Para os que virão
Por Carlos Alberto dos Santos Dutra
Falar de política às vésperas de uma eleição é sempre um desafio. A essa altura, a maioria dos eleitores já tomou sua decisão, guardando no bolso o nome daquele que receberá o seu voto no dia 25.
Não tenho a pretensão de mudar o pensamento de ninguém. Muito menos o dos milhares de amigos e seguidores que me acompanham por aqui nas redes sociais — pessoas que vi crescer ou com quem cruzei caminhos ao longo dos quarenta anos em que vivo nesta cidade. Aqui, finquei raízes profundas e construí laços perenes de serviço, doação, respeito e amor filial.
Atendendo ao pedido de alguns que me cercam — e que lembraram a contribuição que pude dar a esta cidade e ao Estado no campo político, social e eclesiástico —, aceitei o chamado para oferecer uma palavra de conselho e inspiração.
Durante todo o primeiro turno da campanha deste ano, relutei em me manifestar. No entanto, diante da decisão crucial que tomaremos no próximo domingo, senti o dever cívico de tornar público o que penso e acredito na esperança de que isso possa iluminar alguém.
Tudo o que sinto hoje se resume nos versos de um poeta amazonense que admiro desde a juventude: Thiago de Mello. Sua poesia, intitulada “Para os que Virão”, que compartilho logo abaixo, traduz perfeitamente minha profunda humildade, minha consciência política, devoção de fé e senso de humanidade.
Guiado pelas palavras do poeta, quero dizer que, embora reconheçamos nossas limitações diante da imensidão dos problemas nacionais e das ameaças capazes de nos calar a voz, ainda nos resta a liberdade da escolha do rumo a seguir.
Desnecessário lembrar que devemos agir com toda a responsabilidade e assumir nosso papel de cidadão e cidadã para garantir que o exercício pleno da democracia nãos seja arrancado das nossas mãos.
Antes que seja tarde, que possamos ajudar -- por meio do voto --, a pavimentar o caminho soberano e plural construído, e que deverá ser experimentado pelos nossos filhos e gerações futuras.
Para os que virão. (Thiago de Mello)
"Como sei pouco, e
sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando".
"O voto é secreto, a memória não, Carolina escreveu, tá na minha mão. Eu sei de que lado a história me quer. Meu voto é secreto, mas você sabe qual é". (Carolina Maria de Jesus)
Brasilândia/MS, 24 de outubro de 2026.
Dia da Nações Unidas (Dia da ONU), marcando a data em que a Carta das Nações Unidas entrou oficialmente em vigor em 1945.
https://www.instagram.com/reel/DeSesrChDzK/?rpxt=bWpiZGk5Y3N0dnVi
❤️
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