quinta-feira, 2 de abril de 2026

 

Roni Eliandes, o Avá Verá: O Guerreiro que Floresceu no Afeto

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 

No dia 2 de abril de 2019, o povo Guarani viu seu filho, Roni Eliandes, partir para os braços de Ñhanderu.

Falar de Roni é falar do tempo: infinito enquanto durou e eterno nas sementes que plantou.

Sua trilha foi moldada pela resiliência.

Separado dos pais ao nascer, Roni aprendeu cedo que a vida exige coragem.

 Aos nove anos, desafiou a palmatória da escola e partiu a cavalo rumo ao desconhecido, provando o mundo antes de voltar para casa como um homem feito.

Serviu ao Exército, percorreu fazendas e fronteiras, mas foi no destino da luta que ele encontrou sua verdadeira morada.

Líder nato e herdeiro da inspiração de seu tio, Marçal de Souza Tupã-i, Roni não apenas defendeu o seu povo; ele uniu mundos.

Ao cruzar o caminho dos Ofaié na Serra da Bodoquena, o compromisso político transformou-se em laço de alma.

Casou-se com Marilda, sua mestra e companheira, e ali, no calor do amor e do respeito, rompeu séculos de distâncias entre as culturas Guarani e Ofaié.

Pai zeloso e artesão de esperanças, Roni ensinou aos filhos o arco, a flecha e o orgulho da língua nativa.

Para ele, o poder era um serviço de partilha; seu maior sonho era a união plena, onde todos recebessem partes iguais da vida.

Roni despediu-se aos 86 anos, deixando a Aldeia Anodhi mergulhada em saudade. Partiu como viveu: com a dignidade no olhar e o sorriso de quem desenhava histórias no ar.

Hoje, passados 7 anos de sua partida, ele descansa na Terra Sem Males, mas sua voz continua a ecoar em cada gesto de resistência e em cada abraço que une os povos originários da floresta.

 

Brasilândia/MS, 2 de abril de 2026. Em memória do 7º ano de falecimento de Roni Eliandes. Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2025/04/roni-eliandes-ava-vera-esta-em-nhanderu.html

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