sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

Brasilândia consolida coleta seletiva de vidro e celebra resultados inéditos.

Carlos Alberto dos Santos Dutra






Poucos conhecem a complexa engenharia por trás da fabricação do vidro. Sua produção envolve a fusão de matérias-primas como areia de sílica, soda cáustica e calcário em temperaturas que atingem os 1.500°C. 

No dia a dia, ao utilizarmos uma garrafa ou um copo, raramente refletimos sobre esse processo ou sobre o imenso potencial de sustentabilidade do material. 

Pois saibam que o vidro é 100% reciclável e possui um altíssimo valor agregado: um quilo de vidro quebrado transforma-se em exatamente um quilo de vidro novo. 

Além disso, ele pode ser reciclado infinitas vezes sem perder a qualidade, o que o torna o verdadeiro "campeão" da logística reversa. 

Tudo isso para dizer que nosso município hoje começa a colher os frutos de uma plantinha chamada consciência há 22 anos através do trabalho da Associação Brasilandense de Agentes Ambientais (ASSOBRAA). 

Em apenas quatro meses de implementação do sistema de coleta porta a porta, a entidade alcançou um feito histórico na coleta do vidro: no dia 3 de dezembro de 2025, realizou a primeira entrega oficial de vidro reciclado em Campo Grande. 

Ao todo foram 3,29 toneladas de vidro destinadas corretamente à reciclagem. Para o Engenheiro Ambiental Jorge Henrique Olivi de Paula, entusiasta da coleta seletiva e que acompanha de perto o trabalho da ASSOBRAA há muitos anos, o resultado da coleta seletiva do vidro no município é um excelente ponto de partida. 

Ele ressalta, porém, que o apoio de moradores, bares e conveniências é, igualmente, fundamental para ampliar esses números. 

Além do ganho ambiental, a iniciativa traz também benefícios econômicos diretos. Segundo o técnico da Prefeitura, ao evitar que essas 3,29 toneladas fossem descartadas e enviadas ao transbordo comum, o município gerou uma economia de R$ 1.360,55. 

A recomendação da Secretaria de Meio Ambiente e Turismo é, portanto, que os munícipes adotem cada vez mais este salutar hábito de separar garrafas e copos, preferencialmente, acomodando-os em caixas de papelão ou embrulhados em jornal. 

O material pode ser entregue diretamente na ASSOBRAA ou colocado na calçada nos dias de coleta seletiva, garantindo a segurança dos agentes ao recolhê-los e promovendo a preservação do meio ambiente. Parabéns ASSOBRAA. Parabéns Brasilândia.

 

Brasilândia/MS, 16 de janeiro de 2026.


Foto: João Batista/PMB 

Confira também: https://carlitodutra.blogspot.com/2025/08/brasilandia-avanca-na-coleta-seletiva.html



 

 

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

 

11 de janeiro: um dia para refletir sobre os Agrotóxicos.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


Datas comemorativas na maioria das vezes são paradoxais. Encerram alegria mas também podem denotar apreensão, quando não, sentido de alerta. Estamos mais familiarizados, entretanto, com aquelas comemorações subjetivas que mexem com o nosso sentimento. É o caso das datas de aniversário, casamento, falecimento, inaugurações, vitórias, derrotas, viagens, declarações e inúmeros momentos que ao longo de nossas vidas experimentamos. 

Quando a motivação nos leva a comemorar algo que se encontra distante de nós, somos tentados a dar menor atenção, em que pese a importância objetiva que ela possa representar. Entre as comemorações que possam representar pouco ou nenhum interesse ao senso comum está o Dia do Combate da Poluição por Agrotóxicos comemorado neste dia 11 de janeiro. 

Ainda que possa ser uma comemoração que pouco interaja com a população em geral, ela é um dos dias que pode dizer muito a todos, dada o seu sentido de alerta à nossa saúde e à conscientização ambiental. Afinal, vivemos num mundo globalizado e que nossas ações alcançam o meio ambiente e a terra, alcança também os filhos da terra, que somos nós, indistintamente. Eis a importância de se refletir sobre o significado deste dia. 

Pois bem, o dia 11 de janeiro lembra a publicação do Decreto nº 98.816 que ocorreu no ano de 1990 e que determinou mais rigor no registro, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e produtos derivados no Brasil. A data, portanto, como já foi bem lembrado, não serve para fins de comemoração, mas para que seja um dia de reflexão perante o uso indiscriminado desses produtos, prática usual e que pode causar sérios efeitos à saúde humana e ao meio ambiente.

É importante, portanto, que se divulgue cada vez mais tomemos consciência de que o Brasil está na primeira colocação entre os países que mais fazem uso de agrotóxicos, deixando para trás até mesmo os Estados Unidos e outros países com ampla tradição na agricultura e a vida dos cidadãos comuns. Da mesma forma é importante falar abertamente sobre os riscos dessas substâncias à saúde humana e ao meio ambiente, buscando alternativas sustentáveis, como a agricultura orgânica, alinhado aos objetivos da ONU de redução de seu uso

A redução do uso de agrotóxicos é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A meta é de até 2030 reduzir substancialmente o número de mortes e doenças causadas pelo uso e diminuir a contaminação e poluição do ar, água e solos. Nesse contexto, há de se dar acurada atenção aos riscos causados pelo uso desordenado dessas substâncias e suas consequências ao meio ambiente e à saúde humana. 

Neste dia, portanto, também por aqui, a data deve ser motivo de reflexão para nossa mentalidade ignara que nos faz assistir complacentes, inocentes cidadãos com suas maquininhas costais de herbicida, sem qualquer equipamento de proteção, disseminando pelos meios-fios de calçadas, praças e lotes de nossa cidade, o  veneno de morte que ceifará a vida de nossos filhos em poucos anos. 

