O Legado que Acolhe: A Dignidade Humana na Reforma do
Velório Municipal de Brasilândia
Por Carlos Alberto dos Santos Dutra
Uma obra pública vai muito além de tijolos, cimento e melhorias estruturais. Esse princípio se aplica a qualquer construção, mas ganha um significado profundamente humano quando se trata do Velório Municipal.
Longe de
ser apenas um prédio, esse espaço, à semelhança de um lar, é um local de
acolhimento. É o ponto de encontro de uma comunidade que se despede de seus
entes queridos, onde as dores se cruzam e onde o respeito pela história de cada
cidadão deve prevalecer.
Neste contexto, o início das obras de reforma e ampliação da Casa de Velório Genuína Rodrigues da Conceição transcende a rotina administrativa. Trata-se de um ato que amplia a dignidade, a humanidade e o zelo da Administração Municipal para com as famílias de Brasilândia nos momentos de maior vulnerabilidade.
No entanto, este lançamento carrega um simbolismo ainda mais nobre e eterno pelo nome que o espaço ostenta. Prestar homenagem a Dona Genuína Rodrigues da Conceição, avó da atual prefeita, é resgatar a própria essência e a identidade do povo desta terra.
Dona Genuína não foi apenas uma matriarca querida. Foi uma mulher que testemunhou o crescimento de Brasilândia, fincando raízes com coragem, resiliência e um amor infinito pelos seus.
Nascida em 7 de setembro de 1927, ela carregava no próprio nome a sua maior virtude: a genuína bondade, a dedicação e a força da mulher sul-mato-grossense. Conduziu sua família com simplicidade e sabedoria, deixando um legado de valores que hoje se reflete na liderança e no trabalho de sua neta.
A história dessa homenagem é marcada por uma bela linha de continuidade familiar e política. O Velório Municipal nasceu do anseio dos vereadores Mauro Alves de Oliveira e Antônio de Pádua Thiago, que já em 1994 solicitavam a construção à então prefeita Neuza Paulino Maia.
Anos mais tarde, em 31 de outubro de 2000, em meio a dor da partida do cidadão Joaquim Pinto Nunes, o nome de Dona Genuína foi eternizado no prédio por sua filha, a ex-prefeita Marilza Maria Rodrigues do Amaral, que acolheu a indicação do vereador Carlos Amorim de Assis, inaugurando o Velório Municipal naquele dia.
Na inauguração, a mãe da atual prefeita Marilza relembrou com emoção o apoio espiritual e a trajetória de Dona Genuína, que também atuou como comerciante local e muito contribuiu para o município.
Agora, passados 26 anos daquela inauguração, a história se repete de forma tocante. Para a atual prefeita de Brasilândia, Márcia Regina do Amaral Schio, a reforma desta obra representa um compromisso administrativo rigoroso, mas também um tributo íntimo de amor, respeito e saudade.
É a oportunidade de honrar a memória de quem plantou as sementes do passado para que o presente pudesse florescer.
Ao modernizar e ampliar esse espaço, a prefeita Márcia garante que o nome de sua avó continue umbilicalmente ligado ao acolhimento e ao amparo — qualidades que ela tão bem demonstrou em vida.
Que este renovado espaço seja um símbolo contínuo de paz, respeito e
conforto para o povo de Brasilândia. Que a memória e o exemplo de generosidade
de Dona Genuína sigam guiando os passos do município e inspirando o cuidado
genuíno com o próximo.
Parabéns à prefeita Márcia pela sensibilidade do gesto, e parabéns a Brasilândia por preservar viva a sua história.
Brasilândia/MS, 15 de setembro de 2026.
Cf. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol 4-Desenvolvimento, pág. 365s

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