sábado, 25 de junho de 2022
Revista Comemorativa ao Jubileu da Paróquia Cristo Bom Pastor 50 anos
terça-feira, 21 de junho de 2022
O Salão Paroquial na
história de Brasilândia
Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra
O Salão Paroquial da Paróquia Cristo Bom Pastor foi
inaugurado no dia 16 de abril de 1978 e contou com a presença das mais altas
autoridades do lugar e região, expressivas personalidades do nosso mundo
social, político e religioso, dentre elas Dom
Antônio Barbosa, Bispo Diocesano de Campo Grande, o Prof. Arthur Höffig, o
prefeito de Três Lagoas, Ramez Tebet,
o prefeito de Brasilândia, Adilson Alves
da Silva, além dos membros da comissão administrativa da Igreja, entre
eles, Wilson de Arruda, Manoel Galdino,
Fernando Rufino, entre outros.
Por muitos anos este, que foi o primeiro salão construído
no município, teve a finalidade de abrigar os principais eventos da comunidade
religiosa e civil que aos poucos se erguia. Foi o Salão Paroquial, largamente
utilizado para realização de encontros, reuniões públicas e privadas,
assembleias gerais e sindicais, tomadas de posse, palco de formaturas,
apresentações, bailes e festas, e demais eventos sociais e religiosos do
município.
Durante a inauguração, o patriarca fundador do município lembrou que
o primeiro prédio que construiu foi uma escola e que Brasilândia era fruto da
proteção de Deus. E parabenizou a comunidade pela realização da obra do salão
paroquial dizendo ser apenas um soldado,
um lavrador que deu um pouco de sua vida a Brasilândia e com a proteção de Deus
[em breve] entregará a cidade uma
usina de álcool que acabará com as dificuldades econômicas da prefeitura (...),
pois um dos princípios de Democracia é
dar trabalho a todos, concluiu.
Dom Antônio Barbosa, que presidiu a
celebração ao lado do padre Antônio do
Carmo Ribeiro, humildemente falou, citando o Evangelho que retratava
naquele dia o Bom Pastor, por isso foi escolhida esta data para a
inauguração. Pedindo que crie novos pastores para nossa comunidade, lembrou
que Jesus Cristo foi o Bom Pastor. Que
Deus fez crescer estas ovelhas este desejo de união, de trabalho e de criação.
Que o primeiro ato realizado no Salão Paroquial será um ato principal e
repousará no sacrifício da Santa Missa. Com a certeza de que este ato inspirará
para o futuro, tanta concórdia, tanta união e tanto sacrifício.
Domingos Cristóvão Ribeiro, em breve oratória,
mas de profundo sentimento, agradeceu a todos que colaboraram para esta
realização, reconhecendo ainda as irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, aos
jovens professores, e em especial ao Prof.
Arthur Höffig por tudo, pois sem
dúvida nenhuma, ele foi o braço mais forte desta realização.
José Candido da Silva, presidente da
Câmara Municipal, também falou do Salão Paroquial lembrando o levantamento do Cruzeiro instalado no alto da cidade e
marco da fundação do povoado que foi uma doação do fundador da cidade,
local onde realizou-se a primeira missa no dia 21 de abril de 1957 pelo padre João Tomes.
Com o
calor da palavra que lhe é característica o prefeito de Três Lagoas, na época, Ramez Tebet proferiu sua oração numa
exaltação a Deus, falando de fé e de união dos homens, que a efeméride que se
comemora representa mais um marco da cidade cumprimentando o povo pela
realização da obra. Disse ainda da união
dos homens de Brasilândia, dos homens públicos que estão construindo uma praça
pública, um parque infantil e estão trazendo a energia de Urubupungá para
Brasilândia.
Disse
também que Dom Antônio Barbosa é um
enviado de Deus que muito fez pela nossa região. Que Três Lagoas é a cidade mãe
de Brasilândia e por esta razão nós estamos torcendo por vocês. Terminou sua
oração dizendo que o reconhecimento a Dom Antônio Barbosa vem através da graça
de Deus e que estas graças sejam também derramadas sobre estas irmãs.
