segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

 

Bibliografia Digital Ofaié:





 Artigos Acadêmicos


Eu quero falar Ofayé.

https://www.academia.edu/37728704/_Eu_quero_falar_Ofay%C3%A9_A_in_visibilidade_lingu%C3%ADstica_no_ensino_e_na_pesquisa_da_l%C3%ADngua_materna_ind%C3%ADgena

 

O território Ofaié e o conceito de poder e violência.

https://www.academia.edu/33862497/O_Territ%C3%B3rio_Ofai%C3%A9_e_o_conceito_de_poder_e_viol%C3%AAncia_em_Mato_Grosso_do_Sul_Brasil

http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/viewFile/htu.2011.152.02/500

O território Ofaié e o conceito de poder e violência em Mato Grosso ... www.etnolinguistica.org › artigo:dutra-2011

 

Ofaié: pelos caminhos da história.

https://www.academia.edu/12412917/O_territ%C3%B3rio_Ofai%C3%A9_pelos_caminhos_da_hist%C3%B3ria

http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/historiaemreflexao/article/view/382/291

http://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/artigo%3Adutra-2007/dutra_2007_territorio_ofaie.pdf

 

O posto de atração do Peixinho.

https://www.webartigos.com/artigos/o-posto-de-atracao-do-peixinho-e-os-ofaie/51474

 

Os Ofaié entre o Ivinhema e o Três Barras.

https://www.webartigos.com/artigos/os-ofaie-entre-o-ivinhema-e-o-tres-barras/24719

 

Vamos falar Ofaié?

https://carlitodutra.blogspot.com/2022/11/vamos-falar-ofaye-carlos-alberto-dos.html

 

O córrego do Puladouro

https://www.webartigos.com/artigos/o-corrego-puladouro-o-imasul-e-o-indios-ofaie/19571

 

O Agã Chanagui Ofaié.

https://www.webartigos.com/artigos/o-aga-chanagui-ofaie/19174

 

Apontamento sobre o Povo Ofaié.

https://www.webartigos.com/artigos/apontamentos-sobre-o-territorio-ofaie/2237

 

Aparecida Ofaié foi ao encontro do mar

https://carlitodutra.blogspot.com/2022/06/aparecidaofaiefoi-ao-encontro-do-mar.html

 

Ofaié e Guarani se encontram no ivynhema

https://carlitodutra.blogspot.com/2017/12/ofaie-em-ivynhema.html

 

Marilda Xartâ Ofaié, a mestra

https://carlitodutra.blogspot.com/2015/03/marilda-xarta-ofaie-mestrados-doutores.html

 

Livros/Site sobre os Ofaié.

 

O Povo do mel.

http://lemad.fflch.usp.br/sites/lemad.fflch.usp.br/files/ofai%C3%A9%20o%20povo%20do%20mel.pdf

Ofaié, o povo do mel (Dutra 1991) - Biblioteca Digital Curt Nimuendajú (etnolinguistica.org)

 

A realidade indígena em mato Grosso do Sul.

http://www2.fct.unesp.br/nera/publicacoes/singa2005/Trabalhos/Artigos/Franciele%20Gon%E7alves.pdf

 

Breve História Ofaié.

https://ndh-cptl.ufms.br/?page_id=712

 

Ofaié.

https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ofai%C3%A9

 

Vídeos / Áudios sobre os Ofaié.

 

O último canto dos Ofaié.

http://www.etnolinguistica.org/media:19mar2003

 

Ofaie-Xavante: Retrato de um Povo.

https://www.youtube.com/watch?v=uRoErb_BPC8

 

Os Ofaié e a Cesp

.https://www.youtube.com/watch?v=S6dzqa61hmU

 

O lamento de Hanto-grê Ofaié.

https://www.youtube.com/watch?v=JugBdH4wwmo

 

Ofaié na TV Educativa-1999.

https://www.youtube.com/watch?v=qgjEpen4pEw

 

Dicionário Bilingue

(7) Facebook

 

Vídeos Ofaié – Núcleo de Documentação Histórica-UFMS.

 

Bibliografia Ofaié

https://ndh-cptl.ufms.br/?page_id=1043

 

Futebol Ofaié – Projeto Faz a Diferença-Fibria.

https://www.youtube.com/watch?v=RoCLldYy8FY

 

Somos o Povo Ofaié – Imagens.

https://www.youtube.com/watch?v=hULNkYxQg_k&t=625s

 

A História da aldeia Ofaié.

https://www.youtube.com/watch?v=5H19Mqg0RVM

 

Artesanato indígena Ofaié – MS Record.

https://www.youtube.com/watch?v=f56SRXMMP3I

 

Bibliografia Ofaié

Notícia dos Ofaié-Chavante (Ribeiro 1951) - Biblioteca Digital Curt ... www.etnolinguistica.org › biblio:ribeiro-1951-noticia

Etnografia e indigenismo: sobre os Kaingang, os Ofaié-Xavante e os ... www.etnolinguistica.org › biblio:nimuendaju-1993-etnografia

Ofaié-Xavánte, a Jê language (Gudschinsky 1971) - Biblioteca ... www.etnolinguistica.org › biblio:gudschinsky-1971-ofaie

MIRTES CRISTIANE BORGONHA HISTÓRIA E ETNOGRAFIA ... www.etnolinguistica.org › tese:borgonha-2006 › borgonha_2006

Escola Ofayé E Iniecheki. lemad-dh-usp_escola_ofayé_e_iniêcheki.pdf

 

Notícias Ofaié

Com fazenda ocupada pelos Ofayé-Xavante, TRF3 confirma legalidade de demarcação (uol.com.br)

MPF/MS: Funai tem 6 meses para demarcar a Terra Indígena Ofayé-Xavante | Jusbrasil

Terra Indígena Ofayé-Xavante | Terras Indígenas no Brasil (terrasindigenas.org.br)

MS - Povos indígenas da TI Ofaié-Xavante aguardam há 22 anos por demarcação pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e homologação por decreto presidencial - Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil (fiocruz.br)

Protagonismo Digital MS (sed.ms.gov.br)

Ofaié: uma língua brasileira (clickideia.com.br)

 

 


domingo, 21 de janeiro de 2024

 

O profeta Jonas e nossa resposta ao chamado de Deus.

