sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

 

Dona Mocinha e sua história de amor e superação.

Carlos Alberto dos Santos Dutra



O som de mil vozes pelos corredores daquele amplo espaço se misturava ao ruído dos veículos da rua e os ônibus que saíam e chegavam naquela imensa estação rodoviária no coração de São Paulo. E ele estava lá, ao lado de sua mãe dona Alexandrina Maria Rosa, com os olhos muito atento a tudo e a todos naquela cidade estranha. 

Eu relembro, eu relembro. Seu Aparecido Lopes de Almeida, popular Aparecidinho, lança um olhar para a esposa que se encontra ao lado, passados setenta anos e a uma distância de quase mil quilômetros, daqueles acontecimentos, eles relembram esta emocionante história. 

--Meu pai era viúvo e minha mãe também, recorda dona Josefa Ribeiro de Almeida, a esposa que muito cedo recebeu o nome de Mocinha. --Aí meus pais se casaram, lá no Pernambuco. Meu pai tinha 6 filhos, e minha mãe tinha 4 filhos, quer dizer, formaram 10. Daí, da união deles dois, nasceu duas meninas: eu e outra, de nome Margarida, que teve mais sorte do que eu, e morreu, sorri encabulada.

--E eu tô aqui, ainda, prossegue. --Aí papai.... Aqui dona Mocinha faz uma pausa para confessar: --Toda a vida sempre teve homem sem-vergonha. Pois papai enrabichou com a cunhada, irmã da primeira mulher dele e veio embora para o estado de São Paulo. E trouxe os 6 filhos dele, do primeiro casamento, e me carregou também, eu pequenininha, com três anos ou quatro de idade, por aí.

 

Sem entender muito o que acontecia, --Minha mãe pensou que eu tinha morrido ou que alguém me carregou. Naquele tempo, observa, a mulher, ela só tinha que falar Amém. Não é como hoje. Hoje a mulher fala e tem voz, mais de primeiro não! Mulher que falava apanhava. Não é não, e pronto! Eu falo porque eu sou de ontem... Ela olha, cabisbaixa, para o esposo que se encontra ao lado e diz em tom quase inaudível: --Já tá bom, vou calar minha boca.

 

Sua mãe, então, ficou lá no Pernambuco achando que tinha perdido a filha. Dona Mocinha conta que ela chorou, a coitada, que ficou com os quatro filhos dela. E eu, papai me trouxe embora num pau de arara para o estado de São Paulo. Naquele tempo era assim, observa, o povinho do Norte era assim, sem documento, sem nada.

 

Desta forma, aquela menina que nascera no dia 8 de outubro de 1949, com apenas quatro anos de idade, desembarcou na cidade paulista de Urânia, de mão dada com seus seis irmãos filhos homens de seu pai. E se firmaram por lá, onde, com os passar dos anos, a família trabalhou e prosperou. --A família que eu fui criada, portanto, foi a família do meu pai. Sobre minha mãe, nada. Ninguém dizia uma palavra.

 

Assim ela cresceu e passou sua juventude. Até a idade dos 15 anos de idade, quando se casou no dia 5 de fevereiro de 1964 com seu Aparecidinho, que tinha na época 21 anos de idade. Ela, que havia nascido no antigo distrito de Carnaíba de Flores, no sertão pernambucano, foi em solo paulista que conheceu seu esposo, nascido em 9 de setembro de 1942, natural de Tanabi/SP, mas cuja família havia migrado do sertão baiano.

 

--No meu documento, dona Mocinha lembra, não tem o nome da minha mãe. Tanto que eu fui registrada só aqui em Urânia/SP. Naquele tempo o pai falou não! E acabou! E eu nunca me atrevi a perguntar para meu pai por quê? Meus irmãos e minhas irmãs, eles que contavam a história para mim, escondido dele, porque papai era bravo.

 

Ela recorda que um de seus irmãos, o mais novo, de nome Enoque sempre lhe falava: --Mocinha, quando eu for no Pernambuco eu vou conseguir notícia da tua mãe e trazer para você. Ele falava isso escondido do papai, diz ela sorrindo.

 

E o tempo passou e deu suas voltas. Foi quando, pouco antes de seu pai falecer, deu uma febre do povinho do estado de São Paulo vir para cá comprar terra. Seu pai vendeu o que tinha em Urânia e comprou 53 alqueires de terra aqui no Mato Grosso, nas proximidades do córrego Bom Jardim. --Papai tinha um sítio que era o maior no córrego Jardim, fora o dos Galdino, ali ao lado dos Galdino, tudo de divisa com o nosso. Quando meu pai morreu, meu irmão vendeu, repartiu e foi todo mundo embora, só ficou eu aqui.

 

Dona Mocinha passa o dorso da mão sobre a testa, enquanto deita os olhos sobre uma fotografia antiga de sua mãe. E prossegue a sua história. --Quando foi um dia, o Enoque, meu irmão lá de Naviraí, pois foi um bocado de gente para Naviraí, inclusive ainda tem um irmão meu que mora lá. Pois ele (o Enoque) foi no Pernambuco ver as terras que papai tinha deixado lá, pois quando ele veio embora, largou tudo pra lá.

