Feliz Aniversário
ACIABRA: 38 anos de amor por Brasilândia
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
Nas salas simples da Escola Municipal Prof. Arthur Höffig, um grupo de cidadãos idealistas se reunia, movido pelo pulsar de um desejo comum. À frente deles estava Alcides Lopes, um jovem comerciante cuja maior riqueza não estava em suas prateleiras, mas na grandiosidade dos seus sonhos.
Com olhos brilhantes e voz firme, Alcides semeou naquela noite a semente da união. Ele sabia que o comércio local só caminharia forte se todos dessem as mãos. Foi ali, cercado por mentes corajosas, que nasceu a Associação Comercial, Industrial e Agropastoril (ACIA) — a nossa querida e eterna ACIABRA.
Ao seu lado, assinando aquela ata histórica que mudaria o destino da cidade, estavam companheiros de luta cujos nomes o tempo jamais apagará: Nelson Pedretti, Robert Gerhart Hippler, Agenor Marinho de Souza, Adão Gardino de Souza, Hélio Martinez Júnior, Isac Honorato Barbosa, Mauro Alves de Oliveira, Alcides Servilla Martinez, Gilvaez de Almeida Rodrigues e Ezilda de Souza Santos.
Junto com a diretoria pioneira formada por Roberto Rodrigues e Maria de Fátima Servilla Barbosa, as primeiras barreiras começaram a ser derrubadas.
Os primeiros anos foram marcados por provações e sacrifícios implacáveis. Ser comerciante naquela época exigia uma coragem quase suicida, como o próprio Alcides costumava lembrar com um misto de angústia e resiliência.
Atrás de cada balcão havia um pai ou uma mãe de família lutando contra altas contas de luz, água e impostos sufocantes, enquanto aguardavam por dias melhores para o sustento dos seus lares.
Em 1993, a voz de Alcides ecoou nas páginas do Jornal de Brasilândia, clamando por justiça social. Com o peito apertado, ele via a riqueza gerada pelo suor das fazendas da região ser escoada por vendedores ambulantes estranhos à cidade, que surgiam nos dias de pagamento e sufocavam o trabalhador local.
Alcides não defendia apenas lucros; defendia a dignidade e a sobrevivência do povo brasilandense. "Devemos fechar nossas portas? Irmos todos embora?", questionava ele em um apelo urgente às autoridades. Suas palavras eram o escudo de uma classe vulnerável, mas cheia de garra.
E eis que nasce uma fortaleza chamada ACIABRA que cresceu e tornou-se a grande guardiã do coração econômico de Brasilândia. Sob a liderança contínua de Alcides até 1998, e posteriormente de Waldemar Firmino de Campos, a entidade não apenas sobreviveu, mas transformou a realidade do município.
Foi dessa união que nasceu o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em 1996, um marco que trouxe segurança e profissionalismo para as transações locais, oficializado com muito orgulho na inauguração da sede própria em 1999.
A associação deixou de ser apenas um prédio ou uma sigla; ela se transformou no porto seguro do empreendedor. Ela passou a representar o amparo para o pequeno comerciante que começava do zero e o orgulho para as famílias que viam na cidade um solo fértil para prosperar.
Hoje, Alcides Lopes já não caminha entre nós. O homem incansável e atarefado foi chamado para cumprir missões em planos mais altos, onde com certeza reencontrou os velhos amigos que partiram antes dele para partilhar de novas e celestiais tarefas.
O homem é o reflexo de sua obra. E a obra de Alcides pulsa em cada porta que se abre todas as manhãs no comércio de Brasilândia.
Hoje, ao celebrarmos os 38 anos de fundação da ACIABRA, sentimos as mãos invisíveis dos pioneiros estendidas sobre nós, abençoando cada geração que deu continuidade àquela semente plantada em 1988.
Obrigado, pioneiros. Que as pilastras da ACIABRA continuem firmes, sustentando um comércio forte, dinâmico e humano, capaz de encher de orgulho cada lar da nossa amada Brasilândia. Feliz Aniversário, ACIABRA!
Brasilândia/MS, 25 de maio de 2026. Data do 38º aniversário da ACIABRA.
Cf.: https://carlitodutra.blogspot.com/2024/08/homenagem-aos-36-anos-da-aciabra-carlos.html;
https://carlitodutra.blogspot.com/2024/08/a-musica-aciabra-e-as-homenagens-carlos.html
Para conhecer mais sobre a ACIABRA: História e Memória de Brasilândia/MS, 2021, Vol. II-Patrimônio, pág. 298-308.

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