Cruzeiro da
Fundação: o Marco Zero de Brasilândia
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Os símbolos municipais são mais que figuras; são o retrato vivo da identidade, tradição e evolução de uma comunidade. Em Brasilândia/MS, ao lado da Bandeira, do Hino e do Escudo, outros ícones conferem nobreza ao nosso espírito cívico. Entre eles, destacam-se o Painel Cultural da Praça da Matriz, o busto do Fundador Arthur Höffig e a centenária Árvore Tamboril — esta última já protegida por lei como patrimônio histórico.
Contudo, um outro monumento ainda carece desse reconhecimento oficial: o Cruzeiro. Plantado no alto da cidade, ao lado da Câmara Municipal, ele é o marco inabalável da fundação do nosso povoado. Uma demonstração de que esta cidade teve seu nascimento sob a inspiração redentora da Cruz.
A história remonta a data de 21 de abril de 1957. E eis que numa clareira do cerrado, cercada por poucas casas, uma cruz de madeira nobre de 4 metros foi erguida. Ali, sob os pés do monumento, o padre tchecoslovaco John Tomes celebrou a primeira missa campal, acompanhado pelo patriarca Arthur Höffig, seus familiares e a pioneira população local.
Mais que uma expressão religiosa, o Cruzeiro representou naquele momento a data da elevação daquela vila à condição de Povoado. Expressão da bravura daqueles que, a partir de 1912, desafiaram o domínio da Brazil Land Cattle and Packing Company para desbravar este sertão, outrora habitado exclusivamente pelos indígenas Ofaié. Ele é a pilastra do progresso trazido pelos nossos antepassados.
O seu lenho, sob o aspecto cultural, nos reporta à tradição e também à renovação. Originalmente, o Cruzeiro ficava em um ponto mais elevado, entre as chácaras instalada na parte alta do povoado, onde fiéis depositavam flores e velas nos dias santos e de guarda. Com o passar de três décadas, a ação do tempo e o calor das oferendas desgastaram a madeira original. Foi quando em 1989, na gestão do prefeito Prof. José Cândido da Silva, o símbolo foi renovado.
A nova cruz foi entalhada pelas mãos do pioneiro Mané Zoada, com o auxílio de Joaquim Cândido da Silva, Isaías Nunes da Silva e Noel Euzébio de Lima. Juntos, eles lapidaram com esmero o ícone que hoje se impõe à nossa memória e reafirma a fé que sustentou a comunidade em seus primeiros anos.
A cada aniversário Brasilândia ergue um apelo à preservação deste monumento histórico: transformar o Cruzeiro em patrimônio oficial do município. Gesto institucional que resgata a dignidade da antiga Praça dos Fundadores, idealizada a em 1981, encravada numa placa em 1984 pela prefeita Neuza Paulino Maia, sem nunca ter se tornado uma realidade.
O clamor por sua preservação ainda vive no coração dos munícipes, sobretudo dos mais antigos. Lembremos que em 1989, há 37 anos portanto, o jornal Informativo Agulha já alertava sobre o desmatamento no entorno deste monumento e a necessidade de se proteger o "bosque do Cruzeiro" como era chamado, para a posteridade.
Que o espírito ecológico, a inspiração divina da primeira Missa campal e o respeito à trajetória dos que aqui chegaram derrame suas bênçãos sobre o município que festeja seus 61 anos de emancipação político administrativa. Proteger o Cruzeiro é garantir que as futuras gerações conheçam o lugar onde o coração de Brasilândia começou e continua até hoje a bater.
Brasilândia, 21 de
abril de 2026.
Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2021/06/em-defesa-do-cruzeiro-patrimonio.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário