terça-feira, 1 de outubro de 2019

Homenagem às Personalidades de Brasilândia.













Senhoras e Senhores. Familiares, Autoridades. Cidadãos e Cidadãs de Brasilândia.
Em razão do meu ofício e formação, peço vênia para dedicar aqui algumas singelas palavras e convidá-los a fazer uma pequena viagem no tempo e as circunstâncias que nos trazem aqui hoje.
“Placas de honra ao mérito em homenagens”, está escrito no Decreto Legislativo publicado por esta Casa Legislativa, e que confere “Títulos de Honra ao Mérito” a cidadãos desta cidade.
Com efeito, é uma das atribuições do Legislativo conferir tais comendas a cidadãos que se destacaram no âmbito de suas funções e atribuições em prol do município.
É por isso que estamos aqui hoje. Para receber tal condecoração, uma distinção honorífica conquistada pelo trabalho e influência social que cada um dos homenageados vem desenvolvendo ao longo dos anos nesta cidade.
Permita-me aqui mencionar, inicialmente, o nome do Delegado de Polícia Civil de Brasilândia, Dr. Thiago José Passos da Silva e a difícil tarefa de comandar a labuta pela segurança pública de nossa cidade.
Num tempo de liberdades estremadas e de afrouxamento das condutas morais, cada vez mais se torna difícil o enfrentamento ao ilícito penal, a contravenção rotineira, a violência doméstica, o tráfico de drogas, o latrocínio, a corrupção, o homicídio, e por aí vai.
Não fosse o apoio e dedicação do aparato e corporação que integra a instituição mais antiga do Brasil em prol da segurança dos cidadãos, a Polícia Civil, este trabalho seria impossível de ser realizado.
E aqui peço permitam-me nominar os Investigadores de Polícia Judiciária, Francisco Félix de Souza Filho, Sérgio Mauro Estevão de Almeida, Douglas Tavares Baptista de Souza, Alexandre de Souza Martins e Emely Stefanello Peruzo Oliveira, de ambas as classes, aqui justamente homenageados.
Por essa e outras razões é que a homenagem aqui prestada a essas pessoas têm alcance e importância: Por conferir e manifestar a esses cidadãos e cidadã que agem na defesa da sociedade e preservação da ordem pública, o merecido apreço e respeito, a justa admiração e solidariedade.
Mais que isso, registra nos anais desta Casa de Leis o reconhecimento pelo trabalho realizado de proteção à sociedade e ao indivíduo, no mais das vezes, de forma silenciosas e anônima, exercendo com excelência as atribuições que lhe são devidas.
Trabalho árduo, sim.
Conduta tantas vezes discriminada e mal entendida, porque zelosos do seu dever, sentem na pele a urgência e ultimam resultados, resultados esperados pela sociedade.
E lá vão eles na trilha da investigação buscando descobrir os crimes que não puderam ser evitados; colhendo e transmitindo às autoridades competentes, os indícios e provas, diligentemente colhidos por eles, os Investigadores de Polícia Judiciária.
Tantas vezes com parcos recursos, instrumentais e efetivos tíbios, fazendo das tripas coração para responder as demandas a contento aos reclames da sociedade.
Ao serem homenageados pelo Legislativo Municipal de Brasilândia, que traduz em última instância, a voz da comunidade local, o Delegado de Polícia e seus Investigadores, obtém, igualmente, a confirmação de estarem agindo certo e no rumo dos ideais e objetivos que norteiam a missão da Polícia Civil no Estado de Mato Grosso do Sul.
E com certeza, cada um deles aqui, firma convicção, cada policial, cada chefe de família, cada cidadão que igualmente merece a proteção do Estado, que os esforços devam avançar para além das palavras.
E que este mesmo Estado e seu Governo envide todos os esforços institucionais e públicos para que a Justiça não os desampare e sempre os valorizem.
Que o Estado os acolha em seus pleitos e reivindicações, bem como os referende e os defenda, quando bandidos - autores e cúmplices capturados - forem apresentados e levados aos tribunais, não os absolvendo.
Em meio ao trabalho destes servidores Policiais Civis, que nunca lhes falte também o apoio do Município e instituições locais para este serviço que é exercido de uma forma distinta dos demais servidores públicos;
Em meio a complexidade e especificidade de suas ações que exige estremada  discrição, que nunca lhes falte a perspicácia, para com esta atividade de risco que exige sempre pronta decisão;
Em meio à pressão social e emocional que diuturnamente estão submetidos, que os faz estar sempre alerta e em prontidão, tudo faz desta atividade policial, sim, merecedora de todo cuidado e atenção. Motivo suficiente para tais homenagens e congratulações.
Homenagem que esta Casa de Leis, numa feliz iniciativa da Presidente Maria Jovelina da Silva, sua mesa diretoria e demais pares, servidores e municipalidade, conferem aos senhores e senhora.
Parabéns Delegado da Polícia Civil, Dr. Thiago. Parabéns Investigadores de Policia Judiciária de Brasilândia: Francisco Felix,  Sérgio Mauro,  Douglas Tavares,  Alexandre de Souza e  Emely Stefanello.
Mas, entre os homenageados desta noite, também se encontram outros dois nomes que, num rápido olhar, pode-se pensar que destoam dos demais.
Diante de uma atividade tão séria e necessária desenvolvida por quem garante a segurança pública de uma cidade, exercida pelos policiais civis, pode parecer que falar de literatura, filosofia, arte e música, seja um despropósito, algo secundário e desnecessário.
Mas isso não é verdade.
