É tempo de piracema. É um tempo de sossego e segurança para a fauna que
corre livre pelas águas e a margem dos rios. Sobretudo pelos afluentes, o curso das águas que são berçários, que
renovam a vida de milhares de peixes e espécies aquáticas que circundam o entorno daquilo que chamamos meio ambiente.
Mas lá, sob o reflexo das águas, a mamãe peixa observa, não mais o anzol
brilhante, cativante, que lhe espreita sob a vara ou molinete. Não mais o casco do barco, e a
linha de nylon em forma de rede que lhe obstaculiza a passagem impedindo-a de
chegar até o ninho e poder procriar.
Naquele dezembro de 2024, eis que as margens dos rios Paraná e Paranapanema,
amanheceram agitadas. Era possível somente de longe ouvir o rebojo das águas
numa manifestação de festa e alegria.
Aquela rebuliço, entretanto, não era motivo de apreensão. Era a soltura de 550 mil peixes das espécies pacu guaçu, curimbatá,
piapara e piracanjuba que alcançavam os reservatórios das Usinas Hidrelétricas
Ilha Solteira e Jupiá, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Ainda que a
intenção era a de também fortalecer o estoque pesqueiro, a ação que promovia o
manejo e a conservação da ictiofauna da região, garantia o equilíbrio
ecológico.
Sem dúvida, uma iniciativa elogiável da empresa CTG Brasil, que, desde
2016, já repovoou os rios Paraná e Paranapanema com 25 milhões de peixes
nativos.
A soltura foi dividida em quatro locais, com início no último dia 2 e
a liberação de 100 a 150 mil peixes em cada ponto de soltura. As ações
ocorreram na ponte do rio São José, Paranaíba, Vila dos Operadores e Santa
Clara.
Essa foi a segunda ação do ciclo 2025. Com ela, atingimos a marca de 1,3
milhão de peixes soltos na bacia do rio Paraná, afirma Norberto Castro Vianna,
especialista de Meio Ambiente da CTG Brasil.
A soltura de peixes de espécies
nativas é fundamental para assegurar a reprodução e fortalecer o estoque
pesqueiro, contribuindo ao equilíbrio e desenvolvimento desses ecossistemas,
complementa Vianna.
Segundo a empresa, o Programa de Manejo e Conservação da Ictiofauna, conta
com a autorização do Ibama e configura medida de mitigação exigida pelo
licenciamento ambiental federal, com o objetivo de repovoar e garantir
diversidade de peixes por meio da produção e soltura de espécies nativas.
A mamãe peixa agora está voltando para o seu berçário não mais sozinha,
está acompanhada de outras peixas mais jovens. Logo mais, num futuro bem
próximo, elas estarão também com seus rebentos saltitando ao seu lado, garantindo a continuidade
da vida de suas espécies e revitalizando os nossos rios, por mais um ano. Até a próxima piracema.
Pedro Cândido da Costa, o adeus e sua vernissage celeste.
Carlos Alberto dos Santos
Dutra
Na sua etimologia, a palavra
Pedro
tem origem
no grego Petros e no latim Petrus que significa pedra ou rocha. Este nome está universalmente
associado ao cristianismo cujo apóstolo chamado Pedro é apresentado na Bíblia como o pilar da
igreja primitiva e símbolo de resistência e força.
Pois hoje, um cidadão
brasilandense, resistente como a pedra, experimentou estar face a face com seu homônimo no Céu, o
personagem de uma história, assim chamada, de Salvação, que certamente o acolheu participando de sua vernissage celeste.
Partiu Pedro Cândido
da Costa, popular Pedrão, pintor e artista plástico
brasilandense. Ele, certamente, deixará muitas lembranças, histórias e saudade à seus familiares e àqueles
que o conheceram.
Portador de uma rara habilidade artística, desenvolvia
trabalhos em madeira e tela, bem como magníficos trabalhos de pintura em
paredes. Pedrão pintava o mundo
em cores e detalhes, com características não presas e limitadas por estilos, escreveu o Jornal
da Cidade no ano de 2006.
Pedrão chegou
a ser homenageado pelo 6º Concurso Literário no ano de 2000, figurando como destaque
e talento notável de Brasilândia,
tendo realizado feiras e exposições de seus trabalhos, entre eles o magnífico painel
construído no mural da Praça Santa Maria, no espaço cultural da cidade, durante
os festejos do dia 7 de setembro de 1998.
Nascido no dia 12 de junho de 1949, esse alagoano de
União dos Palmares, filho de João Cândido da Costa e Ana Rosa da
Conceição, era casado com a professora Sandra Aparecida Louzada da Costa,
sendo que deste matrimônio obtiveram as filhas Patrícia e Paula.
Este artista que pintava desde os 15 anos de idade chegou
à Brasilândia em 1962, ainda antes do município ter sido emancipado, sendo
considerado um dos pioneiros da cidade.
Sobre este artista e profissional autônomo que sempre
foi, este escultor e pintor artístico, pode-se dizer, que ele possuía a alma
voltada para a arte e a percepção, onde tudo se transformava quando recebia o
toque de sua mão de artífice.
Seu trabalho
artístico se destacava, acima de tudo, pelo modo diversificado com o qual
retratava os temas em seus quadros. Logo de início quem vê os quadros do Pedrão
se encanta. Eles são ricos em contrastes. Mas, olhando-os mais detalhadamente
percebe-se o fino contorno de uma linha preta, raramente visto em algumas obras.
Ele contava que antigamente pintava simplesmente por hobby,
como uma forma de distração, sem intenção de vender. Entretanto, com a chegada
das críticas e os elogios recebidos sentiu-se estimulado a aprimorar o seu
talento a cada obra produzida. A maioria de seus quadros, em látex acrílico,
retratam paisagens ricas em pequenos detalhes; retratam também animais, como o
cavalo.
O artista disse certa vez, que já havia perdido a
conta do número de telas finalizadas, mas seu trabalho preferido foi feito há muito
tempo atrás, em preto e branco, e que nos últimos anos ele estava restaurando.
O mais surpreendente é que Pedrão nunca fez um
curso de pintura – e também nunca procurou dar aulas angariando discípulos. Seu trabalho era solo. Ele
acreditava que o aprendizado da técnica faz, às vezes, com que o artista
perca seu estilo, sua essência própria, tornando seu trabalho igual aos de
outros artistas.
Sim. Um artista singular. Para ele não existia um
tempo determinado para finalizar uma obra, que podia ser um mês ou até mesmo um
ano.
Embora
tenha começado a pintar desde criança, passou cerca de vinte anos sem pintar
tendo retomado os pincéis no ano de 2000 onde passou a enxergar a pintura com
mais profissionalismo.
Com uma pintura autodidata, isto é, sem técnica
adquirida, sua pintura chama atenção pelo tom variado de suas obras que
totalizam mais de 100 espalhadas, doadas e vendidas a diversos moradores de
Brasilândia que souberam valorizar a sua obra.
Sua
arte é bem ampla incluindo quadros e também entalhes em baixo relevo. Utiliza
na pintura a tinta PVC resinado que deixa o quadro com uma aparência menos
carregada e proporciona mais facilidade de limpeza.
À jornalista Patrícia Acunha, do Jornal da Cidade,
o artista Pedrão confidenciou que possuía um sonho: quer expor suas obras não apenas em Brasilândia, que segundo ele ainda
não dispõe de local apropriado.
No dia 12 de março de 2010 Pedrão inaugurou sua Galeria de Arte Toca do Artesão, um lugar aconchegante
localizado na Alameda Arthur Höffig, no centro de Brasilândia, onde o artista e
proprietário da galeria, se propôs a encantar
as pessoas com a exposição de suas obras.
Embora
fosse um homem de temperamento reservado para os estranhos, era um cidadão
culto e artista bastante conhecido no meio artístico, tendo participado da 1ª Exposição
de Artes Plásticas em Três Lagoas. Sua obra mais cara, confessou, foi O Carro de Boi que se
encontrava no saguão da antiga sede da Câmara Municipal de Brasilândia.
Morre
o artista, mas sua obra permanece. Tudo para demonstrar que uma vida sempre
vale a pena. Descanse em paz, amigo, artista plástico Pedrão.
Brasilândia/MS, 19 de dezembro de 2024.
Fonte:Talentos
Notáveis. Jornal da Cidade, 1º a 13.Mar.2006, p. 8.; Galeria de arte toca do artesão é inaugurada em
Brasilândia. Cidade Morena Notícias,
19.Mar.2010. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, Brasilândia,
2021, pág. 75-77.
domingo, 15 de dezembro de 2024
Meio Ambiente: Quando cada 1 representa 400.
Carlos Alberto dos
Santos Dutra
O ato de representar exige responsabilidade. Mesmo que
essa representação se apresente de forma simbólica. Isso porque, aqueles cujo
poder lhes foi auferido, carregam nos ombros, corações e mentes, o desejo mais
íntimo, ainda que não verbalizado, pautado na confiança nutrida pelos laços da
cidadania e da urbanidade.
Foi o que aconteceu no dia 13 de dezembro de 2024,
pela manhã, no anfiteatro do Centro Cultural Ramez Tebet, em Brasilândia/MS.
Reuniram-se ali 44 cidadãos e cidadãs para debater e deliberar propostas sobre
as Emergências Climáticas durante a 1ª Conferência Intermunicipal do Meio
Ambiente promovida em conjunto pelos município de Brasilândia e Santa Rita do
Pardo, com o apoio do Codevale.
Ali se encontravam representantes dos dois municípios
que juntos somavam uma população de 17.619 pessoas (pelo último censo do IBGE, 11.592 habitantes de
Brasilândia, e 7.027 habitantes de Santa Rita do Pardo).
Ou seja, cada
participante ali presente representava 400 cidadãos e cidadãs, homens e
mulheres, crianças e adolescentes, adultos e idosos, negros e brancos,
indígenas e não-indígenas, agricultores, pecuaristas, empresários, comerciantes
e comerciários, estudantes e professores, técnicos, mestres e doutores, donas de casas, ribeirinhos e pescadores, ceramistas e horticultores, empreendedores, profissionais liberais, artistas, cantores...
Enfim. Representantes de todos nós.
E quanta responsabilidade!
E lá estavam os representantes do poder Executivo, atuais e futuros, mostrando interesse em instaurar em suas políticas públicas o tema das Emergências Climáticas. O secretário José Carlos Soriano e também, como bem lembrou o prefeito de Brasilândia, o médico Dr. Antônio
de Pádua Thiago: “agora, quando a água nos alcança o bumbum”, devemos
arregaçar as mangas.
De mesma forma, como frisou o igualmente médico de Santa
Rita do Pardo, o prefeito Dr Lúcio Roberto Calixto Costa, sobre“a
urgência com que as medidas mitigadoras devam ser tomadas” em relação ao meio
ambiente do Vale do Ivinhema e Costa Leste, que experimenta desenvolvimento
nunca visto.
E lá estavam representantes dos povos originários
de Brasilândia: a vice Cacique do Povo Ofaié, Fokoi-Fwara, Ramona
Coimbra Pereira, e o Prof. Ofaié Hãng-Tar-Hãc, Silvano de Moraes de
Souza. Onde ambos foram eleitos Delegados para representar o segmento étnico na
5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente que irá se realizar em Campo Grande, com a
possibilidade de serem eleitos para representar Brasilândia na Capital federal.
E lá estavam também representantes das entidades da
sociedade civil organizada de Brasilândia, por seus conselhos, associações e
sindicatos: O Sindicato Rural de Brasilândia, representado pelo seu presidente e vice-prefeito eleito de Brasilândia, Fábio Toledo Leite da Silva; Empresa de Saneamento local, Sanesul representada pela Srª Siley Alves de Lima; servidores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente; o professor Elias Azevedo da Silva, entre outros munícipes.
Como não poderia ser diferente, em razão do mútuo interesse ambiental, lá estava o Engenheiro Ambiental, de Brasilândia, Thiago Fernandes Pires; os representantes do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Brasilândia, o dedicado Engenheiro Jorge Henrique Olivi de
Paula, e de Santa Rita do Pardo, Criser Luãn da Silva Bruno; representantes das entidades ABAFA, Instituto Cisalpina, entre outros.
Igualmente, lá estavam os representantes de Santa Rita
do Pardo, Keile Barcelos Faustino, dinâmica coordenadora de Meio Ambiente; o
vice-prefeito eleito Cleudenide Ferreira de Freitas, popular Nide,
e demais representes do poder público e sociedade civil, daquela municipalidade
coirmã.
Imperioso lembrar a presença do representante do
Ministério Público local, Dr. Adriano Barrozo da Silva – Promotor
de Justiça da Comarca de Brasilândia/MS; da Dra. Vágna Pereira –
Especialista em Ecofisiologia e Meteorologia Florestal na Eldorado Brasil
Celulose; da Engenheira Francielle Louise Bueno Melo de Carvalho
Malinowski – Mestre em Agronomia em Sistema de Produção, Gestora de
Desenvolvimento Rural e Coordenadora da AGRAER de Brasilândia, e Jackson
Luís da Silva – Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho,
consultor na área de Excelência Ambiental na Suzano, que atuaram como
palestrantes.
