quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 Qual é o doce mais doce, Chico Doceiro?

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 







Qual é o doce mais doce que o doce de batata doce? Este é um adágio popular conhecido no Brasil inteiro. Mas aqui em Brasilândia/MS uma outra frase pode ser comparada a ela. O tema foi eternizado nos ouvidos de quem conheceu o mantra de seu Chico Doceiro: --Comadre, quem vai querer bolo de milho? Como bem lembrou o prefeito Dr. Antônio na sua live semanal, referindo-se ao amigo.

Falar sobre seu Francisco Martins de Arruda, popular Chico Doceiro, logo após a sua despedida não é tarefa fácil, sobretudo para a família que ainda vive sob forte comoção. Recordar o quanto ele significou para esta comunidade, entretanto, pode ser um gesto de gratidão e homenagem.

A trajetória de um homem só pode ser dimensionada por aqueles que estiveram ao seu lado e acompanharam de perto seus passos ao longo dos anos. Muitíssimo popular, esse brasilandense de coração deixou marcas profundas de simpatia naqueles que conheceram seu temperamento franco, alegre e brincalhão.

Nascido no dia 20 de agosto de 1939 na cidade de Novo Horizonte/SP, seu Chico era filho de Pedro Martins de Arruda e dona Petronilha Nunes de Oliveira. Pertencia a uma família numerosa cujos pais sustentaram 14 filhos. Ele e seus irmãos: Eugênia, Umbelina, Maria, Izabel, Augusta, Helena, Olivia, Luzia, Joviano, Antônio, José, Anézio, e Waldomiro.

Órfão de pai a partir dos sete anos de idade, ajudou a mãe a sustentar a casa e manter a família e os irmãos.

Passou a infância na cidade de General Salgado/SP ajudando a família a tocar roça, agricultores que eram. Estudou até a 4ª série, tendo passado seus primeiros anos até a mocidade trabalhando na lavoura ao lado dos irmãos.

Durante sua juventude, entre os gostos que cultivou estava o de andar a cavalo, prática que o acompanhou durante anos, sonho que apartou de si somente depois de adulto.

Quando completou 25 anos de idade, numa de suas andanças pelo Oeste paulista, na cidade de Fernandópolis, conheceu aquela que viria a se tornar sua esposa. Casou com dona Maria Júlia Cardoso no ano de 1964 na cidade de Aparecida D’Oeste/SP, mudando-se para Três Lagoas, anos depois.

Seu Chico se estabeleceu em Brasilândia no ano de 1977 quando se firmou na profissão de motorista e vendedor, popularizando-se como distribuidor de doces por muitos anos. Atividade que lhe conferiu o apelido Chico Doceiro. Ao lado da esposa viu crescer seus três filhos: Francisco Carlos (Carlinhos), Mara Silvia e Francismeiri (Fran).

Homem que nunca enjeitou trabalho, também laborou num sitio próximo a Debrasa em 1984 e também no sitio Esperança Dois, no Reassentamento Santana, em 2004, propriedades que cultivou e administrou com zelo.

Das alegrias que tinha, a maior delas era quando seu time do coração – o Corinthians --, ganhava alguma partida, pouco se importando com as derrotas sofridas.

Nos finais de semana, sua preferência era um bom churrasco de carne bovina ou suína – naqueles tempos áureos. Nos demais dias, contentava-se com  feijão, arroz e frango, prato que não abria mão por preço algum, quando preparado por sua esposa.

Era nessas ocasiões, quando se reunia com a família e os amigos que seu Chico parava para pensar na vida e no longo trecho de estrada que havia trilhado pela Brasilândia e região. 

E lá ia Chico Doceiro com seu caminhãozinho F-4 mil amarelo de frete, transportando mudanças, levando e trazendo estudantes, famílias, galhos de árvores, tijolos, sonhos e esperança, sem nunca deixar de sorrir ou escapar uma palavra engraçada de otimismo, descontraindo o ambiente.

Alegria só comparada a satisfação de olhar para trás e ver os filhos criados e os netos com saúde: Ellen Mara, Eloisa, Ricardo, Mônica, Rafael, Dayane e Beatriz Vitória. E os bisnetos: Jorge Otávio e Alicia. Satisfação que o fazia, de quando em vez, cantarolar uma canção de ninar para essas crianças quando ainda eram pequenas.

Como a lembrança que a filha Fran Arruda guardou no coração até os dias de hoje: Boi, boi, boi. Boi da cara preta... Ouvindo aquela voz gutural do pai e vendo-o debruçado sobre o berço do neto Rafael: Uma imagem que nunca vou esquecer...

Seu Francisco Martins de Arruda faleceu no dia 12 de fevereiro de 2022 na cidade de Costa Rica/MS. Trazido para Brasilândia, seu corpo recebeu as honras fúnebres e foi sepultado no dia seguinte, um domingo, dia do Senhor que o abençoou, rodeado de familiares e amigos que lhe ofertaram as melhores lembranças e justas homenagens. Descanse em paz Chico Doceiro.