 

Quando ele voltou, para a surpresa de dona Mocinha, uma boa notícia lhe foi entregue: --Ó Mocinha, eu andei bastante para ver se encontrava a tua mãe, mas não consegui encontrar. Mas eu peguei o endereço dela. Você pode escrever para ela, para esse endereço aqui tá.

 

Aquela senhora, na época com quarenta e poucos anos, foi como se voltasse a ter novamente quatro anos de idade. --Não foi dois palitos e eu fiz uma cartinha, pois minha maior paixão, seu Carlito, era ver minha mãe. Os outros, no Dia das Mães, tinham alegria e eu tinha tristeza; porque não tem calor igual ao calor da mãe, não tem. E ela chorou; chorou também quem estava ao seu lado.

 

E prosseguiu sua odisseia: --Aí eu fiz a carta. Naquele tempo aqui em Brasilândia não tinha Correio, não tinha nada aqui. E Aparecido foi levar essa carta para minha mãe. Aparecido foi lá em Panorama ‘ponhar’ a carta para ir para o Norte. Depois disso, dona Mocinha aguardou um tempo que lhe parecia uma eternidade.

 

Quando sua mãe, lá no Pernambuco, recebeu essa carta, se estabeleceu uma confusão. Quando mãe e filha se encontraram, tempo depois, a mãe contou para a filha os detalhes desta novela: --Ela me disse que corria feito uma doida com a carta na mão: é da minha filha, é da minha filha! Aí meu irmão por parte de mãe disse assim: --Mãe, vai ver que essa mulher não é sua filha. Mãe, e se não for? Ir no Mato Grosso, é o fim do mundo!

 

Dona Maria Tereza de Jesus, mãe de dona Mocinha, conhecida pelo nome de Maria Quinca, então, deixou o tempo passar e acalmar os ânimos da família. --Aí, quando foi um dia, ela disse que fez isso para experimentar se eu era mesmo a filha dela. Queria saber se eu era filha de Bodocó, porque meu pai tinha apelido de Bodocó, todo mundo conhecia ele como Zé Bodocó.

 

--Aí ela escreveu. Até bem pouco tempo eu tinha esta carta guardada. Ela ‘ponhou’ na carta assim: --Mocinha se tu realmente tiver vontade de me conhecer que nem eu tenho de te ver, você manda o dinheiro da passagem que eu vou aí. Só assim.

 

Preocupada com sua mãe, pois ela não sabia ler nem escrever, nunca tinha saído nem para ir na feira, dona Mocinha pensou: como ia fazer três dias de viagem? Era tempo demais para ela.

 

Quando a carta chegou comunicando que sua mãe ia vir, dona Mocinha falou: --E agora? Pensou nos custos dessa viagem. --Daí eu fiz assim: eu lavava roupa para oito casas. Peguei o dinheiro, pois naquele tempo eu nem sonhava em aposentar, peguei o dinheiro das mulheres adiantado, inclusive do povo do Talayeh, de todo mundo. E lá foi de novo o Aparecidinho para Panorama mandar o dinheiro, porque aqui não tinha como mandar, não tinha banco.

 

--Quando o dinheiro chegou lá esse meu irmão ‘danô’ que ela não vinha: --Não, a senhora não vai, porque a senhora tá doida, saír daqui e ir para esse Mato Grosso. Sabe lá se essa mulher é sua filha, vai que é uma sei lá, e virou aquela coisa.

 

--Eu vou, firmou dona Maria Quinca! Ela já mandou o dinheiro e pronto! Aí ela mandou uma carta falando que tinha comprado a passagem e era o ônibus da Itapemirim que vinha do Pernambuco para São Paulo. E lá estava mais uma missão para o seu Aparecidinho: ir para São Paulo para encontrar e buscar a sogra. Dona Mocinha brinca: --Se eu, que era a filha, não conhecia ela, como o Aparecido ia conhecer?  

 

E lá se encontrava, agora, aquele senhor inquieto e sua mãe, dona Alexandrina, antiga parteira de Brasilândia, em meio ao murmúrio de vozes e azáfama de passageiros na rodoviária mais importante do Brasil em busca de uma passageira de rosto desconhecido.

 

A maior dificuldade, entretanto, foi não lhes permitirem se aproximar do local de desembarque dos ônibus. E lá se encontravam eles, plantados, sem conhecer ninguém, muito menos quem deveriam acolher, na rodoviária da Barra Funda em São Paulo. --Você imagina se não é uma história?, comenta dona Mocinha.

 

Seu Aparecidinho conta que havia uma repartição na rodoviária onde as pessoas podiam obter informações e ele entrou na fila, logo explicando ao atendente: --Eu moro no Mato Grosso, em Brasilândia, e vim aqui atrás da minha sogra que está vindo do Pernambuco. Disse também que não sabia qual ônibus ela iria chegar e tampouco a conhecia. Só sabia que era ônibus da Itapemirim.

 

Enquanto ele contava sua história, os atendentes, guardas, fiscais e carregadores da rodoviária começavam a inteirar-se da sua missão ali, motivados pelo firme e cadenciado jeito de Aparecidinho falar: --Minha patroa veio de Pernambuco com 3 anos de idade e não conhece a mãe, que está vindo do Norte. Por isso eu tenho que entrar lá onde os ônibus chegam, pedia aos responsáveis que aos poucos foram se sensibilizando com a sua causa.

 

Seu Aparecidinho olhava e só via carros da Itapemirim encostando que vinham do Norte e do Nordeste. --Eu tenho que conversar com vocês, pois eu tenho que chegar na porta de cada ônibus para ver se ela veio neste ou noutro carro. --Tá todo mundo esperando ela lá, e nós aqui também, eu e vocês aqui também, dizia, quase implorando, pedindo ajuda aos que estavam a sua volta e a cada um que chegava ele pedia que o ajudassem a encontrar a sua passageira.

 

Seu Aparecidinho carregava no bolso um documento fornecido pela Delegacia aqui de Brasilândia informando às autoridades a sua condição e o objetivo de sua ida até São Paulo, mas ele acabou esquecendo de mostrar aos atendentes buscando persuadir os demais somente através de suas eloquentes palavras sobre sua necessidade.

 

E lá foi seu Aparecidinho descendo a escada rolante da imensa rodoviária, se dirigindo aos guardas para convencê-los a deixar aproximar-se dos ônibus da Itapemirim que chegavam do Nordeste. Na ocasião, ele não estava sozinho, sua mãe, dona Alexandrina, o acompanhava e, ajudou-o a sensibilizar os presentes da nobre missão que eles eram portadores.

 

Depois de muito conversar, por fim, foi permitido a eles se aproximarem dos ônibus que chegavam. Nesta altura os carregadores e bagageiros que ouviram toda aquela história, começaram também a ajudar.

 

E, assim, cada ônibus da Itapemirim que estacionava, um bagageiro chegava na porta do veículo e perguntava: --Dona Maria Tereza de Jesus, está neste ônibus?, formando uma corrente de solidariedade que só Deus pode explicar, recorda dona Mocinha.

 

Já eram nove horas quando um ônibus chegou e alguém perguntou --Quem é Maria Tereza aí? Foi quando se ouviu uma voz lá do fundo: --Sou eu, apresentando-se uma senhora que, pela voz nordestina, já dava para conhecer, se tratava de minha mãe, observa dona Mocinha quase chorando de alegria só em lembrar.

 

Seu Aparecidinho acenou para os carregadores, bagageiros e guardas que ajudaram na busca: --Deus os abençoe, disse agradecido, momento em que todos deram uma salva de palmas para comemorar àquele acontecimento inusitado que culminou com um final feliz.

 

--Depois de apresentar a todos, dizendo que aquela era a pessoa que eles foram buscar, brinca a dona Mocinha, eles ainda resolveram no dia seguinte seguir viagem até Aparecida do Norte, diante de Nossa Senhora Aparecida agradecer o bom êxito daquela façanha. Vejam só.

 

Dona Mocinha, depois da chegada de sua mãe, pode abraçá-la e beijá-la, colocando sua vida novamente no seu curso. Foi quando sua mãe lhe contou que aquela sua menina fora batizada com oito dias, mas que, até lhe ser tirada, ela foi amada e teve uma infância feliz. O amor e a amizade foi restabelecida, a ponto de dona Maria Quinca não mais querer se apartar daqui. 

Conseguiu emprego na Prefeitura de Brasilândia onde trabalhou por 13 anos como varredora de rua e foi casada com o popular José Bodocó, que tinha o nome de José Ribeiro da Silva. Ele bebia pinga no bar do saudoso João da Pedra, lembra. Ele faleceu e foi enterrado aqui em Brasilândia, e ela, sua mãe, ao fazer uma visita à sua cidade acabou falecendo no Pernambuco, na mesma cidade em que dona Mocinha nasceu: Carnaíba de Flores. 

Dona Maria Quinca, aqui em Brasilândia, quem a conheceu lembra: ela tinha uma marca registrada: era magra, alta e usava um paninho na cabeça. Trabalhou por aqui até se aposentar, ganhou da dona Neuza uma casinha no bairro João Paulo da Silva, e fez uma amizade enorme por aqui, lembra a filha orgulhosa de sua mãe. 

Hoje, o casal, dona Mocinha e seu Aparecidinho, ela com 74 anos e ele com 80 anos, depois de gerarem cinco filhos (dois já falecidos), sete netos e quatro bisnetos, vivem felizes. Quem os vê assim, caminhando céleres e rijos pelas ruas de Brasilândia, sequer sabe a metade das histórias e realizações desta dupla pioneira que faz parte da história de nossa cidade.

Fonte: Entrevista com Dona Josefa (Mocinha), fornecida ao autor em 18 de fevereiro de 2022. Foto: Arquivo dona Mocinha.

 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

 

Por onde andam os Pioneiros da Saudade?