Por outro lado, também é motivo para acreditar que estamos no caminho certo, no caminho da esperança buscando o controle da poluição por agrotóxicos, ainda que timidamente. Isso porque em nossa cidade, desde 2008, temos em nosso ordenamento jurídico municipal a Lei 2.265/08, de 25 de agosto de 2008, ainda em vigência, que orienta o poder público e os cidadãos deste município: 

Artigo 11- Fica proibida, no território do município, a utilização de elementos ou compostos químicos para a supressão de vegetação nas praças, parques, jardins, vias e logradouros urbanos ou rurais.

Parágrafo Único- Em propriedades urbanas ou rurais, quando na atividade agrosilvopastoril, não será permitida a utilização de herbicidas ou praguicidas a menos de 500 (quinhentos) metros de qualquer corpo d'água lótico ou lêntico. 

Tempo de esperança também para elevarmos nossa reflexão ao nível da política que nos representa. E saber, por exemplo, qual a posição e o que pensam os deputados do nossos Estado sobre os agrotóxicos.

Ainda que muitos parlamentares de Mato Grosso do Sul se movam sob a influência da bancada ruralista e tendam a ser favorável à flexibilização do uso dessas substâncias, corajosamente, existem posicionamentos divergentes, especialmente por parte de deputados de oposição. 

Por isso, é importante exercer o senso crítico e sair em defesa da vida, da saúde e do meio ambiente, argumentando na hora de escolher o seu representante.

 

Brasilândia/MS, 11 de janeiro de 2026.

 

Foto: https://www.bioemfoco.com.br; Fonte: https://trt15.jus.br/noticia/2023/11-de-janeiro-dia-do-combate-da-poluicao-por-agrotoxicos;

https://www.pedrinhaspaulista.sp.gov.br/noticia/1785/dia-do-combate-da-poluicao-por-agrotoxicos/;

INCA edita nota pública contra “PL do Veneno”, que incentiva uso de agrotóxicos no Brasil — Instituto Nacional de Câncer - INCA;

Veja como votou cada deputado no ‘pacote do câncer’ que põe mais veneno na comida do brasileiro - SINDSPREV/RJ.

Confira também: https://carlitodutra.blogspot.com/2022/03/tem-veneno-quero-saber.html

 

 

 

 

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

 

Pastor Silvino e o legado que deixou.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 


Quando as luzes de um ano se apagam, outras de maior brilho renascem. Nossos corações, entretanto, nem sempre percebem o que realmente acontece. Somente pela percepção da imanência e transcendência de que somos nutridos é que contemplamos essa divina e luminosa transformação. 


Isso é mais perceptível quando nos despedimos de alguém. Não um alguém qualquer, mas quem desprendeu luz no nosso caminho: seja pela palavras, seja pelo exemplo que deixou. 

A despedida do Pastor Silvino Cardoso dos Santos, que durante muitos anos foi liderança da Igreja Assembléia de Deus Ministério Belém, aqui em Brasilândia/MS, é um desses acontecimentos que, mesmo na distância dos 25 anos que se passaram, ainda seu legado é guardado na lembrança.
 
Personalidade e liderança atuante na comunidade local, não marcou presença somente como clérigo daquela congregação religiosa. Também participava de eventos sociais e comunitários, o que demonstrava, à época, ser um cidadão engajado e homem do seu tempo. 

Lembro de vê-lo participando ativamente de uma Festa do Dia 1º de Maio, dia do trabalhador, em cerimônia que mereceu destaque na imprensa ocorrida junto ao monumento da Bíblia, na Praça Santa Maria. 

Na ocasião lá estava o Coral de Senhoras dessa Igreja, o Conjunto Jovem e o Grupo de Crianças que participaram neste dia com um grande culto de ação de graças. 

Em 1993 outro grande evento realizado em Brasilândia e que reuniu evangélicos desta Igreja no salão da AAB, foi considerada pela Imprensa local como a maior festa evangélica realizada até esta data na cidade. 

Encontravam-se ali reunidos mais de 1500 pessoas vindas de vários municípios de Mato Grosso do Sul e também do estado de São Paulo para glorificar a Deus. E o pastor Silvino estava lá. 

Por ocasião da inauguração do Monumento da Bíblia, em 1997, diante de representantes de  todas as denominações evangélicas locais, o pastor Silvino marcou a abertura do evento, lendo o Salmo 119, v. 105: lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. 

Os mais antigos que lá se encontravam lembram daquela manhã chuvosa, mas que não impediu a realização do evento: a fé dos irmãos em Cristo foi maior superando o tempo imprevisto, permanecendo até o término da programação, registrou a Imprensa na época. 

Pastor Silvino também tinha o hábito de escrever em jornal regularmente. Chegamos a dividir páginas do Jornal da Cidade, no ano de 2000, com artigos de opinião. Ele com temas confessionais e eu com artigos de cunho social. A seu modo, foi sempre um ministro de Deus entre os homens. De trato simples e sabedoria silenciosa semeou temperança por onde passou. 

Querido pela família e estimado pela comunidade, Pastor Silvino realizou sua Páscoa definitiva no dia 31 de dezembro último, aos 85 anos de idade. Pedir a  Deus que o acolha no Reino dos Céus é o mínimo que este escrevinhador e a comunidade de amigos que cultivou pode rogar e lhe desejar. Amém.
 
Descanse em Paz Pastor Silvino Cardoso dos Santos.
Brasilândia/MS, 01 de janeiro de 2026. 

Fonte: Jornal da Cidade, 2000; História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 70; 138; Vol. V-Poderes, pág. 238-239.