Alguns anos atrás, Nurit
Bensusan, coordenadora de biodiversidade do Instituto Socioambiental (ISA),
deparou-se com uma manchete curiosa em uma revista de bordo durante um voo. O
título prometia o segredo para aumentar a produção agrícola sem derrubar
nenhuma árvore. Ao ler a reportagem, veio a decepção: as árvores eram só as da
Amazônia. O segredo? Expandir a lavoura no Cerrado.
O Cerrado é o único bioma
presente em todas as regiões do país. Mas desde 1970 é, também, o mais
ameaçado, tendo perdido cerca de 50% de sua vegetação original graças,
principalmente, à expansão da fronteira agropecuária.
“Eu digo que o Cerrado é o bioma
mais azarado do planeta. Pense: é super rico, a savana com a maior
biodiversidade arbórea do mundo, contém uma série de espécies endêmicas, mas
está no mesmo país que a Mata Atlântica – o bioma mais ameaçado do mundo – e a
Amazônia – a floresta tropical mais exuberante”, conta Bensusan. “Se o
Cerrado estivesse em qualquer outro país, seria mega valorizado.”
O Cerrado ocupa cerca de 24% do território nacional
– quase um quarto do país – e é o único presente em todas as cinco regiões. Há
no bioma uma grande variedade de ambientes e paisagens – são 11
fitofisionomias, ou seja, aspectos diferentes de vegetação. “A flora está
assentada em diferentes níveis de altitude e diferentes tipos de solo, o que
promove uma grande especiação entre grupos de plantas”, diz Marcos José da
Silva, professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade
Federal de Goiás (UFG).
Silva estuda a
flora de áreas de preservação no Cerrado há dez anos, com foco especial em
regiões de elevada altitude com relevo acidentado, lugares de difícil acesso.
Nesses locais, explica o professor, há uma predominância de herbáceas, com uma
alta taxa de endemismo. “Embora o bioma como um todo seja muito devastado,
nessas áreas nós temos manchas relictuais, uma vegetação secular idêntica à do
ano 1500”, conta. “Isso faz com que exista muitas espécies ainda desconhecidas”
(...)
(...) Por ocupar
23% do território nacional e fazer divisa com quase todos os biomas, menos o
Pampa, o Cerrado possui uma grande variedade de vegetações. Há pelo menos 25
tipos e subtipos de fitofisionomias (...).
“Não é uma informação
valorizada, não se tem noção do tamanho disso. Na verdade, há a percepção de
que o Cerrado está atrapalhando a economia”, lamenta. “Enquanto isso, não
fazemos ideia do que estamos perdendo, nem da magnitude do que estamos
perdendo.”
E estamos perdendo rápido. O
número oficial dá conta de que 50% da vegetação original do bioma já não
existe, mas há estimativas que chegam a 70%. Apenas 20% da área do Cerrado é
preservada em grandes fragmentos e 8% é protegida em algum tipo de reserva.
Tudo isso em tempo recorde: a maior parte foi desmatada a partir da década de
1970 com a expansão da fronteira agrícola.
“Apesar de termos demorado 500
anos para destruir a Mata Atlântica, acabamos com o Cerrado em 50”, diz Nurit
Bensusan, do ISA. O resultado desse processo é que hoje o bioma é
considerado um hotspot de biodiversidade, onde há pelo menos
1,5 mil espécies vegetais endêmicas distribuídas em menos de 30% de vegetação
original (...).
(...) Ao contrário da Amazônia,
o Cerrado é uma região que pega fogo naturalmente (1). Ele depende do fogo para
controlar o extrato herbáceo rasteiro da vegetação, e é por isso que suas
árvores possuem raízes profundas e cascas grossas para se protegerem do calor.
Da mesma forma, a fitofisionomia fragmentada ajuda a fauna a encontrar refúgio
próximo em paisagens de mato denso, menos propensas aos incêndios, nas
redondezas.
Normalmente, o fogo ocorre em anos espaçados. Com
casos recorrentes de incêndios criminosos e a destruição desses refúgios
naturais para dar lugar a pastos ou lavouras, o Cerrado queima de maneira mais
frequente e por mais tempo. E aí não há adaptação que salve a biodiversidade da
região.
“Há um mal-uso do Cerrado onde o lucro é
privatizado e o prejuízo é socializado”, diz Aldicir Scariot. “Não estou
dizendo que explorar um hectare de Cerrado com pequi vai dar mais dinheiro que
plantar soja ou gado. Mas quando você coloca na balança outros componentes
socioambientais, a maneira como o bioma vem sendo explorado não compensa.”
Confira também: Kuhlmann que é
autor do livro Frutos e Sementes do Cerrado: Espécies atrativas para a
fauna, e criador do site Frutos Atrativos
do Cerrado. Ao todo, são 4 mil variedades diferentes de frutos no bioma –
alimento para aves, mamíferos, répteis e peixes da região.
Brasilândia/MS, Dia Mundial do
Meio Ambiente/05.Jun.2024.
terça-feira, 4 de junho de 2024
A mulher e suas
circunstâncias na Prefeitura de Brasilândia
Carlos Alberto dos Santos Dutra
O município de
Brasilândia/MS, daqui aproximadamente quatro meses irá eleger seu novo chefe do
Poder Executivo e novos membros para o Poder Legislativo através do sufrágio
universal do voto, instrumento que só a Democracia é capaz de garantir à livre
manifestação do povo.