Na época,
o prefeito de Brasilândia Adilson Alves
da Silva disse: o homem desde o seu primeiro
estágio de desenvolvimento sentiu que não podia viver isolado, sentindo com a
evolução a necessidade de viver em união. E o que nós vemos aqui: uma linda e
maravilhosa obra que é o resultado da união de homens. Da união deve partir o
amor, a inteligência e a saúde. A união com esses três princípios vem sempre
beneficiar a humanidade. Esta obra é o resultado feliz da união desses três
princípios. Brasilândia está de parabéns. E a união da comuna em benefício da
coletividade.
A
cerimônia que foi conduzida pelas mãos da Irmã
Margarida Clementina do Nascimento contou com a participação das irmãs Ignêz Guarnieri, Célia de Oliveira Nunes,
Maria Moura e Regina Borges, da comunidade de Três Lagoas. Também estavam
presentes membros do movimento jovem da paróquia que animou o evento com uma
música tocada por um de seus integrantes e cuja letra tocou o coração de todos.
Após o
desatar da fita inaugural pelo prefeito Adilson
Alves da Silva, o bispo Dom Antônio
Barbosa e os presentes se dirigiram até a Sala de Reuniões onde foram
descerradas as fotos do Papa Paulo VI e de Arthur Höffig. Após a missa de
inauguração foi oferecido aos convidados um churrasco na fazenda Santa
Mercedes.
Durante a
noite, o Salão Paroquial já foi placo de um
show com algumas enquetes apresentadas pelo grupo jovem da paróquia,
seguindo-se uma brincadeira dançante. Ao lado da irmã Margarida, compunham a Comissão Paroquial na época, os senhores: Domingos Cristóvão Ribeiro e Gilvaez de
Almeida que, no dia 7 de maio daquele ano de 1978 foram até Três Lagoas
para receber das mãos do primeiro bispo da Diocese, Dom Geraldo Majela Reis, a quantia de cento e dezoito mil, novecentos e um cruzeiros que fora ofertada pelos
católicos alemães para concluir a construção do Salão Paroquial.
Brasilândia/MS, 21/06/2022
Fonte: Revista Atualidades Forenses e Interioranas. Três
Lagoas: Edição Especial. N° 32, abril/maio/1978, p. 36-37.
segunda-feira, 20 de junho de 2022
Jubileu dos 50 anos da Paróquia Cristo Bom Pastor - Primeiros passos de uma caminhada de fé
Diác. Carlos Alberto
dos Santos Dutra
No dia 21 de abril de 1957, aos pés de uma Cruz, batizada de O Cruzeiro, contando com a presença do patriarca Arthur Höffig, fundador do povoado, o padre tchecoslovaco João Tomes, rezou a primeira missa campal em Brasilândia: - Ó bondoso Deus, olhai para este povoado de Brasilândia. Fazei crescer aqui uma igreja forte e que ela receba o nome de Cristo Bom Pastor.
E o povoado foi
crescendo ao mesmo tempo que os serviços pastorais cada vez aumentavam mais. O
atendimento da igreja vinha nesta época de Campo Grande, diocese da qual
Brasilândia se encontrava vinculada.
Na comunidade também havia carência na área da saúde. -
Pois é comadre, precisamos fazer alguma coisa para melhorar a saúde em nossa
comunidade. - Concordo com a comadre Maria, acho que nós podíamos falar com o
padre e pedir a sua ajuda. O que vocês acham? - Isso mesmo, dona Tereza, na
próxima vinda do padre aqui, pode deixar que eu falo com ele. Ele tem mais
contato e pode conhecer alguém que possa nos ajudar.
A Prefeitura de
Brasilândia havia construído nesta época seu primeiro Posto de Saúde, numa obra
pioneira do prefeito José Francisco
Marques Neto que havia sido eleito com a criação do município em 1965. Mas
o Posto de Saúde não possuía médico, sendo que o mesmo vinha de fora uma vez
por mês. Faltava também uma enfermeira e uma parteira para atender a população.