Carlos Alberto dos Santos Dutra

 

A liturgia deste 3.º Domingo do Tempo Comum nos fala, na primeira leitura, do profeta Jonas (Jonas, 3,1-5.10). Aquele, mais conhecido por ter sido engolido pela baleia, do que sua luta pela conversão aos habitantes de Nínive. Assim procedendo, Jonas, mesmo contra a vontade, se transforma em instrumento de um Deus que ama todos os homens e a todos chama à salvação. Concede, assim, a graça aos ninivitas de poder  repensar o caminho que estão a seguir e deem um novo sentido às suas vidas. O mesmo pode ocorrer com nossas vidas.

São as palavras dos discípulos de Leão Dehon[1] que nos inspiram a refletir sobre essa instigante passagem do Antigo Testamento que reproduzimos aqui in verbis. 

Inicialmente é preciso contextualizar o Livro de Jonas. Ele foi, muito provavelmente, escrito na segunda metade do séc. V a.C., entre 440 e 410 a.C. E conta-nos uma história bonita e edificante, mas que provavelmente não seja real. Trata-se de um texto que poderíamos classificar no gênero ficção didática. Dito de outra forma: o Livro de Jonas não é uma coleção de oráculos proféticos proferidos por um homem chamado Jonas, nem sequer um relato de caráter histórico; mas é uma obra escrita com a finalidade de ensinar e educar.

Estamos nos anos posteriores ao Exílio na Babilónia. A política dos líderes judaicos – especialmente Esdras e Neemias – favorecia o nacionalismo e o fechamento do Povo de Deus aos outros povos. Por um lado, sublinhava-se o fato de Judá ser o Povo Eleito de Deus, o povo preferido de Deus, um povo diferente de todos os outros; por outro, considerava-se que todos os outros povos eram inimigos de Deus, odiados por Deus, que deviam ser inapelavelmente condenados e destruídos por Deus.

Reagindo contra a ideologia dominante, o autor do Livro de Jonas apresenta Javé como um Deus universal, cuja bondade e misericórdia se estendem a todos os povos, sem exceção. A escolha de Nínive como a cidade destinatária da ação salvadora de Deus não é casual: Nínive, situada na margem oriental do rio Tigre, capital do império assírio a partir de Senaquerib, tinha ficado na consciência dos habitantes de Judá como símbolo do imperialismo e da mais cruel agressividade contra o Povo de Deus (cf. Isaías 10,5-15; Sofonias 2,13-15).

É precisamente esta cidade que Javé quer salvar. Por isso, chama Jonas e convida-o a ir a Nínive pregar a conversão. No entanto, Jonas, como os outros seus contemporâneos, não está interessado em que Javé perdoe aos opressores do Povo de Deus e recusa-se a cumprir o mandato divino. Em lugar de se dirigir para Nínive, no Oriente, toma o barco para Társis, no Ocidente. Na sequência de uma tempestade, Jonas é atirado ao mar e engolido por um peixe. Mais tarde, o peixe vai depositá-lo em terra firme. E assim, Jonas é, de novo, chamado por Deus para a missão em Nínive.

Que história! Mas qual seria a mensagem? 

Senão vejamos. O texto começa com Jonas recebendo o segundo mandato de Javé para ir a Nínive. Jonas aceita, desta vez, a missão, vai a Nínive e anuncia aos ninivitas a destruição da sua cidade. Contra todas as expectativas, os ninivitas escutam-no e fazem penitência. Constatando a boa vontade dos ninivitas e a forma como eles acolhem o convite à conversão, Deus desiste do castigo.

A primeira lição desta parábola é a da universalidade do amor de Deus. Deus ama todos os homens, sem exceção, e sobre todos quer derramar a sua bondade e a sua misericórdia. Mais: Deus ama mesmo os maus, os injustos e opressores e até a esses oferece a possibilidade de salvação. Deus não ama o pecado, mas ama os pecadores. Ele não quer a morte do pecador, mas que este se converta e viva.

A segunda lição da nossa parábola brota da resposta dada pelos ninivitas ao desafio de Deus. Ao descrever a forma imediata e radical como os ninivitas acreditaram em Deus e se converteram do seu mau caminho (ao contrário do que, tantas vezes, acontecia com o próprio Povo de Deus), o autor sugere, com alguma ironia, que esses pagãos, considerados como maus, prepotentes, injustos e opressores são capazes de estar mais atentos aos desafios de Deus do que o próprio Povo eleito.

Desta forma, o autor desta história denuncia uma certa visão nacionalista, particularista, exclusivista e xenófoba, que estava em moda na sua época entre os seus contemporâneos. Desafia o seu Povo a aceitar que Javé seja um Deus misericordioso, que oferece o seu amor e a sua salvação a todos os homens, até aos maus. Desafia, ainda, os habitantes de Judá a assumirem a mesma lógica de Deus – lógica de bondade, de misericórdia, de perdão, de amor sem limites – e a não verem nos outros homens inimigos que merecem ser destruídos, mas irmãos que é preciso amar.

Uma terceira lição resulta do chamamento de Jonas e da forma como o profeta responde ao apelo de Deus. Lembra-nos que Deus, para intervir no mundo, conta conosco. Por isso, Ele chama-nos e envia-nos. É através de nós, seus profetas, que Ele fala aos homens e lhes aponta os caminhos que conduzem à Vida. Se nós não aceitarmos a missão, estaremos a defraudar o projeto de Deus e a impedir que a salvação de Deus chegue aos homens e mulheres que caminham ao nosso lado. 