O tema das Emergências Climáticas, entretanto, parece não ter despertado a merecida atenção da edilidade local que não compareceu ao evento. Certamente esse registro os fará vir a público para justificar a ausência em tão importante evento.
Não obstante, a Conferência Intermunicipal do Meio Ambiente alcançou e foi coroada de êxito elencando e aprovando uma dezena de propostas dentro dos eixos
temáticos da Mitigação, da Adaptação e Preparação para Desastres, da Justiça Climática,
da Transformação Ecológica, e a Governança e Educação Ambiental que deverão ser encaminhados à Conferência Estadual.
Confira o vídeo postado pela chefe do cerimonial do evento, a brilhante jornalista Patrícia Luciana Paulino Acunha, no
portal do Facebook da Prefeitura Municipal de Brasilândia o resumo do evento.
Homenagem ao Diretores do SIMTED Carlos Alberto dos Santos Dutra
Um dia que já vai longe
Nós guardamos na memória Todos têm a sua história Também este Sindicato Fez sair do anonimato A Educação e a regência Encarando com paciência A força do trabalhador Da Educação, seu valor Sua fibra como classe Espaço para que falasse O valente professor Com seus sonhos, lutador Trazia reivindicação Quando a Constituição Cidadã, nem existia Mas já por aqui surgia A primeira associação Professores em mutirão Reunidos no salão Paroquial naquele dia 17 de abril, que alegria O ano era 86 E a ABRAP nasceu de vez Com o professor José Arnaldo Que recebeu o respaldo O 1º presidente Representando o docente Da escola Adilson Alves E municipais, ora salve Tinha ao lado a viceRosa Merecem menção honrosa Por terem sido os pioneiros Do SIMTED altaneiro Marco fundante, obelisco Junto com o professor Francisco O 2º presidente Por seis anos consciente Sempre cumprindo o Estatuto Garantindo o usufruto Àquela classe reunida Que trouxe esperança e vida Com a Solange Lourente Vice firme no batente Depois veio a Lúcia Lima Primorosa essa menina 3ª presidente e vice Com habilidade e expertise Conduziu a entidade Militante da verdade Galgou direitos e conquistas E logo, sem perder de vista Nas mãos da Jucli autora 4ª presidente revisora Do Estatuto e documento Garantiu o reconhecimento Novos caminhos à entidade Venceu as dificuldades Depois, o 5º, Valdir interino Que representou o ensino Até ser eleita a Eunice Fez que o SIMTED sorrisse Vice e 6ª presidente Também a Leila Vicente Até chegar o Juninho Professor Sérgio com carinho Presidiu com lealdade Um coração de bondade Militância e simpatia Competência e alegria Depois a Solange de Lima Que nutriu a maior estima Presidente a 8ª Com o apoio contava Das vices colaboradoras Servidoras, professoras Maria Tereza, Liliana Rosemeire, Vania,
bacanas. Foi um tempo de construção Desde a sua fundação 4 décadas passaram E novos tempos chegaram Maria Inês presidente Há 13 anos e 8 meses presente Mantendo firme a entidade Unindo labor e amizade Com a viceAparecida A Claudice, e a vida Que continua correndo Sempre ensinando e aprendendo O que nos enche de alegria Poder celebrar neste dia Com o SIMTED cantar A todos quero saudar Com um abraço apertado A vocês muito obrigado Trabalhadores em Educação Deixo aqui meu coração Quando juntos festejamos A Educação que amamos Tanta vida dedicada Experiência acumulada Que os anos vão levando Mas continuamos lutando Por melhores condições Trabalho sem privações Salário justo, respeito Que nunca falte o direito De fazer reivindicações.
Parabéns SIMTED de Brasilândia.
Brasilândia/MS, 13 de dezembro de 2024.
Fonte: A história completa do SIMTED de Brasilândia você encontra em DUTRA, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, Brasilândia, 2021, pág. 416-420.
sábado, 14 de dezembro de 2024
Homenagem às Bodas de Ouro de Izabel de Souza Pacheco e Abdias Pacheco
dos Santos
Senhoras e Senhores aqui presentes. Muito boa noite a todos.
Um evento especial nos reúne neste momento em torno de
duas vidas e uma história. Não uma vida e uma história qualquer. Não um evento efêmero e deslocado no tempo. Ele tem raízes e sentimentos.