Carlos Alberto dos Santos Dutra




Escrever -- disse-me certa vez o saudoso Jesus Hernandez --, é um ato solitário que só é rompido quando o autor traz a lume sua obra: o livro, parido no dia do lançamento.

Palavras sábias do imortal da Academia Três-Lagoense de Letras que nos deu a honra de estar aqui em Brasilândia prestigiando uma noite de autógrafo no ano de 2005.

Eu diria mais que um ato solitário: é um verdadeiro gesto de heroísmo e paciência.

Tomo por exemplo a obra que nos últimos anos consumiu meus propósitos literários. Escrevi a história de Brasilândia, uma publicação ousada, de 5 volumes e rica bibliografia, retratando os diversos aspectos deste lugar comum que é um pouquinho de nós e de todos que por aqui aportaram.


Mas o mais difícil nesta obra -- o que parecia ser o aspecto mais fácil --, foi justamente falar dos que já partiram. O capítulo dos “Pioneiros da Saudade”, que integra o primeiro volume desta coleção. Na prática, foi o mais demorado e difícil de construir. E por uma simples razão: não temos tempo para falar de nossos mortos.

No mais das vezes lembramos seus rostos, seus pensamentos e as lembranças que ficaram. Um longo suspiro de saudade. E só. Rapidamente somos chamados aos nossos afazeres, o som de uma chamada telefônica, o aceno de um amigo, e lá vamos nós correndo para a vida e seus caprichos que não param, e cada vez mais nos assombra com sua rapidez e complexidade que nos envolve e exige.

Alguns pioneiros, moradores antigos deste lugar, cujos filhos ou netos ainda os guardam na memória ou na caixinha onde se encontram amareladas fotografias da família, oriundas de um tempo não digital. Oh! Mas como é difícil alcançá-los! É como se eles não tivessem mais espaço entre nós.

E realmente eles já não estão entre nós. Isso é um fato.

Mas o sentimento de vazio ainda é maior quando percebemos que não é somente a ausência física que é sentida. Aos poucos a invisibilidade se agiganta e suas imagens se diluem em nossos corações e mentes. E quando nos damos conta, já os perdemos de vez.

A ponto de já não termos mais tempo, sequer para falar um pouquinho sobre eles. Sua importância e o significado que representaram para a família. Os feitos da vida comunitária que ajudaram a construir. Tudo é levado pelo vento.

Esquecemos facilmente aqueles braços que abriram estradas e formaram fazendas; mãos que aplainaram madeira e alinharam tijolos; seios e ventres, lágrimas e sorrisos que alimentaram e fizeram nascer cada um dos que aqui hoje ainda vive e cruza as ruas com o passo firme cheios de si e vontade de viver.

Uma leve brisa dialética nos toma de assalto e percebemos o quão egoísta somos, o quanto ingratos nos tornamos e facilmente nos olvidamos das coisas que realmente foram importantes para todos nós.

Sim. Perdemos a memória. E a pergunta cabal carrega em si a resposta que bem sabemos: Estamos aqui porque eles nos antecederam. Foi pelos caminhos abertos por eles, que hoje trilhamos seguros, o futuro que eles plantaram.

Bem que mereciam uma palavra de agradecimento. Bem que mereciam inscrever um cadinho de suas vidas na moldura da história pela pena de um escrevinhador. Bem que cada filho, sobrinho ou neto podia dar este presente para a posteridade: imortalizar o feito destes primeiros quiçá imperfeitos, mas que tornou a todos melhores.

Esse é o desafio do escritor, do historiador, do memorialista: despertar nos vivos o quanto de vida ainda pulsa na sombra do que restou de nossos antepassados. Uma forma de homenageá-los. Porque reverenciá-los significa valorizar a nós mesmos, nossas famílias, nossa cidade.

A coleção "História e Memória de Brasilândia" em seu primeiro volume dedicado aos "Pioneiros" aguardou por um bom tempo o retorno do convite feito a rebentos dos pioneiros plantadores de tâmaras que um dia que já vai longe passaram por Brasilândia.

Logo o segundo volume, “Patrimônio” estará sendo distribuído à comunidade, sob o patrocínio da Câmara Municipal de Brasilândia. A semente foi lançada, o aceno foi dado. E para quem se encontra sentado à beira do caminho, curtindo o sonido do vento e o ardor da saudade, a trilha ainda pode ser alcançada... com um breve estender da mão.


Foto: Praça Santa Maria. Seu Tobias, Chico Doce, Zeca (pai do Loló), Ademir, Agmon, Alvino Valentim. Recolhida por Moisés Viana, 1982.

 
Pequena História da Diocese de Três Lagoas/MS
Diác. Carlos Alberto dos Santos Dutra
 
Voz

Amigos aqui presentes
Um momento vou falar
Quero a todos saudar
Neste encontro especial
Reunida a pastoral
Evangelho, catequese
Falo aqui pela Diocese
Três Lagoas está presente
E como estamos contentes
Poder a todos falar
E sua história contar
Que começou muito antes
Quando os primeiros habitantes
Santana de Paranaíba
Foram os primeiros escribas
Da história da região.
 