A se confirmar o que as
convenções partidárias já decidiram ao escolherem os pré-candidatos, no mês de
outubro teremos na disputa um duelo preconizado por duas mulheres candidatas à prefeita
que deverão se apresentar com todo o brilho, garra e altivez de seus propósitos
para a apreciação e crivo dos cidadãos e exigentes eleitores desta comunidade.
Não é a primeira vez que o
município vive semelhante situação. A participação das mulheres na política
local teve início já no ano de 1982 quando acontecia o declínio do Regime
Militar de 1964 na última (e única) eleição promovida pelo general João Batista
Figueiredo. Foi quando Brasilândia elegeu sua primeira prefeita mulher, Neuza
Paulino Maia, que derrotou os dois candidatos homens que concorriam na
época.
O primeiro confronto direto entre
duas mulheres, entretanto, aconteceu dez anos depois, nas eleições de 1992,
quando os brasilandenses decidiram os destinos políticos do município entre Neuza
Paulino Maia e a Profª Sandra Aparecida Louzada da Costa. Naquela
ocasião Neuza Paulino Maia foi eleita prefeita ao lado de Marilza Maria
Rodrigues do Amaral.
Bastante disputada, esta
eleição mereceu do poeta e trovador popular desta terra, o lendário e imortal José
Batista, os seguintes versos:
Vou sair da minha casa Para mais uma
campanha De Neuza e Marilza Em Brasilândia ninguém ganha. Elas têm
popularidade Capacidade e vergonha, Respeitam o dinheiro público É o que
o povo de Brasilândia sonha.
Noutra trova ele cantou:
A política só é
boa Quando a gente tem companheiro Que não precisa comprar Com mentira e com
dinheiro Eu vou sempre conservar Esta raça de barbeiro. Que é para nós
fazermos de novo Barba, bigode, cabelo O poeta Zé Batista tem vergonha E
não se vende por dinheiro.
Nos anos que se seguiram as
mulheres continuaram disputando o cargo majoritário que aos poucos foi admitindo
a participação de novos nomes femininos ao pleito. Marilza Maria Rodrigues
do Amaral (prefeita eleita em 1996 e reeleita em 2000); Jucli Terezinha Stefanello
Peruzo (candidata a vice-prefeita na chapa contrária em 1996); Márcia
Regina do Amaral Schio (candidata a prefeita em 2008 e eleita vice em 2012, num pleito
disputado também por duas mulheres candidatas: Profª Eurides Palhares Lins
e Profª Rosimeire Ferreira, sua vice). Márcia Regina do Amaral Schio
ainda em 2016 concorreu ao cargo de prefeita e em 2020, a Drª Léa Karla Moura
Dias, representou a participação das mulheres ao cargo de prefeita.
A tradição, portanto, mostra
que o eleitorado brasilandense já está acostumado com a participação das
mulheres na disputa política, na maior parte das vezes, bastante acaloradas e nada
amistosas.
Não obstante, os tempos
mudaram. Se, por um lado as campanhas políticas cristalizaram-se na forma e
jeito masculino de serem conduzidas, por outro, esse modus operandi tem
se revelado ultrapassado diante das exigências de gênero que se impuseram à sociedade
ao longo dos anos, sobretudo nos dias atuais. O campo de ação e atuação das
mulheres, se antes, tornado secundário e invisíveis aos olhos das administrações públicas,
eis que agora protagonizam e brilham feito luz.
No caso presente, já experimentadas
na administração municipal, ambas como servidoras e já tendo galgado posições e
cargos de coordenação, secretarias, presidências e cargos eletivos, ambas são portadoras de escolaridade superior em áreas
humanas semelhantes – Assistência Social – e sinalizam para a população de
Brasilândia, por meio de suas candidaturas, sem dúvida, novas perspectivas para a realidade local.
Tal quadro oportuniza aos
eleitores presenciar a construção de uma administração de configuração não
somente com o rosto e olhar feminino, mas com diferencial no modo de agir e
interagir com os demais que se encontram ao seu redor, com a dinâmica e percepção que são
peculiares às mulheres.
Diante da complexidade e
exigências pertinentes à gestão pública de uma cidade, a experiência adquirida
como cidadãs, profissionais, mães e gestoras de seus empreendimentos socioeconômicos
afetivos chamados Lar, as tornam plenamente capazes de gerenciar uma cidade, um
Estado, um País.
Mulheres que operam milagres no orçamento doméstico, administrando os gastos da economia familiar; mulheres que
garantem a mantença dos filhos, os reclames da casa e quiçá os caprichos do
esposo; mulheres capazes de gerenciar empresas, ordenar despesas e planejar
investimentos de seus negócios, desafiando os ditames e oscilação do mercado;
mulheres capazes de levantar bandeiras, vencer preconceitos e lutar por
direitos em prol de uma sociedade igualitária, fraterna e justa...
Por que não haveriam de ser
também brilhantes, criativas e eficientes prefeitas?
Não obstante, o que pode
estar martelando a cabeça de muitos (homens e mulheres) é saber: quais das duas
mulheres que concorrem à Prefeitura Municipal de Brasilândia terão os
predicados e qualidades necessárias para tal cargo e envergadura para
exercê-los?
Não tem como saber. Isso
porque é impossível adentar o que vai em cada coração, em cada mente, e
principalmente em cada situação: a chamada circunstância que nos envolve a todos.