O profeta – aquele que Deus chama a ser sua voz no mundo – não tem o direito de se esconder, de se demitir, de se afastar quando Deus precisa dele. Quando o profeta ousa vencer os seus medos e resolve comprometer-se na missão, Deus fará coisas extraordinários, apesar da fragilidade e da debilidade do mensageiro.

E para nós, o que isso representa? O que nos interpela o ‘Livro de Jonas’? 

Em síntese, nesta catequese que nos é oferecida pelo autor, Deus ama todos os homens e mulheres, sem exceção e de forma incondicional. Ele ama até os maus e os opressores; no seu coração de Pai, todos têm lugar. Esta lógica exclui, naturalmente, a eliminação do pecador: Deus não quer a morte de nenhum dos seus filhos; o que quer é que eles se convertam e percorram, de mãos dadas com Ele, o caminho que conduz à Vida plena, à felicidade sem fim. É este Deus que somos chamados a descobrir, a aceitar e a amar. O nosso caminho é mais leve e mais feliz quando sabemos que, seja qual for a amplitude dos nossos fracassos, o nosso Deus nunca nos descartará.

Nós temos, por vezes, alguma dificuldade em aceitar esta lógica de Deus. Em certas circunstâncias, preferíamos um Deus mais duro e exigente, que se impusesse decisivamente aos maus, que frustrasse os seus projetos de violência e de injustiça, que não desse qualquer hipótese àqueles que ameaçam o nosso bem-estar e a nossa segurança, que condenasse ostensivamente aqueles que não partilham a nossa visão da fé…

A Palavra de Deus que hoje nos é servida apresenta-nos um Deus de coração misericordioso, que escancara as portas a todos e que ama até aqueles que consideramos maus. Deus deve converter-se à nossa lógica, ou seremos nós que devemos converter-nos à lógica de Deus? Diante desse Deus que nunca fecha a porta a ninguém, fará algum sentido olharmos para o mundo que está para além das portas das nossas igrejas como um mundo que nos ameaça e diante do qual temos de assumir uma atitude defensiva e condenatória?

O texto sugere também que aqueles que consideramos maus estão, por vezes, mais disponíveis para acolher os desafios de Deus e para escutar o seu chamamento, do que os bons. Muitas vezes, aqueles que têm comportamentos certinhos, religiosamente corretos, podem estar de tal forma instalados nas suas certezas absolutas, que já não tenham espaço para se deixarem questionar por Deus. Teremos disponibilidade para pôr em causa as nossas seguranças e as nossas certezas inabaláveis para nos deixarmos desafiar pela contínua novidade de Deus e pelo seu sempre renovado convite à conversão?

Há também neste texto uma severa denúncia do racismo, da exclusão, da marginalização, da xenofobia. A Palavra de Deus alerta-nos para a necessidade de ver em cada pessoa que caminha ao nosso lado um irmão, independentemente da sua raça, da cor da sua pele, da sua cultura, das suas diferenças, ou até da sua bondade ou maldade. Como vemos e como acolhemos os nossos irmãos imigrantes que a vida trouxe até nós e que colaboram conosco na construção do mundo? Os vemos como inimigos, culpados por todos os males do universo, ou como irmãos por quem somos responsáveis e que Deus nos convida a acolher e a amar? Como nos situamos face aos nossos irmãos diferentes – pela raça, pela cultura, pelos valores, pelos hábitos de vida: como gente que nos incomoda e que temos de afastar para o mais longe possível, ou como irmãos que nos podem ajudar a questionar as nossas cómodas certezas, as nossas seguranças absolutas, os nossos preconceitos inabaláveis?

Jonas, o homem que Deus chamou, mas que procurou evitar comprometer-se na missão, convida-nos a refletir sobre a resposta que temos dado ao chamamento de Deus. O nosso comodismo, o nosso bem-estar, os nossos medos, o nosso egoísmo, a nossa miopia, alguma vez nos impediram de acolher o chamamento de Deus e de abraçar a missão que Deus nos entregou? Temos consciência de que ignorar os desafios de Deus é, em boa parte, falhar o sentido da nossa vida? 

Pensem nisso enquanto rogamos a Deus que nos abençoe e nos guarde. E que todos tenham um ótimo domingo.[2].

 

Brasilândia/MS, 21 de janeiro de 2024. Diácono Carlito. 3º Domingo do Tempo Comum. Paróquia Cristo Bom Pastor. Celebração das 6:45 horas (Comunidade São Vicente de Paulo) e 19:00 horas (Igreja Matriz).


 



[2] - Foto: La parábola de jonás: el contenido y el sentido de la (tostpost.com); Fonte: José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro. 03º Domingo do Tempo Comum - Ano B [atualizado], 21 de janeiro de 2024. Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos). Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal. Liturgia - Dehonianos.

 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

 

Seny Godoy, a nova escritora de Brasilândia

Carlos Alberto dos Santos Dutra






Neste sábado, dia 20 de janeiro, Brasilândia abraça mais um de seus talentos: a escritora Seny Godoy. Como é bom respirar os ares da cultura, em especial a literatura, pois afinal, foi através dos livros que o conhecimento e o saber ganharam o mundo. Exemplo maior a Bíblia Sagrada, o livro mais editado e lido em todo o planeta. 

Brasilândia sempre foi uma sementeira de talentos que se destacaram ao longo do tempo. Resiliente, como todos sabemos, a Cultura é dinâmica e o talento e seus artistas não se aprisionam em gaiolas. Eles precisam voar. Se uma porta se mostra estreita, o que permite passar apenas alguns, os escritores sempre buscam outras saídas. E os frutos começam a surgir. 

Vencida a etapa dos pioneiros do livro: Carlito Dutra (O Mendigo das Estrelas) e Patrícia Acunha (Conhecendo a minha rua), novos nomes foram surgindo e suas obras literárias vindo à lume. Dificilmente agraciados pelo patrocínio e apoio cultural, a maior parte dos livros foram editados com recursos dos próprios autores. 

Entre os que venceram os percalços da escrita-edição-publicação de suas obras e galgaram o caminho do êxito, podemos mencionar alguns heroicos autores, brasilandenses de coração, que por aqui publicaram suas obras: Luiz Carlos Mucci Jr. (Transparência na relação médico-paciente); Laura Dutra (História de um amor comum); Marissandra Inácio (O amor que vence preconceitos); Fernanda Monteiro (Rompendo as fortalezas da mente, In Prosperidade Feminina); Tainá de Oliveira (Educacion em Derechos Humanos y Democracia em América Latina y el Caribe); José de Souza Koi (Dicionário Escolar Bilingue Ofaié), entre outros. 

Neste sábado, portanto, chegou a vez de outra brasilandense de coração deixar sua marca nesta terra com um belo texto de sua lavra: Seny Godoy, é a grande homenageada deste dia. 

A ela, pois, todas as atenções serão dirigidas no evento que ocorre no anfiteatro do Centro Cultural Ramez Tebet. Momento em que ela apresenta para a comunidade brasilandense a sua obra prima: o livro “Silvanda, seu nome é família”, da qual tive a honra de editar e redigir o prefácio.  

Alguém poderá se perguntar: Quem é Seny Godoy. De onde ela vem? O que ela faz aqui? Pois bem, esta senhora, Seny Aparecida de Oliveira Godoy Morais é natural de Anaurilândia/MS, tem 60 anos e é uma eterna apaixonada pela leitura. Esposa, mãe e professora coordenadora na rede municipal de Educação e Cultura de Brasilândia/MS, com formação em Pedagogia pelo Centro Universitário de Primavera-CESPRI. 

Possui pós-graduação lato sensu em nível de Especialização em Psicopedagogia pela Faculdade de Pinhais-FAPI; em Educação Infantil e Alfabetização pela Faculdade de Venda Nova Imigrante-FAVENI, e em Gestão Educacional pelo Centro Universitário de Maringá-UNICESUMAR. “Silvanda: seu nome é família” é sua primeira obra literária, ora publicada. 

Sobre o seu livro, no Prefácio encontramos a seguinte homenagem: “Existem histórias de vida e lembranças que guardamos na aba do coração. Estão lá no fundo, encobertas pelo manto da distância e do tempo. Mas de quando em vez essas recordações nos tomam de assalto e explodem no peito nos arrebatando para os braços da saudade e das memórias. 

Neste livro a autora, Seny Godoy, faz esse trajeto de uma forma singular: saltitando com as palavras sobre as folhas brancas do papel pontuando e preenchendo-o suavemente com os acontecimentos de uma vida que os olhos nem sempre contemplam e recordam o trajeto percorrido. 

No curso de uma linda história de vida, onde essa professora adentra aos nuances do cotidiano vivido pela sua família, vale-se dos pequenos detalhes que são descritos com zelo e beleza de uma mestra, para prestar uma homenagem a seus pais, irmãos e amigos de sua infância. 

Em especial, descreve e dedica essa história à sua irmã Silvanda, a quem confere todo o mérito, esforço e dedicação, que edificou a família tão bem descrita nesta obra e que remete o leitor a revisitar também sua história. 

A homenageada é a mana Silvanda -- que dá título  à obra --, mas o perfume de gratidão que exala das palavras e a fidelidade com que a autora e suas colaboradoras Silvéria e Maria José relatam os acontecimentos, transcende os laços de família; aninham-se felizes no coração de quem, em algum momento, viveu esses momentos ou se deixou tocar por eles”. 

O resto de sua história o leitor poderá encontrar nas páginas do livro que a autora está lançando nesta data. E a melhor forma de fazer isso é deitar os olhos sobre as ricas lembranças e memórias de sua família, que ela mesmo conta...


Brasilândia/MS, 19 de janeiro de 2024

 Foto: Seny Godoy/Leandro Noronha; 

Para adquirir o livro “Silvanda, seu nome é família” acesse: Silvanda, seu nome é família, por Seny Godoy - Clube de Autores.

   

domingo, 14 de janeiro de 2024

 

A vocação de Samuel que existe em todos nós.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 

Neste 2º Domingo do Tempo Comum, as leituras do Livro Sagrado se revelam essencialmente Cristocêntricas: Cristo é o centro da nossa fé. Duas passagens da Bíblia nos conduzem hoje a refletir sobre o tema da vocação, da nossa vocação.

Inicialmente é preciso deixar claro que, no campo da vocação, que vem do latim vocare=chamar, é sempre Deus que toma a iniciativa e se aproxima dos homens e mulheres chamando-os para sua obra. E o faz a todo tempo e lugar. A todos Ele chama ao apostolado.

E este chamamento, impulsionado pelo Espirito Santo que ilumina, se dá de diversas formas, uma vez que, à semelhança do vento, o Espírito sopra onde quer (Jo 3,8).

Poderíamos nos perguntar: como e quando somos chamados? Quando haveremos de responder: “Sim, Senhor?”. A qual chamado ou conselho daremos ouvido: os apelos e vantagens do mundo, ou àquele que se encontra ao nosso lado e se diz ser nosso amigo?

A história do chamamento do profeta Samuel ainda menino nos mostra a dinâmica, o modus operandi de Deus quando se acerca de nós, da nossa vida, com um propósito.

Primeiro, o chamado é sempre uma iniciativa misteriosa e gratuita de Deus. É Ele que vem ao encontro do homem. Chama-o pelo nome. Deus conhece a cada um de nós. Como um pai ou uma mãe haveria de esquecer um de seus filhos? Não seriam pais se não fossem atrás daquela ovelha perdida retornando com  ela nos ombros, machucada que fosse.

Ao nos chamar Deus acolhe como somos e ao mesmo tempo, nos desafia a ser sinal e testemunho de seu projeto no mundo. O presente e o futuro de nossa vocação dependem da resposta que vamos dar a esse chamado.

Da 1ª leitura podemos extrair que Deus se manifesta a Samuel enquanto ele estava deitado, presumivelmente a noite. É o momento do silêncio, da tranquilidade e da calma, quando a algazarra, o barulho e a confusão se calaram. Ou seja, é no silêncio que a voz de Deus é mais facilmente perceptível; quando o coração e a mente do homem  abandonaram a preocupação com os problemas do dia a dia e estão mais livres para escutar os apelos e desafios de Deus.

Bonito? Maravilhoso? Sim.  Simples? Fácil? Não. Não raras vezes temos dificuldade de reconhecer este chamado, de identificar a voz de Deus, como aconteceu com o jovem Samuel. Javé chamou Samuel três vezes e só na quarta vez é que o jovem conseguiu perceber que voz era aquela (1Sm 3,3b-10.19).

A mensagem aqui evidencia a dificuldade que qualquer chamado experimenta no sentido de identificar a voz de Deus, no meio da multiplicidade de vozes e apelos que nos envolvem todos os dias e atraem nossa atenção e os nossos sentidos.

O papel de Eli na descoberta vocacional de Samuel foi essencial. Eli compreende que era o Senhor que chamava o menino. É, portanto,  Eli que ensina Samuel a abrir o coração ao chamamento de Javé: “Se fores chamado outra vez, responde: ‘fala, Senhor, o teu servo escuta”.

Veja aqui a importância dos irmãos que nos rodeiam, que nos aconselham e orientam. Eles têm um papel importante na percepção da vontade de Deus a nosso respeito.

Eli compreendeu que Samuel ainda não conhecia o Senhor e que a Palavra ainda não o havia sido manifestada. Samuel descobre a Deus e Eli, ao aconselhar, põe em prática sua vocação.

Em síntese, o chamado de Samuel nos ensina e reforça as palavras do Evangelho de hoje que nos propõe o que pode ser chamado de Teologia do Seguimento. Seguimento a Jesus por uma Igreja – Povo de Deus --, discípula e missionária. Uma Igreja em saída, como pede o Papa Francisco.

No Evangelho (Jo 1,35-42) observamos João Batista que está parado vê Jesus andando e aponta aos dois discípulos que lhe acompanhavam, que deviam seguir e acompanhar a Jesus.

A missão/vocação de João Batista não é anunciar a si mesmo ou ao seu grupo de seguidores, mas a missão de apontar o caminho: “Eis o cordeiro de Deus”. É a Ele que devemos seguir. Aos poucos, depois de anunciar o Senhor e batizá-lo, pedir para aplainar os caminhos, João Batista, vai saindo de cena, cumprindo sua missão, sua pastoral.

Em nossas comunidades, a pastoral e os serviços que realizamos são os sinais visíveis da nossa vocação e resposta ao chamamento a Jesus. Mas ao contrário do que muitas vezes pensamos, o papel e vocação das pastorais e movimentos não é atrair pessoas para o grupo, mas para implantar o projeto de Reino de Jesus.

Um Jesus que está em constante movimento; não está parado, como vimos no Evangelho: caminha pelos campos, desertos, vilas e cidades, pratica milagres, abençoa, faz curas e ensina os segredos da vida e da felicidade, através da prática da justiça, da verdade e da solidariedade aos menos favorecidos. Nos ensina a responder ao chamado. Nos ensina a ficar atento aos conselhos, à semelhança de Eli a Samuel. Nos ensina a dizer ao Senhor: “Fala que teu servo escuta”.

Fiquemos, pois, atentos aos conselhos, notícias e informações que recebemos todos os dias, dos amigos e daqueles que estão ao nosso lado dizendo: Jesus está aqui, Jesus está acolá. E, principalmente aquelas que nos chegam pelas redes sociais: informações, pregações, correntes de oração e grupos que nem sempre libertam. E tampouco fazem discípulos de Jesus, aquele que perguntou no Evangelho de hoje: “O que estais procurando?”.

Que nesta hora, diante de tal pergunta, possamos responder em alto e bom som: buscamos “Rabi”, o nosso Mestre. E que tenhamos coragem de estender-lhe a mão quando Ele nos disser: sim, sou Eu. “Vinde ver” onde eu moro e para que vim ao mundo...

Assim, como Ele falou a Simão Pedro, chamado Cefas, que quer dizer pedra, somos também convidados a ouvir e a responder, interpretar os sonhos e os chamados de Deus que nos tocam o coração, pegar na sua mão e seguir em frente.

A vocação sempre é intermediada por pessoas que um dia nos apresentaram Jesus e d’Ele nunca mais nos apartamos. Rezemos, pois por todos aqueles que um dia nos apresentaram Jesus, aos quais somos eternamente gratos pela nossa vocação: nossos pais, padrinhos, avós, tios, irmãos, professores, familiares, amigos e comunidade de fé, esperança e caridade. Assim seja.

Brasilândia/MS, 14 de janeiro de 2024. Diácono Carlito. 2º Domingo do Tempo Comum. Igreja Matriz da Paróquia Cristo Bom Pastor. Celebração das 19:00 horas.

Foto: Jovens profetas: Samuel e Jeremias (capuchinhos.org); Fonte: Liturgia - Dehonianos; Homilia do Pe. Antônio Tasquetto, da Paróquia e Santuário Nossa Senhora das Vitórias, de Cacequi/RS. (5) Facebook

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

 

Waldemar Firmino de Campos e a mais bela mensagem

Carlos Alberto dos Santos Dutra


 


Certo dia, um homem, durante uma conferência, enquanto falava de números e previsões orçamentárias de uma pacata cidade, contou uma pequena história. Buscava ele sensibilizar os participantes, munícipes e administradores ali presentes, para a importância do planejamento não somente nas finanças públicas, mas também da vida familiar de cada um. E a dificuldade de se moldar a mentalidade e o comportamento humano para o caminho da mudança na perspectiva de se alcançar o progresso e realização pessoal e social. 