E lá foi uma comissão
conversar com o Prefeito: - Pois é Senhor
Prefeito, nós precisávamos de uma pessoa para atender a população. - Uma pessoa
que fosse profissional de saúde. - E que também fizesse partos, pois tem
nascido muitas crianças por aqui, completou seu José que acompanhava as mulheres Maria e Tereza na
audiência naquele dia. - Pois bem,
disse o Prefeito. - Vou dizer o que a
Prefeitura vai fazer: Vou entrar em contato com um grupo de irmãs missionárias de Três Lagoas que conheço e conseguir uma irmã enfermeira para vir trabalhar aqui.
O Padre João quando soube
do problema também interviu: - Olha, o
que a Igreja pode fazer é entrar em contato com a Diocese de Campo Grande e
buscar uma solução que concilie o trabalho pastoral com essa necessidade da
comunidade. Então conversou com o Bispo Dom Antônio Barbosa obtendo dele a bela notícia de sua intenção de formalizar um pedido à provincial superioras das irmãs
Missionárias de Jesus Crucificado, propondo a criação de uma Paróquia que seria
confiada a elas.
E foi o que realmente
aconteceu: No dia 25 de junho de 1972 os destinos pastorais da nova Paróquia
Cristo Bom Pastor, passaram às mãos das irmãs da Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado. E lá estavam
elas, transformadas em verdadeiras vigárias paroquiais de Brasilândia assumindo
a nova Paróquia:
A Irmã Abigail Dias Batista, que foi coordenadora
de 1972 a 1975; a Irmã Ana Ribeiro de Lima; a Irmã
Célia Maria Simeão, que foi parteira
do Posto de Saúde; a Irmã Margarida Baptista das Dores; a Irmã Cacilda Soares Ribeiro; a Irmã Zélia Lopes da Silva; a Irmã Margarida Clementina do Nascimento, que
foi coordenadora de 1975 a 1979; a Irmã Maria
Aparecida Guimarães; a Irmã Diocenísia
Vieira, carinhosamente chamada de Irmã DIÓ; a Irmã Geni Réia; a Irmã Geralda
Ferreira da Silva, que foi coordenadora de 1979 a 1982; a Irmã Judith; a Irmã Maria M. de Abreu; a Irmã Maria
Benedita Borasca; e a Irmã Nair
Ribeiro Cardoso.
E assim, o dia 25 de
junho de 1972 amanheceu festivo e repleto de autoridades civis, militares e
eclesiásticas de Três Lagoas, Campo Grande e região que circulavam pelas ruas
da cidade misturando-se às centenas de paroquianos que se dirigiam todos para a
pequena capela construída pelo padre João
Tomes no centro da praça idealizada pelo fundador da cidade Arthur Höffig.
Foi um dia muito
bonito quando o Bispo, Dom Antônio Barbosa, leu o documento de fundação
da Paróquia. Recorda a Irmã Margarida que lá estava o padre Ubajara Paz de
Figueiredo, o prefeito municipal, Julião
de Lima Maia, as irmãs e o senhor Manoel
Galdino de Souza, primeiro presidente da comissão paroquial.
As palavras do Bispo Dom Antônio Barbosa foram: - Meus irmãos. Após maduras considerações, e cumpridas às disposições canônicas, tendo
em vista o crescimento da população na região de Brasilândia houve por bem
erigir a Paróquia Cristo Bom Pastor, desmembrando-a
da Paróquia de Santa Luzia, de Três Lagoas. -
Pois bem, meus caríssimos. Exortamos vivamente aos nossos fiéis que
recebam e acatem com respeitosa amizade as irmãs que vem e se estabelecer em
Brasilândia, em nome do Senhor, dando-lhes o conforto da correspondência
cordial à sua ação missionária. Que, por intercessão da Virgem Maria, o Bom
Pastor nos abençoe, conforte e conserve no seu santo serviço. Assim seja.
E foi o que
aconteceu. Por dez anos a nova Paróquia foi confiada à Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado numa experiência pioneira na Diocese de
Campo Grande: uma paróquia sem os serviços hierárquicos tradicionais, formando
a primeira comunidade pastoral católica nesta terra possibilitando aos fiéis da região congregar ao redor de Cristo Bom
Pastor e daqueles que O representam, formando uma fervorosa comunidade de fé,
de culto, de amor e serviço fraterno.
Por dez anos estas irmãs desenvolveram atividades pastorais e sacramentais na Paróquia, sempre assistidas por diversos padres que, de tempo em tempo, vinham até a Paróquia Cristo Bom Pastor auxiliá-las. Entre eles podem ser lembrados o padre José Faralosse e o padre Nicolau Hames; o padre Ubajara Paz de Figueiredo que vinha sempre de Campo Grande ajudar na formação pastoral; o padre Nilvo Floriano Pase, e o padre Antônio do Carmo Ribeiro, que atendia a Capela Santa Rita em Xavantina. Tinha também o padre Hermes, o padre Ernesto, o padre Tomaz, o padre Iglesias, e outros.
Nesta época, o primeiro batizado na nova Paróquia aconteceu
no dia 4 de junho de 1972 ministrado à criança Dalvina Aparecida Alves, nascida em 7 de setembro de 1967, filha do
senhor Celso Alves e Maria Pereira Alves, tendo como
padrinhos José Patrício Filho e Luzia Thereza da Silva. O batizado foi presidido pela irmã Abigail Dias Batista. Nos cinco primeiros anos da instalação
da Paróquia, até o ano de 1977, foram realizados 1.549 batizados.
Podemos lembrar
também que o primeiro casamento
realizado na Paróquia aconteceu em 24 de julho de 1972, e uniu o casal Lourival da Silva e Neusa dos Santos; que foi ministrado também pela irmã Abigail. Durante os seis primeiros anos da
instalação da Paróquia, de 1972 a 1978, foram realizados 329 casamentos
No Livro Tombo da
Paróquia encontramos nomes conhecidos de antigos moradores, alguns deles já
saudosos e outros que ainda permanecem atuantes na comunidade. Entre eles
podemos citar: seu José Sanches Castilho
e dona Consuelo Garcia Sanches; seu Germino Pereira dos Santos e dona Aureliana Dutra Pereira; seu Vicente Borges dos Reis e dona Niderci Maria Morais dos Reis; seu Eliazel Paes de Oliveira e dona Jurandira de Oliveira; seu Alfredo Goulart e dona Josefina de Souza Goulart; seu Mário Cherante e dona Maria Bielof Cherante; seu Pedro Takizawa e dona Anizia Nunes Pereira; seu Aparecido Lopes da Silva e dona Josefa Ribeiro de Almeida (nossa querida
dona Mocinha)...
E ainda seu Filadelfo Basso e dona Maria Pereira Basso; seu Agmon Fernandes e dona Ercília Fernandes; seu Julião de Lima Maia e dona Neuza Paulino Maia; seu Edvaldo Mingante e dona Elmira Maria de Jesus; seu Antônio Benedito de Souza e dona Fidelcina de Souza Brito; seu Antônio Fernando Dias e dona Balbina Ribeiro de Moraes; seu Manoel Galdino de Souza e dona Adelaide Rosa de Souza...
E tantos outros
pioneiros da fé que figuraram como padrinhos de batizado e de casamento, e outros
tantos fiéis discípulos que, ao lado das irmãs e dos padres que a sucederam ajudaram a construir a Paróquia Cristo
Bom Pastor que agora completa 50 anos de caminhada. A todos manifestamos nossa
gratidão e dedicamos nossas homenagens rogando a Deus que os abençoe aqui e na
eternidade. Salve a Paróquia Cristo Bom
Pastor! Salve o Cristo Bom Pastor!
Brasilândia/MS,
20 de junho de 2022.
domingo, 19 de junho de 2022
A missão, a fé e a primeira enfermeira de Brasilândia
Homenagem às Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado
Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra
Corria o dia 4 de janeiro de 2006 e a Paróquia Cristo Bom Pastor recebia um grupo de missionárias admiráveis. Tratava-se da realização do PROMIS, uma experiência ministrada em Brasilândia pelas pioneiras Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, congregação fundada em 1928 e presente na Diocese de Três Lagoas desde 1958. Portadoras de um carisma diferente das demais congregações religiosas da época, tinham como lema: Ir em busca dos mais necessitados e o carisma: Ir em busca... com um pé no convento e outro no mundo.
E lá estavam elas
chegando em Brasilândia, sendo recepcionadas pelo padre Lauri Vital Bósio,
pároco na época e o grupo de fiéis locais dispostos a caminhar naquela
empreitada de fé: as irmãs Ignês
Guarnieri; Zélia Lopes; Célia Maria Simeão; Lídia Rodrigues; Maria
Aparecida Zanchetta; Geni Reia; Wanda Lupato; Vera Wanda dos Santos. E os agentes locais Felipe Vituriano Neto; Magda
Monteiro de Jesus; Regiane de Souza
Dias, Eliana Munin Silva Pedrosa;
Patrícia Helena Dias; Janaina Lopes da Silva Souza, entre
outros.
Durante a missa de
abertura dos trabalhos da missão, um acontecimento especial, entretanto, marcou
profundamente a vida de todos que lá se encontravam naquele dia. Entre as intenções da celebração estava o 7º dia
de falecimento de uma mãe da comunidade, que falecera de parto ao dar à luz uma linda menina que nasceu forte
e bela, e recebeu o nome de Natali Raquel.
No Livro Tombo da
Paróquia lá encontramos o registro deste momento especial e de alcance
histórico digno de ser lembrado nos festejos do jubileu dos 50 anos da Paróquia
Cristo Bom Pastor. Foi muito emocionante
quando a Irmã Célia Maria tomou a criança nos braços e fez uma prece recordando o tempo que, no início desta Paróquia, ela, sendo enfermeira
e parteira, ajudou a muitas mães terem seus filhos e nunca aconteceu de alguma
gestante morrer na hora do parto. Era um tempo quando
Brasilândia ainda não possuía médico e tampouco hospital...
A emoção tomou conta
de todos naquele momento. Embora fosse motivo de dor pelo falecimento da mãe, o ambiente inspirava alegria pela vida da criança
sobrevivente e imensa gratidão da
comunidade pelas abençoadas mãos daquela irmã-parteira, que pode ser considerada como a primeira mãe de muitos brasilandense, a irmã Célia Maria Simeão.
Da mesma forma todos
somos gratos às demais irmãs coordenadoras pelo pioneiro trabalho humano e evangelizador
que realizaram: Abigail Dias Batista,
Margarida Clementina do Nascimento e Geralda Ferreira da Silva. Elas foram
as primeiras vigárias que por 10 anos administraram a Paróquia Cristo Bom
Pastor.
As atividades do
evento missionário do PROMIS seguiram em frente concentrando suas forças no
Reassentamento Novo Porto João André que se viu transformado literalmente em terra de missão: trabalhos em grupo,
visitas às famílias e cerâmicas, oficinas de artesanato, recreação infantil e
de adultos, leitura orante da Palavra de Deus e celebrações a partir da vida
pelas mãos daquelas irmãs missionárias. Manuel
Édson Pereira e a Profª Joana
Nogueira são citados como lideranças da paróquia que participaram
ativamente daquele evento.
Contando com uma
zelosa equipe de serviços formada pelas senhoras Vera Lúcia, Luciana, Vermilda, Branca, Cleonice, Marina e dona Chiquinha, o grupo de missionárias e
animadores iluminou aquela comunidade, trocando experiências e cumulando de
esperança àqueles ribeirinhos egressos da barranca dos rios Verde e Paraná.