Brasilândia/MS, 16 de fevereiro de 2022.




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Joel Laurindo de Jesus e um sonho realizado

 

Joel Laurindo de Jesus e um sonho realizado.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 






O clarim ecoa longe no pátio do quartel. E o sonho de uma criança voa alto: um dia vestir aquela roupa brilhante cor de anil e sair por aí. Ele nem sabe bem o porquê, mas aquilo lhe enche o coração de emoção.

Esse sentimento, ao que parece, acalentou aquele jovem, filho de dona Amância Laurinda de Jesus por muitos anos. E lá estava o seu menino Joel, todo sorriso de olhos fixos na farda e no coração de sua mãe, mulher corajosa e destemida que soube muito bem criar seus quatro filhos educando-os todos na fé, com amor, respeito e dedicação.

Desde o dia que nascera, lá na distante Sergipe/AL, naquela manhã de 16 de outubro de 1941, o aluno  cresceu dedicado e obediente, tendo, porém, de trabalhar muito cedo, na cidade onde passou a infância, estudando até a 3ª série do ensino fundamental: uma vitória para aqueles tempos difíceis.

Seu sonho, entretanto, se realizou mesmo quando chegou aos 18 anos e foi servir no quartel onde trilhou a disciplina e alargou os horizontes de amor à pátria e a defesa do cidadão comum.

Mas a alegria e contentamento pleno só alcançou quando ingressou na Polícia Militar, seu sonho maior. Foi no ano de 1960 quando aqui chegou e, integrou a força pública preventiva, sua maior realização. Regozijo só comparado a quatro anos depois, quando se uniu em matrimônio com a jovem que conhecera quando seus pés tocaram nesta cidade de Brasilândia.

Foi para esta moça que seus olhos se voltaram e que o ajudaram a entender melhor o mundo, sob o olhar e habilidade feminina, vencendo a dureza do trabalho e os riscos candentes de vida e morte, numa atividade que o fazia viver constantemente sob alerta. 

Esposa, graça que Deus colocou no seu caminho, Clarice Caetano de Jesus, mulher virtuosa que lhe deu carinho e de presente, dois filhos: Joelma, hoje com 49 anos de idade e Gilberto Laurindo de Jesus, falecido em 2020, com 49 anos de idade.

Seu casamento faz parte da história de Brasilândia por ter sido realizado na época da emancipação político administrativa do município, tendo sido registrado pelo 1º fotógrafo de Brasilândia, Abel de Oliveira. 

Outro fato marcante daquela cerimônia de casamento foi ela ter contado com a participação do 1º prefeito de Brasilândia, José Francisco Marques Neto que foi padrinho de casamento do casal Joel e Clarice, evento social que marcou a vida da pacata cidade que emergia.

Homem de temperamento simples e de tez negra, nunca revelou a discriminação que por ventura sofrera na comunidade ou entre os colegas na atividade que sempre buscou desempenhar com lisura e prontidão. Querido por todos, nas horas de folga assistia televisão e também era possível algumas vezes vê-lo lendo um jornal, coisa incomum para um tempo ainda distante das mídias digitais.

Durante a vida fez o que sempre sonhou: ser policial. E conquistou aquilo que sempre quis. Isso o tornou um homem realizado e feliz; felicidade comparada à alegria de ter concluído a construção de sua casa própria e adquirido seus veículos.

Também se sentia feliz em dividir com os amigos, ainda que poucos, o time do Santos, do coração, e descontrair com o baralho num bom jogo de cartas  - cacheta -, em longos papos nas rodas de amigos que cultivou.

Sem desprezar suas raízes, era um bom apreciador da culinária do Nordeste, não resistindo aos encantos e o sabor de uma doce paçoca e a pamonha que tanto apreciava. Amante da música sertaneja, em especial os cantores Amado Batista, Sérgio Reis entre outros, foi o policial que, dada sua natureza reservada,  Brasilândia pouco conheceu na intimidade.

Quando o PM Sargento Joel Laurindo de Jesus faleceu, no dia 16 de março de 2011, portanto, há onze anos, aquele cidadão que permaneceu policial lotado no Batalhão da Polícia Militar de Brasilândia até o ano de 1990, quando se aposentou, seus familiares e amigos puderam celebrar e recordar suas melhores lembranças, que podem ser traduzidas nas palavras do seu neto, hoje, Selton Guto, que lhe presta essa singela homenagem: Foi um grande cidadão batalhador que conquistou o que queria e deixou o seu legado.

Brasilândia, 14 de fevereiro de 2022.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

 

O rugido do leão na montanha silenciou.

