quarta-feira, 20 de agosto de 2025

 

Vovó Ana Lélis Ladeia, nossa flor de laranjeira no Céu.

Carlos Alberto dos Santos Dutra









Falar de vovó Ana para a família que até ontem a tinham em torno de si é motivo de bênção. Não sou capaz de escrever sobre esta senhora que raramente tive a oportunidade de trocar algumas palavras, mas por um mistério de Deus despertava em mim uma espécie de encantamento. 

Escrevi sobre ela num de seus últimos aniversário. Mas, hoje, não sem dor, retorno a trilha de seus dias para recomendá-la à Deus pelo muito de vida que viveu e fez viver à sua volta.

No mais, sempre a vi à distância, em seu sitio, a frente de seu lar, no conforto e labuta da vida, e irremediavelmente presa aos laços e abraços dos filhos que a admiram e louvam sua trajetória de vida. E eu fico feliz por isso.

Foi, entretanto, pesquisando sobre a história de Brasilândia, quando deitei os olhos sobre a origem dos templos e religiões de nossa cidade, que novamente a encontro. E da boca dos cidadãos mais antigos ouço grandes verdades sobre o quanto esta mulher forte fez pela sua comunidade e por sua igreja. 

E lá estava a Primeira Igreja Batista no seu nascedouro, realizando cultos de casa em casa rendendo graças a Deus pela vida que brotava nestes rincões que recém despertava para a vida em comunidade.

Sua historia familiar, melhor poderão contar seus rebentos que estão mais próximos e podem lhe acariciar a face, ainda que neste momento de dor. Quanto a mim, cabe, respeitosamente recordar os feitos desta grande mulher, quando tudo começou, há mais de quarenta anos, quando a 1ª Igreja Batista de Três Lagoas começou um trabalho de evangelização aqui em Brasilândia. 

Foi quando um Deus peregrino e seus missionários buscavam por estas terras empoeiradas e distantes, um lugar, uma casa, um altar para erguer e celebrar a fé latente nestes rincões. 

Não por acaso um lugar fazenda, hoje denominado sitio Canaã, foi o escolhido. E dentro dele a senhora Ana Lélis Ladeia, seu Messias e sua família. E aquele lar se tornou a primeira igreja doméstica, semente plantada pela primeira irmã, membro fundadora da Igreja Batista em Brasilândia. 

Foi quando a liderança da sede de Três Lagoas achou por bem que deveria transferir seu trabalho de evangelização para Brasilândia e, logo a seguir adquirindo um terreno para instalar o seu templo.

Mil bênçãos de Paz e Luz a essa mulher, vovó Ana, que hoje faz sua Páscoa definitiva e é carregada pelas mãos dos filhos, netos, bisnetos e amigos que elevam a Deus suas preces de acolhimento a esta justa e virtuosa mulher. 

Alegria e gratidão de toda sua comunidade religiosa que desde o surgimento da congregação de sua Igreja semeou flores e colheu frutos em Brasilândia.

Igreja cuja prosperidade se valeu das viagens missionárias realizadas pelos pioneiros, muitas vezes feitas no lombo de um cavalo, como o esforço do pastor João Gregório Urbieta que, a partir do ano 1928 dedicou-se a percorrer a região em excursão evangelística arrebanhando almas. 

Tempos áureos onde os mais antigos, como a vovó Ana Lélis Ladeia, carregaram nos braços e no coração, êxitos na fé, e que hoje perseveram nas lembranças. Por isso e pelo muito que foi feito, lhe damos graça e gratidão, rogando a Deus a Paz e o descanso eterno. Obrigado vovó Ana, perfume flor de laranjeira no Céu.


Brasilândia/MS, 20 de agosto de 2025.

 

Foto: Facebook. Mais informações sobre a Primeira Igreja Batista e demais igrejas de Brasilândia Cf. "História e Memória de Brasilândia/MS", Volume 5, pág. 242s.

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