Padre Manoel de Casal
O Caiapó, Garcia Leal
Mil oitocentos, o ano
Tempo difícil, paisano
Ocupação de terra, disputa
Políticos, poder, má conduta
Campo fértil pro Evangelho
Trouxe o novo sobre o velho
Padre Francisco Fleury
Missionando por aí
Pois até cinquenta e sete
Tudo a Corumbá compete
Só depois nasceu no Estado
Campo Grande foi criado
Pelas mãos de Dom Antônio
Barbosa, e o patrimônio
Do antigo Mato Grosso
Que conferiu o endosso
Quando passou vinte anos
Empossou um salesiano
Geraldo Majela Reis
Primeiro bispo de vez
No dia 3 de janeiro
Setenta e oito, o pioneiro
Depois, Izidoro, vicentino
E foi longe este menino
27 anos de episcopado
Dom Moreira, apostolado
Mineiro que o sucedeu
Legado que se estendeu
A Dom Luiz Kupp, atual
Que conduz a pastoral
Com graça que Deus lhe deu.
 
Abrangendo dez cidades
Quinze paróquias instaladas
Cem capelas vinculadas
Padres, diáconos, religiosos
Leigos de corações bondosos
Comunidades atuando
Santo Antônio, Catedral, cantando
Aparecida, Luzia
Rita de Cássia, alegria
Francisco de Assis que completa
Na Diocese em cancha reta
Comunidade e seus dias.
 
E lá estão as paróquias
Água Clara, o Sagrado Coração
Pedro Apóstolo, em Chapadão
Bom Pastor, em Brasilândia
São José, em Cassilândia
E em Santa Rita do Pardo
Rita de Cássia em resguardo
Em Paranaíba, soberana
Santo Antônio e Sant’Ana
Em Selviria, João Batista
E para completar a lista
Bom Jesus, de Inocência
Aparecida abrangência
Do Taboado além da vista.
 
Toda esta trajetória
Que nasceu já faz cem anos
Teve a mão de paroquianos
Verdadeiros missionários
Novenas, procissões, rosários
Foram tantas religiosas
Salesianas prestimosas
Batistinas, Franciscanas
Devotas Agostinianas
Com a pastoral sonhada
Valorizado a caminhada
Lá estava o padre Ariento
Nicolau, Ernesto, alento
César, John, Adeodato
Unidos num só mandato
Desde os primeiros anos
Na Catequese, Margarida.
De Jesus Crucificado
Num trabalho dedicado
Em Selviria, Irmã Nair
Sabendo para onde ir
Inês Guarnieri e Rita
Em Água Clara, Irmã Benedita
Brasilândia, Judite, Geralda
Batismo, matrimônio, grinalda
Paróquias em construção
Mulheres que estenderam a mão
Irmã Laura, Susana, Francisca
O Evangelho seguido à risca
Maria Moura, Adélia
Irmã Vilda, Célia, Zélia
Primeiras coordenadoras
Que foram as precursoras
Que seguiram de mãos dadas
Foram trilhando estradas
Com presteza e diaconia
Diácono Jorge, Pedro, alegria
José Manoel e João
Alberto, Antônio, irmão
Afonso, Rikio, exemplos
Ajudaram a construir templos
Fomentaram seguidores
Todos os colaboradores
Na construção desta Igreja
Não importa aonde esteja
Suscitou gente de fé
Gastando a sola do pé
Por estas plagas andejas.
 
Pro arremate a homenagem
A uma grande catequista
Já saudosa e benquista
Por todos, a Sara Hita
Entre outras senhoritas
Quero aqui lembrar seu nome
Pois o tempo já consome
Quem fez parte da história
Nos perdemos na memória
Lá pelos anos noventa
Ela andava sempre atenta
Em quase toda a assembleia
Ela lançava uma ideia
Pleiteando prioridade
Documentos e verdades
Indicando horizontes
Olhar para além dos montes
À Diocese retraída
Apontando uma saída
Para o povo que se abria
Nova evangelização.
 
E Sara Hita, paciente
Foi formando o ambiente
Missionária proativa
Sempre comunicativa
Propôs ao clero leitura
Realidade abertura
Engajada catequista
Tantas, hoje, idealistas
Também seguem esses passos
Buscando afrouxar os laços
De uma Igreja em saída
Que se lança ao som da vida
Com os leigos de mãos dadas
Pés descalços pela estrada
Que o Papa nos convida.
 
Brasilândia/MS, 14 de julho de 2022
Diác. Carlito / Paróquia Cristo Bom Pastor

sábado, 26 de novembro de 2022

 

Mulher Negra, Mãe, Escravizada, Advogada.

Conselho da OAB Nacional reconhece Esperança Garcia como primeira advogada do Brasil



 

O Conselho Pleno da OAB Nacional reconheceu, na manhã desta sexta-feira (25/11), Esperança Garcia como a primeira advogada brasileira. Ela foi uma mulher negra escravizada que lutou contra a situação a qual ela e outras pessoas foram submetidas. O presidente Beto Simonetti comunicou aos presentes que a direção nacional aprovou o reconhecimento e a construção de um busto em homenagem a ela a ser colocado na sede do Conselho Federal.