Carlos Alberto dos Santos Dutra











O vento sopra forte por entre as pedras do vale. No pico mais alto de um daqueles montes, uma silhueta contrasta com o brilho do sol. A melena farta, esvoaçante que ostenta, confere-lhe poder e força. Com o tronco levemente empinado para frente e a cabeça altiva, lança um olhar de distância sobre aquela existência. Sentia-se realizado e quem o via assim, satisfeito, tinha certeza disso.

Aquele leão, desde a juventude, construiu sua vida buscando sempre o melhor para si e para os seus, edificando corpo e mente com o que de melhor dispunha a sua volta. As melhores pastagens para o repouso de seus pés; as melhores aguadas para matar a sede do bando; o refrigério das matas para o conforto do coração; as melhores lições recolhidas de seus pais, motivo de altivez e satisfação. Ele era um pouco de tudo do que melhor existia naquelas plagas.

Sua companheira e os filhos, em quantidade e brilho semelhante às estrelas do céu, formavam a família perfeita: tudo fazia com que se sentisse ainda mais feliz, e poder estufar o peito, orgulhoso do que havia conquistado e construído. Educou cada um de seus rebentos com a força e sabedoria de um mestre, preparando-os para a guerra que é o viver: enfrentar os inimigos de longe, e conquistar amigos de perto, que um dia lhe saberão ser gratos e fiéis.

Até aquela tarde quando ele decidiu descer a montanha deixando para trás aquele vale encantado. O trem do tempo é o senhor da história. E sua estação havia chegado ao destino. A juba, antes brilhante, já não lhe parecia tão viçosa; as patas e suas garras poderosas, que antes derrubavam grandes presas, hoje, desgastadas e quebradiças, só lhe davam motivos de tristeza.

Ah, e a dor de não mais poder correr pelos campos livre e com saúde. A vista já cansada, não conseguia mais discernir o olhar de sua amada, dedicada, sempre ao lado, e dos filhos, aflitos vendo o pai declinando as forças. Sobretudo naqueles dias em que foi preciso estender-lhe as mãos e carrega-lo no colo. Momento que os pais se tornam filhos e os filhos se tornam os pais de seus pais.

Triste ver a exuberância daquela rocha que aos poucos foi revelando rachaduras, desfazendo-se em pedaços; lascas de dor, nacos do coração que dilacera o bem querer da esposa, dos filhos e dos amigos. Ver aquele imponente carvalho, assim, numa cama de hospital era o quadro que ninguém imaginaria ter ali ele chegado.

Pelos corredores, ao longe, ainda era possível ouvir o seu grito de dor e contrariedade. Tal qual o rugido de um leão ferido, lá estava o homem e sua força descomunal de coragem e fé, aos poucos sendo consumido pelo tempo. Ora, o tempo. As chuvas que caíram, outrora na fazenda Pinheiro, os milímetros cuidadosamente medidos pelo pluviômetro e anotados, agora são pingos do céu que refrescam sua boca, sedenta de vida, que quer vida e quer viver.

Gotas de orvalho como os daquela tarde fria e chuvosa de sua juventude, quando os campos se abriram para beber na fonte a luz de maior brilho. E o velho tata, papai, feito um leão dourados, não mais rugiu de dor dando adeus ao sofrimento. E lá se viu ele, criança outra vez, correndo livre, sem amarras, sem equipo, sem agulhas, sondas e medicamentos que lhe marcavam o corpo e a alma. Resposta que só o céu poderia lhe dar em retribuição ao respeito e piedade que sempre devotou aos mais pobres e humildes.

Depois de uma longa jornada, o nonagenário olhou a sua volta e viu tudo, por alguns momentos, com toda clareza. Foi quando sentiu no peito uma paz e um orgulho sereno, nunca experimentado, que lhe tomou as entranhas. Nostalgia, quiçá, para quem havia vencido mais uma batalha, das tantas que empreendeu. Abriu os braços, fechou os olhos e deixou que corressem para o seu colo um a um os filhos queridos, como um verdadeiro pai, esposo, avô, bisavô e uma legião de amigos.

E eles foram chegando, um a um, sorridentes, para dedicar-lhe em vida a homenagem que ele era merecedor; enaltecer suas obras de educador e o seu jeito peculiar de ser. Naquela tarde, enquanto os pingos da chuva lhe acariciavam o rosto e a chapada dos montes com sua dança, ele sorriu. Todos a sua volta, então, foram tomados de um sentimento de alegria e gratidão filial.

E postando-se ao seu redor, o envolveram num abraço fraterno com seus terços e preces, novenas e bênçãos, invocação e cânticos, dirigidos à Deus e à Virgem, aos quais ele sempre confiou e devotou sua vida como um dedicado filho.

Depois de viver quase um século, aos 93 anos de idade, o brasilandense Raimundo Pedro de Souza se despediu da família e dos amigos. Afrouxou e desprendeu os laços de amizade que nutriu aquele  cidadão que vivia na Cidade Esperança desde 1955 e aqui construiu a história; história que seus filhos haverão de ter orgulho de contar.

