AMAMEBVP - Associação
da Mão de Obra Atingida e Moradores Excluídos da Barranca dos Rios Verde e
Paraná
Esta associação
nasceu durante o movimento de resistência dos ribeirinhos, oleiros, pescadores,
agricultores e comerciantes do Porto João André e extensão da margem direita
dos rios Paraná e Verde por ocasião do enchimento do lago da barragem de Porto
Primavera construída sob a responsabilidade da CESP.
Conforme a ata da
assembleia geral pró-fundação da entidade, o primeiro encontro se deu no dia 7
de abril de 2000, quando compareceram dez moradores da barranca do rio Verde e
Paraná, evento que ocorreu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, já localizado
na Rua Jeremias Borges, 524 na sede do município, ocasião em que foi lançado o
Edital de convocação para a assembleia de fundação da associação, aprovação do
Estatuto, eleição e posse da Diretoria marcada para o dia 15 de abril daquele
ano de 2000 tendo como local o Rancho Morada do Sol, localizado na estrada do
rio Verde, km 16.
Estiveram
presentes nesta assembleia pró-fundação o presidente do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais, Irineu de Souza Brito, o representante da Comissão
Pastoral da Terra - CPT, Mieceslau Kudlavicz, e os membros da Comissão, Lauro
Brito, João Batista, Hélio Noronha, Sérgio Roberto, José Alexandre (Deguinha),
José Elias (Zé Tranquilo), Rita Vitório, João Brito, Glória dos Santos,
Aparecido Osvaldo, Alessandro Bispo, e ainda Luiz Carlos (Carlão), Edison
Rosalino (Alemão), Francisco Elias (Chico), e Celso, da Pedra Bonita.
O 1º presidente da
associação foi Hélio de Noronha e o 1º secretário João Brito de Souza. Em
agosto de 2000 a entidade firmou convênio com a Fundação de Promoção Social de
Mato Grosso do Sul - PROMOSUL e obtém o fornecimento de 60 cestas básicas para
as famílias atingias pela barragem de Porto Primavera.
Dois anos depois,
convocada pelo 1º secretário da associação, João Brito de Souza, no dia 18 de
maio de 2002 aconteceu uma assembleia geral extraordinária que reuniu os
moradores dos Reassentamentos Santana e Santa Emília que, na oportunidade,
elegeram a segunda diretoria da entidade e alteado alguns artigos do antigo
estatuto da entidade.
Ainda na
administração anterior, o 1º secretário da entidade, João Brito de Souza, no
dia 5 de setembro de 2000 informa que enviou um rol de reivindicações à
Companhia Energética de São Paulo-CESP dirigida a Guilherme Augusto Cirne de
Toledo, então presidente da concessionária elétrica paulista, com sede na
alameda ministro Rocha de Azevedo, nº 25 em São Paulo Capital.
No dia seguinte, acontecia uma audiência convocada pela AMAMEBVP onde se reuniram: Eliana B, representando Mercedes de Oliveira; Márcio Bruno, representando Maria Aparecida Isabel dos Reis; Iara, representando Rosalino Bispo Machado; Glória dos Santos, representando Adriana dos Santos Tenório, Ernestina, representando Vanderly Lino Lopo, Juvenal, representando Eperson Ravanhani; Maria do Carmo, representando Antônio José Alves; João José da Silva, representando Nivaldo José da Silva; João Miguel da Silva; João Brito de Souza; João Cardoso de Sá; Lauro Brito de Souza; Edson Rafael Rosalino; Hélio Noronha; Alessandra Bispo Machado; Luiz Carlos Pires; José Elias dos Santos; Antônio Ferreira Tenório; João Batista da Silva; José Luiz Petelinkar; Pedro Luiz de Araújo; José Vieira Filho; Santos Gimenes; Terezinha Silvestre da Silva; José Alexandre da Silva; Ademir Pires, representando Aparecido Osvaldo da Silva; Sérgio R. P. representando da Motta, João Alves Coutinho Filho; Paulo Menzo de Oliveira; Júlio Evangelista de Souza; Silvio Antônio de Souza Ribas e Ana Maria; Ubirajara; Valdir Vicente, representando José Luiz da Silva Filho, e Leandro Leite dos Santos.
No dia 16 de
novembro de 2000, ainda há o registro de que o 1º secretário da AMAMEBVP tenha
encaminhado o Ofício nº 008/00 dirigido à Promotora de Justiça da Comarca, Drª
Helen Neves Dutra da Silva, reivindicando direitos nos seguintes termos:
A associação de mão de obra atingida e moradores excluídos da barranca do rio Verde e Paraná mais uma vez solicita a excelentíssima Promotora Drª Helen que adote medidas cabíveis que venha de encontro satisfatório categoria, nessa há tanto tempo oprimida e repudiada pelos principais autores responsáveis dessa nossa situação calamitosa: como se não bastasse tantos abusos e desmandos por parte dos nossos opressores mais uma vez a poderosa CESP desfecha mais um golpe na nossa categoria sofrida e desabonada dos nossos direitos legais:
Terça Feira 14
último,
funcionários dessa referida empresa (CESP) estiveram entregando em mãos para
a categoria mão de obra atingida ultimato com 05 (cinco) dias de prazo, por uso
irregular de propriedade da mesma referida: aí perguntamos: Somos nós os
responsáveis? Fizemos acordo com essa Companhia? Fomos nós que solicitamos esse
número de terra insuficiente pra nossa sobrevivência? Não Drª Helen!
A Excelentíssima
tem em mãos os acordos entre CESP e prefeitura sem o conhecimento da população
atingida e as reivindicações com vários documentos, fita de
vídeo, e declarações pessoais, que a nossa associação vem encaminhando a vossa
Excelência já há alguns meses.
Não só prá vossa
Excelência, que encaminhamos nossas reivindicações, mais para o (Terrasul)
Departamento de Terras e colonização do Estado de Mato Grosso do Sul, ao
digníssimo Governador José Orcírio Miranda dos Santos, ao Excelentíssimo
Procurador Geral da República, Tarcísio Humberto Parreiros Henrique Filho, ao
Ministério Público Federal, e até enviamos Ofício ao Excelentíssimo presidente
da Companhia Energética de São Paulo CESP, Guilherme Augusto Cirne de Toledo,
enviamos em 05/09/00, recebido em 11/09/00 e mandado a resposta em 10 de
outubro de 2000 (.,.).
Mais uma pergunta
Drª Helen: a quem mais precisamos recorrer? Certos de poder contar com vossa
presteza para o assunto em questão, a Associação da Mão de Obra Atingida e
Moradores Excluídos da Barranca do rio Verde e Paraná elevam seus protestos de
estima e apreço (...).
Foto: João Brito de Souza e o Acampamento da Mão de Obra Atingida. (Foto: Arquivo João Brito de Souza, 1999).
Fonte: História e
Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 329-330. Disponível em: História
e Memória de Brasilândia/MS - Patrimônio, por Carlos Alberto dos Santos Dutra -
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