À semelhança do que escreveu
o filósofo espanhol Ortega y Gasset (recorro ao meu tempo de Filosofia na UCPel
nos anos 1980), lembro: Eu sou eu e minhas circunstâncias. Se não salvo a
ela, não me salvo a mim. Ou seja, a ideia que move o administrador ou o
cidadão comum é sempre a de que: se quiser salvar-se (realizar bem seus
propósitos) deverá também salvar sua própria circunstância: a realidade a sua
volta (seu objeto, o povo), uma vez que ele se torna inseparável dela.
Em outras palavras, a melhor
prefeita para Brasilândia, sem dúvida, deverá ser aquela que implicitamente
subordinar a melhoria da condição do homem (seu projeto social de governo) à
sua ação, empenho e realizações, jamais pela omissão.
Brasilândia, portanto, será
melhor administrada pela mulher prefeita que, em meio às circunstâncias que a
envolverem durante os seus quatro anos de mandato, conseguir lançar-se e arregaçar as mangas no trabalho que se propôs realizar, o que deverá ser delineado já na feitura de seu Plano de Governo, construído por múltiplas mãos, corações e
mentes interessadas na segurança, no progresso e na felicidade deste lugar.
Por essa razão, o conselho:
que essas duas mulheres candidatas, ao construírem seus planos de ação e gestão, garantam espaço
às demais, sobretudo àquelas que vivem à margem das decisões, que são
discriminadas em razão da cor, etnia e gênero. E que a vertente social
da formação acadêmica que forjou o pensamento de ambas seja o Norte para a concretização
de seus projetos voltados para o desenvolvimento econômico, nunca descolado da proteção
da infância, do meio ambiente e da valorização da cultura.
Para aqueles preocupados com
a eficiência e o temor dos gastos com a máquina pública, recordemos um estudo recente
realizado pela Fundação Getúlio Vargas nos 882 municípios de Minas Gerais, sobre
a capacidade fiscal de prefeituras lideradas por mulheres: 12% delas mostraram-se
superiores às prefeituras lideradas por homens. No item capacidade fiscal a análise
revelou o quanto as prefeituras administradas por mulheres foram capazes de arrecadar a partir de taxas e
impostos e dividir essa receita entre a população através dos serviços prestados
(...).
As águas mansas, quase
paradas da lagoa, lembram o velho pescador. As palavras são arrancadas do
coração e somente se acalmam com o apito da locomotiva que desde longe anuncia
a chegada do trem. Diferente do caniço lançado e relançado à
água pelo braço ainda firme daquele octogenário, o trem que chega, já não é
mais o trem que parte.
O olhar na lagoa prateada
nos leva de carona o pensamento e as lembranças do trem que partia para
diversos e distantes caminhos... Sempre com a certeza de que no dia seguinte
iria voltar. De Cacequi partiam trens da viação férrea lotados
de passageiros para as cidades de Rio Grande, Livramento, Uruguaiana e Porto
Alegre. Verdadeira rosa dos ventos ferroviária do Estado
gaúcho.
O silêncio do campo e
a bulha da água só é interrompido, ao longe, pelo apito do
trem. Apito que brotava da força das locomotivas que lhe dava impulso e levava
seus vagões para onde apontavam os trilhos. Máquinas poderosas, locomotivas
movidas a diesel e elétricas. E com potência superior a dois mil agapês e
mais de cem toneladas de peso. E eu lembro... que com elas eu conversava.
Sim.
O diálogo dava-se cada vez que meus pezinhos calçando alpercatas tropicavam
pelos dormentes em direção ao depósito, antiga oficina de máquinas onde meu pai
Vilson trabalhava.
A cada apito dessas máquinas
meu coração tremia fazendo colar no peito a marmita embrulhada num pano de
prato enquanto levava o almoço para aquele ferroviário anônimo, meu pai, motivo
de minha felicidade. E lá estava ele em meio à graxa patente,
debaixo de uma dessas possantes máquinas construída pela empresa fundada por
Thomas Edson, a General Electric, dando-lhes manutenção, vida e
segurança.
A especialidade de meu pai -
lembro -, era os freios: freios dinâmicos, freios a ar comprimido ou freios a
vácuo. E o tal de sistema homem morto - vim saber depois -,
tratava-se de um dispositivo de segurança que envolvia o maquinista e um
equipamento sofisticado para aquela época.
Isso tornava meu pai, para mim, o
homem mais importante daquele depósito, pois era ele o responsável pela
segurança de todos os passageiros do trem rebocado por aquela locomotiva, bem
como a carga que transportava.
Ainda debaixo da máquina, depois de me ver,
dizia: --Ah, você está aí. Pronto. Era o suficiente para me encher
de alegria ouvir aquelas palavras que conferiam a mim gratidão por, de certa
forma, quem sabe, também poder participar daquela grandiosidade.
Ao seu redor eram sons de
martelo, ferragens e máquinas, num ruído ensurdecedor. E ele sem qualquer
proteção aos ouvidos. Por isso, talvez, queixava-se em casa exigindo silêncio
durante o descanso. Depois, limpando as mãos numa bucha de
pano, ele vinha ao meu encontro. Um gigante. De macacão estampando no peito
RFFSA. Mãos grandes, unhas sujas de óleo, braços fortes e um sorriso nos
lábios. Era tudo o que eu precisava: poder servir a quem eu mais admirava. O
mundo se tornava pequeno naquele momento.
Hoje, o velho ferroviário
aposentado, transformado em pescador, contempla o espelho das águas e vê que
seus guris cresceram... viraram
homens... e partiram. Levaram para longe os pequenos gestos de ternura que
semeou, como aquele que o filho mais velho guardou. Depois de pegar a vianda e
passar a mão sobre minha cabeça, descabelando-me de leve, dizia: --
Agora, vá para casa.... Ou algo assim, pois a memória nos golpeia
sempre aos pedaços: Nacos de carne retirada aos poucos, qual
churrasco, deixando vazios no prato principal de nossos
sentimentos.