O tema foi abraçado pelo CFOAB pela então presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada (CNMA) e hoje presidente da OAB-BA, Daniela Borges, e a então presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade (CNPI) da OAB, hoje conselheira federal Silvia Cerqueira (BA). Ambas fizeram o requerimento em nome da história de Esperança Garcia ainda na gestão 2019-2022, que foi também encampado pelas atuais presidentes dos órgãos, Cristiane Damasceno, na CNMA, e Alessandra Benedito, na CNPI.

“Mulher negra e escravizada peticionou, com o pouco conhecimento que tinha, das letras da lei, ao governador da capitania do Piauí para denunciar as violências pelas quais ela, suas companheiras e seus filhos passavam. A decisão é absolutamente oportuna, especialmente pela simbologia do mês de novembro, em que se comemora no dia 20 o Dia da Consciência Negra”, disse o presidente. Ele reforçou, ainda, que a OAB promove a campanha Novembro Preto, com o objetivo de falar sobre os avanços e impactos das questões raciais. 

“Que Esperança Garcia seja reconhecida como a primeira advogada brasileira. Para homenagear a história de Esperança Garcia, nada mais justo que reconheçamos agora a importância e declarar que ela é, sim, a primeira advogada do Brasil”, disse Beto Simonetti, presidente do CFOAB. Os conselheiros federais e direção nacional da Ordem aplaudiram de pé o encaminhamento.


História de Esperança


Em 2017, Esperança Garcia foi reconhecida pela seccional da OAB de Piauí como a primeira advogada piauiense. Em 6 de setembro de 1770, ela escreveu uma petição ao governador da Capitania em que denunciava as situações de violências pelas quais crianças e mulheres passavam e pedia providências. 

A data foi instituída, também, como o Dia Estadual da Consciência Negra, em 1999. O documento histórico é uma das primeiras cartas de direito de que se tem notícia. A OAB-PI considerou a carta como o primeiro habeas corpus e, portanto, o encaminhou aos dois colegiados que passaram a também resgatar a história para valorizá-la, em âmbito nacional. 

“Resgatar a memória de Esperança Garcia no plenário desta Casa é algo que nos remete à filosofia do ubuntu, que diz que devemos viver a restauração e a justiça no sentido de ver o passado para que não venhamos a cometer novamente aquelas atrocidades. Isso faz com que hoje vossa excelência tome uma atitude histórica, dando sequência a todo o trabalho que o Conselho Federal tem feito sobre as ações afirmativas. Esperança é um marco. Construiu o documento com toda a forma, desde o cabeçalho até o argumento final. Estou extremamente feliz e emocionada”, afirmou Silvia Cerqueira. 

Silvia Souza, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos, também ressaltou a importância do caminho trilhado pela OAB bem como registrou homenagens à colega Silvia Cerqueira, a primeira conselheira federal negra, aquela que assumiu o projeto de resgate da memória de Esperança Garcia no CFOAB e, também, como lembrou, fez a sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF) na ação que declarou constitucionais as ações afirmativas no ensino superior, a ADPF 186. 

A ideia é que seja construído um busto em homenagem a Esperança Garcia e como forma de lembrança do papel que ela cumpriu com firmeza na defesa da comunidade em que vivia. “É muita honra para o Piauí ter a história de Esperança Garcia reconhecida pelo Conselho Federal, e especialmente para nós, mulheres. O Piauí e a advocacia feminina estão em festa”, disse a conselheira federal pelo estado Élida Machado Franklin. 

O membro honorário vitalício Cezar Britto celebrou o momento. “A história é a referência que devemos ter para saber os caminhos que devemos seguir ou não seguir. Hoje é um dia extremamente importante neste reconhecimento. São esses gestos, de ação, que acenam para o público que é importante persistir, resistir.”


Dossiê Esperança Garcia


O reconhecimento a Esperança Garcia ocorreu sob a liderança e o trabalho de pesquisa da saudosa professora e advogada piauiense, Maria Sueli Rodrigues de Sousa, que presidiu a Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB/PI (2016-18), período em que coordenou a produção do "Dossiê Esperança Garcia”, estudo responsável por reconhecer o título a Esperança Garcia como a primeira advogada do estado do Piauí e por tornar conhecidos nacionalmente seu nome e sua história como símbolo de resistência para o Direito.

"Eu penso que a Esperança aprendeu a ler por outros meios (que não pelos jesuítas). Agora, a gente olhando as Ordenações Filipinas, a gente vê que culmina com uma petição. O endereçamento tá correto, porque era endereçado ao rei. A luta pra tomar água. Era endereçada ao rei. O governador da província era o representante do rei. Por isso, ela endereçou a ele. E ela começa se apresentando, dizendo que é casada e tem muitos elementos religiosos. Mas a gente não pode esquecer o que eram as Ordenações Filipinas. Então, ela ia atrás daquele que a protegesse", afirmou Maria Sueli, em entrevista à Revista Direito Público (confira aqui).