Hoje faz dois anos da última conferência neste município, disse ele. Na Prefeitura você nunca sabe o que vai arrecadar. Quanto às despesas, temos, apenas, uma noção. Porém muitas vezes nossos cálculos e previsões são superados. Todos nós fazemos nossos orçamentos nas nossas casas. No orçamento público [da mesma forma] estima-se despesas e receitas. Existem normas técnicas, onde se faz um apanhado dos últimos cinco anos onde se compara as últimas arrecadações; existem oscilações dentro de um nível aceitável, e baseado nisso fixa-se as despesas e se vê quanto vai para quem, ou para aquilo (...). 

Tratava-se da 5ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente ocorrida no ano de 2007, há 17 anos, portanto. Os participantes, depois de ouvir o promotor de justiça da época, Dr. Bolívar Luís da Costa Vieira, voltavam os olhos para a segunda palestra daquela manhã ministrada pelo então Secretário de Administração do município, Waldemar Firmino de Campos. 

Falar em criança e adolescente é sempre muito especial, e muito complexo também, disse. Mas vou falar sobre algo talvez ainda mais complexo, que são as finanças e o orçamento. Gostaria de lembrar inicialmente que hoje faz 13 anos que o Estatuto da Criança e do Adolescente foi instituído: 13 de julho de 1990. 

E lá encontramos aquele bacharel em Ciências Contábeis, formado pela Faculdade de Araçatuba/SP, nascido em 12 de janeiro de 1947 na cidade de Murutinga do Sul/SP, casado com a Profª. Maria Stella Campos (in memoriam), pai de três filhos, hoje realizado e com uma larga experiência profissional falando ao público com a voz e eloquência sui generis que Deus lhe deu. 

Retroage o relógio do tempo e relembramos sua exitosa trajetória que teve início quando foi cartorário na sua cidade natal; depois, ingressando no Banco Brasileiro de Descontos S.A. Bradesco, tendo ali trabalhado 21 anos, dos quais 14 exercendo a função de gerente[1]. 

No Bradesco trabalhou em nove praças, deixando o banco em 1986, já em Junqueirópolis/SP onde exerceu o cargo de assessoria na área de finanças junto à Prefeitura daquela cidade. Em julho de 1993 veio para Brasilândia onde já executava algumas atividades. Como já havia feito algumas pesquisas para saber em que atividades comerciais deveria atuar aqui, implantou a Loja de Móveis Buriti, associando-se a um antigo companheiro de Bradesco que possuía uma pequena fábrica de móveis e não parou mais. 

A exemplo de todo o brasileiro, superou, resiliente, as dificuldades que, de governo a governo, assolam a vida da classe trabalhadora, e, junto dela também o ramo do comércio ao qual se dedicou. Com habilidade, entretanto, venceu, tornando-se um homem de negócios em destaque em Brasilândia. Razão pela qual foi convidado pela prefeita da época, Marilza Maria Rodrigues do Amaral, para exercer o cargo de Secretário de Administração e Finanças, ajudando o município a superar a crise que a Prefeitura atravessava em 1997 buscando colocar suas finanças em ordem[2]. 

E foi naquele momento, durante a palestra orçamentária que ministrava que fez uma pausa e dividiu com os presentes uma mensagem que, no entender deste escrevinhador, serviu não somente para aquele momento, mas para a vida toda dos que ali se encontravam. 

In verbis. O pai estava assistindo um filme e um menino encontrava-se ao seu lado tirando-lhe a atenção. Então o pai rasgou o mapa do mundo e mandou o menino ir emendar. Daí a cinco minutos o mapa estava pronto. O pai se assustou e perguntou ao menino como ele havia conseguido tão rápido. O menino, no entanto, respondeu: --no verso do mapa tinha um homem desenhado. Eu consertei o homem e automaticamente eu consertei o mundo [3].

Com a Parábola do Cientista e a Criança, o palestrante e cidadão Waldemar Firmino de Campos coroou sua apresentação com a mais bela mensagem daquela conferência. Por mais complexo que seja o problema do mundo, a solução sempre está no próprio homem. Quando nós mudamos, o mundo também muda.

Seu Firmino naquele dia, deixou, sem dúvida a melhor lição para todos nós. Esperamos que o mundo seja diferente, mas nós permanecemos os mesmos. Almejamos grandes mudanças no mundo, mas nós mesmos não mudamos. 

Se quisermos um mundo mais justo, devemos ser os primeiros a praticar a justiça. Para um mundo mais honesto, que sejamos os primeiros a praticar a honestidade. Para um mundo mais caridoso, sejamos os primeiros a praticar a caridade. Temos o poder de consertar o mundo [4]. Isso, aquela criança ensinou ao cientista e a todos nós.

Parabéns Waldemar Firmino de Campos pelo seu aniversário. São 77 anos de vida, aprendizado e realizações.


Brasilândia/MS, 12 de janeiro de 2024.

Foto: Internet, 2018. Fonte: História e memória de Brasilândia, Vol. 3-Cidadania, pág. 62s., e Vol. 4-Desenvolvimento, pág. 310s.



[1] - Coluna Quem é Quem do Jornal de Brasilândia, em janeiro de 1997. Biografia de Waldemar Firmino de Campos e as principais propostas do novo cargo de confiança da prefeita, Marilza Maria Rodrigues do Amaral que naquele ano assumia.

[2] - A atuação social e benemérita de Waldemar Firmino de Campos estende-se pela AVCC, tendo ocupado vários cargos da sua diretoria; como membro e presidente atuou na modernização da ACIABRA, sendo um de seus baluartes dando continuidade ao trabalho do fundador Alcides Lopes; instalação do Rempac e criação do SPC no município; esforço conjunto para trazer para Brasilândia uma nova agência bancária; incentivador do Show de Prêmios;  participação na política partidária como candidato a vereador, e locutor oficial em eventos públicos e filantrópicos, entre outros.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

 

Maria Tereza Rodrigues da Silva: nosso colibri da saudade no Céu.

