputado Júlio César Paulino Maia. Gestão da Prefeita Neuza Paulino Maia.

Dezembro

14

1997

Inauguração do Monumento da Praça da Bíblia. PL do Vereador Antônio Severino da Silva.

Dezembro

18

1985

Criação da Escola Estadual Debrasa. Mileide Gonçalves dos Santos, 1ª Diretora.

Fonte: DUTRA, C.A.S. História e memória de Brasilândia. Volume 5 – Poderes. Brasilândia: Edição do Autor, 2022. p. 337-339. Disponível em https://clubedeautores.com.br/livros/autores/carlos-alberto-dos-santos-dutra

Volume 5-Poderes, na íntegra em PDF: 

https://www.dropbox.com/s/97wtv8qz75w73ti/Hist%C3%B3ria%20e%20Mem%C3%B3ria%20de%20Brasil%C3%A2ndia-MS%20V5-Poderes.pdf?dl=0

 

EVENTUAIS ERROS FAVOR COMUNICAR WHATSAPP (67) 99967-3300.

  

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

 

Os planos de Deus para dona Maria Angélica.

Carlos Alberto dos Santos Dutra



Estava tudo sendo preparado para registrar no papel aquela história de vida. Quando fui chamado para ministrar uma bênção de saúde sobre a fronte daquela senhora eu não sabia os planos do Senhor. E lá estava eu maravilhado com o vigor daquela anciã sentada sobre a cama a me contemplar com o rosto inclinado...

O cabelo branco levemente em desalinho pendia sobre os olhos, enquanto observava o aparelho oxímetro preso ao dedo indicador que lhe media o grau de saturação de seu diabete.

Ergue o olhar e, ao ver o visitante, esboça um sorriso comedido, com ar de quem reconhece um antigo conhecido. Só neste momento percebemos a força daquele olhar que saúda o recém-chegado com a força e o brilho da atenção que fora educada.

Ao ouvir a pergunta se sabia quem estava ali, ela responde com voz grave: --Esse aí, o Carlito, eu conheço desde o tempo da barranca. Depois de receber um abraço afetuoso e um beijo na sua face, aquela senhora, de 85 anos de idade, sorri e transforma-se em segundos na menina de outrora, que um dia chegou das Minas Gerais com três filhos do colo e se aquerenciou por estes sertões do Mato Grosso.

A neta Adriana que se encontra ao lado nos diz que há tempo não via sua avó tão alegre e disposta. Na maior parte das vezes, queixava-se por ter de ficar por muito tempo deitada, o que incomodava sua natureza pois sempre fora uma mulher da lida.

Outras vezes, se via deprimida, sobretudo quando tinha de submeter-se ao balão de oxigênio cujo cilindro permanecia calado ao seu lado, porém vigilante e sempre pronto para lhe prestar socorro quando, durante o sono, o ar lhe faltasse.

Mas aquela tarde, tudo lhe parecia mais leve. Enquanto retira o aparelhinho do dedo que revela uma saturação normal de oxigênio, volta os olhos para o visitante, como que buscando sintonizar seus pensamentos e palavras com os propósitos que levaram aquele ministro de Deus até sua casa: orar pela sua saúde e ministrar-lhe a sagrada Comunhão.

Depois da oração, que repetiu em voz alta cada uma das palavras da prece, demonstrando ser uma mulher de fé e conhecedora da catequese, ela tomou a sagrada Comunhão e permaneceu em silêncio, como se estivesse conversando com o Pai celeste em segredo. Depois ergueu os olhos para mim e num sorriso, agradeceu por eu ter estado ali com ela. Enquanto falava, por algum momento, achei que não era para mim que suas palavras se dirigiam...

Maravilhado com as histórias que ela começou a me contar... achei que poderia escrever a história de vida de mais uma das fundadoras de Brasilândia, e homenageá-la em vida para regozijo e alegria da dezena de filhos que gerou ao lado do esposo Francisco Antunes da Silva, e a extensa família que acompanhava confiante a sua recuperação. 

Os planos de Deus, entretanto, eram outros. Ele tinha pressa em tê-la consigo na glória celeste...

