quinta-feira, 8 de outubro de 2026

 Memória e Resistência: A História dos Pioneiros da ASBRAPP em Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 

Hoje resgato uma história de união, suor e determinação que moldou a agricultura familiar da nossa região: a trajetória da Associação Brasilandense dos Pequenos Produtores (ASBRAPP). 

Olhar para o passado da ASBRAPP é entender como a força coletiva transformou a vida no campo. Mais do que uma organização, ela nasceu do desejo de dezenas de famílias de conquistarem dignidade e desenvolvimento. 

O começo de tudo nos idos 1987. Fundada em 4 de novembro de 1987 como uma sociedade civil sem fins lucrativos, a ASBRAPP deu seus primeiros passos na Avenida Arapuá (hoje Wilson de Arruda), nº 714. Naquela época, o trabalho era bruto. A associação unia os produtores para preparar o solo, oferecendo serviços de tratores e implementos agrícolas que os pequenos proprietários dificilmente conseguiriam acessar sozinhos. 

Para baratear os custos, a diretoria firmou uma parceria essencial com a TERRASUL, garantindo o transporte gratuito dos maquinários para quem morava a até 15 km da sede. Era o associativismo na prática, vencendo as distâncias e as dificuldades do chão de terra. 

A liderança de dois grandes pioneiros. Nenhum movimento caminha sem líderes corajosos. A história da ASBRAPP está profundamente ligada ao empenho de seus dois primeiros presidentes, homens que doaram seu tempo e liderança pela comunidade: José Melo de Carvalho, com a base técnica do recomeço e José Luiz Rodrigues com os primeiros passos na busca pela modernização. 

Técnico agrícola da EMPAER, José Melo de Carvalho foi o primeiro presidente da entidade. Ele foi o responsável por estruturar a associação nos anos iniciais e conduzir a primeira transição democrática em 1990. Anos mais tarde, em 1995, seu compromisso com a categoria falou mais alto: ele retornou à presidência liderando a chapa Renovação, com a missão de reorganizar, pacificar e colocar as finanças da casa em dia. Sua dedicação técnica e política foi o alicerce da associação. 

Com José Luiz Rodrigues (in memoriam), eleito para o biênio 1990/1991, ele assumiu com a ousadia de quem queria ver o produtor prosperar. Com seu jeito simples, sob o seu comando, a ASBRAPP iniciou a instalação da tão sonhada máquina de beneficiamento de arroz e do triturador, além de garantir o cercamento do terreno doado pela prefeitura para a sede própria. Mesmo enfrentando as complexidades e os debates intensos da gestão patrimonial nos anos seguintes, o seu pioneirismo em buscar infraestrutura industrial para o pequeno produtor deixou uma marca eterna. 

A união contra a inundação de Porto primavera, a resistência de 1998. O associativismo se prova nas crises. Naquele ano, já com cerca de 120 produtores integrados, a ASBRAPP viveu um dos seus capítulos mais dramáticos. Cerca de 50 famílias que viviam e produziam nas barrancas dos rios Paraná e Verde viram suas terras e moradias ameaçadas pela iminente inundação causada pela Usina Hidrelétrica de Porto Primavera (CESP). A associação virou o quartel-general da resistência, mobilizando a comunidade para defender seu direito à terra e à justa compensação. 

Um Legado que cruzou o tempo. Histórias como a da ASBRAPP e de líderes como José Melo de Carvalho e José Luiz Rodrigues não podem ser esquecidas. Eles plantaram a semente da cooperação em Brasilândia. Que o exemplo desses pioneiros continue inspirando as novas gerações de agricultores a defenderem a força do trabalho coletivo. 

Brasilândia/MS, 04 de novembro de 2026

Fonte: Dutra, C.A.S. História e Memória de Brasilândia/MS, Vol. II-Patrimônio, pág. 321s.

E você? Conheceu algum dos fundadores ou tem lembranças dessa época da ASBRAPP? Deixe seu comentário aqui embaixo e ajude a enriquecer essa memória!

 

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