E, ao som da música, embalado pelo sorriso e afeição
que os une, ele nos transporta repleto de beleza e cor, para os braços da
felicidade e da alegria que esta festa de congraçamento nos conduz.
Filhos da imensidão do cosmo, como que tocados pelo
vento, como a flor e o pólen, um dia, seus destinos se entrecruzaram.
E, juntos formaram uma família, um lar que varou o
tempo.
É esse ar de primavera e nostalgia que motivam este
casal a comemorar e relembrar, cheios de alegria e gratidão, os passos que
foram dados.
E como e quando tudo começou...
A vida recém iniciara pelos varjões de Cisalpina
quando os primeiros arrozais cobriam os campos da margem direita do rio Paraná.
Numa Brasilândia que ainda não existia, o dia 4 de
março de 1954, não foi uma data para passar em branco.
Um par de olhinhos espertos decidira espiar o mundo,
para a felicidade do pai José de Souza Oliveira e dona Izabel de
Souza Cenedeze.
Logo a pequena Izabel, que recebeu o apelido de
Ivete, já andava saltitante entre seus 9 irmãos:
Onófre, Amélia, Jardelina, Lúcia, Ezilda,
Antônio, Josefina
e seu irmão gêmeo José, falecido ainda criança, e Maria Helena.
Logo seus pais mudaram para a fazenda São José, onde Izabel
passou sua infância tecendo seus sonhos.
Muito criativa, a menina tinha o dom de transformar o
lugar por onde passava, estradas de chão, em jardins
Assim passou os anos, até seus pés pisarem as ruas e
alcançar seus estudos, desde o Grupo Escolar Arthur Höffig, e Ginásio Estadual
Adilson Alves da Silva, até chegar ao Magistério.
O primeiro emprego da jovem Izabel foi o de
secretária na Associação de Crédito e Assistência Rural de Mato Grosso, a
ACARMAT, que foi transformada, anos mais tarde, em Emater, depois Empaer.
Foi ainda quando ali trabalhava, antes de completar 20
anos, que conheceu aquele que viria a ser o seu esposo.
Tratava-se de Abdias Pacheco dos Santos, um
pernambucano natural de Arcoverde, e que tinha por apelido, Bida, e que
tinha chegado em Brasilândia nos anos 1970.
Nascido no dia 24 de dezembro de 1946, o jovem que recebera
o nome do pai, era filho de Abdias Ferreira dos Santos e dona Emília
Pacheco Santos.
Igualmente, fruto de uma extensa família, possuía 12
irmãos: Maria José, Paulo, Josias, Selene, Célio, Edna, Débora, Rubens,
Sílvio, Noemi, Luciano e Silas, na sua maioria hoje, falecidos.
Depois de passar a infância na sua cidade natal, onde
frequentou a escola municipal do lugar, o Ginásio 11 de Setembro, o Colégio
Carlos Rios e o Colégio da Universidade Federal Rural de Pernambuco, na
capital, Recife, formou-se Médico Veterinário.
Ainda que a jovem Izabel dedicasse parte do seu
tempo lendo romances e ouvindo músicas sertanejas, não dispensavaa alegria de participar das festas que
aconteciam na cidade.
Era um tempo onde ocorriam animadas gincanas e
brincadeiras que faziam brilhar a alma da juventude da pacata Brasilândia e
seus primeiros madrigais.
Corria o mês de fevereiro de 1974 e o jovem
veterinário já se encontrava em Brasilândia, logo deitando o olhar para a jovem
secretária da ACARMAT, não resistindo aos encantos daquela que seu coração já
havia escolhido.
Foi só uma questão de meses.
No dia 20 de dezembro daquele mesmo ano, o céu se
abriu para derramar suas bênçãos sobre àquele casal que se unia em matrimônio.
Abdias, com 27 anos e Izabel, com
20 anos, selaram seus votos de amor eterno e sonhos repletos de felicidade.
Numa cerimônia modesta realizada na casa dos pais da
noiva, após receber a bênção nupcial, logo arrumaram as malas partindo em lua
de mel para o Nordeste, onde o noivo foi apresentar a esposa a seus pais.
Essa é a história de um casal que, juntos, trilharam
os caminhos da vida e do amor.
Ah! O amor!
Ele, amante da música, clássica e erudita, ao lado da
esposa, curtiu o acorde dos anos que foram passando entre o campo e a cidade.