E assim, logo após ter feito a sua prece e entrado em comunhão com o Cristo, tudo lhe parecia sereno e consumado. Chegou a noite, e pela manhã, lá encontramos a nossa guerreira trilhando aquela estrada solitária e florida que a todos espera em direção ao Céu. 

Missão cumprida vovó Maria Angélica de Jesus. Longa caminhada fizeste sobre a terra, desafiaste distâncias e a força do vento, para chegar até aqui. Partes agora, mas permaneces para sempre em nossos corações, como uma vitoriosa senhora, orgulho para todos que a conheceram.

Também para este diácono, que nos seus últimos momentos esta senhora ainda lhe ofertou um presente: teve a graça de poder colher de seu rosto o mais belo sorriso, inspiração de confiança de quem fez por merecer a longa vida que viveu e fez viver. 

Deixou, sim, lembranças. E é por elas que nossas lágrimas agora rolam. Mas também, porque ao longo do caminho deixaste calorosas e belas recordações as quais somos eternamente gratos. Descanse em Paz corajosa vovó Maria Angélica de Jesus.


Brasilândia/MS, 08 de setembro de 2022.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

 

A curiosa história da imagem de Nossa Senhora 

da Cabeça

Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra











No dia 22 de agosto de 2021 a Paróquia Nossa Senhora da Vitórias, de Cacequi/RS realizou uma procissão dedicada à Nossa Senhora da Cabeça que realizava a sua 8ª festa, com carreata e missa campal solene concelebrada pelo novo arcebispo da Diocese de Santa Maria, Dom Leomar Antônio Brustolin, o arcebispo emérito, Dom Hélio Adelar Rubert e o pároco Pe. Antônio Tadielo Taschetto, momento em que a imagem da Santa foi transferida desde o distrito de São Simão até a sede do município, sendo entronizada numa gruta construída ao lado da capela São Miguel na sede do município.

Sobre esta curiosa Santa, relata-se que sua história tem início no ano de 1227 nos contrafortes da Serra Morena, Andaluzia, região espanhola onde fica localizada a cidade de Andujar, a 18 km do pico denominado Cabeça.

As terras ao lado da montanha eram utilizadas como pasto, sobretudo para a criação de carneiros, que eram vigiados por pastores. Gente simples, pobre e religiosa. Dentre eles, João Alonso Rivas, natural de Granada, filho de cristãos cativos e fugitivos da tirania dos mouros, dos árabes. Durante a fuga, João Rivas perdeu um braço.

João era muito piedoso e muito devoto da Virgem Maria, a quem dedicava suas orações, enquanto apascentava suas ovelhas. Por várias vezes, parecendo vir do alto da montanha, ele ouvia um toque de sineta. Pensava: --deve ser pura imaginação, coisa de um viver solitário, nestas terras altas.

Numa noite, 12 de agosto de 1227, o pastor de ovelhas João Rivas, ouvindo mais distantemente o som da sineta, seus olhos depararam com um brilhante luzeiro no alto do Monte Cabeça. Ele, sem dúvidas e medo, partiu em direção ao Célebre pico.

Chegando lá, ouviu o toque da sineta saindo da gruta, de onde saiam também, raios luminosos. Entrando na caverna viu, sobre as pedras, uma belíssima imagem de Nossa Senhora, e a sineta presa a um galho, ao lado da Virgem, que continuava a bater.

Voltando ao normal, João dirigiu-se à Mãe de Deus e perguntou: --fortes vós, ó minha Mãe, que pelo vosso influxo me atraístes à Vossa presença, para divulgar os Vossos desígnios? Se assim é, dizei-me o que devo fazer e a Vossa vontade será cumprida.

E uma voz dulcíssima, que parecia vir do céu, falou-lhe assim: --não temas, servo de Deus. Vai à cidade de Andujar e dizei a quantos encontrares que chegou o tempo de cumprir a vontade de Deus, fazendo construir neste lugar um templo, onde hão de operar os prodígios em favor dos que acreditarem.