Voltava sempre cantarolando
para casa. Desafiando o eco das locomotivas que por aquele verdadeiro lençol de
vagões cobriam os trilhos e desvios espalhados pelo recinto
ferroviário da rede. Algumas antigas marias-fumaças que
nesta época tinham sido substituídas pelas vermelhas elétricas
e alguns casarões antigos dos ferroviários, o clube Apolo e a minha escola Fernão
Dias... A tudo, meus olhos contemplavam... E tudo ia ficando para trás.
Hoje,
morando distante de minha terra natal, não frequento as lagoas onde meu pai
pescava. Mas ainda escuto o apito do trem, que tem outros nomes e outros
propósitos. O rosto dos passageiros, entretanto, está cada vez mais esmaecido.
Mas
o caminho dos trilhos que me levavam ao velho depósito de máquinas e aos braços
de meu pai, este, ainda o encontro... muito vivo... nas lembranças de um tempo
que não volta mais.
O ciclo da vida que se dava através do
manejo cuidadoso, e culminava na colheita frutífera de tudo que a terra dava!
E a colheita
deveria respeitar os limites do campo e ser dividida com quem tivesse
necessidade (Lv 23:22).
Era a festa
da gratidão a Deus por quem nos alimenta, nos supre e nos lembra que o que há
de mais sagrado é gerar vida!
O povo ainda
celebrava a entrega dos dez mandamentos a Moisés no Monte Sinai, Cinquenta dias
depois da libertação, o Êxodo.
No monte,
Deus entrega a Moisés leis que preservariam a vida do povo.
No
Pentecostes, cinquenta dias depois da páscoa, o Espírito desce sobre os que
estavam reunidos, e a partir daí não é mais a lei ou um sacerdote quem guia o
povo, mas a própria Ruah Divina, o Espírito da vida de Deus!
Jesus foi a
terra sagrada que deu início ao ciclo, e o nosso sonho é uma colheita frutífera
de vida!
Quando Ele
ressuscitou, prometeu que deixaria o Consolador, alguém que convenceria os maus
dos seus pecados e da justiça de Deus, e se derramaria sobre o seu povo,
renovando-lhes os sonhos, as forças e a coragem.
O povo
reunido recebeu o Espírito que veio como línguas de fogo! Fogo queima, esquenta
e purifica.
Fogo produz combustível. Fogo que ilumina. Todos se entendiam mesmo
na diversidade de línguas.
Quando o
povo se organiza e ora, a Ruah desce! O Espírito desce. E desce com diversidade
de línguas, pensamentos, movimentos.
É no meio da
diversidade do povo que a libertação acontece.
É na organização do povo que
Deus convence os maus dos seus pecados contra a vida, dos seus acúmulos de
riquezas e empobrecimento do povo.
A justiça
nasce quando o povo grita com línguas de fogo contra o deus capital, assassino,
escravocrata e explorador!
É no meio do
fogo que o povo se entende e se levanta forte e com coragem para sonhar! Sonhar
é disruptivo, sonhar junto com nosso povo é subversivo!
Pentecostes
é todo o povo junto, profetizando e gerando vida sagrada, que alimenta, que
nutre e que sustenta o nosso corpo.
Tem a ver
com partilhar o que se produz, nunca concentrar. Tem a ver com cuidado, não
domínio.
Tem a ver com revolucionar o sistema de morte que agride toda vida!
É a
radicalidade que arranca o mal desde seu fundamento e espalha a raiz da vida!
Que sejamos
povo diverso, povo da profecia, povo do fogo, povo da justiça e povo da vida.
E que no
meio de nós a Ruah se manifeste nos fazendo sonhar e caminhar na radicalidade
do Reino de Deus!
A nossa vida
é sempre rodeada de sinais. Frutos de nossas escolhas, eles estão a nossa volta
nos apontando rumos, explicando trajetos percorridos, nos animando e dando um
sentido para nossa existência e de toda a humanidade.
Isso
acontece com todos: os pintores, ao deitar os olhos sobre as cores da parede,
observando a textura e a tonalidade que foi usada; as cozinheiras, ao adentar um
ambiente logo percebem o aroma do tempero que está sendo usado no preparo do
alimento; o mecânico, ao caminhar pela rua, logo o ouvido acusa uma determinada
falha no motor do veículo que passa ao seu lado.
E assim por diante. Todas as pessoas, de diferentes forma, sempre se veem rodeadas de sinais e
conhecimentos a elas inerentes e que as faz interagir com o mundo. É como se
aquilo lhes mostrasse que estão vivas, são capazes e têm um lugar na
comunidade onde vivem; tornam-se pessoas, cidadãs, se sentindo parte de um todo
maior que lhes garante conforto e autoestima. Mais do que um emprego ou uma
fonte de renda, sentem-se realizadas e úteis ao meio social onde construíram suas histórias.
A pergunta
que fazemos agora é: E os sinais de Deus nas suas vidas? Quando é que percebemos
Deus a nossa volta?
Há quem
possa dizer que, tal qual ao poeta, toda vez que elevamos nosso olhar para um
pássaro voando ou um imenso jardim de flores silvestres, estamos vendo os
sinais de Deus aqui na terra.
