domingo, 30 de agosto de 2026

 

A tentação de seguir Cristo sem a cruz. 

Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra









Queridos irmãos e irmãs, que a paz de Jesus esteja no coração de cada um de vocês.

Olhando para a nossa igreja hoje, vendo o rosto de cada um, sei que muitos vieram aqui trazendo cansaço. A vida não é fácil. Trabalhar o mês inteiro, cuidar da família, pagar as contas e ainda ver o mundo do jeito que está, cheio de divisões e brigas, pesa nos nossos ombros.

No Evangelho de hoje, Jesus fala diretamente para essa nossa realidade. Ele nos faz um convite que choca, mas que salva: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".

O que significa isso na nossa vida simples de cada dia?

Significa escolher o caminho de Deus em um mundo que nos empurra para o lado oposto. Hoje, vivemos divididos. Parece que fomos esquecendo como caminhar juntos.

De um lado, estão as coisas de Deus: o amor, o perdão, a partilha, a paciência. Do outro, estão as coisas do mundo: o egoísmo, o querer ter razão a todo custo, o pisar nos outros para subir na vida.

Jesus nos avisa com clareza: de que adianta o homem ganhar o mundo inteiro, ter dinheiro, fama, curtidas na internet, se ele perder a sua alma? Se ele perder a sua paz, a sua família e a sua salvação? Ganhar o mundo e perder a vida é o grande engano dos nossos tempos.

Pedro, no Evangelho, tentou desviar Jesus do caminho do sofrimento. Ele pensava como o mundo pensa: "Evita a dor, busca o que é fácil". E Jesus o repreendeu fortemente. Às vezes, nós agimos como Pedro. Queremos um Deus que resolva nossos problemas, mas não queremos o compromisso de viver como Ele viveu.

Renunciar a si mesmo não é se destruir. É deixar de lado o nosso orgulho, o nosso egoísmo, a nossa mania de julgar o vizinho. Tomar a cruz é aceitar os desafios de fazer a coisa certa, mesmo quando todo mundo ao redor está fazendo a coisa errada.

Mas fazer a coisa certa hoje dá trabalho. É aí que entra o profeta Jeremias, na primeira leitura. Ele dizia algo que muitos de nós sentimos na pele: "Sempre que falo, tenho que clamar contra a maldade... e por causa disso, a palavra do Senhor virou para mim fonte de vergonha e deboche". Jeremias se sentia sozinho. Ele olhava ao redor e ver que o povo não queria ouvir a verdade.

Quem tenta ser um cristão de verdade hoje passa pelo mesmo que Jeremias. Se você decide não falar mal da vida alheia na roda de amigos, se você escolhe ser honesto no trabalho enquanto outros passam a perna, se você defende a paz em vez de alimentar o ódio nas redes sociais, muitas vezes você é apontado. Riem de você. Chamam você de bobo, de careta. O testemunho cristão virou motivo de deboche para o mundo. É uma cruz pesada.

Mas Jeremias também nos dá o segredo para não desanimar. Ele diz que tentou esquecer Deus, tentou não falar mais no Seu nome para não sofrer.

Mas a Palavra de Deus virou um fogo ardente no peito dele, uma força presa nos ossos que ele não conseguia segurar. É esse fogo que precisamos pedir ao Espírito Santo hoje. Que o nosso amor por Jesus seja maior do que o medo do que os outros vão falar.

Meus irmãos, a nossa vida é um caminho de seguimento. Não tenham medo da cruz de ser bom, de ser justo, de ser misericordioso. O mundo oferece um caminho largo, bonito, que promete felicidade fácil, mas que deixa o coração vazio e o mundo polarizado, dividido e violento. Jesus nos oferece a vida verdadeira.

Nesta semana, quando o egoísmo bater à porta, quando a vontade de brigar ou de julgar for maior, lembrem-se: renunciar a si mesmo é dar espaço para Deus agir. Tomar a cruz é abraçar o amor que salva.

Que o Senhor nos dê a coragem de Jeremias e a fidelidade dos santos, para que não queiramos ganhar o mundo, mas sim ganhar a vida eterna ao lado Daquele que nos ama. Amém.


Brasilândia/MS, 30 de agosto de 2026

Homilia Dominical - Mateus 16,21-27

22º Domingo do Tempo Comum, Ano Litúrgico A.

Dia Nacional do Perdão.

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