Em série de textos que homenagearam juristas que marcaram a história, publicada ao longo do mês de agosto, quando se celebra, no dia 11, o Dia do Advogado, Esperança Garcia teve sua história contada e registrada.

Confira aqui a íntegra. Confira o estudo sobre Esperança Garcia coordenado pela advogada Maria Sueli Rodrigues de Sousa

 

Fonte: https://www.oab.org.br/noticia/60503/esperanca-garcia-e-reconhecida-pelo-conselho-pleno-como-a-primeira-advogada-brasileira; Foto: Imagem de Esperança Garcia postada em https://esperancagarcia.org/esperanca-garcia/

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

 

Vamos falar Ofayé?

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 






A pergunta pode parecer estranha para alguns. Não para os habitantes do município de Brasilândia, no Mato Grosso do Sul. Todos conhecem a saga desta, outrora vigorosa nação caçadora e coletora da margem direita do rio Paraná, sobrevivente que vive na Aldeia Anodi próxima ao ribeirão Boa Esperança berço de seu aparecimento na região. Porém poucos sabem que eles ainda falam o idioma Ofayé, língua única no mundo e que aos poucos começa a ser novamente falada pela comunidade indígena que não soçobrou.

A ideia de tornar esta língua, originalmente falada pelos primeiros habitantes da região, em língua cooficial não é um fato isolado na história. Em 2019, o então deputado pelo Mato Grosso do Sul, Dagoberto Nogueira já havia pensado algo semelhante, qual seja: tornar cooficial as línguas indígenas nos municípios brasileiros que possuem comunidades indígenas. Passava assim, cada município a ter como língua cooficial a língua indígena praticada no local.

Sem dúvida, em termos de Brasilândia, seria uma forma de prestar reconhecimento à língua Ofayé, secularmente falada na região. Mais que isso, seria uma forma de dar visibilidade e, consequentemente, garantia de direito aos seus falantes. Isso sem mencionar o alcance que este reconhecimento teria junto aos indígenas oportunizando ao Estado a prestação de serviços, como por exemplo, o fornecimento de documentos públicos na língua oficial (português) e na língua cooficial (indígena).

Tal iniciativa já é realidade em outros povos indígenas. Em 2002 o município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, tornou-se o primeiro município brasileiro a cooficializar línguas indígenas. Uma lei municipal tornou o Tukano, o Baniwa e o Nheengatu línguas cooficiais. A cooficialização neste município fez irromper, em seguida, em diversas partes do País, reinvindicações de outros grupos étnicos para legalizar e legitimar suas línguas, que representam um aspecto essencial na construção de suas histórias.

Há quem possa dizer que o povo Ofaié, hoje reduzido a pouco mais de uma centena de indivíduos aculturados e miscigenados, não mereça tal esforço legislativo da edilidade local. Há de se dizer, entretanto, que antes de qualquer caucasiano aqui ter fincado sua bota, espada e cruz nesta terra, os Ofaié eram mais de dois mil indivíduos num país de 6 milhões. E hoje, com voz própria, ao reivindicar o uso de suas línguas em contextos oficiais e públicos, os indígenas reafirmam sua legitimidade linguística perante o Estado e buscam um novo padrão de relação política, no qual os grupos étnicos passam a ter um maior protagonismo e autonomia em suas relações.

A língua Ofayé aos poucos está sendo recuperada e revitalizada pelos jovens professores bilingues de hoje: José Koi, Elizângela e Silvano Hantarhec, ao lado dos falantes: Severino Haí, Neuza Tenghô, Ademir Hegraí, Cleonice Kníi, Joana Okuinrê, Luciana Chamiri, Rosalina Iorê, Eduardo Hauê, entre outros. 

E, assim, eles se somam a todo o saber e sons outrora pronunciados pela boca de Eugênia Pã, Alfredo Ekureifyg, Dirce Ranhão, José Fuicxerêfuê, Eduardo Crií, Maria Tagoé, Tomé Chião, Felipe Totê, Francisca Hegueí, João Canrê, Arlindo Otichô, Gilmar Yacuinin, João He-í, Maria Hantogrê, Marilda Xartâ, Cleuza Kairã, Ataide Xehitâha... que já partiram. 

A diversidade linguística e cultural é uma riqueza que precisa ser melhor conhecida, documentada e preservada, todos sabemos e defendemos. Perder uma língua implica perder os conhecimentos incorporados àquela língua, inclusive conhecimentos culturais, ecológicos, elementos sobre a pré-história humana, informações sobre as estruturas e funções das línguas de modo geral. É uma preciosidade que temos nas mãos e não podemos deixar que se perca.

Sem dúvida, Brasilândia não é uma São Gabriel da Cachoeira, onde são falados 18 idiomas, sendo considerada aquela região do Alto Rio Negro como uma onde se encontra a maior diversidade étnica e linguística da Amazônia. 