Sim. Ele se
manifesta, desde a criação, de forma maravilhosa, esplendorosa, grandiosa, para
os olhos e enlevo de nossas almas. Porém, nem sempre nos deixamos tocar por
esse cenário bucólico e ambiente de paz, luz e generosidade divina que ele deita sobre nós.
Isso porque
insistimos em dissociar a Vida daquilo que seria o essencial para todos que buscam vivê-la em plenitude. Sim, pode-se dizer que Ele, o Filho de Deus, veio justamente para
propor reconectar, através da Conversão, esta humanidade perdida. Da mesma
forma que também pode-se dizer que Ele, o Servo Sofredor, morreu na Cruz para Redimir esta mesma humanidade de todo o pecado. De onde se pode concluir que a Redenção está
intimamente ligada a Conversão. Ou seja, se guardarmos a Lei de Deus, nos convertendo
e nos arrependendo de nossos pecados, seremos redimidos e salvos pela Expiação
e Ressurreição de seu Filho, Jesus Cristo.
A conversão e
o arrependimento, portanto, são as chaves do Paraíso. Desde o jardim chamado Getsêmani, onde Jesus fez sua derradeira Oração, Ele começou a pagar pelos nossos pecados,
dispondo-se a sofrer por nós, para que vivêssemos... desde que nos arrependêssemos.
O arrependimento, portanto, é o caminho para a vida eterna.
Iniciamos
este texto falando em sinais e agora falamos em arrependimento. E
foi por um motivo: mostrar que precisamos aguçar nossos sentidos para
perceber os sinais de Deus na nossa vida e a Ele devotar a nossa confiança,
testemunho e fé, nos arrependendo de nossas faltas e culpas, fraquezas e
egoísmos, ódios e vinganças, descuido e desrespeito com a vida. Para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,15).
Por isso os sinais
a nossa volta são tão importantes para a saúde e o futuro de nossas almas. Almas
que suspiram a grandeza e o refrigério do infinito, do poder e da graça de
Deus. Plenitude que nos transporta além das necessidades e vaidades terrenas e
nos arrebata aos braços de um Pai e Mãe celestes e generosos que lá do céu
acompanham nossos passos.
Por isso a
percepção dos sinais é importante para o nosso bem estar espiritual e nossa
missão aqui na terra. Os bens materiais, necessários à sobrevivência, somos
capazes de alcançar, com nosso esforço e trabalho. Capazes somos até mesmo de
alcançar a fartura dos bens de consumo, saúde, educação e lazer.
Mas e os bens
espirituais? Aqueles que nos motivam e inspiram o nosso viver? Na ordem do dia,
onde se encontra o rosto de Deus? Será um Deus que nos mostra o caminho e enche nossa
vida de alegria e esperança? Onde vejo este rosto de Deus misericordioso que me
ama e zela pelos meu passos, quando caminho pela rua? Quais são os sinais de
sua presença que percebemos pulsando dentro do peito e pensamentos sempre
ocupados?
Perceber os
sinais de Deus no cotidiano, configura um dos maiores desafios do cristão hoje.
Isso porque nossa atenção cada vez mais se torna difusa, caminha em todas as
direções, tal qual uma rosa dos ventos, que aponta para uma realidade tão
diversificada de ritmos e valores tão divergentes que nos perdemos no labirinto
da técnica e da desinformação.
E não
percebemos mais os sinais de Deus que aos poucos vão se esmaecendo. Quando muito sentimos uma leve
sensação de sua presença quando dobramos o joelho diante do tabernáculo, no
templo, aos domingos, celebrando a Eucaristia, renovando e relembrando o Sacrifício que Ele fez por todos nós. E achamos que isso é tudo. Ao sairmos dali,
quase que tropeçando no mendigo estirado na porta da igreja, seguimos em frente
nossa vida, cegos e moucos aos sinais de Deus que nos acompanha desde há muito,
desde o nosso batismo.
Redescobrir
os sinais de Deus na nossa vida e no ambiente onde vivemos é o desafio do tempo
que se chama hoje. Quando vemos tantos sinais de destruição e grito de dor de
irmãos, tocados pela força da natureza que se rebela dos maus tratos que têm
sofrido pelas mãos do chamado progresso, percebemos que os sinais de Deus
precisam ser urgentemente restaurados em nossas vidas. Antes que o som da
trombeta anuncie a chegada do fim dos tempos, é necessário que retomemos as
lições antigas do Catecismo e da Fé: do amor ao próximo e o zelo pela vida. Que eles
sejam as prioridades para a barca que nos levará todos para o Céu. E que Deus
tenha misericórdia de todos nós.
Brasilândia/MS,
14 de maio de 2024. Dia de São Matias, aquele que foi escolhido para substituir
o apóstolo Judas Iscariotes, o traidor (Atos 1, 15-26).
As recente inundações às
cidades do Rio Grande do Sul provocadas pelas chuvas torrenciais que causaram o
transbordamento dos rios do Estado – Rio Uruguai, Taquari, Jacuí, Guaíba,
Ibicuí, dos Sinos, Caí e tantos outros –, que devastaram cidades inteiras, levando tudo por diante, arrombando barragens,
diques e comportas de contenção, deixam, não somente um mar de prejuízos pelas
perdas materiais e lágrimas pelas vidas que as águas levaram, mas também deixa uma lição que relutamos em aprender, porém, que jamais
deveríamos esquecer.
É certo que outras
catástrofes como essas, de tempo em tempo acontecem em alguma parte do país e também
em diversos continentes; notícias que nos chegam todos os dias fazendo com que, aos poucos, vamos nos acostumando com elas – sobretudo quando atingem os outros e não a
nós mesmos. Poucos se dão o trabalho de se perguntar: Por que isso acontece
cada vez com mais frequência?
Esses reclames da natureza,
para os desavisados -- é bom que saibam --, o que acontece hoje no Rio Grande
do Sul, e que já aconteceu em outros estados do Brasil, é uma clara sinalização de que os recursos naturais estão exaustos. A natureza precisa de
fôlego, precisa de oxigênio, precisa de descanso, para se recompor. Desde a
atmosfera, as águas e a terra precisam respirar e seguir o seu curso natural,
sem interferência do homem, numa tarefa solitária que só ela pode e deve empreender.
De uma vez por todas temos
de tomar consciência – pela dor, sobretudo, já que pela ciência e o
conhecimento, não o fazemos --, de que nós somos hóspedes, transitórios,
portanto, deste imenso e, ao mesmo tempo, finito planeta. Tempo para os senhores
donos do mundo, do capital e da terra, olharem menos para o alto de seus arranha-céus,
estratégias de guerra e vida extraterrestre, e deitar suas preocupações e
esforços técnicos para preservar a vida neste planeta abençoado.
Que a mestre natureza
ensine, sobretudo aos governantes que as lições do passado não mais servem para
os dias atuais e o tempo urge, tamanha foram as agressões e feridas causadas no
rosto da mãe natureza. Mãe que nunca negou o fruto a quem lhe confiou a
semente; mãe que nunca deixou faltar o alimento a quem quer que seja,
plantas, homens e bichos.
Quando a sirene tocar e os
alunos crescidos da escola da vida saírem à campo, no final de mais um ciclo de
história natural, que eles tenham aprendido a maior lição da ecologia, sobre a importância das matas
ciliares para a proteção da vazão dos rios e contenção do assoreamento de suas
águas; sobre a precaução de não se construir cidades e bairros nas encostas dos
morros, nas margens dos rios e áreas insalubres, entre tantas lições menores.
Todos sabemos que não é mais nenhum segredo
que as mudanças climáticas e agressão ao meio ambiente estão entre as ameaças
mais graves à humanidade e, se nada for feito, em poucos séculos a Terra como
conhecemos pode deixar de existir. Há muito os ambientalistas – sempre desacreditados
--, recomendam atitudes simples que, no dia a dia, podem ajudar a minimizar os
danos causados no meio ambiente: economizar energia; economizar papel;
consumir mais vegetais; economizar água potável; reduzir o consumo de plástico,
praticar a reciclagem, entre outros.
A responsabilidade maior, entretanto, deve recair sobre os planos e políticas públicas dos governantes. O puxão de orelha no dia 5 de
junho próximo, Dia Mundial do Meio Ambiente, vai, em particular, para os candidatos à Prefeito e Vereadores que
daqui a 4 meses serão eleitos os novos administradores das 5,5 mil cidades brasileiras.
Aqui em Brasilândia/MS, neste ano, muitas propostas sobre o meio ambiente deverão estar presentes nos planos de governo dos dois candidatos que irão disputar a governança a partir do Paço Municipal Neuza Paulino Maia. Oxalá devam estar, inevitavelmente, também:
1º) controle do
desmatamento e queimadas; 2º) retomar o debate sobre o Comitê de
Bacias e mini-hidrelétricas; 3º) preservar as APAs do município; 4º) criar um Parque Municipal
(desapropriando a Chácara São João, criando ali uma Escola de Meio Ambiente ou
viveiro municipal); 5º) criar ciclovia ao longo da Rodovia Luigi Cantone (BR-158, Reserva Cisalpina) e
ao longo da MS-395 (BR-158) em direção ao Novo Porto João André; 6º) rever o
trajeto do esgoto sanitário previsto para o seu despejo no rio Verde (Jabuticabeira); 7º) que o município volte a ter um biólogo para o Departamento de Meio Ambiente, descolando-o da Secretaria do Desenvolvimento; 8º) construir bichoduto subterrâneo para a passagem de animais da Reserva Cisalpina e construção de cercas ao longo da Rodovia Luigi Cantone (BR-158), entre outras demandas que a natureza e municipalidade pedem e agradecem.
Homenagem ao desportista Professor José Cândido da
Silva
Carlos Alberto dos Santos Dutra
1.O esporte no
Brasil e no mundo é paixão. Mexe com o coração não só dos atletas, mas também
daqueles que torcem por eles nas arquibancadas.
2.Aqui em
Brasilândia isso não seria diferente. O amor pelo esporte, principalmente pelo
futebol, sempre embalou as alegrias desta comunidade. Desde seu nascimento, o
esporte esteve presente ao longo dos mais de 50 anos de existência desta cidade.
3.Simples e
criativo, para sua prática, bastava uma bola, mesmo que de pano, para ser jogada
num campinho qualquer. Desde a pelada que era disputada na terra batida
do bairro distante da cidade até o campo gramado das fazendas, especialmente
preparado para os dias de festa e congraçamento dos funcionários e seus familiares,
tudo era uma festa.
4.A homenagem que
fazemos hoje tem início de forma simbólica com a trajetória de uma bola que é arremessada
pelo tempo, rolando pelo campo dos sonhos, em direção ao gol. Depois de passar
por vários pés e ser tocada com habilidade e maestria por um atleta e seus
dribles, eis que ela chega ao fundo da rede, objetivo final da partida, para
orgulho e delírio da torcida ao ver mais uma vitória conquistada pelo seu time
e seu atleta preferido.
5.O jogador agora curva-se
para o campo e segura nas mãos a bola que lhe dá o título. Contempla a pelota
e seus gomos, antes multicoloridos e hoje já desgastados pelo tempo; mesmo
assim a abraça num gesto de carinho e gratidão. Sente o seu calor e, ao longe,
é como se ouvisse as vozes do passado que o alcançam, golpeando-o na emoção.
6.Era como se
tivesse ouvindo uma voz dizendo: --passa a bola Zé. Parecia ouvir os
colegas do times de futebol que participou repetindo: --passa essa bola Zé.
7.O atleta, agora, volta
a ser um menino. Um menino que na infância corria seminu e descalço pelas ruas
da cidade. Sim o menino que sonhara um dia ser jogador de futebol aos pouco ia
se encontrando com seu destino.
8.Aos 12 anos de idade, ele corre ao redor do gramado vendo seu pai, Joaquim
Cândido, às
voltas com a presidência da associação que fundara, o Brasilândia Atlético
Clube-BAC, que arregimentava a elite dos atletas e formava o time de estrelas
do futebol de campo da Costa Leste do
Estado.
9.Time que teve a
ousadia de ostentar a garra e supremacia de ter conquistado o feito inédito de 33 vitórias consecutivas permanecendo
invicto durante um largo período no anos 1990.
10.Mas o sonho de José
Cândido estava apenas começando a ser escrito na história das fileira do esporte
brasilandense.
11.O atleta e
administrador experiente, hoje, corre a passos lentos pela linha lateral do
campo. Afinal, 73 anos se passaram desde que seus pais, Joaquim Cândido e
dona Joana Maria, o tomaram nos braços cheios de alegria no dia 20 de
maio de 1950 na vizinha Guaraçaí/SP, onde nasceu.
12.Depois de terem
morado em Planalto, Murutinga do Sul, Santa Fé do Sul e Guaraçaí, no estado de
São Paulo, sua família fincou raízes em Brasilândia, instalando-se, no ano de
1956, nas margens do Córrego Bom Jardim cujas águas fartas nesta época
irrigavam as roças e enchiam de esperança àquela zona rural.
13.Foi nesta Cidade
Esperança que o menino recebeu o apelido de Zé Paçoca, em razão de
ter trabalhadocomo vendedor de doces de
amendoim moído na juventude.
14.Foi aqui que ele aprendeu
as primeiras letras no Grupo Escolar Arthur Höffig, estudando da 1ª a 4ª série.
Depois, prestou exame de admissão para ingressar na 5ª série estudando até a 8ª
série no Ginásio Estadual Dom Lúcio Antunes, na cidade vizinha Panorama/SP,
fazendo a travessia arriscada pela balsa do Rio Paraná que neste tempo ainda
corria rápido, livre e forte.
15.Os ano se
passaram e ele sempre conciliando os estudos com o esporte. Até o momento de se
ver transformado num homem, para a alegria e orgulho da única irmã caçula, Áurea
que sempre o incentivou.
16.Licenciado pela
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Ministro Tarso Dutra, de Dracena/SP, formou-se
professor de Português e Inglês vindo a lecionar na cidade que o viu crescer.
17.Aqui casou e
constituiu família. Inicialmente ao lado da professora Célia Maria,falecida em 2017, com quem teve os filhos: Adriano,
Adriana, Gislaine, e Franciane. E depois, ao lado de Aparecida de Fátima, com
quem teve a filha Letícia. Hoje José Cândido é avô e encanta-se
com os netos: Everton, Luiz Carlos, Camila, Gustavo, Carolina, Leandro,
Andressa e Júlia.
18.O início de sua carreira de professor deu-se no antigo Mobral no ano de 1968 quando passou
a ministrar aulas no km 3 da barranca do Rio Paraná na Escola chamada Três
Botecos.
19.Anos mais tarde, escreveu
a primeira biografia do município de Brasilândia, narrativa que pode ser
considerada a história oficial do
município.
20.Em 1986 teve a participação decisiva na fundação da Associação Brasilandense de
Professores-ABRAP que deu origem ao atual SIMTED.
21.Sua vocação para
a política nasceu vendo o desprendimento de seu pai, Joaquim Cândido, quando
ele andava a cavalo, atravessando campos e roças, em busca de votos durante as campanhas
eleitorais.
22.Foi assim que o menino José Cândido, muito
cedo, aprendeu como lidar com partidos, siglas e coligações políticas. Expertise
adquirida que lhe garantiu ter sido eleito e permanecido como vereador e presidente da Câmara Municipal por 5
mandatos e uma prorrogação, totalizando 22 anos como legislador.
23.Presidente do partido PDT
por vários anos, foi prefeito de 1989 a 1992, sob o lema Dedicação e
Fraternidade.
Foi também candidato a deputado federal em 2002 conquistando o 1º lugar no
município e 37º do Estado.
24.Como chefe do Executivo municipal, José Cândido foi responsável por muitos feitos em sua administração que ainda hoje são
lembrados pela população: Um dos mais marcantes é ter reconstruído o Cruzeiro,
monumento originalmente instalado pelo fundador de Brasilândia Arthur Höffig,
e que representa o marco histórico da fundação do município.
25.Fruto de sua larga
experiência política, seu jeito natural e ao mesmo tempo peculiar de agir
ganhou o imaginário popular tornando-se uma figura folclórica agregando o
apelido de Zé Rojão, pelo fato de chamar a população, quando da chegada
de autoridades, inaugurações e eventos da municipalidade, por meio de fogos de
artifícios, cujo som dos foguetes informava todos os munícipes.
