Diácono
Permanente: Onde o Serviço se Faz Graça
Por Carlos Alberto
dos Santos Dutra
Hoje, depois do despertar de meus 70 anos de vida, olho para o horizonte desta terra Ofaié e
vejo mais do que paisagens; vejo a minha própria história.
Dos meus passos, 40
anos foram trilhados aqui, neste chão que me acolheu. E, neste dia 31 de março,
celebro 24 anos desde que minhas mãos foram ungidas para o Diaconato
Permanente.
Guardo com carinho
a memória daquele dia em 2002, quando o saudoso Dom Izidoro Kosinski, no nosso
Salão Paroquial, selou meu compromisso com o Reino.
Mas o chamado
começou muito antes. Em 1986, quando cheguei a Brasilândia, o Espírito Santo já
me conduzia. Fui ministro da comunhão pela barranca, testemunhando e celebrando casamentos e
batismos, sempre caminhando lado a lado com o querido Padre Lauri Vital Bósio (in memoriam) e
tantos outros que por aqui passaram.
Sinto um nó de
gratidão na garganta ao pensar nestas quatro décadas. A Paróquia Cristo Bom
Pastor não é apenas uma construção de tijolos; é a minha e de muitos casa de fé.
Foi nela, e
através dela, que me fiz missionário entre os irmãos indígenas, os ribeirinhos
e os acampados. Cada celebração ao lado dos sete párocos que conheci foi uma
lição de aprendizado e entrega.
Ainda hoje, o
momento mais doce do meu dia é o portal da igreja. Ali, no aperto de mão e no
olhar, recebo os amigos e irmãos de longa data que me chamam carinhosamente de
"Carlito".
Eles conhecem
minha luta, meu passado político e social, e mesmo assim me acolhem com a fraternidade de
quem sabe que ali, sob a veste litúrgica, bate um coração humano e servidor.
Nossa cidade
cresceu. Novos rostos chegam, vindos de longe, trazendo suas próprias devoções.
Muitas vezes, no deslumbre e balanço da túnica, sou confundido com o Padre.
Sorrio e abençoo, pois a bênção é um transbordar do amor de Deus que o Diácono,
o Padre e o Bispo partilham com o povo.
Mas, no silêncio
da minha oração, recordo a beleza singular da minha vocação: fui ordenado para
o serviço, não para o poder. Sou (ou busco ser) o "Cristo Servo" que lava os pés dos
irmãos mais pobres.
Carrego comigo a
marca indelével de um sacramento que é para a eternidade. E carrego algo ainda
mais raro e belo: a dupla sacramentalidade: Sou Diácono e sou Esposo. A Ordem e
o Matrimônio caminham de mãos dadas na minha vida.
Sem o
"sim" da minha esposa Vilma e o carinho e respeito de minhas filhas, meu "sim" a Deus não estaria
completo. Vivemos essa doação sem reservas, sem salários humanos, mas com uma
recompensa que o mundo não pode dar.
Neste dia 31 de
março em que celebro a alegria dos meus 24 anos de ordenação diaconal, não peço
nada além da sua oração. Que eu continue sendo, para esta comunidade que tanto
amo, um sinal de caridade e um eterno servidor.
Obrigado por me
deixarem fazer parte da história de vocês. E que Deus vos abençoe. Amém.
Brasilândia/MS, 31 de março de 2026.
24º aniversário de ordenação diaconal.
Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2024/02/diacono-permanente-desafio-e-graca.html;
https://carlitodutra.blogspot.com/2022/07/a-homenagem-asensibilidade-e-o-jubileu.html




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