No dia 25 de junho a
Paróquia Cristo Bom Pastor celebra o jubileu de seus 50 anos de fundação no
município de Brasilândia. Data que relembra também a primeira missa campal
rezada 15 anos antes pelo padre João Tomes ao pé no Cruzeiro, marco da
fundação do município, no dia 21 de abril de 1957.
Sim. Por uma década esta
Paróquia criada em 1972 foi confiada por Dom Antônio Barbosa à valorosa congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Foi
uma experiência pioneira na Diocese de
Campo Grande, escreveu o padre Ubajara Paz de Figueiredo no Livro
Tombo da Paróquia:
Uma paróquia sem os serviços hierárquicos tradicionais,
formando a primeira comunidade pastoral católica nesta terra possibilitando aos fiéis da região congregar ao redor de Cristo Bom Pastor
e daqueles que O representam, formando uma fervorosa comunidade de fé, de
culto, de amor e serviço fraterno.
Muito temos a
agradecer a estas irmãs vigárias que desafiaram o mundo para dar seu testemunho
de sua missão: realizaram batizados, casamentos, exéquias, catequese, cursos de
batismo, preparação do Crisma e matrimônio. Trouxeram vidas ao mundo, promoveram
a alegria, o encanto e a arte, encarnaram a vida de sofrimento da comunidade,
semearam esperança, celebraram a Palavra de Deus nas igrejas e capelas, na
cidade e nas comunidades rurais.
Ao lado dos
ribeirinhos, de homens e mulheres trabalhadores rurais sem terra e indígenas, deram
o testemunho evangélico e profético; venceram a poeira das estradas e o
obstáculo das distâncias, num mundo cominado pelos homens e num tempo de poucos
recursos, movidas somente pelo carisma e a fé no Cristo Bom Pastor. Por tudo
isso, obrigado Irmãs Missionárias de
Jesus Crucificado de ontem e de hoje.
Sobre o passado, a memória reclama, e é impossível não lembrar:
E lá estava a irmã Abigail ao lado de Dom Geraldo Majela Reis atendendo a
comunidade da Capela Santa Bárbara, na Cabeceira Perdida! A irmã Ana atendendo a Capela São Paulo, na
Fazenda Cisalpina, e a Capela São Francisco, na Fazenda Boa Esperança! A Irmã Célia, de pequena estatura, na condição
de irmã enfermeira, atendia no posto de Saúde.
E lá encontramos a
irmã Margarida Baptista viajando até a Debrasa para atender a Capela São José
Operário! E a irmã Cacilda
percorrendo a barranca do rio Paraná celebrando na Capela Nossa Senhora das
Graças, no Porto João André! Cheia de criatividade lá encontramos a irmã Zélia e a valorosa irmã Nair
acompanhando a pastoral da terra animando os ribeirinhos e pescadores,
sem-terra e indígenas que viviam na barranca do rio Paraná no Porto Cisalpina e
Porto João André!
Como não lembrar da irmã
Margarida Clementina que atendia a
Capela Nossa Senhora Aparecida mesmo antes que existisse o Iate Clube Rio
Verde; a irmã Maria Aparecida que
acompanhava o Padre quando ele visitava a Paróquia e celebrava missa pelas
fazendas da região: Fazenda Mater, Fazenda Almeida, Capela São José dos
Jesuítas. Ah, e a irmã Diocenísia, carinhosamente chamada de irmã DIÓ, que estimulava os jovens e se
dedicava à catequese de crianças e adultos na paróquia!
Tanto trabalho e
muita dedicação. E lá estava a irmã Geni
visitando os doentes, de casa em casa, levando esperança e a comunhão aos
enfermos. Da mesma forma a irmã Geralda
sempre às voltas em reunião com a comissão
administrativa da Paróquia ajudando nas promoções e eventos, quermesses e
celebrações festivas!
A Irmã Judith prestando assistência espiritual
a moradores do distrito de Xavantina, Capela Santa Rita e Capela Nossa Senhora
de Fátima, na fazenda Mutum na companhia do padre Antônio Ribeiro. E a irmã
Maria de Abreu celebrando nas
comunidades rurais das fazendas Córrego Azul, Fazenda Limeira, Capela Nossa
Senhora de Fátima, e Sitio Cafezinho. Também a irmã Maria Benedita que subia o rio Verde até os moradores da fazenda do
Porto que atravessavam para Arapuá através do cabo de aço num tempo em que o
padre vinha de Três Lagoas pela fazenda Arapuá.
Ao lado das irmãs que
aqui residiam, muitas outras irmãs colaboradoras passaram por aqui e promoveram
encontros, ministraram cursos e animaram a caminhada da igreja nos primeiros
anos da Paróquia. Elas permaneceram em Brasilândia até a chegada do primeiro
pároco nomeado, o padre Tadeu
Kolochievjck, em 1982.
Que Deus abençoe as
que aqui hoje se encontram e também as que já partiram para o Reino dos Céus,
pelo muito que realizaram e somos gratos. Obrigado Irmãs Missionárias de Jesus
Crucificado. A Paroquia Cristo Bom Pastor as guardará sempre na sua memória.
Deus as abençoe.
Publicado originalmente em 18.Jun.2022 e republicado em 18.Jun.2024.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
Não chores por mim Amazônia.
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Por entre as folhas da mata lá se encontram eles, indefesos. Os gritos ao longe, de ontem, que serviam para os aproximar e comunicar, hoje são encurtados pelos celulares e gps que facilmente os encontram.
As máquinas que revoltam a terra em busca do ouro, as
armas de fogo que alcançam longe tirando-lhes a vida, e a violência de
grupos de hábitos estranhos que transitam e traficam além fronteira, tudo os
assombra e os afugenta.
Ao verem o helicóptero e o barco acenam aparentemente pedindo
ajuda, mas estão sempre fugindo do contato. Não sabem em quem confiar, em quem acreditar.
As matas e seus rios parecem que vão encolhendo enquanto uma multidão de estranhos
vão lhe tomando as terras, consumindo-lhe as forças, oferecendo-lhes favores em
troca de suas almas.
É neste contexto de medo e violência que o coração humano
de desprendidos cidadãos se lança revestidos de inexplicável altruísmo, em sua
defesa. Clamam aos poderes do mundo por justiça, e denunciam um estado de
coisas que foge à compreensão do restante do mundo dito civilizado. O lado mais
obscuro e perverso da condição humana que se passa no interior do subsolo da
floresta amazônica é o roteiro de seus libelos.
Situação claramente sem controle alimentada pela
omissão oficial, quando não incentivada pelos próprios poderes instituídos que
deveriam ser os responsáveis para impedir que essas tragédias acontecessem: a morte de indígenas, a invasão de suas terras, a extração da madeira, o garimpo
clandestino e o livre trânsito de homens armados do tráfico rumo à fronteira.
O desparecimento e provável assassinato do servidor da
Funai, Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos há uma
semana, é o retrato mais recente desta tragédia cujas autoridades não têm a hombridade
de revelar e reconhecer o quanto é culpada por tudo isso que está acontecendo.
Não chores por mim Amazônia: chore e lute para
reverter a política ambiental desastrada do atual governo, para acabar com a intervenção
política na Polícia Federal e Funai que substituiu servidores titulares por nomes
apadrinhados sem qualquer intenção de pacificar a região. Lute para garantir o direito
que os povos da floresta exigem e merecem, devolvendo ao lugar a segurança e a
dignidade que a Amazônia inteira espera para viver em paz...
Enquanto isso, a terra se revolta em gemidos de lamento e morte, colecionando seus corpos e lágrimas, suas vítimas e mártires... Até quando?
Brasilândia/MS, 13 de junho de 2022.






















