Isso porque na base de uma sociedade e na conduta dos homens, todos são norteados por ideias, ideais, ideologias que sedimentam a nossa cultura.
Ou seja, todos somos produtos de uma ou outra forma de pensar e agir. E nisso manifestamos e revelamos quem somos, o que pensamos e o que queremos, através do pensamento, da linguagem, da escrita e da música.
Ah, a música...
E quando falamos de música, o universo aqui é imenso. Assim como a literatura, a música encerra tons, gêneros, instrumentos, vozes, corações e sentimento que embalam e são motor da vida.
Sentimento que nos torna semelhantes diante da alegria e da dor, que nos faz reagir diante da violência e do medo; sentimento que acomete a todos, desde o policial especializado até o cidadão comum.
É por isso, talvez, que nos eventos, por mais sérios que sejam, eles são precedidos por um momento cultural: uma apresentação artística, uma roda de viola, uma encenação teatral, um canto, uma poesia.
Isso nos eleva o espírito e nos diferencia das coisas inanimadas.
Nos diz e nos mostra que somos pessoas, seres humanos, capazes de dar o salto qualitativo sobre a natureza e sobre nós mesmos.
E nos torna capaz de aprimorar nossa conduta, tornando-a mais sociável e condizente com a convivência e a urbanidade, uma exigência do mundo civilizado.
Por isso, o maior violeiro na atualidade de Brasilândia, a prata da casa que mais brilha, é um dos homenageados aqui.
Isso para nos elevar a alma e o espírito. Para nos falar de um novo alvorecer, de coisas que o tempo nos faz esquecer. Para nos lembrar que também somos coração e sentimento, e precisamos do lúdico, de quando em vez para nos humanizar
A musica apresentada nos palcos, seja para protestar, seja para saudar e cantar o mundo que queremos, tem o poder de nos motivar a estender a mão e caminhar de mão dada com quem vai no mesmo rumo, mesmo que distante ainda esteja de aprender a conjugar o verbo amar, como escreveu o poeta amazonense Thiago de Mello.
Esse é o Tony Carrero, o Sr. Alcides da Silva, conhecido como Cidão da Viola. Que nos encanta o coração com suas canções. Canções que falam de vida e saudade, tristeza e esperança.
Porque a canção, se por um lado denuncia a dor do corpo, a dor das matas e da natureza, e a conduta hostil dos homens, por outro lado, embala os corações, realinha os destinos, semeia paz na alma e ilumina a escuridão.
Por isso seu Alcides e sua viola e violão estão aqui. Para cantar a vida que brota das cinzas e dos corações. Narrando coisas que um dia nos alegraram e são eternas em nossas recordações. Em especial, a lembrança os mais antigos que por aqui aportaram e construíram a história deste lugar.
Parabéns Cidão da Viola. Brasilândia deve muito a você. Te amamos Cidão.
E ao concluir minha fala, observo, ainda, que meu nome consta lista dos homenageados. O que sinceramente agradeço.
Não, não vou dizer que não sou merecedor. Pois todos nós temos de assumir nossas ações e as consequências de nossos atos. Bons ou ruins.
Aqui, felizmente, estamos exaltando o que de melhor cada um de nós está deixando como legado. E com muita honra posso dizer, sem falsa modéstia: agradeço pela homenagem.
Sinto-me ainda mais gratificado pelo fato desta Casa de Leis, um dia, também já ter a mim prestado a maior homenagem.
Foi quando, entre os anos 2005 a 2008, estive Vereador e primeiro secretário da mesa diretora ao lado dos presidentes desta Câmara, na época, José Cândido da Silva e Jorge Daniel Silva de Oliveira, o nosso Jorge Madeira.
Legislatura que construiu a primeira e atual sede própria deste Legislativo Municipal graças ao empenho e esforço financeiro dos dirigentes desta casa na época.
Brasilândia me homenageou com um mandato de Vereador, o primeiro eleito pelo PT, partido que me desfilei para ingressar no PSOL  e concorrer com outros cinco candidatos a Governador do Estado em 2006 tendo ficado em 3º lugar com expressiva votação no Estado e Brasilândia.
Importante recordar, hoje, quando retorno a esta Tribuna como simples cidadão, como me senti honrado naquela legislatura por ter apresentado mais de 280 proposições legislativas, vendo 16 projetos de leis de minha lavra ser aprovados e sancionados pelo prefeito da época, o atual Dr Antônio de Pádua Thiago contribuindo para o arcabouço jurídico sobre importantes temas para o município.
A comenda hoje a mim ofertada, mais do que o reconhecimento aos serviços prestados a esta cidade, reforça a responsabilidade de quem chegou em Brasilândia a mais de 30 anos e buscou trabalhar pelo engrandecimento desta cidade:
Compôs um hino para ela; cuidou de seus índios esquecidos, apoiou suas associações, celebrando em suas capelas, servindo a municipalidade como funcionário concursado,
Enfim, conclamando e protegendo esse cerrado que serviu de pauta para seus livros e as histórias que escreveu e também viveu.
Hoje tenho mais tempo de Brasilândia do que o tempo que vivi no meu estado natal, o Rio Grande do Sul. E isso me torna um brasilandense de coração, mais que sangue, é sentimento e responsabilidade.
Obrigado Brasilândia pela acolhida. Obrigado a minha família que sempre me apoiou nas minhas lutas, entendidas como quixotescas, para uns e altruístas, para outros.
Obrigado aos amigos que souberam tolerar e ajudar a moldar o perfil deste gaudério pelo-duro parido lá na pampa gaúcha, que um dia chegou de longe, por essas plagas e por aqui se aquerenciou.
Obrigado a todos. Parabéns a todos nós. Obrigado.

