41 Anos de Voz e Coragem: A Epopeia do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de
Brasilândia/MS.
Por Carlos Alberto dos Santos Dutra
Houve um tempo em que as terras de Brasilândia eram banhadas por sombras de injustiça. Sob o sol escaldante do cerrado, o homem do campo vivia sob o jugo do coronelismo, trilhando estradas que pareciam levar apenas à opressão. Mas, no coração desses trabalhadores, germinava uma semente de liberdade.
O Despertar da Resistência: Em 12 de abril de 1985, apenas oito anos após o nascimento de Mato Grosso do Sul, o cenário começou a mudar. Enquanto o estado buscava sua identidade, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasilândia (STRB) rompia o silêncio. Sua primeira sede, uma estrutura simples na Rua Coterp, era mais do que um escritório: era o primeiro porto seguro em uma cidade que ainda despertava como povoado.
Lideranças que Fizeram História: A trajetória do STRB é escrita por nomes que se tornaram símbolos de luta. Irineu de Souza Brito, reconduzido à presidência em 1989 sob o olhar de líderes de todo o estado, não apenas liderou; ele inspirou. Dezessete anos depois, seu esforço seria coroado com o título de melhor sindicalista de Mato Grosso do Sul.
Ao longo das décadas, o bastão da justiça foi passado de mão em mão, mantendo a chama acesa. De 1984 a 2001, o legado de Irineu de Souza Brito; de 2004 a 2012, a dinâmica gestão de José Leite de Noronha; de 2012 a 2016, o compromisso de João Brito de Souza; e a partir de 2016, após a direção firme de Valdemar Batista, os demais que se seguiram.
O Grito contra o Gigante: Nos anos de ouro, o STRB provou que o tamanho do adversário
não intimida quem tem razão. Em 1988, Irineu de Souza Brito levantou a voz
contra os impactos da Usina de Porto Primavera. Ele não defendeu apenas terras;
defendeu a dignidade dos 400 oleiros e agricultores que viam
suas vidas ameaçadas pelas águas. "Por que não ouvir o povo atingido?", questionava o sindicato. Essa voz ecoou como um divisor de
águas, transformando o "apartheid rural" em um novo iluminismo
para o trabalhador.
Modernização e Luta Social: Com a chegada de José Leite de Noronha, o sindicato abraçou o futuro sem esquecer suas bases. A entidade se modernizou com tecnologia, mas seu maior avanço foi humano: Reforma Agrária: Impulso decisivo no crédito fundiário; Marcha das Margaridas: Protagonismo feminino no campo; Educação e Assistência: Desde a alfabetização rural até o apoio direto aos acampados com alimentos e infraestrutura.
O Desafio do Novo Tempo: Hoje, o cenário mudou. O inimigo não é mais apenas o coronel, mas as engrenagens sofisticadas do sistema neoliberal. O trabalhador rural de hoje é esclarecido e detentor de direitos que antes eram sonhos — como a luz no campo e a alfabetização de ontem e as conquistas e avanços atuais: fortalecimento da agricultura familiar, democratização do acesso à terra, crédito, infraestrutura e apoio à produção sustentável.
No entanto, a missão do STRB permanece sagrada: a vigilância constante. Contra os retrocessos e em favor da esperança, o sindicato segue como o farol que garante que nenhum trabalhador rural de Brasilândia caminhe sozinho.
Parabéns, STRB! A voz do campo é a força desta
terra.
Brasilândia/MS, 12 de abril de 2026. 41º aniversário de fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasilândia. Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2021/04/ha-36-anos-nascia-o-sindicato-dos.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário