segunda-feira, 30 de março de 2026

 

Diácono Permanente: Onde o Serviço se Faz Graça

Por Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

 

Hoje, depois do despertar de meus 70 anos de vida, olho para o horizonte desta terra Ofaié e vejo mais do que paisagens; vejo a minha própria história.

Dos meus passos, 40 anos foram trilhados aqui, neste chão que me acolheu. E, neste dia 31 de março, celebro 24 anos desde que minhas mãos foram ungidas para o Diaconato Permanente.

Guardo com carinho a memória daquele dia em 2002, quando o saudoso Dom Izidoro Kosinski, no nosso Salão Paroquial, selou meu compromisso com o Reino.

Mas o chamado começou muito antes. Em 1986, quando cheguei a Brasilândia, o Espírito Santo já me conduzia. Fui ministro da comunhão pela barranca, testemunhando e celebrando casamentos e batismos, sempre caminhando lado a lado com o querido Padre Lauri Vital Bósio (in memoriam) e tantos outros que por aqui passaram.

Sinto um nó de gratidão na garganta ao pensar nestas quatro décadas. A Paróquia Cristo Bom Pastor não é apenas uma construção de tijolos; é a minha e de muitos casa de fé.

Foi nela, e através dela, que me fiz missionário entre os irmãos indígenas, os ribeirinhos e os acampados. Cada celebração ao lado dos sete párocos que conheci foi uma lição de aprendizado e entrega.

Ainda hoje, o momento mais doce do meu dia é o portal da igreja. Ali, no aperto de mão e no olhar, recebo os amigos e irmãos de longa data que me chamam carinhosamente de "Carlito".

Eles conhecem minha luta, meu passado político e social, e mesmo assim me acolhem com a fraternidade de quem sabe que ali, sob a veste litúrgica, bate um coração humano e servidor.

Nossa cidade cresceu. Novos rostos chegam, vindos de longe, trazendo suas próprias devoções. Muitas vezes, no deslumbre e balanço da túnica, sou confundido com o Padre. Sorrio e abençoo, pois a bênção é um transbordar do amor de Deus que o Diácono, o Padre e o Bispo partilham com o povo.

Mas, no silêncio da minha oração, recordo a beleza singular da minha vocação: fui ordenado para o serviço, não para o poder. Sou (ou busco ser) o "Cristo Servo" que lava os pés dos irmãos mais pobres.

Carrego comigo a marca indelével de um sacramento que é para a eternidade. E carrego algo ainda mais raro e belo: a dupla sacramentalidade: Sou Diácono e sou Esposo. A Ordem e o Matrimônio caminham de mãos dadas na minha vida.

Sem o "sim" da minha esposa Vilma e o carinho e respeito de minhas filhas, meu "sim" a Deus não estaria completo. Vivemos essa doação sem reservas, sem salários humanos, mas com uma recompensa que o mundo não pode dar.

Neste dia 31 de março em que celebro a alegria dos meus 24 anos de ordenação diaconal, não peço nada além da sua oração. Que eu continue sendo, para esta comunidade que tanto amo, um sinal de caridade e um eterno servidor.

Obrigado por me deixarem fazer parte da história de vocês. E que Deus vos abençoe. Amém.

 

Brasilândia/MS, 31 de março de 2026. 

24º aniversário de ordenação diaconal. 

Fonte: https://carlitodutra.blogspot.com/2024/02/diacono-permanente-desafio-e-graca.html;

https://carlitodutra.blogspot.com/2022/07/a-homenagem-asensibilidade-e-o-jubileu.html











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