João prometeu à Virgem Mãe de Deus, fazer tudo quanto Ela ordenara. Temendo que os habitantes de Andujar achassem que ele fosse um louco visionário ou impostor, recebeu de Nossa Senhora o SINAL: --vai cristão venturoso! O testemunho de suas palavras será o teu braço perdido que eu te restituo.

João Rivas viu seu braço direito perfeitamente são. Ao clarear o dia, João, tendo à frente o Vigário e outras autoridades, foram ao Monte Cabeça, levaram a imagem milagrosa para Andujar e foi aclamada padroeira sob a invocação de Nossa Senhora da Cabeça.

Daí em diante, foram multiplicando-se os milagres operados por Deus, pela intercessão da Padroeira. Dentre os muitos milagres realizados, teve grande repercussão o que se deu em favor de um nobre senhor condenado a morte (cortar a cabeça), o qual fez voto de ir, se a Virgem o salvasse, depositar uma cabeça de cera aos pés da Sagrada imagem.

Na hora da execução da pena de morte, a multidão em delírio, viu chegar o mensageiro do rei trazendo a graça do condenado: --a Virgem o libertou! O feliz agraciado cumpriu seu voto e é em recordação de tão extraordinário acontecimento que, a partir daí, nos Santuários dedicados à Nossa Senhora da Cabeça, a imagem dela é representada trazendo na mão direita, uma cabeça.

No Brasil, desde 1910, Nossa Senhora da Cabeça é venerada desde a Catedral, do Rio de Janeiro, à qual os fiéis oferecem até hoje votos em forma de cabeças de cera de todos os tamanhos. Tal devoção data dos tempos da fundação da cidade. A devoção foi levada em 1948, para a cidade de Perdizes, em Minas Gerais e também para outros estados difundindo-se Brasil a fora.

Segundo alguns pesquisadores, quando de seu surgimento na Espanha, a devoção a Nossa Senhora da Cabeça não era associada à parte do corpo humano a qual este título mariano nos remete. Cabeça era apenas o nome do monte onde Maria Santíssima foi vista. Aqui no Brasil, ela costuma ser invocada para males que atacam o cérebro. Os fiéis que padecem de cefaleia e as mães de filhos com problemas escolares a ela recorrem para a solução de seus males.

Em Cacequi, no Rio Grande do Sul, terra natal deste articulista, um dos relatos de milagres atribuídos à Nossa Senhora da Cabeça prende-se ao caso da esposa de um dos comandantes que dirigiram o campo de instruções Barão de São Borja, que residia na vila do Exército, em São Simão, 3º distrito daquele município.

Conta a história que a esposa do comandante tinha sérios problemas de saúde, com momentos de demência que obrigavam o marido a se recolher junto com a esposa em isolamento social. Uma certa viagem ao Rio de Janeiro, o comandante e a esposa visitaram a Catedral daquela cidade, onde existe uma imagem da santa milagrosa. Ajoelharam-se, rezaram e ao final procuraram a casa paroquial para adquirir uma imagem da santinha, mas naquele momento não havia imagem da santa disponível para vender.

Mas, surpreendentemente quando já estavam no portão uma voz lhe chamara: era a atendente dizendo que tinha encontrado uma imagem; eles queiram pagar, mas a pessoa não aceitou pagamento, pois a imagem estava precisando de uma restauração. Agradeceram e vieram para Cacequi, dirigindo-se à São Simão onde moravam. Chegando em casa, colocaram a imagem em um balcão, onde permaneceria para as orações e pedidos para que sua esposa melhorasse dos problemas de cabeça que tinha.

No outro dia, por volta do meio dia, um vento forte bateu na janela, abrindo a cortina e iluminando a imagem da Santa, com um feixe de raio do sol. Nisso o comandante que chegava do trabalho para o almoço, ouviu a esposa conversando com a imagem da Santa. Triste, ele pensou que mais uma vez ela estava tomada pelos problemas de demência. Mas não, quando ela se virou para o marido, estava sorridente, calma e dizia que tinha escutado a Santa dizer que ela estava curada, mas que o esposo teria que construir uma gruta deixar a imagem naquela localidade.

Imediatamente o comandante mandou fazer uma gruta no Campo do Exército e colocou a imagem que, segundo relatos, continuou realizando milagres a quem a visitasse. Anos depois, a artista plástica Betinha Rossi Carvalho restaurou esta imagem e a mesma foi apresentada ao Santuário Nossa Senhora das Vitórias, da Paróquia de Cacequi, e logo reconduzida para sua gruta em São Simão. O comandante e sua esposa foram embora, ele para comandar outra unidade do Exército, e ela, segundo notícias de colegas na época, ficara curada e nunca mais teve sinais de demência ou loucura, como a identificavam.

"Aqui estou, prostrado a vossos pés, ó Mãe do Céu e Senhora nossa. Tocai o meu coração a fim de que deteste sempre o pecado, e ame sempre a vida austera e cristã, que exiges de vossos devotos. Tende piedade das minhas misérias espirituais. E, ó Mãe terna, não vos esqueçais também das misérias que afligem o meu corpo e enchem de amargura a minha vida terrena. Dai-me saúde e forças para vencer todas as dificuldades que me opõe o mundo. Não permitais que minha pobre cabeça seja atormentada por males que me perturbem a tranquilidade da vida. Pelos merecimentos de vosso Divino Filho, Jesus Cristo, e pelo amor a que ele consagrais, alcançai-me a graça que agora vos peço, (fazer o pedido), ai tendes, ó Mãe poderosa, a minha humilde súplica. Se quiserdes, ela será atendida. Nossa Senhora da Cabeça, rogai por nós. Amém."  

Fonte: História e Milagres. A história de Nossa Senhora da Cabeça. Jornal Gazeta dos Pampas, Cacequi/RS, 22 de janeiro de 2021, pág. 19. Cf. https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-nossa-senhora-da-cabeca/22/102/; https://arquisp.org.br/liturgia/santo-do-dia/nossa-senhora-da-cabeca; 

https://www.facebook.com/pnsvcacequi/videos/2803928743186835; 

sábado, 3 de setembro de 2022

 

O vento, a fotografia e a saudade.

Carlos Alberto dos Santos Dutra










O vento sopra sobre o descampado que se estende ao longo da margem dos trilhos. Só encontra resistência na coragem das paredes de madeira erigidas naquele triângulo que apontava para lugares distantes. Não à toa o lugar se chamava Entroncamento, onde a rosa da bússola mostrava o rumo para onde os trens que por ali passavam alcançavam o seu destino: Uruguaiana, Livramento e Cacequi.

Mas o mais importante na fotografia não é a solidez da construção da imponente estação férrea que, a despeito de seu diminuto tamanho, mostrava-se imperiosa, ostentando uma cobertura à semelhança de um chapéu mexicano circundando a sua volta. O mais grandioso de tudo se resumia na presença do casal plantado a sua frente.

De plano, o casal revelava postura cinematográfica e nostalgia: o espírito e o olhar da mulher no horizonte; a simplicidade do homem agachado à sua volta, e as crianças com olhos fitos em quem os contemplava.

Naquele lugar, o agente da estação férrea, provavelmente tenha sido o fotógrafo. Seu João dos Santos, pai da mulher, Laura, da fotografia, sempre fora assim: entre uma licença e outra do movimento dos trens, encontrava tempo para registrar os bons momentos que a vida lhe oportunizava.

E sempre em grande estilo, como o demonstrado nesta icônica imagem: próxima ao chão, como que brotando da terra, a lente apreende e transforma o casal e seus filhos num monumento que evoca esperança, transparecendo confiança em algo cujas mãos ainda não tocam. Símbolo de paz, simplicidade e união.

Na fotografia, o primogênito Carlito ao lado do pai Vilson; a mana Lea de mão dada com o pai, e ao alto, o mano João, no colo terno da mãe Laura. Imagem para guardar na memória e confortar a alma quando o vendaval da saudade nos peala, arrebata o espírito e revive o sentimento que nos faz lembrar o quanto de vida e felicidade passaram sob nossos pés.

Para dona Laura, com saudade.

 

Brasilândia/MS, 03 de setembro de 2022.