Ela, agora, senhora Izabel de Souza Pacheco, enquanto
bordava e pintava com paciência as peças de algodão que embelezavam a casa, o perfume
e o som da infância logo lhe tomaram o ventre e os ouvidos.
Era a chegada das filhas, o tesouro que Deus lhe havia
preparado e ao seu coração lhe presenteava: Emília, Angélica, Mariane e
Débora.
O jovem Abdias que, em sua mocidade jogava bola,
dedicava-se a assistir filmes, ler livros e praticar caça esportiva, também
participando de grupo de jovens na sua igreja, sente-se agora grato a Deus pela
sua família.
Harmônicos e reservados, o casal não esconde a
satisfação e o conforto de ver os netos Filipe, Maria Clara, João Gabriel e
Daniela, fortes e saudáveis
Filhos realizados e netos com um futuro promissor pela
frente na profissão que abraçaram: duas filhas formadas em Direito; uma formada
em Veterinária e outra em Medicina. E um neto formado Médico.
Sim, motivo de muita alegria. Uma noite de graça e gratidão.
Aquela união celebrada há 50 anos, abençoada por Deus,
sim, deu frutos. Eis o motivo maior para agradecer a Deus.
É isso que os torna ainda mais felizes nesta noite: saber
que essa trajetória foi observada e acompanhada por aqueles que os amam. Seus amigos aqui reunidos.
Também seus pais, mães e irmãos, falecidos, que, com
certeza, lá do céu, hão de os abençoar.
Regozijem-se, pois, e festejem, pois, este aniversário
de casamento, Bodas de Ouro!
Que a cor azul, de preferência dos noivos, reflita o
céu que os cobre e o manto da nossa mãe Maria que os abraça e os abençoa.
Parabéns Izabel. Parabéns Abdias.
Parabéns família Pacheco dos Santos.
Brasilândia/MS, 14 de dezembro de 2024.
sábado, 7 de dezembro de 2024
Profª Jucli Terezinha Stefanello Peruzzo: Educadora e Sindicalista.
Carlos Alberto dos Santos Dutra
No dia 13, sexta-feira próxima, uma brasilandense de
coração fará o lançamento de seu primeiro livro – Herança de força, a
jornada inspiradora de uma mulher resiliente. Será em cerimônia que ocorrerá
nas dependências da Câmara Municipal de Brasilândia, com início previsto para
as 19 horas, oportunidade em que o SIMTED fará uma homenagem aos seus
diretores.
Para recuperar a história desta brilhante professora,
sindicalista e servidora pública do Estado, e agora, escritora, tomo a liberdade de transcrever o
texto que está publicado no volume II-Patrimônio, da coleção História e Memória
de Brasilândia, páginas 420-421, procurando, assim, parabenizá-la por este feito
admirável e ao mesmo tempo homenageá-la por sua trajetória e êxito de vida também trilhado por aqui, nesta Cidade Esperança.
“Ser professor causa sempre admiração para quem está
fora da sala de aula. Para quem está dentro da escola é sempre um desafio
diário e permanente. Ser professor dirigente sindical dos trabalhadores em
educação reúne esses dois momentos e preocupações. Na história do SIMTED, muitos dirigentes se destacaram, sobretudo, quando
ele começou a dar seus primeiros passos.
"Transformado, de uma simples e pioneira associação ABRAP
(Associação Brasilandense de Professores), em Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação. Uma caminhada iniciada em 1986,
pelas mãos do Prof. José Arnaldo da Silva chegando a criação oficial do SIMTED,
em 1989, quando assumiu um nome que passou a ser um marco na consolidação da entidade, pelas mãos da Profª.Jucli Terezinha
Stefanello Peruzzo.
"Não tem como não prestar uma homenagem ao pioneirismo desta professora, por ter sido capaz de
conduzir as esperanças e lutas dos professores em seus primeiros passos até o
patamar do reconhecimento e respeito que os mestres merecem e hoje alcançaram.
"E lá a encontramos promovendo reuniões e assembleias
para a elaboração e aprovação do Estatuto dos Professores, o Plano de Carreira, Cargos e Salários, depois a revisão destes mesmos documentos
diante da resistência dos administradores.
"Sim ela estava lá, esposa, mãe de família, professora e cidadã, na linha do horizonte, buscando sempre, avançando e ampliando seus conhecimentos. Transformou-se na seara das ciências
sociais aplicadas, se não a primeira acadêmica residente em Brasilândia a formar-se em Direito
em nível local, o que demonstra o seu nível de engajamento e comprometimento
social.
"Tudo para bem e melhor desempenhar suas funções, fortalecendo-lhe
o fôlego para voo mais ambiciosos que a tornaram mulher de reconhecido destaque até mesmo na política.
Por essa e outras razões, os demais professores que a sucederam na condução do combativo SIMTED, todos
são unânimes em concordar e desejar à ProfªJucli Terezinha Stefanello Peruzzo,
a maior das homenagens com o reconhecimento, admiração e respeito de todos os trabalhadores
em educação e amigos desta cidade.
"A luta do SIMTED serviu de modelo e fortalecimento da
classe dos trabalhadores em educação que cada vez mais se engajavam nas lutas cotidianas
sociais que embalavam o país destes anos de abertura política do País.
"No ano de 1995 o Jornal de Brasilândia noticiava: SIMTED
participa do Dia Nacional de Luta transcrevendo Nota distribuída pela
presidente da entidade, Profª. Jucli Terezinha Stefanello Peruzzo que reuniu
todos os trabalhadores em educação do município para estudarem e debaterem
assuntos pertinentes à defesa da escola pública.
"O encontro contou com a presença das escolas Debrasa, Paulo Simões Braga, Arthur Höffig e Extensão,
Creche Municipal e Adilson Alves da Silva.
"Além do apoio da secretaria
municipal de Educação e Cultura e do Executivo municipal e demais professores
que integraram a Comissão Especial para a elaboração do Estatuto do Magistério
da Rede Municipal de Ensino, colaboraram nas palestras os professores Dalve,
Fátima e Maria Rita, e os representantes da FETEMS, Elsio e Luiz.
"Foi lembrada ainda a participação local dos vereadores
Cícero Alves de Freitas, popular Dega, Antônio de Pádua Thiago, Samuel
Ramos Lopes, o popular Biro-Biro, Irineu de Souza Brito e a representante
da Câmara, Darci Oliveira Pedroso.
"Neste período mereceu destaque na imprensa local uma
reunião da direção do SIMTED com mais de 60 professores realizada no dia 16 de
novembro daquele ano e que contou com a participação do assessor jurídico da entidade,
Nilton Kyioshi Kurashi e a presidente do SIMTED, Profª. Jucli
Terezinha Stefanello Peruzzo.
"Nesta oportunidade foram debatidos diversos
assuntos, entre eles os procedimentos que os professores devem tomar para
receber o 13º salário que está atrasado, estudo da LDB, participação do 20º Congresso
Paulo Freire, em Aquidauana onde 15 profissionais brasilandenses se fizeram
presentes, piso salarial, repúdio ao pacote do governo Fernando Henrique
Cardoso e a proposta de piso salarial e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
do ensino fundamental e Valorização do magistério, entre outros temas”.
Parabéns Profª Jucli Terezinha Stefanello Peruzzo, mulher de força inspiradora para Brasilândia.
Brasilândia/MS, 07 de dezembro de 2024.
Fonte: DUTRA, C.A.S. História e Memória
de Brasilândia/MS, volume II-Patrimônio, Brasilândia, 2021, páginas 420-421.
Imagem:Profª. Jucli Terezinha
Stefanello Peruzzo, presidente do SIMTED e professores de Brasilândia
participam no dia 12 de novembro de 1997 do 20º Congresso estadual dos Trabalhadores
em Educação em Aquidauana/MS. (Foto: Jornal de Brasilândia, 1997).Colorizada
por Colorir Foto Antiga em
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
Brasilândia e Santa Rita do Pardo juntas na proteção do
Meio Ambiente.
Carlos Alberto dos Santos Dutra
O Brasil realiza em 2025 a sua 5ª Conferência Nacional
do Meio Ambiente, sob o tema Emergências Climáticas: o desafio da transformação
ecológica.
Como não poderia ser diferente, o estado de Mato Grosso do Sul e
seus municípios também realizam suas conferências conclamando seus segmentos
para essa instância de participação social que tem por atribuição a definição
de propostas sobre um tema candente dos nossos dias que são as emergências
climáticas, tudo para subsidiar a implementação da Política Nacional sobre
Mudanças do Clima em todo o território nacional.
Nada mais oportuno. Porém, a experiência que temos das
administrações públicas ao longo dos anos é a de que, no final de cada
conferência, fórum ou assembleia, diante de belos róis de propostas aprovadas
nestes eventos, pouco ou quase nada acaba sendo realizado.