Carlos Alberto dos Santos Dutra, 30 de setembro de 2019.
Sessão Solene da Câmara Municipal de Brasilândia  de Entrega de Títulos de Honra ao Mérito.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Jesus Hernandez Martin há 9 anos partia


Jesus Hernandez Martin há 9 anos partia.
 Carlos Alberto dos Santos Dutra


 O dia amanheceu sombrio e em tom desbotado naquela manhã. As folhas secas rodopiavam movidas pelo ar quente que bulia o entorno da rua Zuleide Perez Tabox, como que ensaiando uma marcha fúnebre pelos arredores do Grupo de Fraternidade Espírita Francisco Xavier, na cidade das águas. 

Naquela manhã, muito distante dali, obediente a sua crença, uma alma desencarnava. Partia para os braços do Pai, tendo o corpo sepultado na cidade de Juiz de Fora (MG), o escritor e advogado Jesus Hernandez Martin.

Logo a imprensa de Três Lagoas estampava a notícia de seu passamento. Sim, o dia 5 de setembro de 2010 nem havia amanhecido direito e a cidade já sentia os efeitos da perda de uma de suas mais importantes personalidades que, aos 81 anos de idade, deixava a história dos homens para ingressar nas realizações celestes, para além de Três Lagoas e Mato Grosso do Sul.

Jesus Hernandes Martin era irmão da ex-tabeliã Manoela Hernandez Martin (falecida em janeiro de 2012) e de Ruth Filgueiras, esposa do ex-prefeito João Dantas Filgueiras. Presidente e fundador da Academia Três-lagoense de Letras, ele deixou três obras literárias, sendo a mais importante delas o livro A História de Três Lagoas, que tem servido de referência para pesquisas escolares, historiadores e aqueles que almejam conhecer um pouco mais sobre o município. Os outros dois livros escritos por ele foram sobre O Pantanal e a A História de Corumbá.

Sempre muito lúcido, nos últimos anos de vida, em que pese carecesse de auxílio na condução de sua cadeira de rodas, manteve-se sóbrio e criativo: continuava um  sonhador. Rodeado de carinho e respeito pelos amigos e familiares, deixou o mundo físico com a paz e serenidade que sempre o caracterizou. 

Espírita praticante há muitos anos, realizava palestras por toda a região do Bolsão Sul Mato-grossense. Certa vez, em Uberaba-MG,  foi convidado pelo filho adotivo de Chico Xavier, Dr. Eurípedes Higino dos Reis, para escrever um livro espírita com total apoio da família, o que muito o animou. Segundo consta foi o jornalista Luiz Correa da Silveira Filho quem levou o Dr. Jesus Hernandez Martin para conhecer Uberaba,  como também  a Casa Museu, de Chico Xavier

O jornalista Luizinho registra que Jesus Hernandez Martin esteve junto ao tumulo do Chico Xavier e participou como palestrante dos trabalhos de psicografia do médium Celso Almeida Afonso, no Centro Espírita Aurélio Agostinho. Também foi palestrante espírita em Três Lagoas, Andradina e outras cidades. 

Jesus Hernandez Martin sempre gozou de grandes amizades. Foi amigo fiel do desembargador Joenildo Souza Chaves, e este sempre o prestigiou no lançamento de suas obras literárias. O Tribunal de Justiça também o homenageou com o diploma e medalha do mérito da Justiça do MS, tendo recebido o titulo de Cidadão Três-lagoense entre outras homenagens. 

Foi com esta trajetória que ele deixou a todos, para o sono eterno dos justos, e com certeza isso ficará gravado como aura de conforto à todos os lares de sua família e amigos. Assim se manifestou o jornal Correio de Três Lagoas e o Jornal Espírita, através de sua diretoria, jornalista Luiz Correa Filho, seus familiares, assinantes e leitores, marcando aquele momento de tristeza pela perda, com o rejuvenescimento, e a certeza de que um dia, um reencontro haverá, sob as luzes da justiça divina plena, que a todos está reservada.

Filho de Maria do Carmo e Miguel Hernandez Martin, ele nasceu no Rio de Janeiro sendo que foi em Três Lagoas que iniciou sua vida jurídica, como tabelião substituto, acumulando as funções de escrivão do crime, do cível e eleitoral, além de exercer a privacidade do protesto, quando ingressou na Associação dos Serventuários de Justiça de Mato Grosso. 

Foi um dos fundadores do Colégio Notarial do Brasil e fundador e editor da revista Atualidades Forenses Interioranas. Formou-se em Ciências Jurídicas, na Instituição Toledo de Ensino, de Bauru. Casado, desde 1959, com Francisca da Silva Santos, teve com ela os filhos Ana Márcia e Ricardo. Foi coordenador do curso da ADESG por três anos e fundador e presidente da Academia de Letras de Três Lagoas.

Eleito conselheiro da Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul por quatro anos, foi conselheiro da Cultura de Três Lagoas, por dois anos. Homenageado com o Colar de Mérito Judiciário, pelo TJ-MS, por unanimidade, foi membro do Lions Club de Três Lagoas.


No ano de 2002, por ocasião do lançamento do livro As ocupações de terra e a produção do direito, de autoria deste escrevinhador, num discurso memorável, na Câmara Municipal de Brasilândia, este nosso convidado deixou impregnado nas paredes daquele ambiente, repleto de corações mentes ávidas pelo saber literário, a oportunidade concedida aos presentes de beber na fonte uma réstia da sabedoria e eloquência daquele douto orador. Obrigado Dr. Jesus Hernandez Martin. Descanse em paz.



Fonte: http://www.jornaldiadia.com.br/index.php/oboaoboa-mainmenu/41286-jesus-hernandez-martins-faleceu-no-rio-de-janeiro, publicado em 5 de setembro de 2010.; http://luizinho3l.blogspot.com/2010/09/desencarna-o-escritor-e-jornalista.html, publicado em 8 de setembro de 2010.; Arthur Jorge do Amaral, União Brasileira de Escritores-UBE/MS Email: arthurjdoamaral@uol.com.br

quarta-feira, 31 de julho de 2019

A Suinocultura e os Licenciamentos Ambientais


A suinocultura e os licenciamentos ambientais.
Carlos Alberto dos Santos Dutra.


A manifestação ruidosa da comunidade urbana do reassentamento Novo Porto João André, ocorrida dias atrás pelas ruas da cidade, desnudou uma questão que mais cedo ou mais tarde o município teria que enfrentar, uma vez que, cada vez mais, o cidadão tem acesso às informações e deseja decidir sobre os destinos de sua cidade, seu desenvolvimento, e aplicação dos recursos.

Para tanto o município conta, como sempre contou, com seu tradicional arcabouço jurídico. Acontece que na maioria das vezes, a comunidade e o próprio poder público desconhece o conteúdo e o alcance deste aparato legislativo. E tampouco interage com o povo sobre as decisões que tem tomado. 

No caso específico dos licenciamentos ambientais, sobretudo dos projetos de suinocultura, atividade que há vinte anos vem fomentando a economia de Brasilândia, em regime de parceria e consórcio com os produtores rurais, cabe aqui um dedinho de prosa e atenção sobre este assunto intocado.

Recordemos que os primeiros projetos de suinocultura iniciaram nos anos 1994 pelo Grupo Arthur Hofig e que deram impulso significativo na economia do município.  Duas décadas depois, o Grupo AH possuía um plantel de 108.492 cabeças, com uma reprodução de 8.100 matrizes, obtendo um resultado em 2012, em vendas, de 195.718 cabeças e 21.623 toneladas de carne vendida, com um número de 93 colaboradores.

De lá para cá o pioneirismo da suinocultura cada vez mais foi incentivado e estimulado como uma nova alternativa para a economia da região gerando emprego e renda para a comunidade, o que garantiu àquela empresa alcançar seu objetivo de distribuir riquezas elevando a melhoria de vida dos parceiros.

E os benefícios para Brasilândia logo vieram. Os mais antigos hão de recordar dos pioneiros nesta atividade. Um deles, o primeiro parceiro na cidade a implantar o projeto, foi a família Franzin que no dia 20 de junho de 1999 recebeu em sua propriedade rural, o Sítio Santa Luzia, a primeira remessa composta de 810 leitões. Um dia histórico, um marco na suinocultura de Brasilândia.