Carlos Alberto dos Santos Dutra


Quando uma pessoa parte em viagem, por natureza, ficamos apreensivos. Preocupa-nos o fato de vê-la arrumando as malas, tomando um táxi e dirigindo-se à rodoviária ou aeroporto. Nosso comportamento e desejo nesta hora é o de acompanhar o amigo ou parente, manifestando nossos sentimentos e votos de uma boa viagem. E que o percurso seja realizado em segurança, célere e agradável até a chegada no seu destino.

Ao deixarmos o local do embarque, após a despedida, retornamos para casa com uma sensação de vazio e aperto no peito, já com uma pontinha de saudade. Nos conforta, entretanto, saber que logo aquela pessoa estará de volta no nosso convívio, quando a vida retornará o seu curso normal e a teremos novamente ao nosso lado.

Há uma viagem, porém, que não garante esse retorno e nem trás essa felicidade. É quando percebemos que, aquele que parte, leva quase nada na bagagem, somente lembranças, deixando para trás somente as boas ações que com ele dividimos: alegrias vividas, gentilezas repartidas, o calor dos abraços, sorrisos e os olhares de ternura e respeito nutridos.

Quando o viajante se une a nós pelos laços de sangue e o amor maternal, aí então o coração explode. O tempo e o local da partida só reservam dor e lágrimas. E nos jogamos nos braços das recordações na ânsia de retê-lo um pouco mais entre nós.

Ah! Que vontade de voltar no tempo e recuperar no baú do passado cada detalhe daquele rosto de mãe que já não se encontra entre nós.

Dona Maria Tereza Rodrigues da Silva empreendeu hoje a derradeira viagem para outras paragens deixando para trás seus rebentos, familiares e amigos que nesta hora abrem o relógio da saudade para lembrar o quanto ela foi importante. E por isso seus corações choram.

Com dona Maria Tereza não seria diferente. Agora são as lembranças de sua passagem entre os seus que confortam aqueles que lhe acenam na despedida.

Não obstante, além do trabalho e dedicação à família, causa orgulho lembrar e festejar o quanto ela construiu na sua vida profissional e contribuiu no social desta comunidade de onde era dileta filha de tradicionais moradores do lugar.

Corria o ano de 1989 e lá encontramos a jovem servidora da Escola Estadual Adilson Alves da Silva representando o setor administrativo do então chamado Ginásio, participando da fusão do Magistério com o Administrativo, nos prolegômenos da ABRAP – Associação Brasilandense de Professores, que se transformava na época em Sindicato (SIMTED).

Ao lado dos professores José Arnaldo, Lúcia Lima, Regina Célia e Francisco Lins, lá encontramos dona Maria Tereza, representante do Administrativo da Escola participando da Comissão responsável pela alteração estatuária do novo Sindicato.

Três anos depois, dona Maria Tereza participava no Conselho Fiscal da entidade CODECOMB – Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Brasilândia, ao lado de Carlito Dutra, João Pedro Gordin, Luci Mara de Souza, Luiz Carlos Passianoto, João de Abreu Lima, entre outros.

Maria Tereza também participou em 1993 da eleição do Colegiado da Escola, numa clara e desprendida demonstração de seu engajamento nos rumos desta comunidade. Entre 2005 e 2007 ainda participou ativamente no Conselho Fiscal da AVCC – Associação de Voluntários de Combate ao Câncer, no tempo das presidentes Silvia Neura e Darsiza Santos.

Proprietária, desde 1994, da Panificadora e Confeitaria Fenix, por muitos anos, sem publicidade, forneceu graciosamente pãezinhos para a Pastoral da Criança, nos lembra a coordenadora Carmem Galiani. Depois de uma vida dedicada ao trabalho e ao comércio, aposentou-se, e mal começou a desfrutar o lazer, eis que hoje, ela, que nasceu no dia 19 de outubro de 1949, a jovem Maria Tereza, aos 74 anos de vida, teve de atender ao chamado do Céu para, agora sim, descansar nas verdes pastagens especialmente para ela preparadas.  

O tempo passa, os dias se vão e lá está o colibri firme e forte rufando suas asas, tal qual um anjo, no Céu. Por vezes rebelde, mas sempre espirituoso. E cá ficam os filhos, parentes e amigos cheios de saudade, revisitando o baú de guardados e fotografias antigas em busca de lembranças e sentimentos de gratidão que se encontram escondidos no átrio de seus corações que acenam... para ela, em despedida.

Descanse em paz, dona Maria Tereza Rodrigues da Silva, um colibri da saudade no céu.


Brasilândia/MS, 03 de janeiro de 2024.

Imagens: (6) Facebook




 

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

 

Homenagem ao casal Zilma e Valdir Blini pelas Bodas de Esmeralda





















O dia 29 de dezembro de 2023 foi um dia muito especial. Foi quando um grupo de pessoas amigas adentrou um recinto repleto de perfume e sentimento, todo ornado de flores e arranjos que faziam brilhar os olhos de quem ali se encontrava.

Os pés percorrem a distância que os separa e aos poucos se aproximam do coração da casa, lugar onde circula uma aura de frescor, nostalgia e graça, que enleva o espírito dos convidados. Sorrisos e gestos de cortesia, urbanidade e gentilezas. E o refrigério do espírito que os envolve.

Noite onde todos se revestem das mais belas intenções que brotam da alma e do coração. Sim, o coração nesta noite é o maestro da orquestra de suas vidas. Revestido e belo, como a uma esmeralda, ele fala o mais alto de tudo o mais que os rodeia: desde a música até o brilho das vestes e o calor dos abraços.