26.Entre suas realizações
estão também a criação da Secretaria Municipal de Agricultura; o Centro
Profissionalizante do Menor, e a Corporação da Guarda Mirim.
27.Deu
impulso também à Fanfarra Simples de Brasilândia, refundando a FAMBRA, criada
1983, despertando para a música e o sentimento de
patriotismo às crianças e jovens daquela época. Isso sem falar do Carnaval que
era uma festa que ele sempre incentivou trazendo bandas para animar os foliões.
28.Foi na sua administração
também que a Prefeitura Municipal de Brasilândia ganhou sede definitiva, quando
as dependências da antiga Escola Estadual
Pedro Pedrossian, foram reformadas e ampliadas sendo transformada no Paço
Municipal.
29.Os olhos deste
administrador, entretanto, nunca descuidou de seguir o rumo de seu coração que
o levava aos campos, aos jogadores e à bola.
30.Retroage o
relógio do tempo e lá encontramos o
atleta José Cândido participando dos campeonatos amadores, quando a seleção
de Brasilândia era representada pela equipe do Brasilândia Atlético Clube – o
BAC, o time de maior brilho da região.
31.E recorda a
partida contra o time do Jupiá Esporte Clube, quando o BAC estreou dois
jogadores que se tornariam referência no futebol em Brasilândia: o lateral André e o ponta-esquerda Fogoió.
32.Este foi um dos maiores méritos de José Cândido: o de apostar no talento de
um atleta que, entre tantos servidores que se dedicaram à área do esporte,
trouxe as maiores alegria para Brasilândia: Everaldo
Vieira da Silva, o popular Fogoió. Foi
quando o BAC ressurgiu pelas mãos do ex-vereador Samuel Ramos Lopes, popular Biro-Biro.
33.Tempo de glória
do esporte, o futebol de campo era presença obrigatória nas Festas do Peão,
quando as partidas que eram realizadas no imortal estádio Joaquim Cândido da
Silva, lembra com saudade o antigo atleta ao ver o antigo estádio hoje envolto
em sombras do desprestigio.
34.Ah. Que orgulho
sentiu quando deu entrada na documentação para o BAC ingressar na Liga e poder disputar o campeonato
amador em Três Lagoas em 1989.
35.Tantas partida e
lembranças que marcaram a memória do BAC quando este time chegou a jogar até
três partidas numa tarde pelo campeonato de veteranos da Liga de Três Lagoas.
36.E ele estava lá,
até mesmo na época quando as cores antigas, preto e branco, das camisas do BAC
ganharam as cores o azul e o branco.
37.Além do BAC, onde José Cândido atuou como
ponta-esquerda, honrando o time com a camisa 11, ele também participou do CRB –
Clube Recreativo Brasilandense, em
1990 e do BEC – Brasilândia Esporte Clube. Sobre a quantidade de gols que praticou,
por modéstia, ele não arrisca a dizer.
38.Sempre atento às
necessidades do esporte, inaugurou em 1989 a chamada Casa do Atleta, como era o Departamento Municipal de Desporto. E
foi o grande incentivado do segmento feminino do BAC, com a criação do BRASAC
que brilhou por décadas projetando o esporte das meninas de ouro em
várias modalidades.
39.Entre os eventos que
o atleta-prefeito deixou sua marca está o célebre jogo entre as mulheres Solteiras
x Casadas, ocasião em que as atletas foram saudadas no início da
partida por uma bateria de fogos, bem ao estilo da época.
40.Como já dissemos,
o futebol é paixão. E as manchetes dos jornais estão aí para provar: quando o
BAC ganhou de 1x0 do Frigotel, o
jornal de Três Lagoas estampou: Frigotel
não admite perder para o BAC! Isso aconteceu no dia 23 de maio de 1990.
41.Fato curioso
neste dia de festa quando se enfrentaram: Empaer, Bandeirantes, Xavantes,
Bamerindus, Sucateiros, Cafezinho, Baixada Santista, Indiana Supermercados,
República dos Anjos e Ginásio, o artilheiro deste torneio foi Biro-Biro e o prêmio de goleiro menos
vazado foi para o nosso atleta José
Cândido.
42.O redemoinho do
tempo envolve a todos e o nosso homenageado respira fundo ao relembrar sua
história de vida que deixou para trás. São tantas realizações e alegrias
sentidas que é impossível recordar uma a uma.
43.A maior de todas
as alegrias, sem dúvida, no campo do esporte, foram os grande momento vividos em
que pisou o tapete verde, verdadeiro campo dos sonhos onde cultivou amigos e
ali pode ser admirado pela torcida que o aplaudia.
44.Sobre sua maior tristeza
e momento de dor familiar, foi quando viveu o falecimento de sua mãe, dona Joana
Maria, aos 88 anos, e o falecimento do pai, JoaquimCândido, que
faleceu com apenas 52 anos de idade.
45.No mundo do
esporte, por fim, o desencanto do santista José Cândido vai para o
estado de abandono em que se encontra o imortal Estádio Municipal Joaquim
Cândido da Silva, nos dias atuais, carente de reformas e manutenção.
46.Pequeno desgosto
que o atleta-prefeito de outrora, busca esquecer, ao som da música sertaneja
que embala os seus dias atuais de aposentado.
47.Acordes sonoros
que o animam a sorrir e estender as mãos em agradecimento à Deus pela homenagem
que lhe é prestada neste dia.