Pelos vales, campos e matas, o vigoroso rugido do leão na montanha ainda será possível ouvi-lo por um bom par de anos, fazendo ecoar a voz de um nordestino valente guerreiro, digno e honrado cidadão vindo lá do Ceará, região do Crato, que nasceu no dia 2 de agosto de 1928 e hoje se despediu de todos nós. Rugido e voz que venceram distâncias e hoje silenciaram; permanecem embaçadas pelas lágrimas e a saudade que machuca muito, muitos corações.


Brasilândia/MS, 3 de fevereiro de 2022.

 

Sobre seu Raimundo: Cf. https://carlitodutra.blogspot.com/2021/08/raimundopedro-de-souza-93-anos-o-homem.html

 

 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Simples e Maravilhosamente Ana

Carlos Alberto dos Santos Dutra




Sempre tive facilidade para escrever sobre a vida de pessoas estranhas. Geralmente a pedido de alguém. Umas poucas linhas rabiscadas oferecidas com a biografia da pessoa indicada, e ei-la: a homenagem estava pronta, sensibilizando sempre os entes queridos e ouvintes, por ocasião de aniversários, casamentos, formaturas e despedidas.


A dificuldade maior, confesso, reside no discorrer sobre quem está próximo ou alguém que muito representa para o escrevinhador. É o caso de uma senhora que conheci há 30 anos e desde então, pelos laços de parentesco, tornou-se cunhada e madrinha de uma de minhas filhas.

Um encanto de pessoa.

Mulher simples e sensível, os seus gestos transbordam generosidade. De traços finos e delicados, impossível passar por ela sem perceber a aura de graça que a envolve. Olhos atentos à realidade célere que a cerca, pelas ruas da metrópole onde reside, seus passos firmes e ao mesmo tempo suaves, dignificam o chão em que pisa deixando um rastro de flores.

De coração terno e generoso, desde quando deixou o interior, lá pelas bandas de Erechim, na serra gaúcha, vindo para a Capital, nunca desprendeu-se do amor, da elegância, e o cuidado com o semelhante. Prestativa e solícita, há anos dedica-se como dama de companhia, cuidadora de idosos e mestra das artes, das letras e das cerimônias.

Conheceu o mundo através dos livros, tornou-se mestre de aprendizes do bordado, da culinária, do toque artístico e do bom gosto de ambientes. Interlocutora à altura da profissão, a nutre de afeto, dignidade e encantamento, o que lhe garantiu o respeito e o reconhecimento pelo trabalho e a dedicação desmedida que conquistou.

De quando em vez, frequentando as rodas sociais, na condição de coadjuvante entre os serviçais, lá está ela, estendendo a mão aos mais abastados, prestando-lhes o apoio, a informação e a prestimosa companhia. Tudo isso a torna peça essencial na engrenagem social e familiar daqueles a quem presta seus dotes e dons que os Céus lhe brindou.

No dia de seu aniversário, 7 de janeiro, há razões de sobra para estarmos felizes por termos conhecido essa sábia e silenciosa senhora, mas que também é alegre e jovial. Obrigado por nos ter acolhido e dividido conosco sem medida, o seu sorriso e seu olhar.

Por isso o dia de hoje deve ser festejado.

Obrigado Ana por abrir as portas do teu coração nos brindando com o teu carinho, a tua amizade e a tua generosidade. Seremos eternamente gratos pelas vezes que caminhaste conosco pela Praça da Redenção, passeio no shopping, visita à catedral e a acolhida em sua residência durante nossas passadas por Porto Alegre.

Papai do Céu deve sorrir de alegria ao saber que um anjo, ou melhor, uma anja caminha pelas cercanias da Borges de Medeiros, no centro de Porto Alegre, semeando paz e esperança. E não somente aos que cruzam no seu caminho, mas também por outras plagas bem mais distantes.

A vontade é estar aí contigo, festejando essa data, cumulando-te de beijos: a mana e as sobrinhas que a tem como encantada madrinha. 

Obrigado por ter estado conosco tantas vezes aqui no Mato Grosso do Sul, realimentando em nós o gosto e o afeto distante da pampa gaúcha.


Feliz Aniversário, Ana. Que os passarinhos daquela sacada, cercada de flores, no alto do prédio de gratas lembranças, a encha de luz, saúde, bênçãos e realizações. É o que desejamos.

Parabéns. Te amamos.











quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

 

Um hotel e o sonho realizado de Maria e José.

Carlos Alberto dos Santos Dutra










Tudo que circunda a nossa volta, as coisas, os prédios, as pessoas, tudo têm uma história, um começo e um fim. Quando chegamos numa cidade – e isso os pioneiros lembram muito bem – inevitavelmente nosso olhar repousa sobre as ruas, as casas, e as pessoas que ali vivem.

O ônibus da empresa Viação São Luiz, imponente para os costumes da época, lá estava estacionado no centro da cidade. Já era noite e para quem viajara o dia inteiro vindo de Bodoquena, depois de passar por Dourados, por estradas de terra, de pedras e muitos buracos, ver o ônibus estacionado em um lugar seguro era um alivio: enfim a civilização. Assim eu me senti a primeira vez que aqui cheguei e conheci aquela pousada.

E ela estava lá, a poucos metros, ao alcance da minha mão. Ao lado da minúscula rodoviária, praticamente uma parada de ônibus, que era atendida por um jovem senhor chamado Vila, encontrava-se aquele portal, um verdadeiro convite ao viajante que chegava.

Tratava-se do Bar e Hotel São José, hospedagem segura, verdadeira sentinela da cidade, no alto da avenida que lhe emprestava o nome, acolhendo e recebendo gente de outros nortes que ali buscavam abrigo e hospedagem ao passar pela cidade.

Em meio às instalações simples, porém aconchegantes, lá se encontrava o proprietário e sua esposa, regendo a orquestra do atendimento daquele estabelecimento. O belo quadro pintado na parede inteira, refletia o ambiente rústico e bucólico, lembrança da fazenda Bariri, memória que os proprietários depositaram no lugar que os recebeu e ali puderam construir sua história.

O anfitrião da casa, homem de visão e falante, o proprietário logo que ali chegou recebeu o epíteto Arara, provavelmente advindo da natureza gregária e comunicativa que o caracterizava, fazendo eco no ambiente que o circundava. Herança de povos de muitos lugares que para aqui acorriam, trouxe na mala, junto dos sonhos, trejeitos e linguagem própria de seus conterrâneos.

A seu lado, se encontrava dona Maria. Em silêncio, mão no queixo, levemente encostada no balcão, admirava a silhueta do esposo na porta da hospedagem gesticulando e recebendo os viajantes que desciam do ônibus praticamente na porta de seu estabelecimento. Logo ela sabia que teria de providenciar o alimento e a bebida; conferir a roupa de cama e acomodar os pertences daqueles que por ali resolvessem se hospedar.

Na verdade, ela era a grande mestra daquele lugar. Empunhando com arte o instrumento que afinava a canção de ali tudo ajeitar, tornava belo e aceitável a simplicidade que a rodeava. Os filhos e as dificuldades vividas não haviam lhe tirado o gosto doce das manhãs nem brilho do olhar. Desde menina, a filha de seu João Machado de Oliveira e dona Francisca Correia de Jesus, destacara-se entre os seis irmãos com quem dividiu a infância daquela família feliz.

Nascida no dia 28 de junho de 1936 em uma pequena cidade conhecida como Sales, no interior do estado de São Paulo, a jovem Maria Machado de Freitas revelou desde cedo ser uma mulher de fibra. Nascida na lida, guerreira, forte e ao mesmo tempo delicada, era extremamente zelosa para com os filhos, os netos e todos que a cercavam... relembram os familiares.

Antes de completar 18 anos, em meados de 1954, conheceu o grande amor de sua vida. Foi numa festa que aconteceu na fazenda Santa Helena. A partir daquele dia passaria a dedicar toda sua vida à construção de um lar. Três meses depois, após um rápido namoro, lá se encontrava sendo conduzida ao altar, quando se uniu em matrimônio com o jovem José Alves de Freitas, no dia 10 de setembro de 1954.

Assim começa a história da família Freitas. Um ano após o casamento nasce a primeira filha que, em homenagem, carregava no nome a marca daquele casal que lhe deu força e vida: Maria José. Nos anos seguintes Deus lhes brindara ainda com Marina, Valter, Adauto, Cícero, Marluce, Margarida, Maria Aparecida e Claudinei, o caçula.

O olhar de dona Maria se ilumina, enquanto acarinha seus rebentos. Nunca deixou de tirar os olhos de admiração para o esposo, numa demonstração de amor, afeto e respeito. Desde moço, José Alves de Freitas foi um homem humilde, porém trabalhador. Filho de seu Gerônimo Alves de Freitas e dona Olívia Maria de Jesus, era natural de Tanabi, região próxima a São José do Rio Preto, sendo lá que se tonou um homem feito.

Desde que nasceu, no dia 10 de setembro de 1926 viu a família trabalhar em fazendas, logo aprendendo a profissão de peão do campo, e onde passou a ganhar o sustento em cima do lombo de um cavalo, nos tentos do laço ao gado alçado, vencendo na vida por seus próprios méritos e esforço.

Uma brisa adentra a porta do hotel São José e dona Maria, passa a mão espalmada sobre a testa, como que saudando em condolências aquele companheiro, que no dia 7 de abril de 2015 faleceu, deixando um rastro de saudade, mas também motivo de orgulho, exemplo e inspiração para a esposa, os 9 filhos, os 23 netos, os 17 bisnetos e o mais novo tataraneto, sua maior herança.

Despediu-se do esposo e continuou labutando pela vida, administrando o patrimônio que o casal construiu desde que chegou a Brasilândia. Por um momento esquece as dores no corpo e viaja no tempo: parece que foi ontem. E recorda quando aquele amigo de seu esposo o convidou para trabalhar numa fazenda chamada Califórnia. E foi para lá que a família se tocou.

As portas daquela fazenda se abriram para o casal e seus filhos que, com muita fé e esperança começaram uma nova vida. Trabalharam muito, até conquistar o direito de ter um cantinho só deles, onde construíram uma casa que chamaram de sua, lugar onde construíram sua história, tiraram o sustento para a família, permanecendo neste lugar por 20 anos.

Ah, aqueles tempos na fazenda. Recorda dona Maria, ou dona Yô, como também era conhecida. Atenta à lida com o gado, construção de cercas e currais realizados pelos peões, lá estava ela fazendo a comida para os campeiros, o arroz carreteiro, antes socado no pilão, que alimentava e agradava a todos, num clima de fraternidade e alegria. 

Depois, lá se encontrava ela novamente tratando da criação: galinhas, porcos, cães e bezerros alimentados no cocho. Ou então lavando a roupa da família e dos peões, puxando água do poço no sarilho; e quando o poço secava, tendo que buscar água no córrego mais próximo, tudo feito com resignação e paciência.

E o nascimento das crianças, recorda. Os filhos vinham ao mundo em casa. Não havia essa história de hospital, o parto era natural, sem anestesia ou acompanhamento médico. Mas com a graça de Deus todos nasceram fortes e saudáveis. Assim era a vida no campo, vida dura, vida difícil, mas sem perder a garra e a dignidade, agradece em silêncio aquela mãe.

Desta época, as lembranças que dona Maria têm de seu esposo José Arara é que ele foi um homem honesto e sempre trabalhador. As dificuldades que se acercavam eram tantas [que hoje poucos entenderiam]: até mesmo uma simples tarefa de fazer compras [vindo da fazenda até a cidade] se tornava algo difícil. Trazia no lombo do cavalo apenas o mantimento que alimentaria a família apenas uma semana.

A família recorda que naquele tempo, na fazenda, mesmo trabalhando de domingo a domingo na propriedade do patrão, o seu quintal era impecável, tirava os tocos, deixando tudo muito limpo e lisinho. Foi neste mesmo quintal que ele zelou e cuidou que, mais tarde, foi transformado e local de pouso de avião na fazenda, tamanho o seu capricho.   

O ruído da partida de motor em movimento faz dona Maria despertar. Era o ônibus que estava partindo, seguindo viagem. A rodoviária ao lado, aos poucos, cessa o movimento, e a dona do lar e dos negócios, ajudada pela filha, se recolhe em seus pensamentos. Olha na sua volta as paredes de seu hotel e recorda a concretização daquele sonho que o casal alimentou ainda lá na fazenda.

Foi quando decidiram deixar o campo e adquirir uma casa na sede do município de Brasilândia. Sonhavam em comprar uma casa grande, com um terreno bem espaçoso e fazer ali uma pensão, uma pousada. Foi quando um tradicional morador do lugar, chamado Wilson de Arruda, por coincidência, chefe do Cartório de Paz da cidade, viu o seu José Arara conversando com um mestre de obras para concretizar o seu sonho.

Ao saber o motivo da construção, o seu Wilson de Arruda, prontamente ofereceu seu estabelecimento, que já estava pronto e todo equipado, para que ali, seu Zé Arara pudesse instalar a sua tão sonhada pensão. Foi desta forma que, mesmo com poucos recursos, a alegria chegou àquele humilde lar, e o casal de agricultores passaram a ser os donos de seu próprio negócio. Quando o filho caçula nasceu em 1979, um novo negócio era inaugurado na cidade, um novo horizonte despontara: estava concretizado um sonho que permanece e perdura há 40 anos, até os dias de hoje.

Após cumprir sua missão aqui na terra, ao se despedir da família e dos amigos, no dia 15 de dezembro último, dona Maria Machado de Freitas deixa a marca de uma mulher vitoriosa, que em seus 85 anos de vida edificou em silêncio. Deu solidez às pilastras de seu castelo, que abrigou os sonhos do esposo, deu segurança e futuro aos filhos e engrandeceu o lugar por onde seus pés pisaram e seus braços soergueram. Nossas homenagens. Descanse em paz dona Maria Yô.


Brasilândia/MS, 22 de dezembro de 2021.


Foto 1: Jornal da Cidade, 2004. 

Foto 2 e demais informações enviadas por Cícero Alves de Freitas.











  
























terça-feira, 14 de dezembro de 2021

 

Dona Hermínia, a candura e fibra de uma mulher.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 







As imagens quase nunca enganam nossos corações. Desatentos, nossos olhos, muitas vezes, discriminam e afastam, ponderam e opinam, não percebendo a beleza e o que elas comunicam. Com o coração é diferente: os olhos penetram a alma e contemplam a aura de quem observamos, percorrendo sua trajetória, suas lutas, derrotas e vitórias.

No mundo dos homens, a maior parte delas só é valorizada quando o manto branco da idade recai sobre seus rostos, dando-lhes um ar de candura angelical. Com a passividade e o silêncio permitidos e aceito pelo senso comum que as envolve, elas passam os anos, assim, anônimas, e quase nem percebemos.

Mas, com aquela mulher não foi assim. Algo de muito nobre a revestia, mantendo-a sempre altiva e aguerrida, até o fim de seus dias. Sem perder o ar de simpatia e bondade que inspirava os filhos, noras e genros, netos e bisnetos, no alto de seus 92 anos, ela se manteve lúcida e sempre com um sorriso nos lábios, pondo ordem em tudo a sua volta.

Assim era Hermínia Martinez Hernandes Meirelles, desde o dia 30 de março de 1929 quando nasceu, mostrando ao mundo a face rosada de uma menina que logo despontava decididamente forte para uma bela mulher. Sob o frescor da juventude, lá a encontramos com a família e seus nove irmãos, morando em Catanduva/SP, aluna dedicada estudando em casa com professores contratados pelos pais.

Antes de completar 21 anos enamorou-se de Juan Manoel Servilla Meirelles com quem se casou na cidade paulista de São João do Pau D’alho. E lá estava o pai Adrian Martines Campoy e a mãe Sagraria Hernandes Vindes, cheios de felicidade, no dia 3 de novembro de 1951, vendo a filha subir o altar do matrimônio com o jovem Juan, de apenas 20 anos de idade.

E lá seguiu o casal inicialmente trabalhando na roça, nas terras que o pai Adrian adquiriu. Foi neste trabalho que a jovem Hermínia conheceu Juan, que era filho de arrendatários da fazenda. Depois mudaram para Corbélia, no Paraná e, por fim, vieram para o Mato Grosso.

Logo o céu os brindou com dez filhos: Manoel, Maria de Fátima, Adriano, João, Alcides, Ademar, José Natalino, Maria Natalina, Luzia e Vanderleia (1).

Família pioneira, trabalhadora e empreendedora naqueles tempos primeiros, praticamente fundou o povoado de Brasilândia quando aqui chegaram no ano de 1957. Num tempo onde não havia estradas, aportaram de navio, instalando-se em Panorama e de lá para Brasilândia.

Ao lado do esposo, inicialmente se instalaram na olaria do senhor Amadeo Rodrigues, depois, tornaram-se os pioneiro no beneficiamento da orizicultura que despontava, com a primeira máquina de arroz.

E lá encontramos a esposa regendo a orquestra do lar, garantindo o alimento e o vestuário de seus rebentos. Zelosa para cada um deles, em meio à rudeza do tempo, imprimia com olhar afeto e com as mãos toques de arte que encantava a todos: amava fazer crochê, preparar doce de leite, sendo que sua ocupação predileta era a costura, até mesmo porque naquele tempo eram as mães que confeccionavam a roupa de seus filhos e esposo.

Por ocasião do batismo de dois de seus filhos (José Natalino e Maria Natalina), lembra a filha, que a mãe recordava da cerimônia que aconteceu no dia da posse do primeiro prefeito de Brasilândia, José Francisco Marques Neto, e que o menino Alcides foi o primeiro menino que havia nascido no município recém-criado.

A filha recorda ainda que, naquela época, o prefeito doou um terreno para este primeiro brasilandense aqui nascido. Depois descobriu-se que um outro menino havia nascido antes e aí o terreno foi repassado para o primogênito aqui nascido. São tantas história, recorda a filha Natalina, desde o tempo em que seus avós vieram de Espanha e sua avó materna  ainda era uma menina e seu avô um homem feito. Vieram de navio, sendo que ao desembarcarem em Birigui/SP, foi lá que eles se conheceram. 

Os olhos percorrem as fotografias antigas da família e em cada uma delas, um ar de mocidade os envolve e que a tornou uma bela jovem, a ponto de cativar o amor do saudoso esposo, falecido em 23 de novembro de 2010, aos 79 anos de idade. Demonstrava, sim, ser uma mulher de fibra e onde seus predicados maternos a tornaram mãe de uma família progressista e empreendedora.

Desde a Brasilândia antiga, que dava seus primeiros passos rumo à emancipação e o progresso, ajudou a impulsionar seus negócios, seu comércio, suas lojas, empreendedores natos. A família Martinez Servilla contribuiu e marcou por demais o desenvolvimento desta cidade desde antes se tornar município.

E lá estava ela, dona Hermínia Martinez, vigilante timoneira, no leme do barco da casa, no carroção da estrada, nas idas e vindas ao mercado, na mantença da casa, no preparo do alimento, na costura e no bordado, sem perder de vista os acontecimentos sociais e políticos de sua cidade.

Ao lado do esposo, estirpe de povos de além-mar, trouxeram na bagagem a perseverança dos fortes, que atravessaram guerras e superaram o exílio, firmando-se como povo ordeiro e trabalhador, com os pés encravados no hoje, mas sempre com os olhos voltados para o amanhã.

A história desta mulher hoje perpassa os olhos e o coração de muitos, especialmente dos filhos que a saúdam em silêncio, como que reverenciando a envergadura e nobreza desta senhora de olhar cândido, mas de um coração de tônus inabalável.

Depois de uma longa caminhada, é aceitável que a família chore e sinta a dor da partida de tão importante e valorosa mulher. É compreensível também que ela seja lembrada com alegria, pois viveu e fez viver a sua volta, apontando caminhos, nunca desistindo da esperança, abraçando a causa da vida até o último momento. Descanse em paz dona Hermínia, uma mãe de Brasilândia.

Brasilândia/MS, 14 de dezembro de 2021.

 

Com informações e fotografias fornecidas por Maria Natalina Martines e Maria de Fátima Servilla.

(1) Luzia, Vanderleia e João faleceram ainda bebês. E Manoel, o primogênito faleceu aos 36 anos de idade.





















segunda-feira, 29 de novembro de 2021

 

Ailton: o menino de paz e sorriso nos deixou.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

A rosa dos ventos do tempo não para. O frescor da brisa que nos separa do amanhã nem sempre nos faz esquecer o caminho que percorremos. Tantas alegrias, sonhos, trabalho, família, segurança, felicidade. É um caminho sem volta que todos temos que experimentar numa verdadeira travessia. É, entretanto, às vezes, os sonhos morrem primeiro e nos arrastam com eles.

Uma rápida olhada a nossa volta, percorrendo as ruas e estradas da nossa cidade, e observamos que algumas estruturas do tempo, aos poucos, vão desaparecendo, dando lugar a outras, mais suntuosas. Numa demonstração do quanto somos descuidados com as coisas que construímos e acreditamos, isso de certa forma nos aponta para o quanto somos transitórios como seres vivos por aqui.

Assim foram com os saudosos Cacretupi, AAB, Rotary Club, Laticínio, Farinheira, Escola Agrícola, prédios em ruínas no distrito industrial, e outros patrimônios que sucumbiram. Sem perder de vista, outros, como o DR Leilões que já experimenta o abandono. São imagens que vão esmaecendo com o tempo, na medida em que nossos olhos já cansados, já não mais se importam com o futuro e o amanhã de tudo isso. Passam a falar somente a linguagem do coração

Assim também são as pessoas. Independente de nossas vontades e esforço, elas partem. Mesmo que a amemos com toda a nossa alma. Uns mais jovens outros já amadurecidos e experientes pela ação dos anos. Mas todos, um dia se apartam de nós.  O que resta são bulhas e aromas de flores. Também marcas e cicatrizes. Ah, como eles deixam feridas no coração daqueles que um dia os embalaram, os alimentaram e os educaram. É nessas horas que buscamos no álbum da memória as lembranças que consolam e ameniza aquela dor inexplicável, como é o caso de nosso aluno sorriso, o Ailton.

Com apenas 13 anos de idade, lá estava ele, de microfone na mão, sorridente, falando de si, de seus gostos e satisfação de encontrar ali, com os colegas, marcando no tempo sua presença imprescindível para os propósitos de uma época de ouro, de sonhos, e onde a educação era a prioridade para os jovens oriundos do campo e que lá desejavam permanecer. Ah! Saudosa Escola Agrícola Julião Maia. A saudade de teus filhos se mistura nesta hora com a dor da despedida.

Ah! Nosso pequeno campeiro, nosso aluno querido vindo lá da fazenda Barra do Cedro para a nossa saudosa Escola Agrícola: por que partistes tão cedo? Não temos resposta para essa angústia que sufoca o coração da família e dos amigos que choram a perda daquele menino  manso e humilde. Sempre rodeado de amigos, tinha o carinho de cada um dos colegas, e a proteção de seus professores que sempre buscaram, no tempo em que foi ‘agricolino’, transformar aqueles dias num eterno jardim de felicidade. Adeus filho, aluno, pai, esposo e profissional dedicado. Adeus Ailton Correa. Descanse na paz meu aluno pelos campos do Senhor.

 

Brasilândia/MS, 27 de novembro de 2021.