Como o muro da Praça da Matriz conta a nossa história.
Por Carlos
Alberto dos Santos Dutra
Você já parou para observar com calma as cores e formas que cercam a Praça da Igreja Matriz? Mais do que um simples muro, o Mural Cultural de Brasilândia é um livro aberto feito de cerâmica que guarda a identidade da nossa terra.
Inaugurado no dia 20 de maio de 2012, o projeto nasceu de um desafio poético: transformar a letra do hino municipal em imagens. A artista plástica Franciele Ribas Gomes aceitou a missão e, durante um mês, mergulhou no cotidiano de Brasilândia para dar vida aos azulejos.
Ao caminhar pelo local, você não vê apenas desenhos. Você vê a Cidade Esperança representada pela icônica pomba branca e o cuidado com o futuro simbolizado por uma criança regando a flor. Cada peça de 10x10 cm foi escolhida para resistir ao tempo, garantindo que as próximas gerações saibam exatamente de onde viemos.
A Praça Anísio Gomes de Almeida tornou-se, assim, um museu a céu aberto. É o lugar perfeito para um passeio de domingo, onde a história deixa de estar nos livros e passa a colorir o nosso dia a dia.
Se você mora ou está de passagem por Brasilândia, o muro da Praça da Matriz é parada obrigatória. Ao caminhar pelo mural, você faz uma viagem no tempo com destaque para:
As
Raízes do lugar:
A obra honra os primeiros habitantes, os índios Ofaié-Xavante, e o marco zero
da cidade, representado pela primeira cruz erguida no centro.
Os Fundadores: Você encontrará o rosto de Arthur Höffig, o fundador, e a lendária balsa que atravessava o Rio Paraná até Panorama (SP), um símbolo da resistência e conexão da nossa região.
O Povo Invisível: Um dos detalhes mais emocionantes é a silhueta de trabalhadores baseada em fotos antigas. A artista escolheu as silhuetas para representar não apenas quem estava na foto, mas todos os anônimos que ajudaram a erguer Brasilândia.
Nossas Riquezas: O gado, a agricultura e a doçura do mel — uma de nossas maiores produções atuais — também ganharam destaque.
A jornada visual termina com a imagem do Bom Pastor, padroeiro da cidade, selando a história que começa na fundação e chega aos dias de hoje.
Durante a criação,
os próprios moradores levavam fotos antigas para a artista, fazendo do muro um
espelho da alma brasilandense. É por isso que o muro é tão querido: porque ele foi
feito ouvindo o povo! Por isso está e será preservado.
Brasilândia/MS,
20 de maio de 2026
Fonte: História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, páginas: 142-144.

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