Mas até nesta cidade, onde todos os indígenas falam a sua língua, no começo foi difícil: há 20 anos, isso era impossível, porque as pessoas tinham vergonha de falar sua língua materna e preferiam falar o português. Hoje, não. Se você passar 15 minutos andando nas ruas, você vai ouvir quase todas as línguas faladas aqui no município, observa o prefeito de São Gabriel da Cachoeira.

No Mato Grosso do Sul, o município de Tacuru, em 2010, já havia oficializado o Guarani como língua cooficial. No estado de Tocantins, Tocantínia também tinha declarado cooficial a língua Xerente naquele município. Segundo o prefeito daquela cidade a Rede Municipal de Ensino estava se preparando para colocar em prática a lei aprovada há dois anos. A ideia era oferecer o ensino de Xerente para todas as crianças do município, mesmo para os não indígenas.

A Escola Municipal Ofaié E-Iniecheki instalada na Aldeia Anodi, no município de Brasilândia, através do ensino às séries iniciais, vinha conseguido grande progresso junto aos alunos, no ensino da língua Ofayé, com o apoio e dedicação dos professores bilíngues que atuavam na Escola que era mantida pela Prefeitura. 

Tranquilamente estes professores, jovens e anciões falantes da língua mãe deste povo poderiam contribuir de maneira decisiva para o caso do Município ou o Estado buscar qualificar o seu quadro docente propondo, inclusive, regras unificadas para a escrita do idioma Ofayé, uma vez que os professores desta etnia já possuem materiais didáticos e dicionários de sua autoria publicados, que serviriam, ao lado da mão de obra qualificada que representam, de subsídios para o ensino da língua em todas as escolas da Rede Municipal e Estadual de Ensino.

A aprovação de um Projeto de Lei pela Câmara Municipal de Brasilândia pode ser uma excelente oportunidade para o Poder Público demonstrar sua preocupação com a cultura e sua preservação notadamente da língua Ofayé. O reconhecimento desta língua como cooficial, com certeza, carrega em si um valor simbólico de alta relevância e incentivo para que as pessoas passem a usar a língua pátria desta terra no seu dia a dia.

Há alguns anos a Profª Floriana Débora de Souza Ladeia, então Secretária Municipal de Educação e Cultura, alimentava um sonho, também sonhado pelo imortal Hildebrando Campestrini (in memoriam) de colocar placas com a grafia indígena nos prédios e logradouros públicos de todo o Estado de Mato Grosso do Sul. 

Aqui em Brasilândia, a ideia também era essa: instalar placas com o respectivo nome Ofayé em pontes, margens dos rios, córregos, praças, escolas, hospitais, comércio, ruas, fazendas, portal de entrada e saída da cidade; enfim, espalhar palavras Ofayé pelos campos e cerrados, bairros e jardim desta nossa Cidade Esperança. Que tal retomarmos essa ideia, senhores edis?

Publicado originalmente em 25 de novembro de 2022.

34º ano de falecimento de Sebastião de Souza Ofaié

 

 

Fonte: https://www.camara.leg.br/noticias/625266-comissao-aprova-projeto-que-torna-idioma-indigena-lingua-cooficial-em-municipios-com-aldeias/?fbclid=IwAR0RnMllN06y_Vq4ahA_kF5vW8SY0KxWnHnKibetLKZb0EzX3XSCDbICjmQ; 

Projeto de Lei nº  3.074-A, de 2019 (Do Sr. Dagoberto Nogueira) Dispõe sobre a Cooficialização das Línguas indígenas nos municípios brasileiros que possuem comunidades indígenas.

Foto: Eduardo Monteiro, Hauê Ofaié (1950 - ) Imagem recolhida pela Profª Marta Fonseca, 2019

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Canción Por La Unidad Latinoamericana

Pablo Milanés



El nacimiento de un mundo se aplazó por un momento

un breve lapso del tiempo, del universo un segundo.
Sin embargo parecía que todo se iba a acabar
con la distancia mortal que separó nuestra vidas.

Realizaron la labor de desunir nuestras manos
y a pesar de ser hermanos nos miramos con temor.
Cuando pasaron los años se acumularon rencores,
se olvidaron los amores, parecíamos extraños.

Qué distancia tan sufrida, que mundo tan separado
jamás hubiera encontrado sin aportar nuevas vidas.
Esclavo por una parte, servil criado por la otra,
es lo primero que nota el último en desatarse.

Explotando esta misión de verlo todo tan claro
un día se vio liberal por esta revolución.
Esto no fue un buen ejemplo para otros por liberar,
la nueva labor fue aislar bloqueando toda experiencia.

Lo que brilla con luz propia nadie lo puede apagar,
su brillo puede alcanzar la oscuridad de otras costas.
Qué pagará este pesar del tiempo que se perdió.
de las vidas que costó, de las que puede costar.

Lo pagará la unidad de los pueblos en cuestión,
y al que niegue esta razón la historia condenará.
La historia lleva su carro y a muchos nos montará,
por encima pasará de aquel que quiera negarlo.

Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.
Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.

Pablo Milanés (24.Fev.1943 - 22.Nov.2022)