terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

O Legado que Acolhe: A Dignidade Humana na Reforma do Velório Municipal de Brasilândia

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra

Casa do Velório municipal Genuína Rodrigues da Conceição durante da inauguração ocorrida em 31 de outubro de 2000 (Foto: Jornal da Cidade, colorizada).


Uma obra pública vai muito além de tijolos, cimento e melhorias estruturais. Esse princípio se aplica a qualquer construção, mas ganha um significado profundamente humano quando se trata do Velório Municipal. 

Longe de ser apenas um prédio, esse espaço, à semelhança de um lar, é um local de acolhimento. É o ponto de encontro de uma comunidade que se despede de seus entes queridos, onde as dores se cruzam e onde o respeito pela história de cada cidadão deve prevalecer.

Neste contexto, o início das obras de reforma e ampliação da Casa de Velório Genuína Rodrigues da Conceição transcende a rotina administrativa. Trata-se de um ato que amplia a dignidade, a humanidade e o zelo da Administração Municipal para com as famílias de Brasilândia nos momentos de maior vulnerabilidade.

No entanto, este lançamento carrega um simbolismo ainda mais nobre e eterno pelo nome que o espaço ostenta. Prestar homenagem a Dona Genuína Rodrigues da Conceição, avó da atual prefeita, é resgatar a própria essência e a identidade do povo desta terra.

Dona Genuína não foi apenas uma matriarca querida. Foi uma mulher que testemunhou o crescimento de Brasilândia, fincando raízes com coragem, resiliência e um amor infinito pelos seus. 

Nascida em 7 de setembro de 1927, ela carregava no próprio nome a sua maior virtude: a genuína bondade, a dedicação e a força da mulher sul-mato-grossense. Conduziu sua família com simplicidade e sabedoria, deixando um legado de valores que hoje se reflete na liderança e no trabalho de sua neta.

A história dessa homenagem é marcada por uma bela linha de continuidade familiar e política. O Velório Municipal nasceu do anseio dos vereadores Mauro Alves de Oliveira e Antônio de Pádua Thiago, que já em 1994 solicitavam a construção à então prefeita Neuza Paulino Maia

Anos mais tarde, em 31 de outubro de 2000, em meio a dor da partida do cidadão Joaquim Pinto Nunes, o nome de Dona Genuína foi eternizado no prédio por sua filha, a ex-prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral, que acolheu a indicação do vereador Carlos Amorim de Assis, inaugurando o Velório Municipal naquele dia.

Na inauguração, a mãe da atual prefeita Marilza relembrou com emoção o apoio espiritual e a trajetória de Dona Genuína, que também atuou como comerciante local e muito contribuiu para o município.

Agora, passados 26 anos daquela inauguração, a história se repete de forma tocante. Para a atual prefeita de Brasilândia, Márcia Regina do Amaral Schio, a reforma desta obra representa um compromisso administrativo rigoroso, mas também um tributo íntimo de amor, respeito e saudade. 

É a oportunidade de honrar a memória de quem plantou as sementes do passado para que o presente pudesse florescer.

Ao modernizar e ampliar esse espaço, a prefeita Márcia garante que o nome de sua avó continue umbilicalmente ligado ao acolhimento e ao amparo — qualidades que ela tão bem demonstrou em vida.

Que este renovado espaço seja um símbolo contínuo de paz, respeito e conforto para o povo de Brasilândia. Que a memória e o exemplo de generosidade de Dona Genuína sigam guiando os passos do município e inspirando o cuidado genuíno com o próximo.

Parabéns à prefeita Márcia pela sensibilidade do gesto, e parabéns a Brasilândia por preservar viva a sua história.


Brasilândia/MS, 15 de setembro de 2026. 

Cf. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol 4-Desenvolvimento, pág. 365s

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