Alguém desavisado poderia se perguntar o porquê desta reunião festiva: um encontro de amigos? Uma comemoração? Uma festa de aniversário? Uma celebração?

Sim. Tudo isso e muito mais. Um encontro de emoções. Motivo de benção para aqueles que se encontram ali reunidos. Encontro que une laços de afeto nutridos desde há muito por um casal, que naquela noite era o anfitrião da festa.

São colegas, amigos e parentes que correm ao encontro de Zilma e Valdir para partilhar com eles da sua alegria nesta cerimônia tão significativa que contagia o ambiente, cumulando-os de bênçãos ao som do rufar das asas quiçá de anjos.

Afinal, completar 40 anos de casado é motivo de alegria e festa para este casal e a família que eles constituíram.

Ah. Como o tempo voa. Parece que foi ontem. Quando os olhares se cruzaram, lá pelos anos 80, através de um meio de comunicação, muito comum na época, chamado correio elegante: uma brincadeira que acontecia nas festas populares e que consistia em enviar tímidos cartões com recadinhos para a pessoa amada.

O casal lembra muito bem aquele dia que marcou para sempre suas vidas. O acontecimento reunia os fiéis numa quermesse que ocorria no mês de maio, mês de aniversário da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na cidade onde viviam, Adamantina.

Valdir Blini, com 21 anos, e Zilma de Souza Lobo, jovem de 17 anos de idade. Eles moravam muito próximos, a apenas quatro quadras de distância um do outro, e por incrível que pareça até aquela data não haviam se encontrado.

Foi, portanto, através desses correios elegantes, que o filho de seu Alfeu e dona Hermínia começou a paquerar, como se dizia naquele tempo, a filha de seu Josias e dona Shirley, todos já saudosos, vindo a firmar solenemente o compromisso no dia 6 de agosto de 1980.

Cumprido o rígido costume e as exigências do namoro da época, dois anos depois, lá estavam os noivos numa festa de entrega de alianças na casa do seu Josias para a alegria da família e o sorriso cheio de vida dos irmãos do noivo Valdir: Maria Helena, Jair José, Odair e Dirce; e da jovem Zilma: as irmãs Zilda, Josimar e Joseval, hoje saudoso.

Dali para frente, o tempo de infância dos noivos foi ficando para trás. As lembranças de Piacatu e Rinópolis que Zilma possuía aos poucos passaram a ser substituídas pelo tempo presente e a nova realidade que lhe tomava o tempo para pensar no futuro. Em Adamantina, ela frequentou as escolas Navarro, a Fleurydes e a Hellen, enquanto trabalhava como comerciária.

Quanto ao jovem Valdir, depois de haver passado pelas mesmas escolas que anos mais tarde Zilma também frequentou, tornou-se funcionário público estadual, porém, as portas da Faculdade de Direito da Alta Paulista em Tupã logo o esperavam para iniciar uma brilhante carreira profissional.

Nesta época Zilma cursava o Magistério, alimentando o sonho latente de, um dia, vir a ser professora. As dificuldades para os estudantes que não possuíam maiores condições, entretanto, não eram poucas. Vivia-se numa época em que para chegar à faculdade, por exemplo, o percurso tinha de ser feito de ônibus ou pelo trem que ligava Adamantina à Tupã.

Mesmo assim, nada abalava aquele casal de sonhadores que mantinha relacionamento firme no companheirismo e alicerçado no amor comprometido que os fazia a se verem quase todos os dias.

Do noivado até o casamento, foram muitos planos, construções e aspirações. E onde tudo foi alcançado, com a Graça de Deus, na mais perfeita ordem.

E eis que o grande dia chegou. No coração de Adamantina, dois jovens davam-se as mãos para caminhar juntos. Quando o relógio marcou 17 horas do dia 29 de dezembro de 1983, uma quinta-feira, a igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, sob as bênçãos do Padre Emílio Gil, o sacramento do Matrimônio se concretizou.

Sacramento que selou uma união abençoada que frutificou ao longo dos anos cumulando-os com dois rebentos: André Luís, que nasceu em 85 e o caçula Pedro Henrique, que nasceu em 92. O corolário de flores e graças ainda os brindou anos mais tarde com dois netos queridos: Izabela e Davi.

Desde 2010, o casal vive em Brasilândia, no Mato Grosso do Sul, onde Valdir firmou-se como advogado. Depois de aposentar-se como funcionário público, como ele mesmo diz, partiu para a advocacia. Zilma, em contrapartida, depois de dedicar-se também como secretária de escritórios de advocacia, passou a curtir  a vida, a família e os netos.

Gosto por viagens, e de quando em vez uma caminhada. Ele, torcendo para o Santos e cantarolando músicas de Roberto Carlos e Amado Batista, enquanto ela, deliciando-se ao som do Legião Urbana e a música Chão de Giz, de Zé Ramalho. Eis o ritmo do jovem e simpático casal que naquela noite festeja suas Bodas de Esmeralda.

Este é o casal que comemora 40 anos de casado cheios de alegria, saúde e vitalidade. Amor infinito que renasce cheio de estima, unidade e sabedoria. Rodeado de amigos, o casal pode ter uma certeza: a caminhada valeu a pena.

Sim, amigos Zilma e Valdir, este momento vivido lhes permite poder abrir os braços e ir ao encontro dos amigos que ali estavam e manifestavam o seu amor, o respeito e a estima que são merecedores. E que correm ao vosso encontro para aplaudir o caminho de flores que vocês percorreram.

Pai, mãe, irmão que já partiram, com certeza, lá do céu, também saúdam vossa felicidade e acenam cumulando-os de bênçãos e que inspiram a todos darem-se as mãos e rogar a Deus uma prece de agradecimento pela luz e o orvalho do céu que tem depositado sobre vossas cabeças.

Parabéns Zilma e Valdir Blini pelas Bodas de Esmeralda.


Brasilândia/MS, 29 de dezembro de 2023.