O livro “História e Memória de Brasilândia” (que estou escrevendo) registra que naquela oportunidade, encontrava-se no ato da entrega, o Gerente de Mercado, Miguel Estevam; o Gerente da Granja, Carlos Alberto Brands e o Técnico em Suinocultura, Franklin Ribeiro.

A empresa, junto com o município conseguiu um convênio onde a Prefeitura na época, de livre e espontânea vontade, encarregou-se de doar aos primeiros seis parceiros do projeto um poço semi-artesiano e também a terraplanagem para construção dos barracões, as escavações e abertura das valetas, para canalizar os dejetos dos suínos até as lagoas de decantação, tudo isso em benefício ao produtor rural em parceria com o Grupo Hofig Jr.

Tudo isso abriu caminho para outros produtores que vieram depois e também se dedicaram a exploração da suinocultura agregando valor à atividade agropecuária de Brasilândia, o que conferiu ao município status entre os dez maiores produtores de suíno do Estado. Seus nomes e sua historia deixarei para revelar àqueles que se dispuser a adquirir o livro que se encontra no prelo. Ficou patente, assim, a importância inconteste desse ramo de atividade no incremento da economia do município.

Em virtude do impacto ambiental, e das já conhecidas complicações decorrentes da coexistência e proximidade desta atividade com unidades residenciais, esta nova realidade exigiu do município debruçar-se sobre a parca legislação que possuía e a necessidade de disciplinar a implantação destes projetos na proximidade da zona urbano, haja vista que muitos dos produtores interessados em aderir à suinocultura eram sitiantes ou moradores na região periurbana do município.

Na ausência do preenchimento da vaga de biólogo que o município protela há mais de um lustro, entre outras limitações estruturais, o que daria autonomia ao município para realizar ele mesmo os licenciamentos ambientais, ao contrário, essa atividade permanece a cargo do órgão estadual, o IMASUL que, a partir de Campo Grande, procede às liberações e licenças para a implantação desses empreendimentos.

No caso de projetos localizados na região periurbana dos municípios, a legislação do Estado de Mato Grosso do Sul, há muito segue as determinações ainda vigentes da Resolução nº 30/1982, de 26 de abril de 1982, que permite a instalação de criadouros de suínos somente a uma distância mínima de 1000 metros do perímetro urbano do município.

A legislação municipal de Brasilândia por sua vez também dispõe sobre essa proibição (art. 177 da Lei 399/1985, Código de Postura), ratificando este limite através do art. 25 da Lei 2211/2007, de 1º de novembro de 2007 que trata do Controle de Zoonoses, detalhando que esta proibição também se estende às concentrações residenciais de vilas e povoados.

Ora, durante os estudos para a implantação de um empreendimento desta magnitude e importância é imprescindível que haja a participação da Secretaria de Desenvolvimento e Conselho de Meio Ambiente do local, pois o órgão estadual que libera esses empreendimentos nem sempre tem o conhecimento necessário sobre a realidade onde está sendo implantada tal atividade. Senão vejamos:

A construção do empreendimento que está sendo questionado pelos moradores do reassentamento Novo Porto João André, localiza-se uma região que envolve dois núcleos habitacionais, um deles, numa distância muito inferior aos 1000 metros facultados pela legislação para a criação de animais ungulados. Se pelo aspecto demográfico e social é visível que o lugar encontra-se habitado por mais de 300 famílias, pelo aspecto jurídico e legal, igualmente, é passivo que o local possui status de estrutura urbana. O que torna a criação de suínos no entorno destes loteamentos uma afronta à legislação depondo contra a incolumidade pública.

O reassentamento, denominado a partir de então Loteamento Novo Porto João André foi declarado área urbana por força do Decreto nº 4788/2018, de 5 de outubro de 2018. Já o outro lindeiro próximo ao empreendimento, o Loteamento Urbano Beleza do Rio Verde, criado em 2008, ali foi instalado graças à expansão urbana que o município se submeteu, por força do Decreto 2180/2007, de 16 de maio de 2007, e que transformou aquela região igualmente em área urbana.

Diante disso, a manifestação dos moradores do Loteamento Novo Porto João André, em que pese possa ser entendida como desafiadora aos órgãos instituídos, não deixa de ser uma justa demonstração de descontentamento daqueles moradores pelo fato de não terem sidos consultados antes do início das obras, que segundo consta, já se encontram adiantadas. 

Em que pese possa a reação sonora daquela comunidade ser entendida (e instrumentalizada) como um grito contra a suinocultura, sob-hipótese alguma, isso assim pode ser entendido, uma vez que o dedo em riste dos manifestantes notadamente aponta firme, sim, contra os atos administrativos praticados pelo IMASUL e não contra esta atividade geradora de emprego e renda para Brasilândia.

Mas, como tudo no Brasil, pela absoluta incapacidade do poder público se articular entre si e fomentar o diálogo com a sociedade civil, esse será mais um caso que irá para os braços do Ministério Público, outra vez transformado, como de praxe, em senhor das causas primeiras ou das razões últimas.

Brasilândia/MS, 31 de julho de 2019.

quarta-feira, 1 de maio de 2019


Dona Ezilda de Souza: a saudade e o gesto de acolhida.
Carlos Alberto dos Santos Dutra




Perder amigos, todos nós sentimos. Agora perder amigos especiais, a dor é sempre maior. 


É assim que nos sentimos em relação a dona Zilda (Ezilda) que há dois anos nos deixou.

 
Não, não sou da família e sequer amigo íntimo. Mas era como se fosse.


Uma rápida olhada pelas ruas, na paróquia, e  lá estava aquela senhora regendo a orquestra daquela  grande família.


E isso nos faz pensar.


Passando pelos revezes da vida, ela sempre se apresentou disposta e de bem com o rumo da graça que Deus lhe deu. 


Sempre vencendo as dificuldades inerentes da natureza humana e familiar com otimismo e fé.

 
E ainda encontrava tempo para inspirar a todos, apontando com um sorriso no rosto, o norte que todos esperavam.


Mas o que mais chamava a atenção, e alguns até nem sabiam, o quanto ela dedicava-se aos pobres.


Houve um tempo em que ela fornecia uma tradicional e suculenta sopa de legumes na praça, juntamente com outras senhoras, zelando pela caridade aos desvalidos. 


Dedicada à sua família, também arranjava tempo para dedicar-se às famílias daqueles que não tinha com quem contar.


Isso a diferenciava das demais pessoas comuns de nossa cidade.


E andava com elegância e jovialidade; alegria e simplicidade.


Exemplo e orgulho para toda sua família, diga-se numerosa, de nossa cidade, ligada pelos laços de sangue e de afeto, carinho e respeito, que a cidade aprendeu nutrir por ela.


Até mesmo aqueles que pouco a conheciam, ainda que de passagem, podem se sentir felizes por tê-la visto pelo menos uma vez.


Por essa razão, todos temos razões de sobra para externar nossos sentimentos a seus familiares que viram partir a sua matriarca.


Mulher que soube tornar a vida mais leve a partir de seus passos lentos, porém decididos, no rumo do amor e da felicidade. 


Os dias passam e a amiga Ezilda de Souza, com certeza, descansa em paz. Que os céus brindem a sua chegada com a acolhida fraterna dos manos Amélia, Tunicão, Helena, Onofre e outros que te saúdam, pois tu fizestes por merecer. 


Nossa saudade e sentimentos eternos a seus familiares e amigos.


Publicado em DUTRA, C.A.S. Diálogos impertinentes e crônicas de adeus, Brasilândia: Edição do Autor, 2020, p. 292. Disponível para compra em: https://clubedeautores.com.br/livro/dialogos-impertinentes-e-cronicas-de-adeus


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Que disparidade salarial é essa?


Eu ganho mil; ele ganha 100 milhões.
Carlos Alberto dos Santos Dutra

Fonte: Getty Images/BBC News, 08/01/2019

A notícia da BBC News fala que os tais CEOs (sigla derivada do inglês que se refere ao cargo de diretor executivo) de algumas empresas chegam a ganhar em 30 minutos o que um trabalhador comum levaria o ano inteiro para ganhar.
O levantamento que compara salário de diretores executivos de empresas com rendimentos anuais de trabalhadores médios em 22 países não deixa de ser um tapa na cara do trabalhador comum.
Os menos céticos poderão dizer que na virada do ano, depois de vestir amarelo ou ter definido metas para incrementar seus rendimentos nos próximos 12 meses, eles se sentiram bastante otimistas...
Mas o que dizer depois de saber que, dependendo do país em que o cidadão viva, o chefe da empresa onde ele trabalha já pode ter feito, já nos primeiros dias do ano, mais dinheiro do que ele, reles cidadão, conseguirá reunir o ano inteiro?
Segundo a empresa do ramo financeiro e midiático, Bloomberg, em artigo publicado na BBC News, em 08/01/2019,  só nos Estados Unidos, por exemplo, estes executivos precisam de menos de dois dias para superar a renda média anual dos trabalhadores. Na Índia, é preciso ainda menos: um terço de dia.
“É prá acabar!”, diria uma amiga minha. Isso porque, segundo a pesquisa, de uma forma geral, parece que uma semana é mais do que suficiente para grande número de altos executivos chegarem ao salário anual do trabalhador em diferentes partes do mundo. Na África do Sul são necessários quase três dias, enquanto na China são necessários 2 dias.
E no Brasil? Boa pergunta. Ah, mas a Bloomberg não estendeu sua coleta de dados sobre a sinecura que ronda nosso colorido Pindorama. Como consolo, busquemos na FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), informações para verificar que os CEOs daqui, não tão bem remunerados como os de lá, também levam bela vantagem sobre o trabalhador comum.
Podemos observar que os diretores executivos de empresas implantadas aqui gastam apenas oito dias do ano para levar a seus cofres, em média R$ 1,2 milhão, o ganho médio que o trabalhador brasileiro irá labutar o ano inteiro.
Na maior parte das grandes corporações nacionais e internacionais, os trabalhadores típicos teriam que trabalhar mais de três séculos para chegar ao que seus diretores especializados ganham em um ano. 
Na empresa McDonald's, pasmem!, um trabalhador típico teria que trabalhar mais de 3 mil anos para equiparar seu salário ao do seu patrão.
Há, entretanto, alguém que diga: “Nem todo lugar é igual...”. Sim. Existem fatores que fazem variar os salários de executivos ao redor do mundo. Na Suécia, por exemplo, que tem fama de ter uma sociedade mais igualitária do que no resto mundo, a proporção é de 60 para 1 - ou seja, os rendimentos de um CEO são 60 vezes maiores que os de um trabalhador médio.
Na Noruega, as coisas estão mais equilibradas, mas, ainda assim, eles ganham em média 20 vezes mais do que o salário médio nacional, de cerca de R$ 191 mil. Já a Rússia é desses países em que CEOs superaram o rendimento anual dos trabalhadores no primeiro dia o ano.
Nossos Deputados, Senadores e Ministros da Suprema Corte, também não ficam para trás. Desfrutam eles de tamanhas benesses que os transformam numa verdadeira casta privilegiada. Se comparado com o salário mínimo nacional, o rendimento auferido a esses executivos da res pública pode chegar a 100, 200, 300 vezes ao que é pago ao trabalhador privado.
Um escândalo! Uma disparidade inaceitável! "Quando você escuta a quantia recebida por um CEO, isso vai soar ultrajante. As pessoas vão reagir com paixão", disse Ethan Rouen, professor assistente de administração de empresas em um artigo publicado no site da Harvard Business School no início do ano passado.
E defendeu: “Que as disparidades sejam explicadas ao público e aos trabalhadores!”. "Portanto, toda empresa que for obrigada a revelar esses dados terá que dar alguma explicação e uma resposta que justifique a disparidade salarial". A receita também vale para os políticos, ministros e magistrados tupiniquins.
Brasilândia/MS, 10 de Janeiro de 2019.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Todos contra a Dengue.






Com este mosquito não se brinca
Carlos Alberto dos Santos Dutra

Uma febrezinha aqui, uma dorzinha no corpo ali... E vamos levando. Preparamos um chazinho aqui, um analgésico ali, e achamos que tudo não passa de um resfriado. 

Passam-se mais alguns dias, e achamos que está tudo superado. Até o dia que a fraqueza toma conta da gente e, não mais aguentando, corremos para o Posto de Saúde.

Lá o médico suspeita de Dengue e, após a prescrição do medicamento e recomendar repouso, notifica o caso à Vigilância Epidemiológica. 


No dia seguinte a enfermeira do órgão de saúde preventiva, acompanhada de um agente de combate a endemias, visita a residência do paciente e observa que os sintomas evoluíram e confirma a suspeita de Dengue, recomendando a realização de exame de sangue ao paciente.

Na maioria das vezes o paciente encontra sempre uma desculpa para não ir ao laboratório, para colher material e obter o diagnóstico e comprovação da doença. Só para ter uma ideia, somente 20% dos casos notificados procuram o laboratório para coletar sangue para envio ao Laboratório Central-LACEN, de Campo Grande/MS, e assim obter a confirmação da doença.

O número de casos notificados para a Dengue na vizinha Três Lagoas/MS, cuja marca atingiu na última semana mais de duas mil pessoas, também chegou ao nosso município. 


A doença é grave e não está presente somente na cidade das águas. Também está aqui, na cidade esperança. E o impertinente Aedes aegypti, transmissor da Dengue, da Chikungunya e da Zika vem com força total.

A Dengue vem para ceifar vidas e semear a morte entre nós. E quando não alcança o seu intento, deixa sequelas irreparáveis na saúde de suas vítimas.

Terrenos baldios sujos e abandonados por seus donos, descuido na limpeza dos quintais, galerias pluviais entupidas, lançamento de esgoto clandestino, impacto do desmatamento, e tantas agressões cometidas pelo cidadão no dia a dia, tudo se transforma no banquete para o vetor da Dengue, animais peçonhentos e demais transmissores de doenças.

Mesmo assim, sob risco constante, a população, a grande maioria preocupada com a incolumidade pública, tem de conviver com a má-educação e o desrespeito de alguns para com a coletividade.

Pelo descuido de alguns, a doença pune a todos. E causa dor, sofrimento e morte a quem amamos.

Uma lição de educação tão simples... 
Mas como é difícil colocá-la em prática...

Mesmo assim, lá estão eles, resolutos, os agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias, equipe dos serviços urbanos, secretaria de obras, voluntários de igrejas e associações, comunidade consciente, todos labutando contra o lixo e o entulho, contra os quintais sujos e lotes abandonados. Todos fazendo a sua parte neste mutirão que a cidade promove. 

Mutirão que precisa avançar, na prática e no imaginário de todos nós: Com a pá carregadeira e patrola, caçamba e enxada, cavando fundo na consciência de todos nós...

Tudo para erradicar de vez do nosso comportamento o hábito do desleixo, do descuido e o desrespeito com o meio ambiente da cidade onde vivemos.

Combater o mosquito é um dever de todos! E procurar o médico ao menor sintoma também! 

Sentiu febre alta, dor abdominal, náuseas, vômito, diarreia, dor nos olhos, tontura, fraqueza, sagramento... Procure imediatamente um Posto de Saúde.


Brasilândia-MS, 19 de dezembro de 2018.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A Educação sobre rodas: Motorista Professor.


Carlos Alberto dos Santos Dutra


Corria o ano de 1996 e a Educação garantida aos filhos de Brasilândia neste tempo que hoje é só lembrança, acontecia pelos desvãos das empoeiradas estradas que ligavam o campo à cidade e nele o progresso que aos poucos a todos foi alcançando.

No distrito Debrasa, sacolejando lá vai um ônibus mercedes-benz de cor bege arrebanhando alunos, entre porteiras e cercas, gado e seriemas, adentrando o coração das fazendas que vão surgindo entre ipês, pequis e carandás.

Fátima, Jesuíta, Córrego Azul, Modelo, Miracema e arredores da Debrasa uma a uma vão acolhendo o frescor da juventude e inocência pelas mãos dos motoristas até chegar à Escola para beber do saber e o desafio do amanhã.

Heráclito Luiz da Silva era o professor da estrada. Assim como outros, na pessoa de Alessandro Gonçalves da Cruz e seu mercedes-benz de cor verde, ou os proprietários das famosas peruas Kombi encarregadas de transportar docente e discente por caminhos nativos, do conhecimento de muitos, em especial dos alunos que por lá trilharam essa educação sobre rodas.

E lá estão, muito cedo, aquelas meninas brancas, de rodas, céleres, cortando o município rumo ao Porto João André, fazendas Modelo, Córrego Azul, Antares, Boa Esperança e Vista Alegre, pelas mãos prestativas do Sr. Auri Vieira dos Santos recolhendo o bem mais precioso -- os filhos --, de pais que fitam de longe, vê-los transformados em cidadãos de bem.

Enquanto isso, esses pupilos aguardam, pacientes, junto à porteira ou sob uma árvore, protegendo-se do frio ou do sol, que nasce muito cedo para os que precisam vencer distâncias no tempo da discórdia e na história das injustiças.

Nos trajetos mais longínquos, o dia parece noite e a linha da Fazenda Pontal, feito pela Kombi do Sr. Jesumiro Olimpio de Lima, ou a linha da Barra Bonita, realizada pela Kombi de propriedade da Srª Silvana Alves, é trajeto seguro para o aluno aplicado mesmo que retorne sonolento e cansado para os braços da família.

Alunos e pais permanecem olhando para o amanhã, entre o cerrado e a estrada, enquanto o veículo se esconde no bambusal do caminho. Sentem conforto e confiança em saber que há um futuro para seus pequenos e frágeis tesouros.

Quanto aos professores, que também viajam no itinerário deste aprendizado, por dever e cotidiano de luta, sonham em ver aqueles rebentos, que também são seus, formados, colocados no mundo das realizações e das oportunidades que todos desejam.

O amanhã logo chegará. Mais uma parada, mais uma porteira a ser aberta, mais um viagem cumprida, rompendo o silêncio, mesmo que o gado estoure e o vento balance com força o junco da cana que a cada ano parece mais viçosa. E lá vai ficando para trás as fazendas Jatiúca, Pioneira, Gameleira, Santana e tantas outras...

Um pouco mais adiante, e o pipilar estudantil chega à escola da Fazenda Araponga. Ah, que saudade. O veículo-escola do Sr. Alcides Raimundo abre a porta e os sonhos, a passos largos, saem todos correndo, enquanto uma brisa de esperança e futuro dá sinal de querer entrar.

É fim de aula, é fim de um ciclo. Um novo amanhã que chega. Os motoristas do transporte escolar, que foram e muitos deles ainda permanecem, eles continuam sua missão. Vinte e dois anos se passaram. Mas a lembrança dos mestres da estrada permanecem. Obrigado motorista-professor... Parece que foi ontem.