Seu Gil: Homens ilustres desta terra também merecem
homenagens.
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Gilvaes
de Almeida Rodrigues, o popular seu Gil, como era conhecido, nasceu no
dia 3 de outubro de 1931 na cidade de Avaí, estado de São Paulo. Era filho de Manoel Rodrigues Costa Ferreira e Francisca Theodora de Almeida. Filho de
uma família simples formada por cinco irmãos, dividiu com os demais, Rubens, Iolanda, Tonhão e Irene, uma infância e convivência feliz.
Na sua cidade, o jovem Gil, começou cedo a trabalhar.
Inicialmente como servente, depois, balconista. Sua filha, a professora Mirtes Almeida, lembra que a primeira
empresa que ele trabalhou foi Ângelo
Benetti e Irmãos. Iniciou no dia
30 de janeiro de 1959, observa ela com orgulho do pai com sua carteira de
trabalho na mão.
Chegou a Brasilândia sete
anos após a emancipação político administrativa do município, no ano de 1972.
Dois anos depois, em 1º de junho de 1974, já ocupava o cargo de gerente no ramo
de Posto de Gasolina, Óleos e Lubrificantes, Peças e Assessórios, no então Mato
Grosso, para onde a empresa o havia transferido, assumindo uma de suas filiais.
Depois de trabalhar ainda
um ano, entre agosto de 1980 e junho de 1981, na firma Cavalli Cia Ltda, desligou-se da mesma e abriu o seu próprio
negócio. Consta nos registros da
Receita Federal que em setembro de 1980 ele abriu o estabelecimento Bar Continental, e depois, já em definitivo, dedicou-se
às atividades da empresa Comércio de Auto
Peças São Cristóvão, e a comércio varejista de gás, com o Depósito de Gás, da Liquigás,
localizado na antiga Avenida Panorama, nº 798, no centro de Brasilândia.
Homem lúcido e dinâmico,
neste período também se dedicou à exploração da rede leiteira do município,
realizando o transporte de leite produzido nos sítios e fazendas através de uma
Linha de Leite, para onde transportava o produto recolhido para a antiga empresa,
o Laticínio de Brasilândia, que
existia na época, do saudoso e popular, senhor Luiz do Laticínio.
Seu Gilvaes era um amante da
leitura e de fino trato. Era um homem que escondia a sua sabedoria, sendo que
poucos o conheciam a fundo. Participante ativo da vida social da cidade
destacava-se como um mentor e conselheiro dos demais. Razão pela qual era convidado
para participar das instituições e entidades, como a Associação Atlética Brasilandense-AAB, entre outras que ajudaram o fortalecimento
do município que ainda erguia nestes tempos primeiros suas hostes e horizontes.
No âmbito da política,
filiado ao PTB, foi candidato a vereador no ano de 1988, não se elegendo. Também
participou nas eleições de 1992, por este mesmo partido, como candidato a
Vice-Prefeito ao lado da candidata Prof.ª
Sandra Aparecida Louzada da Costa, ano em que foi eleita a prefeita Neuza Paulino Maia. Depois de uma rápida passada ainda pelo
PSDB no ano de 1999, aposentou-se do trabalho e da política, não sendo esta sua
verdadeira vocação, homem inteligente que era.
Ao lado de dona Emilia
Bichoff Rodrigues, com quem teve cinco filhos – Miriam, Mirtes, Merina,
Mary e Marcos --, construiu sua vida com simplicidade, dignidade e
respeito. Casal participativo também na vida religiosa da comarca de emergia,
nos primeiros anos de existência da Paróquia Cristo Bom Pastor, o casal atuou
de forma decisiva ajudando a comunidade católica nas festividades e promoções
realizadas, desde o tempo das Irmãs
Missionárias, ele como presidente do Conselho Paroquial, até depois da
chegada do padre Lauri Vital Bósio.
Antes do seu falecimento,
que ocorreu na cidade de Tupi Paulista/SP, em seis de janeiro de 2016, o autor
deste artigo teve uma experiência singular com esse pioneiro de Brasilândia que
depois de 1991, já aposentado, teve tempo para desfrutar a beleza e a paisagem
da vida que o cercava. Encontrava-se o seu Gil, ali sentado num degrau da Praça Santa Maria observando os taxi e
caminhões de frete que por ali estacionavam.
O dia estava radiante e
era pela manhã. Ao passar por ele, eis que o cumprimento e sento ao seu lado em
silêncio. Observo que ele tinha um livro nas mãos, um livro de minha autoria
que há alguns anos havia lançado em Brasilândia. Logo ele me diz: eu leio
tudo o que você escreve, até os jornais. E apreciava. O que me gratificou
muito naquele momento. E logo nos alongamos na conversa e ele começou a me
contar outras histórias, uma atrás da outra.
E eu ali, encantado, sem
gravador, querendo tudo anotar. O ruído da rua, os transeuntes, a sua voz moderada,
e aos poucos fui vendo fio daquelas histórias ir se perdendo e eu impotente sem
ter muito que fazer, a não ser ouvir. A tarde anunciava que o tempo de partir
havia chegado. Despeço-me daquele homem lá no ano de 2015, para reencontrá-lo,
agora, anos depois, através da narrativa de sua filha, professora Mirtes, que
revive também em silêncio a saudade. O que nos resta lamentar e agradecer
prestando-lhe essa tardia homenagem.
Brasilândia/MS, 2 de
novembro de 2022.
Foto: Arquivo José Cândido da Silva, 2015). Fonte: DUTRA, C.A.S. História e Memória de
Brasilândia/MS, Volume 1-Pioneiros, 2. Ed. Brasilândia/MS, Edição do Autor, 2020,
pág. 190-191.