Basta olharmos para trás e
perceber o quão pouco avançamos e nos conscientizamos sobre a importância deste
tema para a nossa sobrevivência, considerando que dependemos sobremaneira desta casa comum para
viver: comer, beber e ser feliz.
Já dissemos em artigos anteriores que, desde 2003,
quando foi realizado o 1º Fórum de Meio Ambiente de Brasilândia, há 21 anos, a
comunidade vem despertando para a necessidade de aprofundar seus cuidados com
a terra, o ar e a água que nos rodeiam e garantem a nossa sobrevivência.
Mais do
que um capricho ecológico sobre um modo de vida zen e natural, ou objeto de
pesquisas acadêmica e científica para fins curriculares descolados da realidade, conservar e preservar
o meio ambiente se tornou uma questão vital que precisamos estar alertas.
Por isso a importância da participação da comunidade nesta conferência. A experiência vivida pelo município motivada
pelos dois últimos incêndios na Reserva Cisalpina e, os mais recentemente incêndios florestais em pastagens, campos e florestas, tudo está a exigir medidas
de estudo e prevenção a serem adotadas pelas políticas públicas.
O
cuidado com as encostas, matas ciliares e nascentes dos córregos e pequenos rios que estão morrendo, bem como a
proteção dos cinturões verdes produtores de alimentos ameaçados pelos efeitos dos agrotóxicos
e espécies transgênicas comprovadamente nocivas à saúde, são realidades que urgem serem refletidas e mitigadas.
Embora os eixos temáticos propostos para esta 1ª
Conferência Intermunicipal do Meio Ambiente, que é realizada pelos municípios de Brasilândia e Santa Rita do Pardo, deem acento aos temas relacionados a emissão
de gases de efeito estufa (eixo da Mitigação), e a descarbonização da economia (eixo
da Transformação Ecológica), a conferência também abre espaço para o tema da
superação das desigualdades (eixo da Justiça Climática), e o tema da
participação e controle social (tema da Governança e Educação Ambiental).
Sem dúvida é uma excelente oportunidade para a
comunidade e seus segmentos representativos: associações, sindicatos, empresas,
comércio, igrejas, reassentamentos, distritos, aldeias, sítios, fazendas, e
cidadãos e cidadãs residentes neste município, de se fazerem ouvir e propor o
que de melhor desejam para esta terra que amamos e ela escolhemos para viver
com segurança, bem estar e qualidade de vida.
A 1ª Conferência Intermunicipal do Meio Ambiente
reunirá, para tanto, um time de assessores altamente qualificados e renomados
palestrantes para ajudar a comunidade a escolher e aprovar suas propostas com
sabedoria e conhecimento de causa. São eles: Dra. Vágna Pereira –
Especialista em Ecofisiologia e Meteorologia Florestal na Eldorado Brasil
Celulose; Dr. Adriano Barrozo da Silva – Promotor de Justiça da Comarca
de Brasilândia/MS; Francielle Louise Bueno melo de Carvalho Malinowski – Mestre em Agronomia em Sistema de Produção, Gestora de Desenvolvimento Rural e Coordenadora da AGRAER de Brasilândia, e Jackson Luís da Silva – Engenheiro
Florestal e Segurança do Trabalho, consultor na área de Excelência Ambiental na
Suzano.
Sem dúvida, a população de Brasilândia e Santa Rita do Pardo têm a
oportunidade ímpar nesta conferência de reunir técnicos de estreita relação com empresas
que atuam diretamente na região, o que irá permitir o
confronto dialético de ideias e alinhamento de propostas e políticas públicas colaborativas em razão da mutua convivência, valendo-se do diálogo para a implementação e o avanço das propostas ambientais para os dois municípios.
E eis que um caminho se abre para a comunidade se conscientizar das transformações ambientais e a responsabilidade que as governanças, também em nível local, têm de fazer respeitar e preservar o meio ambiente, bem como o que aqui é produzido de forma sustentável para a sobrevivência econômica dos cidadãos e cidadãs que vivem e desejam
permanecer vivendo de forma saudável em Brasilândia e em Santa Rita do Pardo.
Se você tem mais de 16 anos de idade, e deseja continuar vivendo com saúde e qualidade de vida no seu Município, Estado e País, você está convidado a participar desta 1ª
Conferência Intermunicipal do Meio Ambiente. Veja no folder abaixo a programação do evento: